Rammevilkår for investeringsforetaks virksomhet
5.4 UTVALGETS VURDERINGER .1 Innledning
5.4.5 Foretakets adgang til å drive egenhandel .1 Generelt
Paralelamente às grandes indústrias do sector dos media desenvolveu-se a internet integrando o que Faustino (2010) denomina de “new media” e Porto e Flores (2012) denominam de transmedia, ou seja, no fundo retratam uma nova maneira de pesquisar, conceber e até de distribuir informação e estão a reestruturar através de uma convergência iminentemente tecnológica o rosto do sector. Face a esta mutação, os media tradicionais têm muita dificuldade em reinventar-se e tornarem-se verdadeiramente competitivos. Apesar de recente e ainda um pouco indefinida, a indústria de new media “tem provocado uma profunda mutação no sector e estes têm vindo a conquistar quota de mercado” (Faustino, 2010, p. 515), mas este conceito começa a crescer e é inegável que chama a si conceitos muito importantes e transversais à convergência tecnológica que se faz sentir: comunicação digital, interatividade e redes.
A narrativa transmedia é provavelmente o conceito e também a característica mais expressiva dos meios de comunicação em função da sua mobilidade, que é suporte de muitas reflexões. Em particular de Jenkins e parte da arquitetura do novo esquema de comunicação, a web 2.0 é o principal apoio.
“Entre los nuevos medios y los nuevos lenguajes, surge el concepto de narrativa transmedia, que tiene sus orígenes en el concepto de intertextualidad mesclada con el concepto hipermédia” (Flores e Porto, 2012, p. 15-16)
Para Pavlik (2001) a emersão de uma nova forma de contar histórias reveste-se sob a forma de jornalismo contextualizado, enquadrado em cinco dimensões: o alcance, exponencialmente maior se pensarmos nas potencialidades já referidas da Internet, a
hipermédia, que tem a vantagem de conectar outras ligações à mesma história, o envolvimento da audiência, potencialmente maior e longe de um público passivo, os conteúdos dinâmicos, com outro tempo de publicação e atualização e a personalização ao ajustar o conteúdo aos interesses de quem navega.
“Estes desenvolvimentos estão a transformar a natureza das notícias e o
storytelling. No século XXI poderemos ver o mundo através de uma
realidade mediada pelo computador e tornando-nos participantes do jornalismo contextualizado. O que está a começar a emergir é um novo tipo de storytelling que ultrapassa o romântico, mas inalcançável objectivo da pura objectividade no jornalismo. Este novo estilo vai oferecer à audiência uma complexa mistura de perspectivas nas estórias e acontecimentos, que será muito mais complexa do que qualquer único ponto de vista que possa ser alguma vez alcançado.” (Pavlik, 2001, p. 24)
Do inglês storytelling, para o conceito espanhol de narrativa transmedia, o jornalismo mistura vários meios e interatividade com o conceito defendido por Bakthin (1997, p. 331)
“Así, por detrás de todo o texto, se encuentra el sistema de lengua; en el texto, corresponde a ello todo cuanto es repetitivo y reproducible, todo cuanto pueda existir fuera del texto. Pero, al mismo tempo, cada texto (en su calidad de enunciado) es individual, único y no reproducible, siendo en esto que reside su sentido (su desígnio, aquello para lo cual fue creado). Es con esto que remite a la verdad, a lo verídico, a lo bueno, a la beleza, a la história. En relación a esta función, todo lo que es repetitivo y reproducible corresponde a la orden del medio, de lo material”.
Tratar do conceito de transmedia é olhar para o processo comunicacional como uma nova forma de narrar acontecimentos, mantendo em perspetiva a sua plataforma de difusão e o seu formato. E, na atualidade, isso significa olhar para os meios onde essa narrativa se desenvolve - smartphones, web, tablets - e a linguagem sempre distinta, que cada um emprega. A narrativa coincide com as características que o jornalismo atual atravessa, já que se trata de contar histórias, de diferentes maneiras, difundidas em diferentes suportes e complementadas com a participação do leitor. E nesta busca por uma definição e determinação própria, o jornalismo encontra no processo transmedia a resposta para a diferenciação, única e distinta, entre os diversos media.
