• No results found

4.4 Kvantitativ bestemmelse av mengde polysakkarider

4.5.3 Videre enzymatisk degradering av GA1Fr1 og GA1Fr2

Esta categoria apresenta a fala da professora quanto aos procedimentos adotados para lidar com as dificuldades de aprendizagem dos alunos:

4.1.6.3.1 A necessidade de repetição versus o construtivismo

De acordo com a experiência docente da professora, as atividades repetitivas e mecanicistas favoreciam mais a aprendizagem dos alunos com dificuldades do que as atividades construtivistas:

Segundo a professora, no ano anterior, praticamente ninguém sabia ler e não possuía conhecimentos de Matemática, por isso, ela procurou trabalhar com repetições para reforçar o que os alunos estavam aprendendo. Para ela, alunos com dificuldade em reter os novos conhecimentos, que não assimilam o conteúdo e adquirem os saberes de forma acumulativa, precisam recomeçar sempre do início. Ela concluiu dizendo que sua prática pedagógica mostrou-lhe que o construtivismo não seria a teoria ideal para se trabalhar com alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem. Desse modo, ela procurava trabalhar mais atividades de reforço, de forma repetitiva, com os alunos. (DC 12/05)

A professora explicou à pesquisadora que fez exercícios de fixação da tabuada e da divisão porque sua experiência com alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem mostrou-lhe que a repetição é o melhor método de ensino. Ela ressaltou a importância de uma pedagogia construtivista para os alunos normais, mas no caso das dificuldades de aprendizagem não funciona, porque os alunos não retêm. Eles até compreendem e fazem corretamente num primeiro momento, mas depois eles esquecem. Ela disse que eles são como uma tabula rasa e ela precisa voltar sempre ao início. (DC 18/08)

Enquanto falava, a professora pediu o caderno de Matemática de uma aluna e mostrou à pesquisadora que, no segundo bimestre, ela ensinou divisão por um algarismo, conteúdo referente ao primeiro bimestre da terceira série. Mostrou, também, o quanto trabalhara com repetição de numerais e de tabuada. Disse que não gostava de fazer repetições, mas quando os alunos apresentavam muitas dificuldades não era possível fazer um trabalho construtivista. Disse, ainda, que a experiência com aqueles alunos foi mais importante do que uma faculdade para ela, pois realmente lhe ensinou muitas coisas. Na prática, ela verificou que a alfabetização dos alunos com dificuldade só acontecia com repetições, na teoria podia ser diferente. (DC 09/12).

4.1.6.3.2 A avaliação na concepção da professora

A professora relatou, na entrevista inicial, que as provas tradicionais eram instrumentos inadequados para avaliar alunos com dificuldades. Contudo, observamos que seus alunos eram submetidos a avaliações bimestrais, que, segundo ela, cumpriam apenas uma exigência burocrática:

A professora contou que os alunos fizeram as provas e se saíram muito mal. Na verdade, em sua opinião, eles não deveriam ser avaliados pelas provas, devido às suas necessidades especiais, mas elas eram apenas documentos burocráticos. (DC 12/05)

4.1.6.3.3 As dificuldades de aprendizagem e o conteúdo programático

Na entrevista inicial e nas primeiras observações, a professora contou que precisava adaptar o conteúdo às necessidades educacionais de seus alunos. Contudo, no decorrer do ano letivo, ela afirmou a necessidade de seguir o conteúdo programático, mesmo com o prejuízo dos alunos com dificuldades mais severas de aprendizagem:

A professora perguntou se a pesquisadora observou como muitos conseguiam fazer os exercícios sozinhos. Alguns ainda não conseguiam e só copiavam a resolução da lousa, pois eram os alunos copistas. Ela disse que apesar disso, precisava avançar no conteúdo, não poderia privilegiar apenas as dificuldades mais severas dos alunos e deveria seguir com o conteúdo, pois eles iriam para a quinta série no próximo ano. (DC 12/05)

O professor Tomás disse que achava importante dar um tempo no conteúdo programático de vez em quando e trabalhar com a formação moral do aluno. A professora concordou dizendo que também considera isso fundamental, talvez até mais do que os conteúdos programáticos, no caso de seus alunos. (DC 20/11)

4.1.6.3.4 O modo de trabalho dos alunos

A classe encontrou um modo de trabalhar. Alguns alunos, principalmente Pau, resolviam os problemas e atividades propostas pela professora, e os demais copiavam as respostas para mostrarem a ela, que os elogiava e dizia que estavam aprendendo.

A pesquisadora andou pela classe e observou que os alunos não fizeram o problema e copiavam a resposta da lousa. Pau foi o único aluno que fez a conta, sozinho. (DC 20/10)

Hu chegou com o caderno para a professora verificar. Ele era o aluno mais animado com os acertos e a professora contou que o colocou para se sentar com o aluno Pau, que o ajudava. Na verdade, Pau resolvia o problema e pedia para Hu mostrar os resultados e ele ficava muito contente com os elogios da professora.

