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ORAACLE – Oslo Research group of Asthma and Allergy in Children,

In document Årsrapport – forskning 2017 (sider 29-32)

Tal como já foi referido anteriormente, foi a partir do enredo da história que as atividades foram desenvolvidas. Na seguinte imagem está representado quais as atividades que fazem parte deste projeto e a que momentos da história correspondem. Visto que as características do PCI também estiveram subjacentes na construção do projeto de intervenção da creche, neste esquema também é

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possível observar as áreas de conteúdo que cada atividade contemplou à medida que estas iam sendo desenvolvidas.

Fig. 21 - Desenho Global das atividades desenvolvidas em Creche

Relativamente ainda sobre as atividades desenvolvidas na creche, apesar de não estar presente neste esquema, é de se salientar que paralelamente a estas atividades sempre que era possível abordava-se a exploração das ilustrações do livro que impulsionou este projeto15.De seguida, irei apresentar, sucintamente, algumas destas atividades desenvolvidas com o grupo de creche, nomeando algumas situações observáveis durante e após o desenvolvimento que determinou o sucesso do projeto junto deste grupo. Abordarei, também, a interligação e articulação das áreas de conteúdo que cada atividade contemplou, promovendo assim várias aprendizagens. Deste modo, e tal como aconteceu no

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projeto desenvolvido junto com o grupo de crianças de JI, este projeto de intervenção pedagógica baseou-se em algumas das características do PCI, nomeadamente na transversabilidade, transdisciplinaridade e interdisciplinaridade das áreas de conteúdo.

a) Atividade da construção da Bruxa Mimi e do Gato Rogério16

Estas duas atividades foram as duas primeiras atividades que determinaram o início do projeto de intervenção pedagógica em creche. Tal como o nome indica, estas atividades consistiram na construção das personagens principais da história “Bruxa Mimi” (fig.22).

Fig. 22 - Bruxa Mimi e o Gato Rogério

Para estas atividades, procurei disponibilizar materiais que proporcionassem experiências sensório- motoras, isto é, à medida que as crianças usavam os mais variados materiais, como cola, tecidos aveludados, tecidos mais duros, ráfia, cartolina e cartolina EVA, lã preta e piaçá preto, a intenção subjacente é que estes experimentassem e explorassem os materiais no sentido de experimentar a sensação do pegajoso (e.g. cola com o lã), a sensação de fofo e de áspero e de macio e duro.

Foi interessante observar, durante ambas as atividades, as reações das crianças quando exploravam os materiais juntamente com a cola. Observámos, ao longo destas, que algumas crianças mostraram-se desconfortáveis e com receio em mexer na cola juntamente com alguns tecidos, ou com a lã que servia para o pêlo do gato Rogério, sendo que a primeira reação era de tirar o tecido ou a lã que ficasse agarrado à mão (fig.23). Exemplo disto foi o G., que mostrou que não gostou da sensação de sentir bocados de tecido colados na sua mão. Este comportamento foi observado na sua tentativa de apenas tentar colar o tecido para o casaco da Bruxa Mimi, tocando apenas com a ponta dos dedos e, também, no fato de, em vez de tentar colar o tecido, tentava tirar os vestígios de tecido que estavam

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agarrados na mão. Contrariamente a este comportamento temos a M.S que, apesar de já ter participado na atividade queria contribuir mais para esta construção. Observando o seu entusiasmo em continuar, questionei se queria participar mais e, então, ela colou a segunda parte do casaco que seria para o G..

Fig. 23 - Criança a tentar tirar lã das mãos

Ao contrário do seu colega, a M.S demonstrou uma postura diferente ao colar o casaco, ou seja, ela não ia com as pontas dos dedos, mas utilizava a mão toda, não mostrando desagrado em mexer nestes materiais (fig.24). Outro exemplo que envolve a M.S é relativamente à construção do gato Rogério. Como as crianças iam à vez colar o pêlo do gato, a M.S, sempre que podia, continuava a colar lã e acabou por ser um apoio para os colegas que não gostavam. Por exemplo, a M.C mostrou-se um pouco insegura com a sensação que a lã com a cola lhe proporcionava e, ao ver isto, a M.S tentou confortá-la dizendo “Não faz mal M.C, é só pêlo do gato Rogério, é fofinho. O pelo é pretinho” (Fig.25).

