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a esta Interface Mecânica, fazendo com que as fraturas não se propaguem. Deste modo, temos uma camada de carbonatos fraturados de 4 metros de espessura, selado por camadas dúcteis e impermeáveis que não propagam a deformação.

A relação de Estratigrafia Mecânica apresentada até este ponto pode ser observada tanto no banco basal de calcário, quanto nas delgadas intercalações entre essas mesmas rochas acima do banco de calcário. Desde modo, tem-se as camadas de calcários fraturadas, sendo que as fraturas não persistem além das camadas de folhelho, sendo estas últimas caracterizadas como Interface Mecânica.

4.2 Análises com Laser Scanner 3D Terrestre

Os dados do Laser Scanner foram obtidos na Pedreira Partecal (região de Rio Claro - dis- trito de Assistência), pois apresenta maior área de exposição das rochas da Formação Irati, duas exposições do banco basal de carbonato perpendiculares entre si, bem como uma grande presença de impregnações de hidrocarbonetos em fraturas, microfraturas e na porosidade das rochas carbonáticas.

A Figura 4.25 mostra a nuvem de pontos obtida pelo escaneamento geral da Pedreira Par- tecal, com os respectivos pontos de aquisição dos dados e a indicação dos três outros escane- amentos de detalhe realizados (indicados pelos círculos numerados). A extensão da frente de lavra é de aproximadamente 150 metros.

Figura 4.25: Figura indicando a nuvem de pontos geral da Pedreira Partecal obtidas através do escaneamento com Laser Scanner Terrestre. O comprimento da cava é de aproximadamente 150 metros. A visada da imagem é aproximadamente NE.

4.2 Análises com Laser Scanner 3D Terrestre 4 Resultados e Discussões

Os círculos 1 e 2 mostram as duas frentes ortogonais entre si onde foram confeccionados os painéis fotográficos da Figura 4.2 e os levantamentos de campo. Essas duas frentes foram imageadas com o intuito de comparar os dados obtidos em campo com os obtidos pela análise e interpretação dos dados do Laser Scanner Terrestre.

A diferença de tonalidade dentro da nuvem de pontos pode ser causada por diversos fatores: presença e/ou ausência de umidade na parede da frente de lavra; presença de vegetação ou poeira; condições atmosféricas que modificam o dado de intensidade do laser emitido pelo equipamento; diferentes tipos litológicos.

Vale ressaltar que este imageamento foi realizado com um grande espaçamento entre pon- tos e de uma distância de aproximadamente 30 metros da frente da pedreira, o que diminui a exatidão do escaneamento. A borda esquerda da imagem apresenta-se com coloração mais avermelhada devido a modificação do dado de intensidade do laser causado por condições at- mosféricas (quantidade de umidade, particulados no ar, etc.).

4.2.1 Cálculo das Atitudes dos Planos de Fraturas - Laser Scanner 3D

Para o cálculo das atitudes dos planos de fratura, foi utilizada a nuvem de pontos de maior detalhe, indicado pelo círculo número 1 na Figura 4.25 com espaçamento entre os pontos de 3,6 milímetros, que corresponde a frente de lavra EW da Figura 4.2. Tal nuvem foi rotacionada e analisada até a identificação de planos de fraturas ideais para a utilização do método dos três pontos.

Para o cálculo da atitude dos planos foi utilizado o Método dos Três Pontos, já descrito no capítulo de Materiais e Métodos, que consiste na identificação e seleção de 3 pontos dentro da fratura que melhor representem o plano da fratura a ser medida.

A Figura 4.26 mostra um exemplo de identificação do plano de fratura, o qual foi medido utilizando o Método dos Três Pontos. Para a identificação dos planos de fraturas utilizou-se como critério o alinhamento de pontos, como mostrado na mesma figura.

4.2 Análises com Laser Scanner 3D Terrestre 4 Resultados e Discussões

Figura 4.26: (A) Plano de fratura dentro de uma nuvem de pontos. (B) Alinhamento de pontos característico de um plano de fraturas.

Com este método foram medidos a atitude três planos de fraturas (Figura 4.27) melhor marcados dentro da nuvem de pontos obtida, que tiveram os resultados comparados com a medição com bússola.

Figura 4.27: Localização dos três planos de fraturas medidos com o método dos três pontos. Nuvem de ponto corresponde a frente de lavra EW da Pedreira Partecal.

Para o plano plano 1, com atitude medida com bússola de 84/80, o Método dos Três Pontos forneceu atitude 89/77 e 99/77. Já para o plano 2, de azimute 110/70, foram obtidas atitudes 110/64 e 118/70 e, para o plano 3, de atitude 256/90, o método forneceu atitude igual 252/80, 243/84 e 244/83.

A variação da atitude do plano calculada por este método é grande, pois depende da sele- ção manual de 3 pontos dentro do plano, dependendo então da interpretação visual e pessoal

4.2 Análises com Laser Scanner 3D Terrestre 4 Resultados e Discussões

nuvem de pontos, incluindo sempre alguns erros dentro da medição.

Diferenças entre as atitudes do planos medidas com bússola e medidas através do Método do Três Pontos são naturais, pois em ambas as técnicas há interpretação do responsável, seja para posicionar a bússola no plano de fratura, seja para selecionar três pontos que melhor se ajustem ao plano, sem contar os erros envolvidos no posicionamento do laser, que pode gerar oclusões, entre outros fatores (Figura 4.28).

Figura 4.28: Oclusão causada por saliência no afloramento. Fonte: adaptado de Sturzenegger e Stead (2009).

Outro fator importante incluso no uso do Laser Scanner Terrestre é dificuldade em se locali- zar as fraturas nas nuvens de pontos. Esta dificuldade pode estar associada a pequena exposição dos planos de fraturas nas frentes de lavra estudadas, sendo identificadas apenas quando muito próximo ao afloramento. Essa pequena exposição (com no máximo 6 - 7 centímetros, e predo- minantemente no máximo 2 - 3 centímetros), ou pequena exposição da fratura para “fora” do afloramento, faz com a nuvem de pontos seja incapaz de realçar os planos de fraturas, dificul- tando ou muitas vezes mascarando a existência do plano de fratura.

Assim, esta técnica é limitada em rochas que não apresentem grandes planos de fraturas expostos para fora, como no caso as rochas sedimentares da Formação Irati. Estudos de casos em rochas ígneas, como o trabalho de Souza et al. (2013), obtiveram bastante sucesso, talvez pela grande exposição das fraturas nas rochas ígneas, o que facilita a identificação dos planos de fratura e medição das atitudes dos respectivos planos.

Deste modo, a análise do fraturamento utilizando-se Laser Scanner Terrestre não se mostrou efetiva e de grande auxílio para a análise de sua distribuição e nem para o cálculo das atitudes dos planos de fratura.