"Una historia transmedia se desarolla a través de múltiples soportes mediáticos, con cada nuevo texto contribuyendo de manera distinta y valiosa para el todo. En la forma ideal de narrativa transmedia, cada media hace lo que hace mejor - a fin que una historia pueda ser introducida en una pelicula, ser expandida para la televisión, novelas y HQ; Su universo pueda ser explorado en videojuegos o experimentado como atracción de un parque de diversiones" (Jenkins, 2008, p. 135)
Mas este conceito, avançado por Jenkins (2009), é diferente do lançado por Porto e Flores (2012): jornalismo transmedia. Para estes autores esta denominação é sobretudo uma nova forma de linguagem jornalística, comum a meios jornalísticos muito distintos, também eles repletos das suas idiossincrasias e narrativas particulares, dirigidas a diferentes usuários e sempre apoiados no fator interatividade. E como espelho desta interatividade resultam os elementos audiovisuais presentes na web e nas notícias e a ligação inevitável às redes. Vicente Gosciola (2011, p. 4) faz o resumo histórico do aparecimento destas morfologias:
“Em 1975, Stuart Saunders Smith criou o conceito trans-media music, uma composição de melodias / harmonia / ritmo diferente para cada instrumento e para cada compositor que complemente a obra coerentemente. Em 1993 Marsha Kinder publica o livro Playing with power in movies, television, and
video games: from Muppet Babies to Teenage Mutant Ninja Turtles, cria o
conceito transmedia intertextuality para definir um super- sistema de comunicação que promove uma intertextualidade transmídia. Henry Jenkins, em 2001, preocupado com o comportamento das grandes conglomerações desenvolve o conceito transmedia exploitation of branded properties e no mesmo artigo apresenta o conceito transmedia storytelling para explicar a convergência das mídias propiciar a narrativa transmídia no desenvolvimento de conteúdos através de múltiplas plataformas.”
Ultrapassar o conceito de narrativa transmedia poderá ser fundamental para o jornalismo, principalmente se tivermos em conta o papel que desempenha na sociedade, que é cada dia mais ativa, com novas relações de dinâmica e mais participativa, contrariando a passividade anteriormente registada face ao que os media libertavam. Hoje é possível olhar o jornalismo como parte de um modelo mais democrático e também mais livre.
Pela riqueza, não só de conteúdo, mas também da sua elaborada arquitetura, a narrativa transmedia marca uma posição singular na área do jornalismo. E assim como Bakthin propunha um texto fora do texto, Flores e Porto (2012, p. 36) apresentam uma narrativa fora da narrativa, “es una colectividad de narrativas para construir una narrativa final”. E será interessante perceber se os conteúdos jornalísticos dos diários generalistas portugueses se apoiam nesta narrativa na hora de elaborar as suas peças.
A sua construção seria difícil de analisar sem recurso à exploração de conceitos de intertextualidade, base de toda a narrativa, através de sua mobilidade e agilidade, de hipermédia e hipertexto, elementos constituintes da interação produzida entre o meio e o leitor e, claro, de convergência, o elemento comum às transformações operadas pela tecnologia, pelos profissionais e nas redações.