Uma das caraterísticas destas crianças nesta faixa etária – 2-3 anos - é serem egocêntricas, brincarem em paralelo com o seu colega e muitas vezes não entenderem as emoções dos outros, não esquecendo que estas caraterísticas vão desaparecendo à medida que a idade avança. Observamos então nesta ultima situação ente a M.S e a M.C, e ao contrário do que é esperado, que a M.S compreendeu na altura através da reação facial e através da postura corporal da sua colega, que esta não estava a gostar tornando-se assim sensível aos seus sentimentos e procurou assim ter um papel encorajador para a M.C.

Fig. 24 - M.S a colar tecido

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Um dos aspetos que saliento nestas atividades é que, através destas, foi possível estimular ainda mais o imaginário das crianças. O simples fato de “dar vida” a estas personagens, ou seja, trazê-las para o seu ambiente físico, não se fixando só às páginas dos livros, proporcionou momentos de magia, alegria e satisfação a este grupo. Por exemplo, através da fixação da Bruxa Mimi e do gato Rogério na parede, as crianças da sala começaram a frequentar mais a zona em que ela e o gato estavam e iam conversando com as suas personagens, mexendo no cabelo, no pêlo e nas peças de vestuário. Compreendemos então nestas ações outra das características das crianças nesta faixa etária dos 2-3 anos, o animismo – “tendência para atribuir vida a objetos inanimados” (Papalia, Olds, & Feldman, 2001, p. 317). Um dos exemplos que demonstra esta caraterística de animismo é da I. que, na tentativa de me imitar, começou a conversar com a bruxinha.

Além deste estímulo ao imaginário que a construção das personagens proporcionou, estas, durante e após as atividades, também abarcaram variadas aprendizagens, interligando e articulando mais do que uma área de conteúdo, nomeadamente: Área de Formação Pessoal e Social, no caso da consciência do Eu e do outro; Área do Conhecimentos do Mundo, no que concerne à identificação do esquema corporal humano e animal, conhecimento sobre animais domésticos, identificação de peças do vestuário, exploração de várias sensações (macio, áspero, e duro); Domínio da

Matemática, na elaboração das meias da bruxinha, onde trabalharam a sequencialização; e o Nota de Campo I

(…) enquanto a educadora estava a pentear os cabelos das crianças, observei que algumas crianças estavam inquietas por estarem sempre no mesmo sitio e, vendo esta situação, resolvi brincar com eles começando a falar com a Bruxinha Mimi. Em tom de dramatização, fiz de conta que ela estava a contar-me um segredo sobre o gato Rogério e que ela estava furiosa com ele nesse dia e era esse o motivo de ele ainda não estar com ela, pois ele sabia que a bruxinha lhe ia ralhar [esta situação servia assim para mote da construção do gato Rogério]. As crianças, ao verem aquela interação, pararam de imediato pedindo que lhes dissesse o que a Bruxa me estava a contar. Depois deste momento de brincadeira e estando todos prontos, foram todos brincar e a I. começou a correr para ir buscar o cubo e sentou-se em frente da Bruxinha, imitando os gestos que eu fiz, como: colocar a mão à frente da boca como se estivesse espantada e aproximar o ouvido para a bruxinha, fazendo de conta que esta lhe estava a contar um segredo.

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Domínio da Expressão Plástica, através da exploração e manipulação de vários tipos de materiais

(colas, tecidos, lãs, cartão, veludo, ráfia) e identificação e nomeação das cores do vestuário.

b) Atividade da Caixa Mágica17

Como já referi anteriormente, as atividades deste projeto de intervenção surgiram de forma a dar seguimento à história. Assim sendo, como já tínhamos as personagens connosco na sala, esta atividade caracteriza-se como sendo a fase da história em que a Bruxa Mimi transforma o gato em várias cores através do uso da sua varinha mágica.

Em cada atividade foi importante recordar a história através somente do uso das ilustrações do livro, permitindo que estas analisassem e observassem com mais pormenor as ilustrações do mesmo. Tal aconteceu nesta atividade, ou seja, antes de se dar início a esta terceira atividade, recordámos a história, até ao ponto em que correspondia a atividade, através da visualização das ilustrações do livro. Este momento, de recordarem a história, tornou-se muito importante, pois o reconto é uma ocasião em que as crianças não só recordam a história, mas recontam-na com uma sequência, o que é importante acontecer nestas idades - isto é, criar uma ordem lógica para as suas ideias. E recorrer às ilustrações, como auxílio de memória para recontar, ajudou bastante a articular as suas ideias.

