Nesta pedreira, localizada no município de Ipeúna (Figura 4.18), foram descritos o banco de calcário de aproximadamente 4 metros de espessura, apresentando coloração marrom claro. Neste banco ocorre expressiva exumação de hidrocarbonetos e, logo acima do mesmo ocorre uma camada de folhelho de aproximadamente 30 - 40 centímetros. Esta camada de folhelho foi interpretada como sendo uma Interface Mecânica, que será devidamente descrita ao longo desta seção.
Figura 4.18: Localização da Pedreira Bonança. Acesso é feito, a partir de Ipeúna, pela rodovia Wilson Finardi.
Pode-se observar, através da Figura 4.18, a estruturação do Rio Passa - Cinco. Este rio está estruturado com direção NW-SE e NE-SW, com feições retilíneas nas porções estruturadas. Nesta região, existem sistemas de falhamentos com estas direções, como pode ser observado na Figura 1.1.
4.1 Padrão de Fraturamento e Estratigrafia Mecânica 4 Resultados e Discussões
Padrão de Fraturamento
Foram descritas 2 famílias extremamente bem marcadas pela pedreira: Família NE-SW e Família NW-SE, que apresentam melhor relação com a Estratigrafia Mecânica vista até o momento.
Famílias de Fraturas NE-SW
Esta família, de direção NE-SW (Figura 4.19), apresenta espaçamento de aproximadamente 30 - 40 centímetros, com persistência limitada apenas ao banco de calcário, sendo que a cada 60 centímetros ocorre um plano de fratura principal.
Esta família apresenta-se fechada, sem preenchimento mineral e com planos de fratura fre- quentemente pouco rugosos a lisos. Apresenta o mergulho dos planos de fratura normalmente sempre acima de 85 graus.
O que mais chama a atenção nesta família é a presença de material brechado, preenchida por calcita de granulação grosseira bem cristalizada com impregnação de óleo nos interstícios da brecha (Figura 4.20). Esta brecha pode estar associada a falhamentos de direção NE-SW mapeadas e descritas nesta região por Sousa (1997) e Sousa (2002). É interessante ressaltar que essa zona brechada se restringe apenas ao banco de carbonato, não sendo observada nas intercalações rítmicas folhelho/calcário que se encontra acima deste banco.
Figura 4.19: Estereograma das fraturas da família NE-SW medidas na Pedreira Bonança. Total de 37 medidas. Máximo - 118/03.
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Figura 4.20: Brecha, de direção NE-SW nos calcários da pedreira Bonança (Ipeúna). Observar a presença de óleo nos interstícios da brecha em A, e de calcita de granulação grosseira em B. Famílias de Fraturas NW-SE
A família de fraturas NW-SE (Figura 4.21) apresenta mergulhos sempre superiores a 85 graus, com espaçamento em média de 50 centímetros, sendo que a cada 2 metros ocorre um plano de fratura bem marcado. Semelhante ao que acontece com a família NE-SW, esta tem sua persistência limitada apenas ao banco de calcário basal da pedreira.
De modo geral apresenta-se fechada, sem nenhum preenchimento e com planos de fraturas rugosos a levemente rugosos, variando ao longo da pedreira.
Diferentemente das outras pedreiras estudadas, onde as fraturas NW-SE apresentavam per- sistência por toda a frente de lavra, ultrapassando as camadas de folhelhos interpretadas como Interface Mecânica, nesta pedreira, não se observa esta família bem marcada após a Interface Mecânica.
4.1 Padrão de Fraturamento e Estratigrafia Mecânica 4 Resultados e Discussões
Figura 4.21: Estereograma das fraturas da família NW-SE medidas na Pedreira Bonança. Total de 33 medidas. Máximo - 52/01.
Análise Geral e Discussões
De um modo geral, nesta pedreira ocorrem fraturas fechadas, com persistência limitada apenas no banco de calcário basal. Como observa-se na Figura 4.22, há predominância de fraturas com alto ângulo de mergulho, normalmente acima de 85 graus, que se diferem em duas famílias de fraturas, como visto e descrito acima.
Figura 4.22: Estereograma de todas as fraturas medidas na Pedreira Bonança. Total de 70 medidas. Máximos - 118/03; 52/01.
A família de fraturas NE-SW provavelmente está associada e controlada com as falhas de direção NE-SW presente na região (vide Figura 1.1), que podem ter sido responsáveis pela for- mação das brechas, sendo que o principal corpo d’água na região (Rio Passa-Cinco) apresenta-
4.1 Padrão de Fraturamento e Estratigrafia Mecânica 4 Resultados e Discussões
se com forte orientação NE-SW na região próxima a esta zona de falha. Em relação a presença de óleo impregnado nos planos de fratura, a família NE-SW é a que geralmente apresenta esta impregnação, diferindo das demais pedreiras onde a impregnação de óleo era em grande maioria na família NW-SE.
Estratigrafia Mecânica
O que se observa nesta pedreira é a presença de uma Interface Mecânica de aproximada- mente 30 - 40 centímetros, composta por folhelhos negros da Formação Irati, que se encontra logo acima do banco de calcário (Figura 4.23). Assim, essa é a mais espessa e expressiva Interface Mecânica observada entre as demais pedreiras estudadas.
Figura 4.23: Interface Mecânica da Pedreira Bonança (Ipeúna - SP), com espessura de aproxi- madamente 30 - 40 centímetros, indicado entre as linhas em vermelho.
4.1 Padrão de Fraturamento e Estratigrafia Mecânica 4 Resultados e Discussões
de fraturas NW-SE, que possuía grande persistência e ultrapassava normalmente as Interfaces Mecânicas, nesta pedreira não se observa sua continuação desta família além da interface. As- sim, todas as famílias de fraturas, nem mesmo as zonas brechadas observadas, não ultrapassam a Interface Mecânica, ou ultrapassam alguns poucos centímetros.
A Figura 4.24, desenvolvida a partir de fotografia e um croqui feito em campo, ilustra muito bem a relação entre a não continuação das fraturas (em amarelo) e a Interface Mecânica (em vermelho). Deste modo, como visto nas seções anteriores, a camada de folhelho aqui denomi- nada de Interface Mecânica, faz com que as famílias de fraturas, tanto NE-SW quanto NW-SE, bem como as zonas brechadas, não tenham continuação e persistência ao longo da exposição das rochas da Formação Irati.
Isso pode estar condicionado a elevada espessura desta Interface Mecânica (maior espes- sura e homogeneidade observada), que apresenta elevado caráter dúctil, condicionando a não propagação das fraturas pela Interface Mecânica.
Figura 4.24: Interface Mecânica da Pedreira Bonança (Ipeúna - SP), com espessura de aproxi- madamente 30 - 40 centímetros, indicada entre as linhas em vermelho, e direção de algumas fraturas que não a ultrapassam, indicadas em amarelo. Corte aproximadamente NS.
Do ponto de vista de reservatório, a região da Pedreira Bonança (Ipéuna) apresenta um exce- lente exemplo de reservatório carbonático fraturado, uma vez que o banco de calcários da base apresenta-se muito fraturado e as fraturas são barradas pela Interface Mecânica, que também podem se comportar como selante. Abaixo deste banco encontram-se os folhelhos e siltitos do Membro Taquaral (base da Formação Irati) que podem apresentar comportamentos semelhantes