Vilkår for å yte investeringstjenester
4.4 UTVALGETS VURDERINGER .1 Innledning
4.4.5 Konsesjonsplikt
De forma a fazer face às novas tendências deste modelo emergente do profissional multimediático, é necessário apostar na formação. Se por um lado, é importante investir na formação de equipamento técnico, devidamente adaptado às novas tecnologias, não menos importante será o ensino da criatividade de conteúdos e tratamento informativo. Necessidade distintas que requerem operacionalidades diferentes.
Sobre o domínio técnico e a formação, obviamente, partirá dos fornecedores dos próprios equipamentos e a expressividade que se quererá obter. Contudo, no que respeita aos conteúdos, esses vão exigir inovação, impulso de criatividade e principalmente uma entidade formadora por detrás disso, que seja transversal e integrada. Daí que, na opinião de Bastos (2011, p. 64) “os media deixaram de ser unimédia para se converterem em multimédia e em hipermédia, mesclando fórmulas
narrativas de imprensa, rádio e televisão numa nova condição hipertextual.” Torna-se urgente a adaptação do profissional a um novo panorama de competitividade e serviço à audiência como nunca antes visto, sob o risco dele próprio se tornar obsoleto e sem recursos.
“O profissional da informação, para além de manusear, articular e dominar a tecnologia e serviços informacionais, deve também cada vez mais ser capaz de compreender o processo de produção e distribuição de informação enquanto conhecimento – ou seja: é necessário que ele compreenda cada experiência ou saber a partir da realidade sócio-histórica onde foi construído” (Faustino, 2010, p. 35).
É importante haver clareza em relação aos papéis que cada profissional desempenha. A fronteira entre o jornalista generalista e o especializado é cada vez mais ténue e por vezes até confusa. Cada função exige um tratamento distinto e cuidado. Aos mais novos jornalistas, prestes a integrar as redações, seria necessário assimilar uma formação tecnológica - que agregasse vertentes de produção de informação, entretenimento e publicidade - de conteúdos com a inclusão das diversas tecnologias – desde o áudio, à informática ou dispositivos multimédia – e finalmente a combinação ou fusão prática das duas modalidades para que a experiência no novo cenário multimediático fosse efetiva.
Aos jornalistas que já se encontram nas redações dos meios tradicionais, vistos como profissionais carregados de um grande conhecimento, de uma determinada área, não se poderá exigir que sejam especialistas em tudo. Micó (2006) agrupou, à luz do nível e da capacidade de executar diferentes tarefas, um padrão para as formas específicas de multitarefas a ser desenvolvidas por jornalistas: os especialistas em Media: jornalistas que produzem conteúdos para diferentes meios de comunicação; os especialistas em Assuntos: profissionais especializados em notícias de áreas temáticas diferentes; e os especialistas Técnicos: jornalistas que são responsáveis por grande parte das tarefas de produção. Com base nestes três perfis, eis algumas das competências que um jornalista multifacetado ou multidisciplinar tem de possuir:
1. Saber identificar todos os elementos de cada história: cabe ao jornalista conseguir perceber não apenas as fontes primárias da sua notícia, mas também de que outros elementos (gráficos, audiovisuais e interativos) se pode socorrer e que seja “capaz de perceber as capacidades e a estética dos novos media” (Bastos, 2011, p. 66) e a possibilidade de personalizar junto dos leitores onde
“each audience member can receive personalized news that places each story into a contexto meaningful to her or him” (Pavlik, 2001, p. 4)
2. Contar a história apropriada à plataforma: se pensarmos no jornalista que organiza, recolhe e relata para um grande grupo de comunicação, ao produzir o seu conteúdo noticioso, ele terá que pensar qual o meio – rádio, jornal, televisão ou web – terá um maior impacto junto da audiência. E mais importante de tudo, é no terreno ou enquanto faz o plano da sua notícia que o jornalista terá que decidir “onde” contar a sua história.
3. Dominar as ferramentas técnicas: Não basta ao jornalista escrever. Ele terá que ser capaz de dominar a edição, captura (imagens fotográficas, vídeo e som), na ausência de fotógrafos ou profissionais do áudio e do vídeo. Não se pede que seja, contudo, um especialista exímio, mas sim que cumpra o que lhe é pedido. Em redações convergentes não é incomum, por vezes, os jornalistas partilharem capacidades técnicas que lhes permitam ser eficientes na recolha de material adicional – fotografia, vídeo e som – à sua notícia. Eles têm de saber como funciona o equipamento, que hoje em dia é mais compacto, leve e de baixo custo e relativamente fácil de operar. Trata-se mais de uma questão de organizar o seu tempo e os elementos da sua história para que seja contada de forma apropriada e ao alcance de diferentes tipos de media.