Após então deste momento de recordação, expliquei que, como nós não tínhamos uma varinha mágica como a Bruxa Mimi, iríamos usar uma caixa mágica, onde seria colocado um molde do gato Rogério, juntamente com alguns brinquedos à sua escolha e tintas de guache. O objetivo seria eles abanarem muito bem a caixa e ver o que acontecia ao molde preto do gato Rogério.

Mais uma vez, foi disponibilizado materiais que proporcionassem experiências sensório-motoras, neste caso, estas experiências seriam através: das tintas, com o facto de ficarem com as mãos sujas; e dos brinquedos (e.g. bolas pequenas de madeira, bola grande de plástico e carros), pois estes, pelo facto de se encontrarem no interior da caixa, emitiriam os mais variados sons, consoante a energia que colocavam quando abanavam a caixa. Devido às suas caraterísticas físicas e à energia que colocavam, os gatos, que seriam pretos, ficariam de várias cores (fig.26), sendo que cada gato, de cada menino, seria diferente. Por exemplo, uns seriam mais coloridos que outros.

17 Ver anexo V – Planificação da atividade

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Fig. 26 -Resultado Final da Ativ. "Caixa Mágica"

Tal como aconteceu nas atividades anteriores a esta, o fato de as crianças terem que contactar com diversos materiais, suscitou nelas as mais variadas reações: algumas crianças gostaram, mas outras, como é o caso do G. e da M.C, sentiram-se incomodadas. Estas crianças, desde que iniciei as atividades do projeto de intervenção, sempre mostraram que não se sentiam muito confortáveis quando manipulavam materiais que sujassem as mãos e, mais uma vez, nesta atividade o mesmo foi verificado.

Esta atividade, além de proporcionar momentos em que as crianças experimentavam a sensação do guache nas suas mãos, permitiu observar como algumas crianças focaram o seu interesse nas mais variadas ações que esta atividade proporcionou. Por exemplo, a M.S focou o seu interesse nos guaches. Esta criança procurou mexer nos objetos dentro da caixa, sujando assim as mãos todas (Fig.29); o E. focou o seu interesse para o facto de agitar a caixa, impondo, no momento da agitação,

Nota de Campo II (durante atividade “A Caixa Mágica”)

Neste dia, observei que a M.C evitou de se aproximar dos colegas que estavam comigo a fazer a atividade, enquanto que as outras crianças aguardavam, com entusiasmo, pela sua vez. A M.C evitava de se aproximar, aparecendo, às vezes, para ver o resultado final. Quando chegou a sua vez, perguntei se ela queria fazer afirmando-me que sim. Deste modo, ajudei-a a colocar o gato dentro da caixa e a abanar. Após vermos o resultado final, a M.C, em vez de olhar para o seu gato e ver o resultado, ficou antes a olhar para as suas mãos e esperou até que as lavasse. Bem que tentei que ela fosse comigo colocar o seu gato a secar, mas esta estava a andar muito devagar e a olhar para as mãos e para mim, para ver quando lhe lavava as mãos.

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muito esforço (Fig.28); e, por fim, o L. focou-se para o facto de os objetos fazerem sons dentro da caixa, agitando, por vezes, devagar e depressa, vendo o que acontecia ao som (Fig.27).

Mais uma vez, e atendendo que o presente projeto de intervenção baseava-se em características da metodologia do PCI, ao longo desta atividade sensório-motora, foi possível interligar e articular mais do que uma área de conteúdo, resultando assim de várias aprendizagens e experiências para as crianças. Estas aprendizagens e experiências abarcaram a: Área de Formação Pessoal e Social, em relação a hábitos de higiene, pois após cada atividade era pedido que as crianças limpassem os objetos que utilizaram para que pudessem brincar novamente com eles (Fig.30); Área do

Conhecimentos do Mundo, no que respeita à identificação do esquema corporal animal,

conhecimento sobre animais domésticos, identificação de objetos do quotidiano (e.g. carro, bola, berlindes), exploração de várias sensações (frio, líquido, pastoso); Área da Expressão e

Comunicação, a nível do: Domínio da Matemática, contagem de objetos; aquisição de noções de

grande, pequeno e formas dos objetos; Domínio da Expressão Plástica, através da identificação e nomeação das cores, e ainda a ultilização da técnica “Pintura ao acaso”; Domínio da Linguagem

Oral, através do reconto da história.

