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5.1 E NDRINGSPROSESSEN

5.1.8 Videreføring avgjørende for varig endring

Dentre os argumentos de defesa do uso dos testes, a influência estrangeira se revelou aliada à ideia do “atraso brasileiro”. Primeiro, porque os testes já estavam sendo utilizados com sucesso nas nações consideradas “mais avançadas” como a França e os Estados Unidos. Além disso, segundo Alves, se “alguns países tinham criado instituições de pesquisas psicológicas orientadas de novas diretrizes no ensino e na educação, a nós devia caber, pelo menos, utilizar o resultado dos povos adiantados no aproveitamento das energias mentais dos nossos jovens”.223

Essa afirmativa encontrava eco nos jornais que noticiavam as inovações dos psicólogos estrangeiros. Segundo notícia de 29 de abril de 1925, “já nos Estados Unidos da América do Norte e em vários países europeus, os professores primários de qualquer aldeiola preparam tests e chegam a conclusões rápidas e belíssimas”.224 A matéria

220 Ibdem, p.52.

221 TEIXEIRA, Anísio. “Prefácio”. In: ALVES, Isaías. Os testes e a reorganização... p.VII

222 “Relatório do exame da inteligência realizado em alunos do primeiro ano, em escolas do Rio de

Janeiro”. AT pi S. Ass. 1918/1930.00.00/2, Arquivo Anísio Teixeira, CPDOC. p.4.

223 ALVES, Isaías. Da educação nos Estados Unidos. p. 91.

224 O artigo intitulado “Novidade pedagógica” tem data de 29/04/1925, mas não há referência ao nome do

jornal. Faz parte dos recortes encontrados no Arquivo pessoal de Isaías Alves. Série Jornais, Subsérie Educação.

utilizava tal argumento para demonstrar a urgência da adoção dos testes nas escolas primárias brasileiras.

Esta notícia encontra-se nos documentos que constituem o arquivo pessoal de Isaías Alves, onde também achamos um caderno de recortes de jornais que tem como tema o uso de testes de inteligência nas escolas brasileiras. Também podemos encontrar mais recortes sobre o tema na série de jornais reunidos pelo seu titular. Ao mesmo tempo em que direciona a interpretação do fenômeno, essa seleção também pode ser vista como uma espécie de narrativa do autor, que escolhe o que considera relevante no discurso sobre testes de inteligência.

Como já era de se esperar, parte de seus recortes concentra-se nas resenhas feitas sobre seus livros. O Diário da Bahia publicou grande parte da introdução de Teste Individual de Inteligência, em 1926.225 Também encontramos a resenha deste livro num recorte da Folha do Norte,226 de Belém onde seu autor declara que “essa obra devia tornar-se o catecismo de todas as escolas do Brasil, onde ainda não se use o ‘teste’ ”. Também o Diário de Notícias publicou resenha sobre Os testes e a reorganização escolar227 e o jornal A Tarde escreve nota relatando que uma resenha sobre os livros de Isaías Alves foi escrita no jornal português Portugale.228

Através desses jornais, o educador não só acompanhava a repercussão de seus livros como se preocupava com as questões suscitadas. Através do artigo do jornal O Globo,229 que fala da reunião da Liga Brasileira de Higiene Mental (LBHM), sabemos que Alves enviou um exemplar da segunda edição deste mesmo livro a LBHM, com carta em que declara “muita justa foi sua crítica acerca das falhas da 1ª edição e verá como foram atendidos os seus desejos”. Assim, é possível inferir que os recortes tornaram-se úteis para as revisões que Isaías Alves empreendeu de seu trabalho.

Além dos recortes sobre suas publicações, a leitura dos jornais demonstra que a aceitação desse método de avaliação não era unânime. A crítica mais completa foi encontrada no artigo de Sud Menucci.230 Segundo ele,

225 “A introdução ao estudo dos ‘tests’ – ‘A instrução primária é o dever precípuo do Estado’ – O ilustre

educador Dr. Isaías Alves, num trabalho interessante, estuda o palpitante problema”. Diário da Bahia. 17/01/1926. FFCH. Arquivo Isaías Alves. Série Jornais, Subsérie Educação.