4.1.6.3.5 A falta de interesse dos alunos

Neste contexto o desinteresse dos alunos pelas atividades escolares tornava-se evidente: No decorrer do ano letivo, observamos que os alunos interrompiam e abandonavam as atividades pela metade, muitas vezes esperando a resposta do colega ou da professora e, outras vezes, deixando o caderno incompleto:

Os alunos trabalhavam individualmente. Permaneceram em silêncio durante algum tempo, mas logo desistiram da atividade e começaram a se dispersar. (DC 18/08) A pesquisadora caminhou entre as carteiras e depois voltou para o fundo da sala e a professora permaneceu sentada a sua carteira corrigindo provas. Os alunos escreviam, conversavam, se levantavam, enrolavam, mas não respondiam aos exercícios de interpretação. (DC 09/11)

A professora sentou-se a sua mesa e voltou a escrever enquanto os alunos tiveram mais tempo para responder à última questão. A pesquisadora percorreu as carteiras e observou que a maioria não fazia a atividade. Eles conversavam entre si. Os alunos que responderam escreveram “Alice e o coelho”. Era uma prática comum entre eles, algum aluno responder e os demais copiarem. (15/09)

Havia alunos que não faziam nada na aula, apenas enrolavam, passando a aula toda copiando a matéria da lousa e não resolviam os exercícios. Eles passavam o tempo todo brincando e conversando, discretamente, e, às vezes, deitavam-se sobre as carteiras. Em muitas ocasiões, observamos que esses alunos apenas copiavam a agenda do dia. No início, a professora parecia não perceber, pois, na maioria das aulas, ela permanecia sentada a sua mesa e corrigia os exercícios, na lousa, ou pedia que os alunos levassem os cadernos para ela corrigir, e esses alunos nunca levavam. Quando eles extrapolavam nas brincadeiras, ela se limitava a chamar a atenção e a perguntar se estavam fazendo as atividades. Chegou a revelar conhecimento dessa situação à pesquisadora, mas disse que não sabia o que fazer, pois a maioria era repetente e não poderia ser retida novamente.

A pesquisadora caminhou pela sala, observando o trabalho dos alunos. A maioria copiava o texto. Apenas AC, Ga, La e Lu estavam adiantadas. O restante da sala copiava lentamente, enquanto conversavam e brincavam discretamente. Os alunos Fa, Wil, Bru, Ag, Fe, Wal, Va não copiavam, apenas enrolavam. Há alguns meses esses alunos não fazem as atividades propostas pela professora, às vezes copiam apenas a agenda do dia. Outras vezes iniciam a cópia dos problemas, mas não tentam resolvê-los(DC 09/11)

4.1.6.3.6 O desenvolvimento dos alunos na fala da professora

Em alguns diálogos com a pesquisadora, a professora firmou que seus alunos estavam se desenvolvendo, apesar das dificuldades. Essa afirmação era fruto das correções que fazia na lousa. Ela corrigia os problemas matemáticos e perguntava quem acertou. A maioria dos alunos levantava as mãos, e ela os elogiava. Contudo, apenas alguns alunos resolviam os problemas, e o restante copiava as respostas dos colegas. A maior dificuldade dos alunos encontrava-se na leitura e interpretação de textos. Mesmo os alunos mais adiantados não conseguiam resolver os exercícios de interpretação. A professora percebeu e passou a privilegiar as atividades de matemática:

Ela falou sobre o progresso de seus alunos. Disse que estava muito feliz porque há dois anos, quando trabalhava com eles no reforço, a maioria não sabia ler e que já observava que apenas alguns alunos não foram alfabetizados: Fran, Cai, May T, Eli, 143a e Be. Desses, Be, 143a e Eli chegaram a sua sala apenas em 2009 e não passaram por todo o processo. Ela também identificou que eles possuíam maior dificuldade em Português, mas em Matemática eles estavam bastante desenvolvidos. Disse que eles se saíram muito bem no simulado de Matemática e agora estava ansiosa para ver como eles se sairiam no simulado de Português. (DC 09/11)

A professora explicou à pesquisadora que os alunos conseguiam resolver problemas aritméticos com êxito, porque ela os ensinou a encontrar a palavra-chave para resolver o problema e com isso quase todos conseguiram acertar. Ela ressaltou que isso era fruto de seu trabalho, pois esses alunos nem sabiam ler e agora interpretavam problemas. Disse, também, que inventara a técnica de encontrar a palavra-chave e os outros professores perguntavam como ela conseguira isso, mas ela não sabe, disse que foi um insight.

Contraditoriamente à fala anterior, em alguns momentos, a professora afirmava que seus alunos não aprendiam:

A aluna Ga voltou a mostrar o caderno à professora. Mais uma vez ela errou. A professora fez uma demonstração na lousa e pediu que ela tentasse fazer sozinha. Depois falou à pesquisadora que se aquela era a sua melhor aluna, o que poderia esperar do restante da classe? (DC 25/11)

4.1.6.3.7 Queixa da professora sobre o desinteresse dos alunos

A professora justificou as alterações no programa das disciplinas, no conteúdo programático e na didática de suas aulas devido à falta de interesse e participação dos alunos:

Enquanto os alunos se organizavam, ela ainda se queixou da falta de interesse e comprometimento da classe. Disse que não contaria mais histórias, porque não havia o menor interesse dos alunos. Enquanto ela lia, muitos dormiam e outros brincavam. Segundo ela, alguns alunos estavam impossíveis e não queriam saber de nada, tais como: Ag, Wil, Bru, Fa, Jhon, May, LF. Desse grupo ela afirmou que May não teria condições de ser aprovado. Falou ainda da sua decepção ao trabalhar com a turma a história da cidade, nas aulas de História. Preparou as mesmas atividades para as turmas do período da manhã e do período da tarde. Enquanto a primeira mostrou-se motivada, participando ativamente das aulas, interagindo com perguntas e comentários e rindo das leis antigas, a segunda demonstrou total desinteresse de modo que, naquela tarde de quarta-feira, a professora trabalhou apenas ciências. (08/09)