Educação e comunicação são duas áreas do conhecimento cujo encontro pode garantir o sucesso da difusão do conhecimento na sociedade contemporânea. A educação procura contemplar em sua ação o ensino e a aprendizagem, duas dimensões intrinsecamente articuladas, que não podem existir de maneira separada.
Melo e Tosta (2008, p.) colaboram para a discussão sobre o conceito de educação com a proposição de que “Educação significa ‘a ação e o efeito de educar-se’, o que, na tradição latina, remete ao desenvolvimento e aperfeiçoamento das faculdades morais e intelectuais das gerações mais jovens por meio de preceitos doutrinários”.
No Brasil, a educação é um direito de todo cidadão, e o Estado deve garantir o acesso e a permanência do aluno na escola, uma forma de exercício da cidadania extremamente importante para a manutenção e aprimoramento do regime democrático no país.
Quando se fala em educação, são contemplados todos os níveis aos quais o indivíduo tem direito, desde o início da vida escolar, na Educação Infantil, passando pelo Ensino Fundamental e pelo Ensino Médio, até o Ensino Profissionalizante e o Ensino Superior, e sem excluir o Ensino de Jovens e
Adultos (EJA), direito de todos aqueles que não tiveram acesso à educação na idade mais adequada.
Além dessa delimitação dos níveis de ensino, dois setores dividem a educação no Brasil: a) o setor público, que tem como ideal republicano garantir o direito de todos ao ensino, objetivo que deve ser cumprido tanto pela ação do município e do estado como pelas políticas do governo federal; b) e o setor privado, que, na sociedade atual, tornou a educação uma mercadoria, tratando- a em termos de contratos, serviços e remuneração.
Observando essas ramificações, Braga e Calazans (2001, p. 42) afirmam que o “sistema educacional é assim um campo polêmico, de propostas, tendências, experimentações e de conflitos de ideias em buscas diferenciadas de resultados”.
Entretanto, se há um traço predominante na educação brasileira, é o uso social da escola como um dos aparelhos do Estado para a imposição da ideologia dominante sobre a população. Em uma perspectiva marxista, isso nos é apontado por Althusser (ano, p.) em seu livro Ideologia e aparelhos
ideológicos de Estado:
Porém, ao mesmo tempo, e juntos com essas técnicas e conhecimentos, aprendem-se na escola as “regras” do bom comportamento, isto é, as conveniências que devem ser observadas por todo agente da divisão do trabalho conforme o posto que ele esteja “destinando” a ocupar, [...] enunciando este fato numa linguagem mais científica, diremos que a produção da força de trabalho não exige somente uma reprodução de sua qualificação, mas ao mesmo tempo uma reprodução de sua submissão às normas da ordem vigente [...] Em outras palavras, a escola (mas também outras instituições do Estado, como a Igreja e outros aparelhos, como o Exército) ensina o “know-how”, mas sob formas que asseguram a submissão à ideologia dominante ou o domínio de sua “prática”.
Em contraposição à educação como instrumento de reprodução da ideologia dominante, há a educação como elemento transformador da sociedade. A esse respeito, e escreve Luckesi (1994, p. 50):
Dessa forma, a educação, por si, não será mecanicamente reprodutivista. Ela poderá ser reprodutora, mas não necessariamente; desde que poderá ser criticizadora. Poderá estar, pois, a serviço de um projeto de libertação das maiorias dentro da sociedade. Claro, não será simples à educação, e aos educadores que a realizam, efetivar esse processo dentro
da sociedade capitalista, pois que esta possui muitos ardis pelos quais ela se recompõe, tendo em vista não modificar-se. Procurando sintetizar as mudanças de referencial teórico que se iniciaram com a pedagogia nova e tiveram como resultado as ideias de Paulo Freire, Melo e Tosta (2008, p. 20) elaboraram um quadro comparativo bastante esclarecedor, com as metodologias de cada linha pedagógica, o qual reproduzimos a seguir.