226 Folha do Norte. 21/01/1930. FFCH. Arquivo Isaías Alves. Série Jornais, Subsérie Educação.

227 Diário de Notícias (BA). 11/06/1930. FFCH. Arquivo Isaías Alves. Série Jornais, Subsérie Educação. 228 A Tarde. 11/09/1931. FFCH. Arquivo Isaías Alves. Série Jornais, Subsérie Educação.

229 O Globo. 27/06/1929. FFCH. Arquivo Isaías Alves. Série Jornais, Subsérie Educação.

230Diário de Notícias, 07/08/1930. (transcrito do jornal Estado de São Paulo, 26/07/1930). FFCH.

“os testes foram e estão sendo mal recebidos no país, principalmente em São Paulo, onde a preocupação em organizar seriamente o ensino tem tradições de quase meio século e onde se pode avaliar o esforço feito, no meio milhão de crianças, registradas nas suas escolas”.231

Para ele, essa atitude era reflexo da atitude mental francesa, que copiávamos. Neste país, os primeiros testes de Binet também sofreram resistência. Mas Menucci também aponta outro problema dos testes: para alguns psicólogos, estes testes só mediam um tipo de inteligência, a reativa, e a inteligência natural só se manifestava durante a vida, não podendo ser medida.

Assim como Sud Menucci, os defensores dos testes parecem ter se deparado frequentemente com uma questão dupla: a definição do conceito de inteligência e a possibilidade de medi-la. Ainda que não chegassem a um consenso sobre o que consistia a inteligência, os educadores citavam com frequência a frase de Thorndike como resposta: “tudo o que existe quantitativamente está sujeito à medida”.232 Este raciocínio é utilizado por Alves que afirma que mesmo não sabendo definir a eletricidade, ela era comercializada e medida com segurança. Para ele “assim como a eletricidade é medida pelos efeitos que produz, também a inteligência o é”.233

Outro problema apontado por Sud Menucci era o papel que os professores teriam no processo de avaliação com testes, o que justificava a resistência. Segundo ele, “a princípio parecia que os professores não teriam mais alçada nesse campo, desde que o teste supria tudo”.234 Esse problema foi resolvido com o desenvolvimento do trabalho, que passou a equiparar o papel dos testes e dos professores, que deveriam, por exemplo, reordenar as classificações de acordo com o desenvolvimento dos trabalhos em sala de aula. No caso dos Testes ABC, o professor ganhou papel fundamental, uma vez que ele ficava responsável tanto pela aplicação dos testes quanto pela avaliação final da maturidade do aluno.

O artigo de Hermes Lima complementa as afirmações de Sud Menucci nos informando que

“passado entre nós o primeiro minuto de interesse pela questão dos testes, eles hoje se encontram sob a indiferença geral dos nossos educadores, como se a tentativa não tivesse passado de ensaios e os seus resultados práticos aconselhassem, em suma, o abandono da idéia de se medir a inteligência”. 235

231 Idem.

232 “Através da psychometria” por Queiroz Lima. Diário da Bahia, 30/04/1930. FFCH. Arquivo Isaías

Alves. Série Jornais, Subsérie Educação.

233 ALVES, Isaías. Teste Individual de Inteligência. p.16

234 Diário de Notícias, 07/08/1930. FFCH. Arquivo Isaías Alves. Série Jornais, Subsérie Educação. 235Correio Paulistano, 15/05/1930. FFCH. Arquivo Isaías Alves. Série Jornais, Subsérie Educação.

Assim, parte da crítica recebeu os testes de inteligência mais como uma “novidade pedagógica” do que como um método eficiente de organizar as classes escolares. Cabia a seus defensores demonstrar resultados que justificassem a adoção do novo método.