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3. Metode og analyse

3.4 Studiens troverdighet

Depois de um ano letivo, acompanhando cotidianamente o trabalho da coordenação pedagógica na Escola, podemos afirmar que essa atividade exige do profissional uma vigilância enorme para não descaracterizar a atividade teórico- prática do coordenador pedagógico, transformando-a em mero ativismo.

Cotidianamente, víamos uma proposta que havia sido pensada para um dia de trabalho pedagógico, sendo desmontada por uma dinâmica ativista, composta por diversas tarefas – algumas previstas, outras imprevistas – mas que deviam ser cumpridas, em geral, pela coordenação pedagógica: era o professor que faltava e a coordenação tinha que decidir o que fazer; era o material de trabalho dos professores que a coordenação tinha que distribuir; era o pai, ou a mãe que chegava para uma conversa, enfim, sempre eram muitos os afazeres diários cobrados do coordenador que nos levava a refletir: Qual é mesmo a função do coordenador pedagógico na escola?

A professora Ana Beatriz e os demais atores da pesquisa têm clareza de que a função primeira do coordenador pedagógico é a de estar junto ao professor na construção da prática pedagógica. Todavia, a professora também percebe que o campo do fazer coisas, resolver coisas vai tomando o tempo do coordenador. Assim, ela nos fala:

Em vez do coordenador está ali durante todo o tempo com o professor, ele tem outras atribuições, outras coisas para resolver, o que, às vezes, acaba atrapalhando. Na escola, na medida do possível, elas tentam priorizar o pedagógico, mas quando é um coordenador que não tem esse conhecimento, que não vê que a função maior dele seria essa, ele tende a se afastar do professor. Quando ele vai se empenhar na parte administrativa, ele deixa de lado o professor então, essa é uma das questões fundamentais que faz com que esse coordenador pedagógico se distancie do professor. Para mim, o objetivo principal do trabalho do coordenador seria o seu caminhar com o professor (Ana Beatriz).

Encontramos um grupo de coordenadoras muito angustiado, haja vista que, cotidianamente, seu trabalho não consegue se desenvolver como o planejado, em decorrência de ‘coisas que acontecem’. Percebemos que falta, por parte desses sujeitos, mais firmeza em relação ao que, de fato, é mais importante fazer.

No entanto, sentimos falta da colaboração de outros segmentos da comunidade escolar, até dos professores, no cumprimento do papel do coordenador pedagógico. Entendemos que era/é necessária uma divisão de tarefas, o que elas não conseguiam notar como o que observamos a seguir:

Data: 23/05/06

Tipo do encontro: reunião pedagógica

Mediadores: Coordenação pedagógica e professores

Temática:Planejamento

Diário de campo:

Os professores estão reunidos para planejar, quando as coordenadoras comunicam que precisarão sair para atender a um aluno. Ao comunicar que precisarão sair, perguntam se as professoras iriam precisar delas; as professoras disseram que naquele momento não. Elas, então, vão atender ao aluno, deixando as professoras sozinhas planejando. Quando elas voltaram do atendimento ao aluno, perguntaram apenas do que os professores iriam precisar.

Para as coordenadoras, é importante fazer tudo juntas. Compreendemos que é igualmente importante o atendimento ao aluno, mas a direção da escola podia fazer esse atendimento, liberando o coordenador para a sessão de planejamento junto aos professores. Com essa atitude, perde o planejamento, porque as coordenadoras não intervêm de maneira mais efetiva.

Almeida (2005), que desenvolveu uma pesquisa com dez coordenadores pedagógicos na Cidade de São Paulo, analisando um dia de trabalho desses profissionais e refletindo sobre as decisões que precisam tomar, quando são solicitados em várias frentes ao mesmo tempo, conclui:

Tomar decisões diante de tantas solicitações, tantas emergências, tantos conflitos que representam o cotidiano escolar não é fácil. Usando de uma metáfora, como fizeram os depoentes, o coordenador está sempre diante de um labirinto de escolhas. É preciso ter sagacidade para definir alguns pontos e atacá-los com os recursos adequados, levando em conta a situação concreta da escola, inserida num sistema escolar mais amplo, e os seus próprios limites, profissionais e pessoais (ALMEIDA, 2005, p.45).

Assim como nos aponta Almeida (2005), em sua pesquisa sobre o cotidiano dos coordenadores, observações da nossa pesquisa compartilham com essas mesmas situações do que abstraímos que esse profissional tem uma identidade ainda frágil na escola – defendemos que já é momento de definir a territorialidade desse profissional.