O discurso também mudou junto dos visitantes, que agora se envolvem ao visitar a página, ao enviar a fotografia ou o vídeo. Mas ao aceder envolvem-se também ao intervir nas discussões sobre os conteúdos dispostos, ou seja, o conceito de interatividade. A diferença reside no papel que exerce junto do usuário, através da possibilidade de comunicação que é oferecida. Pois é o usuário que se envolve nesta teia e participa na interpretação da mensagem veiculada. A estrutura hipermédia transforma- o – ao usuário – e capacita-o de novas funções: “el lector como co-autor de la construcción narrativa”. (Flores e Porto, 2012, p. 16)
A narrativa transmedia tem uma forte relação com a sociedade e com as novas tecnologias de informação que se foram desenvolvendo ao longo dos anos. E os novos conceitos media, seja de meios, multimédia ou hipermédia, trouxeram a multiplicação e a complexidade dos meios e dos conteúdos. Os princípios da narrativa desafiam o universo das TIC e dos media tradicionais, pelo uso das tecnologias de comunicação, repartida em várias plataformas e onde cada uma delas apresenta o melhor potencial para expressar a mensagem transmedia. Com as visões de Jenkins (2006), Scolari (2008) e Gosciola (2011) conseguimos reunir um conjunto de características que parecem enquadrar-se na sua definição:
- Apresenta-se segundo uma estrutura narrativa; - Conta uma grande história dividida por frações; - Essas frações são difundidos por diferentes media; - Ferramenta de trabalho portátil (pc, tablet, smartphone); - Maior expansão e difusão (rádio, tv, jornais, redes sociais); - Difusão viral;
Ao lado da narrativa transmedia caminham outros conceitos que são reflexo destas transformações nos jornais diários e que não podem ser ignorados. Um deles reflete os aspetos relacionados com a produção, a difusão e o consumo de conteúdos que são produzidos nos diferentes meios, mas que fazem parte de um único grupo de comunicação. O conceito cross-media ilustra o caminho da notícia desde a sua produção ao seu consumo, o mesmo é dizer “cuando una información es elaborada por un único productor pero puede ser consumida a través de distintos soportes”. (Salaverría e Negredo, 2008, p. 53).
Os fatores de natureza tecnológica, por sua vez, facilitaram a proliferação desta forma de produção e difusão noticiosa, ao mesmo tempo que conseguiram pressionar e influenciar as empresas no seu funcionamento. Desapareceram as dificuldades de impressão ou cópia e abrem-se as oportunidades de difusão a grandes audiências, uma vez que os canais de distribuição encontram-se abertos. Uma só notícia pode ser difundida através de várias plataformas e a possibilidade de ser retransmitida é ainda maior.
O conceito cross-media revela-se assim como uma das estratégias internas para as empresas de media na gestão das suas equipas de redatoriais. Uma outra vantagem é que permite uma maior coordenação das diferentes plataformas informativas, de forma a tirar a maior rentabilidade possível de um produto informativo. Inegável é que esta junção de plataformas comunicacionais aproxima-se ao grande objetivo do jornal: a diversificação de audiências. Se antes os grandes media trabalhavam numa lógica de difusão de massas, de produção de conteúdos de um para muitos, sem atender ao que a audiência exigia, hoje, com a aproximação às redes sociais verifica-se uma oportunidade de regeneração das empresas de media e uma aposta na comunicação mais pessoal.
É refrescante para o setor dos media perceber como poderão tirar proveito da utilização desta tecnologias. O aparecimento das tecnologias móveis vem facilitar não só a difusão, mas no que respeita à inovação e à multiplicação de plataformas de difusão garante a melhor relação qualidade/ preço para o consumidor final. A integração dos new media com os tradicionais poderá ser a fórmula saudável e rentável à sua sobrevivência. Significa isto que:
“ (...) ganaran más fuerza cuando utilizan los espacios de relaciones entre personas que proponen una forma avanzada de distribuición de contenido por los integrantes de sus redes personales, lo que conlleva a una multiplicación por los nodos con otras redes de usuarios. (Flores e Porto, 2012, p. 56)
Daí que o surgimento de novos caminhos seja inevitável, fruto de todo o crescimento comunicacional e alterações das formas de interação. As redes sociais são sintoma destes novos caminhos. Flores e Porto (2012, p. 55) caracterizam-nas como uma simulação e reprodução da relação humana em rede. Estes espaços, criados pelos usuários da rede, são palcos de uploads da sua privacidade, dos seus pensamentos e do
seu mundo, através de texto, vídeo ou fotografias ou seja, constituem-se hoje como espaços de partilha e de divulgação muito personalizadas e com grandes possibilidades de difusão.