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3. Metode og analyse

3.3 Videoobservasjon

O respeito mútuo proporciona um clima de harmonia no trabalho do coordenador pedagógico. As relações humanas na escola pesquisada se configuram como uma das principais ferramentas do sucesso do trabalho que lá é desenvolvido (CAMPELO, 2001).

Apesar disso, Ana Maria acredita que ainda “precisamos estudar muito sobre as relações interpessoais; acho que essas relações interpessoais são fundamentais, porque acho que o lastro do trabalho do coordenador pedagógico é saber lidar com as pessoas”.

Ana Maria tem mais de oito anos como coordenadora da Escola e Ana Júlia têm menos de dois anos. Percebemos uma relação de bastante respeito entre elas e entre elas e as professoras. Ana Maria diz que o trabalho do coordenador precisa ser de ‘conquista do professor’. Para ela, o coordenador precisa ter uma postura de compromisso e de responsabilidade para conquistar o respeito dos professores e dos alunos. E acrescenta:

A responsabilidade do coordenador é muito grande porque eu tenho que demonstrar para o professor que temos a mesma responsabilidade, o mesmo compromisso tanto em termos de organização funcional de horários como complementação de faltas; tenho que ser uma referência de responsabilidade. Acho que o coordenador pedagógico tem que demonstrar a situação de respeito com a instituição, mostrar que você tem um trabalho, que você produz também junto com ele, que você é parceiro junto com ele, não está ali pra estar conversando besteira, mas na hora que está conversando com alguém, você está conversando em função do trabalho da escola. Eu acho que é necessário ter essas pessoas na retaguarda para ajudar no trabalho do professor (Ana Maria).

Vivenciamos, naquele grupo, um cuidado mútuo entre seus pares. Momentos de doença, quando o grupo se reunia para visitar um colega, momentos de morte, quando o grupo vai ao encontro do colega para acolhê-lo na sua perda e momentos de alegria, quando o grupo se reunia para festejar. Enfim, muitos foram os momentos que reputamos de respeito e solidariedade, haja vista que

a solidariedade, para existir de fato, precisa sempre ser solidariedade a partir de baixo, dos últimos e dos que mais sofrem. A solidariedade se manifesta então como com-paixão. Com-paixão quer dizer ter a mesma paixão que o outro, alegrar-se com o outro, sofrer com o outro para que nunca se sinta só em seu sofrimento, construir juntos algo bom para todos (BOFF, 2003, p.12).

Trazendo a fala de Boff (2003) para o processo de construção das relações na escola, notamos que este aponta a construção da solidariedade numa horizontalidade. Numa escola, para que haja o respeito entre os pares da atividade laboral é importante que cada um pondere seu comportamento, conheça, aplique e respeite as normas comuns a todo o grupo.

A estratégia que a escola pesquisada utiliza para que haja o respeito às normas do grupo é o regimento escolar. Registramos, logo no início da pesquisa, quando foi demonstrada a preocupação de discutir e de revisitar o Regimento da Escola, onde estão expressas as normas de convivência. Em um dos encontros que aconteceu com todos os turnos, a direção apresentou o documento, já conhecido por muitos professores e, para os que chegavam à escola, era momento de conhecê-lo.

Entre coordenadores e professores a relação de respeito precisa ser construída e nesse sentido, a confiança torna esse caminho mais fácil. Vejamos o que diz Ana Beatriz nesse sentido.

Minha coordenadora me fez acreditar que era possível e que estava ali junto para me ajudar, porque o primeiro momento numa sala de aula da EJA é difícil. Acho que o primeiro dia na sala de aula é igual ao trabalho do ator. Eu digo muito para meus alunos: eu fico nervosa! O primeiro dia numa turma nova me dá aquele medo, aquela

ansiedade. Então, o coordenador me fez acreditar que ele iria caminhar junto comigo, que tava ali. Que ali estava um grupo e que

as dificuldades surgidas iriam ser compartilhadas (Ana Beatriz).

A beleza da relação de confiança que estabeleceu com a coordenação, que nos relata Ana Beatriz nos mostra o quanto é importante a figura do coordenador no compartilhamento da tarefa de ensinar junto ao professor, principalmente quando o professor está ingressando na profissão ou em um novo segmento de ensino.

Cumpre também destacar que o homem é uma unidade, quando age, age como um todo e, nessa ação, cognição e afetividade também são envolvidas.

Nesse sentido, o trabalho docente não se dá desvinculado do campo da afetividade; essa relação é inevitável, se quisermos tocar-lhe o coração. Assim sendo, “para que o trabalho seja efetivo, ou seja, que atinja seus objetivos, a relação afetiva necessariamente tem que ser estabelecida” (CODO; GAZZOTTI, 1999, p.50). São nessas relações de amorosidade que nasce o respeito.

Os professores, de um modo geral, têm dificuldade de dizer que não sabem, que precisam de ajuda. Quando sentem que são respeitados têm mais facilidade de expressar suas dúvidas, pois sabem que serão acolhidas. Na escola, a figura do coordenador aparece como a pessoa junto a quem o professor vai buscar essa ajuda; mas isso só acontecerá se os professores tiverem confiança no coordenador. Ana Júlia nos diz que, para isso, o coordenador precisa:

Ter sensibilidade de acolher as angústias do professor, do aluno... eu acho que tem que ser, não seria um conhecimento não, mas seria de acolhedor [...]. É muito de partilha mesmo, então é saber ouvir, e saber mediar, fazer dessas queixas, dessas interrogações, pontos de partida sempre, precisa ter sabedoria pra ta encaminhando, ta

sabendo levar o barco(Ana Júlia).

Para Ana Maria, o coordenador pedagógico “precisa ser pessoa de confiança do grupo”. Percebemos que o grupo tem nela essa confiança, tanto nas questões profissionais, como nas questões pessoais. Às vezes, ouvimos alguns colegas dizerem que, quando chegamos ao trabalho, devemos deixar nossos problemas lá

fora. Impossível! Somos gente e gente não se separa das suas tristezas, das suas alegrias: vamos inteiro/inteira a toda parte.

O coordenador pedagógico deve ter sabedoria para administrar as questões que surgem na vida dos professores, pois se eles têm nele a confiança para compartilhar suas angústias, ele precisa estar preparado para acolhê-las e, “muitas vezes, basta ser: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove” (CORA CORALINA, 2009).

Concluímos que a vida na escola precisa ser construída numa base sólida de respeito e confiança entre os pares, com compromisso com o outro: o aluno, o professor, o funcionário. Entendemos que, agindo assim, estamos construindo uma escola alicerçada em princípios éticos, pois a ética nos “pergunta constantemente sobre como devemos agir, sobre as normas e o conjunto de valores, sem trazer prejuízo a nenhum ser humano e a nenhuma vida necessária para o bem-estar de toda a comunidade” (ALVORI, 1999, p.158).