Assim, como os professores sabem exatamente sua função principal, o coordenador também precisa saber a sua – e a escola precisa respeitar o cumprimento dessa função. Esse não-saber, pensamos, está relacionado originalmente a história do processo de formação que não lhe proporcionou o devido esclarecimento acerca do seu lugar na escola.

Ana Maria tem uma preocupação enorme com sua responsabilidade e se esforça bastante para fazer um trabalho com qualidade social; contudo, a pesquisa apreendeu que ela ainda tem dificuldade em adotar uma postura mais firme quanto a sua verdadeira função na escola.

Compreendemos que a alfabetização de jovens e adultos precisa de um trabalho bastante articulado e sistematizado do ponto de vista da didática,

referencial subjacente à prática do professor alfabetizador. Sentimos, porém, que a ausência das coordenadoras nos momentos do planejamento das professoras pode comprometer o que a escola se propõe a realizar, no seu PPP.

Em alguns momentos, observamos professoras do quadro temporário da escola elaborando atividades que não estavam de acordo com a Proposta Pedagógica, do ponto de vista do ensino da língua escrita – por exemplo, atividades com “famílias silábicas”, de cunho mecanicista de alfabetização, evidenciando que aquela professora precisava de um apoio maior da coordenação pedagógica e/ou do grupo.

Ana Júlia argumenta que deixa de fazer um atendimento mais sistemático aos professores porque se envolve em outras atividades, como entregar fardas, material, pensar em eventos; “é fazer, fazer e fazer” segundo ela. Para que possamos visualizar essa situação, trazemos a seguir um registro de um dos momentos observados, onde as coordenadoras deixa de atender as professoras para ‘fazer coisas’.

Data: 09/05/06

Tipo do encontro: reunião pedagógica

Mediadores: Coordenação pedagógica e professores

Temática: Planejamento Diário de campo:

A coordenadora não está junto do grupo porque está fazendo atendimento aos alunos. As professoras, com muita autonomia, discutem as atividades que estão desenvolvendo na sala e planejam coletivamente a semana.

A coordenadora arranja um tempo e chega junto das professoras e as mesmas relatam como estão pensando em realizar um trabalho sistemático de leitura e escrita. A coordenadora lembra que, apesar das professoras estarem pensando nesse trabalho, tenham cuidado para não trabalhar a palavra pela palavra, mas dentro de um campo semântico. Logo, a coordenadora é chamada novamente, e as professoras ficam sozinhas.

Ao final, a coordenadora retorna ao grupo, as professoras mostram um “rapy” feito pelos

alunos e o grupo discute como fazer a culminância do projeto trabalhado.

Esse fragmento da observação ora apresentado, reforça o que dissemos anteriormente, ou seja, as coordenadoras têm dificuldades de ‘conciliar as esferas administrativa e pedagógica do cotidiano escolar, priorizando a pedagógica’; a partir de tudo que vimos e ouvimos, podemos inferir que, na maioria das vezes, a esfera administrativa, e não a pedagógica, foi priorizada, o que pode ter repercussões bastante negativas na qualidade que se almeja para o trabalho do professor.

Porém, nos momentos em que a coordenação conseguia priorizar o trabalho pedagógico, percebíamos o quanto era significativo para todos.

Um desses momentos foi quando as professoras organizavam um projeto – feira livre. As coordenadoras Ana Maria e Ana Júlia colaboravam, sugerindo atividades que podiam ser desenvolvidas a partir da temática, focalizando a alfabetização. Num outro dia de planejamento, as coordenadoras perguntavam como as professoras estavam atendendo aos alunos com escrita pré-silábica. As professoras relatam o que têm feito e a coordenadora sugere algumas atividades e se encarrega de trazer outras sugestões. Queremos salientar que, apesar de todas as limitações impostas por uma série de fatores, inclusive as condições de funcionamento da escola, as coordenadoras conseguem desenvolver um bom trabalho. Ao final do ano de 2006, período de realização desta pesquisa, elas elaboraram um Relatório45

Ressaltamos que constatamos nos documentos oficiais, citados neste trabalho, nos discursos dos pesquisadores que trouxemos para discussão e em algumas instituições privadas, um espaço muito aberto em relação à atuação do coordenador, quanto à definição de papéis e modos de atuação.

, contendo todas as atividades desenvolvidas durante aquele ano e, como estivemos na escola, durante todo aquele período, vimos que, de fato, tudo foi realizado.

3.1.2.3 Mediar a ação docente nas diversas etapas: planejamento; execução;