Fig. 30 - Limpeza dos brinquedos

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c) Atividade “O Resgate do Gato Rogério” 18

Esta atividade foi a penúltima atividade do projeto de intervenção pedagógica no contexto de creche. Esta carateriza-se como sendo o momento em que a Bruxa Mimi reconhece que, se gosta do gato Rogério, tem que gostar dele tal qual como ele é.

Mais uma vez, para dar início a esta atividade, recordámos este momento da história através do uso das ilustrações e, mais uma vez, esta exploração das ilustrações tornou-se num momento em que a criança desenvolveu a sua capacidade de observação e permitiu um desenvolvimento no aumento do vocabulário.

18 Ver Anexo VI – Planificação da Atividade

Nota de Campo III

Este momento iniciou-se com um diálogo sobre o porquê do gato Rogério estar na árvore: “Porque a Bruxinha Mimi pôs muitas cores no gato Rogélio e ele tava triste.” – disse a M.S Estagiária: - Ele estava triste? Porquê?; M.S: - Porque ele estava ridículo. Estagiária: E o que é isso ridículo? ;

M.S: Não sei.; Estagiaria: - Vamos então buscar o livro e vamos ver. Como é que o gato está, parece contente? Meninos: - Não, está triste. Estagiaria: - Ele sentia-se triste porque estava ridículo. Porque ele sabia que aquela não era a sua cor e a Bruxinha Mimi não o punha como ele era. Olhem e depois do gato Rogério estar no cimo da árvore a Bruxa Mimi ficou contente? G.: - Não ficou triste também, porque tinha saudades do Rogério.; Estagiária: E o que fez a Mimi quando ficou com saudades.; M.S e C.: Fez assim ….ABRACADABRA….; Estagiária: - Voltou a ficar preto e depois continuou na árvore? M.S: - A Buxa Mimi foi busca-lo e ele desceu da árvore

Estagiária: Muito bem, a Bruxinha Mimi foi buscá-lo. Olhem querem fazer de conta que são a

Bruxinha Mimi a ir buscar o Gato Rogério?; Meninos: Sim!!

Estagiária: Então vamos buscar aqui o nosso gato Rogério e vamos coloca-lo aqui na nossa

árvore. Olhem uma coisa e o que a bruxinha Mimi tem sempre na cabeça e o que ela usa para fazer Magia. ; L. : - Usa um chapéu e uma varinha.

Estagiária: - Muito bem L. então também temos que colocar o nosso chapéu igual ao da Bruxinha

e a Isabel trouxe uma varinha para os meninos, assim já podem dizer ABRACADABRA para o gato descer da nossa árvore.

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Após este diálogo sobre a história, expliquei às crianças que, para irem buscar o gato Rogério, teriam que seguir um trajeto que estava limitado por umas cordas. Nesse trajeto teriam que passar sobre umas caixas que tinham vários materiais (folhas, esferovite e algodão) e que teriam que procurar a varinha mágica no interior dessas caixas.

Antes de dar inicio à atividade, procedi à identificação desses materiais pedindo a três crianças de uma vez que identificassem o que estava no interior., o G., quando colocou as mãos para adivinhar o que era, mencionou que o material (folhas de árvore) que estava dentro da caixa era “fresquinho” (Fig.31). Esta atitude do G. surpreendeu-me. Isto porque nas atividades anteriores, o G. não mostrava muito agrado em ter que mexer em tintas, lãs, colas e tecidos, pensei que ele teria a mesma reação e que não iria aceitar em colocar as mãos no interior da caixa sem saber o que estava lá. Após esta identificação, dei a experimentar a cada menino/a os materiais, deixando que eles tocassem e, à medida que eles iam manipulando, perguntava: qual era o material mais macio (algodão); qual o mais duro (esferovite); qual o que tinha cheiro (folhas); qual o que fazia mais barulho se abanássemos a caixa (esferovite) e qual o que não fazia barulho (algodão) (Fig.32).