4. Rapidez: Além da rapidez no acesso ao local da notícia e às fontes, o jornalista multidisciplinar terá que ser rápido na decisão da plataforma onde vai comunicar. É importante saber reconhecer que histórias funcionam melhor para os jornais, para a rádio, para a televisão e para a Web. Apesar da notícia poder ser contada em qualquer meio – e na verdade ela será mais tarde reproduzida em todos os media – as suas características específicas podem fazer com que funcione melhor num dos meios do que noutros. Será mais usual ver temáticas com mais detalhe ou análise de contexto na imprensa, enquanto para a televisão se utilizem elementos profundamente visuais. A Internet é o único meio que permite tudo isto acrescido da possível – e provável – interação com o utilizador que poderá ser uma ajuda na personalização e melhoramento da notícia.
Hoje, a exigência humanística alarga-se às capacidades técnicas e de experiência do jornalista. O profissional muda o seu campo de atuação e assistimos a uma clara migração do especialista de assuntos para o especialista nos media, em detrimento do
conteúdo. Parece-nos oportuno, portanto, relembrar que os jornalistas de hoje devem-se virar para o passado, numa espécie de ‘back to basics’. Comecemos pelo mais básico: a escrita. Enquanto nos meios tradicionais a preocupação do jornalista é, regra geral, escrever de forma simples e acessível, para os ciberjornalistas a estas características acresce a preocupação de “leitores com perfis e exigências muito específicas e distintas” (Bastos, 2011, p. 69). O autor enuncia ainda as principais diferenças da redação de um texto entre um jornalista de um meio tradicional e um que opere em meios digitais:
“Para o ciberjornalista, o conhecimento de como se estrutura uma crónica ou uma reportagem, ou a necessidade de separar informação de opinião, continua a ser o mais importante, mas deve ter presente, na hora de elaborar conteúdos, que a informação online não é sequencial, mas transversal.” (Bastos, 2011, p. 70)
Escrever é um processo demorado, principalmente, se olharmos para as características e linguagens de cada meio convergido, percebemos que este é o mais transversal e também o mais difícil de dominar. Todo o processo de redação começa com a recolha de informação que, de acordo com Wilkinson, Grant e Fisher (2009, p. 17) tem três principais fontes: “interviews, documents and archives, and the personal experience of the journalist”. Qualquer uma destas fontes é importante para o momento em que o jornalista decide como vai contar o que aconteceu, ou o que presenciou. Se a entrevista permite a recolha de informação em primeira mão, capaz de fornecer dados relevantes do que aconteceu é também a ferramenta mais básica da busca de informação. O que está publicado na web e tudo o que o jornalista consegue reunir para contextualizar o acontecimento, inclui não só documentos, mas também vídeo e som. A observação será útil para a descrição e as próprias entrevistas.
Os elementos que acompanham a notícia a um ritmo próprio da navegação do cibernauta criam ao mesmo tempo uma nova narrativa jornalística. É inútil reduzir a Internet apenas a um canal de distribuição de conteúdos, quando na verdade, por força de ser um meio que combina tudo o que os tradicionais possuem, e em movimento, terá também uma linguagem própria, baseada nas potencialidades do hipertexto e de um suporte tecnológico esmagador. A leitura não-linear integra diversos elementos multimédia, o que pode causar alguma dificuldade, por um lado, já que obriga o leitor a um maior esforço de concentração na notícia, mas por outro, provoca um maior envolvimento, com a capacidade de ser explorada a um nível pessoal. As mudanças não são só nos profissionais, mas na forma como apresentam o conteúdo informativo. Uma
das possibilidades que advém da convergência é o planeamento da divulgação da notícia (storyboard), como uma das características base da escrita não-linear. Desde o vídeo, às infografias animadas até às galerias fotográficas, tudo é uma possível associação, uma nova narrativa, uma nova forma de contar a notícia.
