Ao longo do projeto, as várias atividades de leitura, exploração das ilustrações e das atividades de caráter mais prático, foi possível articular as várias áreas de conteúdo preconizadas nas OCEPE (ME,1997).
Apesar de a maioria das atividades sugeridas pelas crianças estarem diretamente mais ligadas ao domínio da expressão plástica, compreendemos que uma vez que a criança se relaciona consigo própria, com os outros e com o mundo, isto implica que ela desenvolva a expressão e a comunicação através das múltiplas linguagens que é possível encontrar no meio que a envolve, contribuindo para momentos em que ela conhece melhor o mundo “interior” e exterior a si.
Compreendemos então que o processo de aprendizagem realiza-se de forma espontânea abrangendo mais do que uma área de conteúdo ao longo das atividades que fazem parte do processo educativo. Existe assim uma articulação, continuidade, transversabilidade, transdisciplinaridade e
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interdisciplinaridade nos conteúdos de aprendizagem, sendo esta uma das caraterísticas para quem trabalha visando que qualquer projeto seja um Projeto Curricular Integrado.
Área de Formação Pessoal e Social
Esta área carateriza-se por ser uma área que é transversal e integradora em todas as outras áreas de conhecimento. Dentro desta área, estão subjacentes a forma como a criança se interrelaciona com ela própria, com o outro e com a sociedade em geral.
Deste modo, como a criança foi um participante ativo ao longo do projeto tendo vindo delas as atividades que deram forma a este projeto, foi importante proporcionar durante todas as atividades momentos de vivência de valores democráticos como a participação; a responsabilização, por exemplo quando visitaram a BLCS e conversamos sobre qual o comportamento que deveríamos ter naquele local; cooperação e colaboração entre pares e com os pais; saber respeitar o próximo com as suas ideias; e ainda, ajudar os colegas, como foi exemplo na atividade “A Moldura”, espontaneamente, muitas das vezes, as crianças trabalharam a pares quando tinham que recortar os tecidos, sendo que um segurava no tecido e o outro cortava.
Outro aspeto que se insere também nesta área é o aspeto relativo à educação estética. Uma vez que as ilustrações dos livros infantis são consideradas uma forma de arte plástica, compreendemos que este aspeto de educação estética está intimamente ligado ao projeto de intervenção pedagógico desenvolvido em contexto de JI. Isto porque a educação estética está “presente no contacto com diferentes formas de expressão artística que serão meios de educação da sensibilidade” (Ministério da Educação, 1997, p. 55).
Área de Expressão e Comunicação
- Domínio da Linguagem Oral e Abordagem à Escrita
Uma vez que a questão central do projeto surgiu no sentido de saber quem fez as “imagens” dos livros, foi importante disponibilizar ao longo do projeto, livros de qualidade a nível literário e a nível estético; e diversos tipos de livros, como o livro de receitas e a enciclopédia, em que fosse apresentado diferentes funções do código escrito.
Uma das atividades que surgiu naturalmente e que potenciou o desenvolvimento desta área, foi através de um jogo de consciência fonológica que desenvolvemos, de uma forma natural, na
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elaboração do cartaz sobre que materiais os ilustradores usam, sendo que, para este jogo, as crianças teriam que identificar com que letra iniciavam as palavras dos materiais que enumeramos e teriam que escreve-las (Fig.17).
Fig. 17 - Elaboração do Cartaz sobre os materiais que os ilustradores usam
O fato de este projeto ser construído com base nas sugestões das crianças, possibilitou ainda momentos de conversa com vários interlocutores, como educadores, crianças, pais e bibliotecária. Assim sendo, durante o desenvolvimento do projeto, foi possível a criança contactar com diferentes momentos de comunicação: desde narrar acontecimentos, como por exemplo, recordar as histórias que fomos lendo; inventar histórias com os pais na elaboração da história para o livro “Eu Posso”; planear atividades e elaborar perguntas para a nossa entrevista para as ilustradoras. Compreendemos então que o facto de as crianças contactarem com diversas situações de comunicação levou-as a apropriarem-se progressivamente “das diferentes funções da linguagem e adequar a sua comunicação a diversas situações” (Ministério da Educação, 1997, p. 68) e a alargar o seu vocabulário.
- Domínio da Matemática
Tal como as OCEPE nos referem, as “crianças vão espontaneamente construindo noções matemáticas a partir das vivências do dia a dia.” (Ministério da Educação, 1997, p. 73). E, neste caso, a partir do que fizeram e do que as atividades proporcionaram.
Como exemplo onde foi demonstrado que esta área foi abordada, foi na atividade da Moldura”. Nesta observámos que algumas crianças trabalharam o conceito de formas geométricas (Fig.18), noções de altura (colocando cada membro da família por altura, do mais alto para o mais baixo (Fig.18), noções de medida, através do uso de réguas (Fig.19) e padrões (Fig.20).Outra atividade, que proporcionou abordar noções matemáticas, foi a elaboração do cartaz sobre que materiais os ilustradores usam. Neste caso, através de problemas que fui levantando, foi possível trabalhar noção de número e estimular o grupo na resolução de problemas.
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Posto isto, observámos como estas atividades foram abertas e flexíveis, abarcando mais do que uma área de conteúdo. Além de estas atividades estarem mais incididas na área da expressão plástica, estas atividades proporcionaram, individualmente, o desenvolvimento do raciocínio matemático, o de estratégias de matemática e o do espirito critico.
Fig. 18 –Decoração com figuras geométricas e uso do conceito de altura Fig. 19– Uso de Réguas
Fig. 20- Decoração com Padrões
- Domínio da Expressão Plástica
Este domínio esteve presente em todas as atividades, desde o uso de técnicas de expressão plástica, como desenho, pintura, recorte e colagem; e, ainda, desde o contacto com ilustrações dos ilustradores que conheceram, aumentando assim o seu reportório a nível artístico e cultural devido ao acesso à arte e à cultura que foram proporcionados, ampliando assim o seu conhecimento do mundo e desenvolvendo o seu sentido estético.
Área de Conhecimento do Mundo
A abordagem a este domínio foi possível graças à curiosidade inata que carateriza as crianças em querer saber, compreender e agir sobre o que observa e sobre o que quer aprender. Assim, esta área de conteúdo, tal como a área da Formação Pessoal e Social, é uma área transversal e integrada a todas as outras áreas, ou seja, “todas as áreas de conteúdo constituem, de certo modo, formas de Conhecimento do Mundo” (Ministério da Educação, 1997, p. 79).
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Verificamos, portanto, que esta área de conteúdo foi possível de ser abordada através da exploração da receita da pizza, no sentido em que, na conversa criada e aproveitando que estavam presentes, na instituição, estagiárias de origem italiana, abordámos a origem deste prato, permitindo conhecerem novas culturas além da portuguesa. Esta área esteve também presente na preparação da visita de estudo à biblioteca. Uma vez que esta visita se insere no meio próximo que rodeia a criança, o conhecimento e descoberta do meio em que a criança se insere, segundo as OCEPE, também se insere na área do conhecimento do mundo.
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