Fig. 31 e Fig. 32 - G. a descobrir o que havia na caixa; exploração de materiais

De forma geral, todas as crianças responderam corretamente a todas as questões e uma coisa que observei foi a satisfação que todos mostraram em manipular, com as mãos, cada material, principalmente: o esferovites, pois este ficava “colado” nas mãos e as crianças esfregavam com as suas mãos para ouvir o barulho, mexendo até mais na caixa para conseguir ter mais esferovite; e as folhas, em que as próprias crianças, sozinhas, começaram a cheirar e eu, para puderem sentir a temperatura das folhas, comecei por colocar uma folha na cara da C. e o resto do grupo fez o mesmo, dizendo “Que a folha é fresquinha”. Outra situação, relativamente às folhas, tem que ver com a observação da M.S, quando esta reparou que havia mais do que um tipo de folhas: “Olha uma folha vemea e outa vede.” (fig.32).

A manipulação, neste primeiro momento, aconteceu através das mãos, mas durante o circuito estes tinham que passar, sobre cada material, descalços. Assim sendo, as reações obtidas foram

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diferentes, pois, quando passavam pelo esferovite, a maior parte das crianças não gostava por se sentirem desconfortáveis ao terem algo agarrado ao pé (Fig.33). O G., ao contrário do que acontecia nas atividades anteriores, surpreendeu-me, pois ele mostrou satisfação em passar com os pés sobre o esferovite, as folhas e o algodão parando para tentar tirá-los dos pés só após de ter concluído a atividade toda, enquanto os colegas faziam-no durante atividade (Fig. 34).

Fig. 33 -Crianças a passar na caixa de esferovite e algodão

Fig. 34 - Reação do G. durante ativ. "Resgate do Gato Rogério"

Esta atitude que o G. demonstrou ao longo desta atividade, demonstra que muitas das vezes o educador deve dar espaço e tempo para que a criança se sinta mais segura consigo própria, com as pessoas que a rodeiam e com as variadas situações que surgem no dia a dia.

O facto de esta atividade ter sido a penúltima atividade do projeto, revela que o papel do educador perante uma criança como o G. que reage com medo a situações diferentes ou a situações que lhe causam desconforto, deve assumir um papel em que o seu objetivo perante esta criança é promover um sentimento de confiança, evitando para isso ser demasiado exigente com ela quando o educador observa que a criança não se sente segura e deve ser um apoio para que esta ultrapasse os seus medos. Tal facto veio a ser comprovado, pois anteriormente a esta atividade e na última atividade do projeto quando observávamos que o G. não se sentia confortável, acordávamos com ele o que ele teria e queria fazer, ou seja, procurávamos dar-lhe espaço, mas ao mesmo tempo eramos o seu pilar de apoio. Este apoio irá proporcionar momentos de segurança que leve a criança a explorar, sentindo que nós não queremos apenas que ela manipule e explore materiais, mas que seja capaz de tirar prazer nesses momentos e que isso acontecerá ao seu ritmo.

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Tal como atividade da construção da bruxinha e do gato, esta atividade envolveu as crianças num ambiente de estímulo imaginário, através do uso de adereços, como a varinha e o chapéu. Posto isto, observámos que esta simples atividade de “faz de Conta” articulou e integrou, mais uma vez, mais do que uma área de conteúdo, como: Área de Formação Pessoal e Social, proporcionando momentos de desenvolvimento de autonomia, pelo simples fato de se terem que descalçar e calçar-se sozinhos (Fig.35); Área do Conhecimento do Mundo, no que respeita à identificação de elementos da natureza (e.g. folhas) e do quotidiano (e.g. algodão), à exploração de sensações (frio, macio, duro) e à exploração de sons; Área da Expressão e Comunicação, a nível do: Domínio da Matemática, contagem de objetos; aquisição de noções de grande, pequeno e formas dos objetos; Domínio da

Linguagem Oral, através do reconto da história; Domínio da Expressão Motora, desenvolvendo

noções espaciais e promovendo a motricidade global (gatinhar e saltar); e por, fim, Domínio da

Expressão Dramática, devido ao uso do jogo de “faz de conta”, de que eles seriam a Bruxa Mimi e

utilizariam os mesmo adereços que ela.

In document Årsrapport – forskning 2017 (sider 29-32)