5. DISKUSJON/ OPPSUMMERING
5.3 V EIEN VIDERE
A vida social é essencialmente prática. Todos os mistérios que desviam a teoria para o misticismo encontram sua solução racional na prática humana e na compreensão desta prática. (MARX, 1845, p.).
Os filósofos não fizeram mais que interpretar o mundo de forma diferente; trata-se, porém de modificá-lo. (MARX)
Compreendemos que a influência de o jornal elaborado pelos alunos pode ser um elemento transformador das relações dentro da escola, e a importância disso não deve ser minimizada, visto que as instituições de ensino são constituintes fundamentais de nossa sociedade.
Os dados aqui trabalhados são os resultados obtidos por meio de uma prática educomunicativa adotada em uma unidade escolar da rede pública do estado de São Paulo. Trata-se do Informativo Avelina – denominado a partir de agora IA –, que surgiu graças à iniciativa da professora coordenadora pedagógica (PCP) Leticie Rogério, docente de Língua Portuguesa que
participou de uma oficina promovida pelo Jornal de Piracicaba, a “JP na Escola”. Esse contato com os envolvidos na publicação da cidade viabilizou o financiamento das duas primeiras edições do IA.
Como a escola não possuía recursos financeiros para a impressão do material produzido pelos alunos, os gestores tiveram de procurar tais recursos por meio de parcerias, já que a Secretaria de Estado da Educação também não dispunha de verbas específicas para tal atividade. Essa busca contou com o apoio fundamental de uma líder comunitária, Iraci Ronda, que se encantou com o projeto e decidiu patrocinar uma edição. Foi ela também quem conseguiu firmar parceria com a Associação do Distrito Industrial Uninorte, que até hoje auxilia a escola na impressão do jornal.
Essa experiência é um exemplo do grande entrave representado pela busca de recursos financeiros para o planejamento e execução de projetos. Um maneira de superar o problema é, como ocorreu no caso aqui estudado, estabelecer parcerias com as empresas localizadas na comunidade ou em suas proximidades.
Para que a captação de recursos financeiros seja bem-sucedida, deve existir uma articulação entre gestores, docentes e alunos (protagonismo juvenil). Os gestores devem atuar como planejadores de ações, retirando seu foco da punição à indisciplina e ao vandalismo e voltando-o para caminhos que levem à superação desses problemas. Os professores devem se comprometer com o processo de ensino-aprendizagem, conscientes de que a sociedade pós- moderna gerou um novo mundo – o meio técnico-científico-informacional, de acordo com Milton Santos. E os alunos, por sua vez, devem assumir o seu protagonismo, ou seja, devem se levantar das cadeiras das salas de aula e partir para a ação.
Quanto a essa questão, Medeiros Filho (2005, p. 74) aponta outros aspectos pertinentes ao tratar do projeto “Cidade Escola Aprendiz”, desenvolvido em São Paulo:
O sucesso de um programa desse tipo depende muito da postura participativa da empresa que lhe dá suporte e da capacidade da ONG, ou instituição educacional, de ser receptiva e estimular essa participação, evitando ver na parceria apenas sua fonte de financiamento. A flexibilidade dos educadores e do currículo é fundamental ao
aprendizado, pois todo o processo é calcado no “aprender fazendo”, na experimentação, na criatividade, para o que é necessário estar atento às singularidades de cada grupo. Por fim, sobre as parcerias que permitiram a criação do IA, o Instituto Arcor ofereceu importante contribuição para a compra de um computador, uma máquina fotográfica e um gravador por meio do projeto “Minha Escola Cresce”. Essas aquisições muito auxiliaram nos registros para as reportagens do jornal.
Descrição e estrutura de funcionamento e distribuição do IA.
A seguir, apresenta-se a descrição física do Informativo Avelina (Figura 1), bem como a estrutura de funcionamento e distribuição e demais dados pertinentes.
Data de início (fundação) – o jornal surgiu no segundo semestre de 2009, como consequência de uma capacitação em que a Professora Coordenadora da Escola, Professora Letície Rogério participou no Jornal de Piracicaba.
Nº de páginas – 8 (oito) páginas, sendo nas últimas edições a primeira e última página colorida.
