DEL 2 KLASSISK FILMPRODUKSJON GÅR DIGITAL
4.2 Tekniske aspekt til digitale videoformat
4.2.1 Videokamera fangar lyset med CCD-brikker
O espetáculo sempre foi uma das mais significativas e poderosas formas de entreter e conduzir os seres humanos. Registros históricos da pré-modernidade na Grécia Clássica relatam festivais no Olimpo de dramaturgia e poesia. Na Roma Antiga, a política do “pão e circo”. As batalhas dos gladiadores nas grandes arenas paralelamente às batalhas políticas no Senado Romano transformavam o próprio Império num espetáculo com marchas militares e grandiosos monumentos em honra aos governantes, generais vitoriosos e seus exércitos. A utilização do espetáculo não passou desapercebido pelo filósofo Maquiavel tendo como fim o controle e a manipulação da sociedade, elaborando assim uma das ferramentas para se governar (KELLNER, 2004).
Talvez as mais antigas manifestações culturais ligadas ao corpo e ao movimento, parecidas com o que hoje conhecemos como esporte moderno, tenham partido da cultura grega, romana e egípcia, porventura podendo ser consideradas
86 como a protoforma no desenvolvimento do esporte, conforme aponta Jacques Rouyer no livro Desporto e Desenvolvimento Humano (1977).
As danças, as lutas, os jogos, as brincadeiras que futuramente vieram a compor o esporte como hoje o conhecemos estiveram, por muitas vezes, na história, ligadas a antigas formas de espetáculo, compondo práticas corporais e mediando uma determinada forma de ser da sociedade da época.
Carl Dien apresenta, em sua obra A história dos esportes, interessante consideração em relação a esse fato histórico: “Cada época da humanidade tem o seu esporte, e a essência de cada povo se reflete nele” (1966, p. 9). Entretanto, se faz necessário deixar claro que é impraticável fazer uma comparação direta, sem as devidas adaptações, do que vemos hoje, com o que foi produzido na Antiguidade Clássica, mesmo que esses eventos da cultura corporal sejam, em grande parte dos casos, exatamente os mesmos dos dias de hoje (ROUYER, 1977).
Com a necessidade humana de modificar a natureza para uma melhor adaptação e sobrevivência a diferentes regiões e climas, o homem vivencia diferentes formas de movimento e relacionamento em sociedade. Nesse movimento, o homem modifica a natureza e por ela também é modificado.
Em 776 a.C., há relatos do início dos Jogos Olímpicos. A partir de 580 a.C. se tem a instituição dos primeiros prêmios aos vencedores das competições esportivas, nas diversas modalidades de disputas físicas que se expandiam pelo mundo. Essas modalidades esportivas tinham, geralmente, finalidades lúdicas, competitivas ou de preparação para o combate. Nesse movimento histórico, o que conhecemos hoje como esporte, assim como toda a sociedade, vai acompanhando, se modificando e se desenvolvendo conforme são postas as mudanças nas organizações sociais e no modo de produção humana e resulta, hoje, em práticas com os mais diversos fins (ROUYER, 1977).
O esporte como entendermos em sua maneira mais elaborada, próxima ao que temos hoje, teve sua gênese do final do século XVII ao início do século XVIII acompanhando a transição do modo de produção feudal ao modelo de organização capitalista. Formalizado na Inglaterra, o esporte apresentou um modelo e vocabulário que se difundiram em enorme velocidade aos demais países (HOSBSBAWM, 1988). A forma esportiva apresentava como características a competição e o rendimento, atributos que estavam em fundamentação na era moderna que se instalava.
87 Ainda sem negar a composição das práticas corporais na cultura esportiva, mas com a preocupação de refletir sobre o esporte nas suas diferenças e semelhanças relacionadas às atividades corporais, constatadas em períodos históricos anteriores, é valoroso tomar conhecimento de possíveis dissonâncias, como nas palavras de Parlebas (1986), citada na dissertação de mestrado da professora Ana Marcia, A
mercadorização do movimento corporal humano:
A utilização do mesmo termo esporte mascara a nossos olhos, uma flagrante disparidade de práticas físicas profundamente diferentes, tanto na significação histórica, quanto na lógica motora. Entre os torneios da idade média, de maneira geral, entre os jogos físicos tradicionais do segundo milênio e o esporte deste último século, está instaurada uma ruptura (PARLEBAS, 1986, p. 128 apud Silva). No início da Idade Moderna, é possível perceber uma íntima relação dos interesses e objetivos da classe social burguesa, que se despontava, e o esporte. Esse comportamento social foi adotado para distinguir os membros dessa nova classe em desenvolvimento daqueles provenientes da classe operária e dos trabalhadores do campo. Formava-se assim uma prática social que evidenciava essas novas classes em ascensão (HOBSBAWM, 1988). Devido a algumas especificidades, alguns esportes tinham um potencial de adaptação muito grande ao novo modo de vida urbano, como, por exemplo, o tênis. Os locais de prática do tênis eram de fácil construção para os padrões da época, pois não careciam de grandes espaços. Viabilizava-se, assim, uma ampliação dos círculos familiares e uma possível procura por novos parceiros em outras famílias. Nesse contexto, é importante salientar que o esporte foi importante meio para a promoção da emancipação feminina, favorecendo maior contato entre jovens de sexo diferentes (HOBSBAWN, 1988).
Ao tratar do fenômeno esportivo é fundamental se atentar à reciproca interferência social e às transformações ocorridas, isto é, às modificações na história e na humanidade ocorridas em um complexo correlacionado e mediado em uma totalidade, onde o real ou o todo é muito mais que a soma das partes, e sim sistema humano de diversas conexões articuladas e em movimento.
Perceber o esporte atual é conceituá-lo como um fenômeno de múltiplas dimensões. Conhecer é saturar o objeto estudado de determinações. E quais são as determinações do esporte? Esse movimento implica em observar e viver o fenômeno na sua evolução e transcorrer histórico aliados a ricas diversidades de mediações. Se
88 hoje o esporte moderno é facilmente reconhecido como esporte espetáculo e exerce direta influência social é porque, antes de mais nada, foi criado imerso a transformações e desenvolvimento societal próprios dos seres humanos. Entretanto, o fenômeno esportivo, assim como tudo na corrente dos mercados e suas mercadorias, também assume características próprias, autônomas e reificadas.