Quadro 3 – LINHAS PEDAGÓGICAS Pedagogia Tradicional (Herbart) Pedagogia Nova (Dewey) Pedagogia Libertadora (Freire) Pedagogia na Educomunicação
Preparação Atividade Pesquisa Prática
Apresentação Problema Temas geradores Competência
Associação Dados do problema Problematização (diálogo)
Protagonismo Generalização Hipótese Conscientização Superação
Aplicação Experimentação Ação social Transformação
Fonte: Adaptação feita por Adilson Aparecido Costa
Na escola proposta por Paulo Freire, o conhecimento torna-se ferramenta da ação social, de modo que a escola passa a ser um elemento transformador da sociedade, uma visão que constitui importante referencial para a Educomunicação.
Já quando abordamos a comunicação social no contexto contemporâneo, não podemos separá-la das tecnologias midiáticas que a acompanham e conformam seus modos, processos e objetivos. Os objetivos comunicacionais, aliás, são responsáveis por promover o desenvolvimento das tecnologias midiáticas. Exemplo disso é a a internet, importante meio de comunicação atualmente, cuja origem se deve a um contexto de espionagem em pleno período de guerra.
Melo e Tosta (2008, p.) ainda colaboram com a nossa discussão ao propor a seguinte discussão sobre a palavra “comunicação”:
[...] Assim é com o vocábulo “comunicação”, que pode ser entendido como “transmissão de informação”; é o que dizem o
jornal e a TV, é o computador, é o quarto poder, etc. Senso comum que, na verdade, não é tão distinto dos estudos sobre a comunicação, os quais também apresentam diferentes premissas a respeito. De toda maneira, um primeiro significado para a comunicação é a ideia de diálogo, no qual duas pessoas – emissor e receptor – trocam ideias, informações ou mensagens.
Como se vê, a própria mídia constitui importantíssimo referencial quando tratamos das questões relativas à comunicação. Assim, em um primeiro momento, os meios de comunicação podem servir de instrumento para nos ajudar a refletir, sistematizar e problematizar os processos comunicacionais na sociedade e na história.
A mídia também tem papel de destaque quando pensamos na comunicação para as massas na sociedade contemporânea, uma vez que ela é responsável pela produção e disseminação de sentidos compartilháveis. Desse modo, no presente estudo, é imprescindível que se considere a forte presença da mídia nas interações sociais da atualidade (as quais incluem a área da política, da educação, da arte, da economia e da produção cultural), com seu potencial para provocar grandes mudanças.
Por fim, quando se trata de discutir as interfaces entre comunicação e educação, verifica-se que os limites de cada uma das áreas se cruzam, originando problemáticas específicas dessa interseção:
Entre campos especializados, as interfaces se caracterizam como uma interdisciplinaridade, na qual os campos trazem suas especificidades para um objeto de interesse comum. [...] Assim, as preocupações comunicacionais da Educação e as preocupações sobre aprendizagem na Comunicação parecem de algum modo penetrar os dois campos originais na sua totalidade e fornece-lhes novos ângulos e questões para observação. (CALAZANS, 2001, p. 56).
A Educomunicação pressupõe uma nova forma de se ver o processo ensino-aprendizagem, pois o aluno aprende através de práticas comunicacionais que são inseridas no contexto escolar como, por exemplo: jornais, TVs, rádio etc.
O currículo oficial do Estado de São Paulo é assimilado pela proposta da Educomunicação, pois garante que os conteúdos sejam trabalhados a partir das habilidades e competências.
O protagonismo juvenil tão discutido nas propostas da SEE-SP constitui importante alicerce para a Educomunicação. Nesta situação o professor torna- se apenas o mediador entre o conhecimento e o aluno. Valoriza-se a superação dos conhecimentos baseados no senso comum levando o aluno a descobrir o conhecimento científico através de atividades que leva a aplicabilidade do conhecimento em seu contexto social.
Toda a proposta da Educomunicação tem como o objetivo que o conhecimento escolar torne ferramenta para promover a transformação da realidade social do entorno em que a escola esta inserida. O conhecimento deixa de ser elitista para circular no meio popular garantindo a sua apropriação levando ao empoderamento das classes sociais menos favorecidas.