Periodicidade – semestral, mas, devido ao sucesso, a unidade escolar tem projetos de que as edições se tornem mensais.
Tiragem – são 1.000 exemplares impressos a cada edição.
Distribuição – primeiramente atende-se aos alunos da E.E Profª. Avelina Palma Losso, em seguida, os exemplares são entregues para outras escolas estaduais por meio da diretoria regional de ensino da região de Piracicaba. Baseando-se em uma família média formada por quatro membros e levando-se em conta que os temas veiculados são de interesse não só dos alunos ou da escola, mas de toda a comunidade, acredita-se que o IA seja lido por pelo menos 4.000 pessoas.
Fotógrafos – as fotografias são feitas principalmente pela coordenadora Letície Rogério e pelo professor Luiz Carlos Canale, além de contar com a colaboração de outros professores e alunos dependendo da reportagem a ser veiculada. Valorizam-se primordialmente as atividades da escola, sempre registrando os eventos e acontecimentos que merecem destaque.
Editor-chefe – a responsabilidade pelo conteúdo veiculado e pela editoração fica a cargo da professora coordenadora Letície Rogério.
Impressão – as primeiras edições foram cortesia do Jornal de Piracicaba. As demais têm sido feitas no Jornal Cidade de Rio Claro, que ofereceu melhor preço na cotação feita pela Associação de Pais e Mestres (APM) da E. E. Professora Avelina Palma Losso.
Autonomia dos alunos – os alunos são orientados a fazer as pesquisas, redigir os textos e fazer as fotografias.
Nomes dos alunos participantes e funções – a unidade escolar não conseguiu chegar a esse nível de organização até o presente momento, aceitando colaboração de textos produzidos pelos alunos indistintamente. A professora coordenadora Letície Rogério, para as próximas edições, pretende dividir o IA em sessões, deixando cada uma sob responsabilidade de um professor e de um grupo de alunos.
Até a presente edição do jornal percebe-se que a editoração do mesmo como as outras etapas não conta com a plena participação dos professores e alunos. Nesta situação entra em contradição o que é desenvolvido pela escola com a proposta da Educomunicação. A Educomunicação pressupõe a garantia do protagonismo juvenil visando a inserção do aluno num contexto democrático fazendo com que ele se torne um cidadão crítico e atuante. Como também que as decisões sejam partilhadas entre os diversos segmentos garantindo o empoderamento dos envolvidos no processo.
Quando se tem a centralização das decisões das práticas pedagógicas nas mãos de gestores não se qualifica o processo como Educomunicação. Necessita que o aluno seja ouvido em todas as etapas da elaboração do jornal, nas decisões que envolvem produção em circulação do jornal.
A presença participativa dos jovens devem ser garantida nas reuniões onde são elaboradas as pautas como nas reuniões onde são discutidas e analisadas as questões envolvendo o jornal.
Notamos que não existe uma reunião para avaliação do produto final. Os alunos e a comunidade escolar não são chamados para fazer análise criteriosa e propor mudanças nos aspectos que necessitam de melhorias.
Descrição da reunião de pauta – as atividades são planejadas nas Aulas de Trabalho Pedagógico Coletivas (ATPCs) pela equipe gestora e professores. Com orientações individuais, o trabalho continua com a Professora Coordenadora Letície Rogério dando seguimento ao trabalho no horário de expediente da escola.
Participação de professores – são colaboradores ativas principalmente os professores de Língua Portuguesa (Karina dos Reis Rissato Cléto, Raquel Souza), que contam com a ajuda da professoras Cássia Regina Bordignon Weissman (Geografia) e Sueli Esteves Olegário (disciplina), que ajudam a enriquecer a pauta.
Financiamento – os recursos para compra de computador e máquina fotográfica vieram da parceria com o Instituto Arcor do Brasil dentro do projeto Minha Escola Cresce. Atualmente, a impressão do jornal é financiada pela Associação dos Promissários Donatários do Distrito Industrial Uninorte de Piracicaba (Adinorte), uma conquista da líder comunitária Iraci Ronda.
3.3 Percepções na construção da perspectiva democrática do Informativo