“Hoje, as tecnologias digitais, os sistemas de entrega por cabo e satélite e as oportunidades para a convergência que fornecem, estimularam a perseguição pela incorporação de players noticiosos provenientes de sinergias noticiosas, bem como os lucros através da produção simultânea para as plataformas multimédia. Estas mudanças, por sua vez, abriram caminho para os jornalistas ‘multiskilled’ (ou é ‘deskilled’), que estão agora obrigados a contractos de curta duração, uma carreira casualmente achatada pelas estruturas com o intuito de os tornarem ‘flexíveis’ para as práticas de trabalho, ‘empacotando’ notícias de acordo com os formatos convencionais. Hoje, a ‘cultura das notícias’ já não está confinada aos profissionais do meio inabitado por trabalhadores de notícias e pela sua imersão sem a usurpação de ‘notícias factuais’ plagiada pelos colegas competidores. […] As notícias, agora, também chegam de muitas e diferentes formas […]. São entregues por tecnologias online, tal como pelos media impressos tradicionais e pelos
media de transmissão global, aumentados pelas 24 horas e as capacidades em
‘real-time’” (Cottle, 2003:16).
Mesmo que o papel do jornalista seja rumo a uma maior especialização, temática ou técnica, ele deve ser capaz de repetir sempre o mesmo processo: olhar uma situação e determinar que elementos deve usar e como os distribuir nos diferentes canais. A migração da profissão para o especialista da história tem vindo a ganhar causas, especialmente quando muito se fala em sobrevivência dos jornais. E a sobrevivência da profissão? Não falamos de um domínio irrealista de todas as capacidades, mas sim um profissional moderno com uma dose recomendada de se exceder profissionalmente e de se destacar, sem se acomodar.
“The multiskilled journalist should know writing and editing across media, interviewing, photography, vídeo, creation and editing, public speaking, creating simple graphics, and creating interactive elements and should have some technical knowledge of how to use wired or wireless networking to post or send material remotely” (Wilkinson, Grant e Fisher, 2009, p. 7)
Trata-se da capacidade de olhar para as possibilidades de uma história. E depois olhar para a forma correta (e possível) de a contar (Deuze, 2004). Isso nem sempre é concretizável, daí que seja fundamental a presença de ‘outros’ especialistas que auxiliem na escrita cross media. É certo que qualquer que seja a história pode ser difundida por qualquer meio, mas a exigência da audiência determina que esta escolha não pode ser mais feita sem estratégia.
O tempo é outro dos elementos fundamentais da profissão, aquilo que Deuze (2004) apelida de ‘right here, right now’. Não falamos apenas do tempo de publicação, mais
rápido e feito no imediato, mas sim o tempo de adaptação. Aquele em que os profissionais têm de aprender ao mesmo que trabalham neste ambiente sem tempos de fecho e de atualização informativa constante. Depois, os tempos de execução e de publicação de um jornal – tradicionalmente feito para um dia inteiro – são completamente diferentes da elaboração de uma peça para a televisão ou rádio. Os profissionais já não pensam em páginas, frames ou minutos. Daí que escrever para todos os meios também obrigue o jornalista a não descurar o lapso temporal entre a escrita e a distribuição e, num grau mais avançado, o que estará o público a fazer quando receber essa informação.
“This lends the work of journalists an aura of instantaneity and immediatism, as ‘news’ stresses the novelty of information and its defining principle. The work of journalists therefore involves notions of speed, fast decision-making, hastiness, and working in accelerated real-time.” (Deuze, 2004, p. 449)
A audiência, tecnologicamente desembaraçada e visualmente orientada, também procura novas formas de disposição de conteúdos, que pelo potencial interativo dos canais de distribuição da informação têm que se apresentar com alguma versatilidade de estilo. Estudos15 de escrita para a web e sobre a organização da informação apontam para algumas questões curiosas: a escrita para a web privilegia textos curtos, os links, de rápido consumo, com a combinação de aspetos visuais, suficientemente apelativos para que o utilizador seja levado a utilizar o scroll e a ver um pouco mais, com diferentes graus de apreensão da notícia, desdobramento das informações, de forma não linear.
Outro fator que não podemos ignorar é que apesar de terem sido desenvolvidos alguns esforços no sentido de estabelecer critérios de redação para a Web, este é ainda um caminho na área do experimentalismo.
“O texto desempenhará um papel fundamental nos novos media, e terá um estatuto muito mais decisivo do que aquele de que goza em rádio ou em televisão (…) e mais importante do que saber manipular a parafernália tecnológica, é saber produzir uma escrita clara, original, criativa, em sintonia com o seu tempo ou à frente disso”. (Gradim, 2011, p. 128-129)
A nova cultura profissional coloca desafios tremendos ao trabalho que deixa de ser compartimentado por seções e abre caminho ao indivíduo especialista ou ao trabalho de grupo (Singer, 2004).
15 Ferramentas como eye tracking levada a cabo pela Poynter ou Crazy Egg permitem o estudo do olhar