Konklusjon og vidare arbeid
5.2 Vidare arbeid
A fragilidade no entendimento do conceito da Responsabilidade Social Universitária e os desafios de sua implantação como modelo de gestão de ética e transparência estão presentes nas esferas administrativa e acadêmica das universidades. Como aponta Calderón (2006), a responsabilidade social não pode ser confundida com a execução de projetos socioambientais nas comunidades, nem com estratégias de marketing preparada para os avaliadores, no contexto das políticas de avaliação institucional.
A imprecisão conceitual da RSU é também analisada por Vallaeys (2008) a partir de pelo menos dois erros comuns em relação ao termo: confundir a RSU com ação social solidária e com extensão social e todas as demais concepções associadas, como ajuda social, sensibilidade social ou compromisso social; tomar a RSU como forma ideológica dicotômica, desde a oposição direita-esquerda, negando seu maior valor, que é a intenção de promover o diálogo e consenso entre as partes interessadas no campo social.
Em um campo de fragilidades e divergências, a responsabilidade social vai sendo incorporada e concebida nas IES através de diferentes abordagens. Calderón, Vargas e Pedro (2011a) identificam seis enfoques teóricos predominantes em relação à responsabilidade social na educação superior. São eles: a responsabilidade social enquanto tradição
universitária, como parte das discussões históricas da universidade, associadas à função social
da universidade, do ensino e da pesquisa; enquanto tendência de mercado, como reflexo da mercantilização da educação e da gestão empresarial das IES e como estratégia de diferenciação no mercado educacional; como normatização estatal, onde se destaca a
dimensão jurídica; enquanto estratégia de gestão das organizações, onde diferentes perspectivas buscam aplicar às universidades estratégias utilizadas no âmbito da gestão; como
valores para o desenvolvimento humano, tomando a universidade como espaço irradiador de
valores de cidadania, solidariedade e sustentabilidade, envolvendo discussões sobre o fazer universitário, a estruturação dos projetos pedagógicos e as matrizes curriculares e, enquanto
projetos sociais extensionistas, com acentuada rejeição aos projetos assistencialistas, e onde
se enquadram projetos como ações de responsabilidade social universitária semelhantes às ações no mundo empresarial e de fortalecimento da imagem no mercado; como compromisso
social com os setores socialmente excluídos e como meio de colocar o ensino, a pesquisa e a
extensão em prol do desenvolvimento socioeconômico do país.
Em outro artigo, os autores acrescentam mais dois enfoques que representam visões paradigmáticas antagônicas e possibilitam compreender as atuais divergências teóricas neste campo: a responsabilidade social como cumprimento das atividades históricas da universidade e a responsabilidade social como resistência ao mercantilismo neoliberal (CALDERÓN; PEDRO; VARGAS, 2011b).
Dialogando com ambos os autores, identificamos que a perspectiva da realização das atividades historicamente construídas na universidade, pertinente ao cumprimento com qualidade da missão universitária, no ensino, na pesquisa e na extensão, a partir de uma visão weberiana, pragmática, destituída de opção política ou valorativa (CALDERÓN; PEDRO;VARGAS, 2011b), poderia se associar ao primeiro erro apontado por Vallaeys, da confusão da RSU com ação social solidária. Da mesma forma, essa visão poderia expressar a já comentada perspectiva empresarial na educação, a qual concebe não ser função das empresas, e nesse caso nem da universidade, envolver-se diretamente com as questões referentes à desigualdade social e os problemas ambientais.
Já a perspectiva da resistência ao mercantilismo da globalização neoliberal, que se constitui em estratégia que preza a qualidade do cumprimento da missão, porém explicita uma posição política e ideológica fundada na visão marxista e gramsciana e no paradigma do conflito (CALDERÓN; PEDRO; VARGAS, 2011b), poderia se associar ao segundo erro comum apontado por Vallaeys, a saber, a oposição direita-esquerda neste campo.
A Responsabilidade Social Universitária, no contexto desta pesquisa, busca, a partir do pensamento complexo, enfrentar os erros e dialogar com os diferentes enfoques articulados entre si, na perspectiva da atualização histórica e do enfrentamento de dilemas e contradições
que permitam posicionar a universidade política e eticamente em prol de mais amplos interesses sociais e na construção de novos modelos de desenvolvimento econômico, social e ambiental. A abordagem dos valores, que envolve discussões sobre o fazer universitário, em especial em relação à estruturação dos projetos pedagógicos e das matrizes curriculares, relaciona-se diretamente com o contexto desta pesquisa, como será retomado mais à frente e indica um caminho por onde podem se materializar tais posicionamentos.
O aprofundamento da concepção de responsabilidade social na universidade, como bem coloca Vallaeys (2013), implica superar a perspectiva do compromisso social, que depende da vontade facultativa e do querer e envolve a filosofia de gestão.
[…] a responsabilidade social das organizações segue sendo uma noção nebulosa que suscita uma reflexão ética e política permanente acerca de nossas práticas econômicas, técnicas, científicas e sociais. A responsabilidade social, geralmente tratada no campo da gestão, é, na realidade, bem mais uma noção filosófica que põe em questão, senão em cheque a gestão. (VALLAEYS, 2013, p. 1, tradução nossa).
Tendo como ponto de partida esses pressupostos, utilizamos o referencial proposto por autores que abordam a RSU em uma perspectiva sistêmico-complexa e que a focalizam como parte da macrogestão institucional, compreendendo dimensões que se referem aos impactos e aos princípios e processos, englobando os quatro grandes sistemas das universidades: ensino, pesquisa, extensão e gestão. Em Vallaeys (2006) está a principal referência: a responsabilidade social das universidades é compreendida como uma política de qualidade ética que abrange todas as atividades da comunidade universitária, através de uma gestão responsável dos serviços educativos, cognitivos, laborais, sociais e ambientais. Supõe estabelecer um diálogo participativo da universidade com a sociedade, tendo em vista promover o desenvolvimento humano sustentável.
Na mesma perspectiva, destacamos autores como Zaffaroni (2007) e Jiménez de La Jara et al (2006), esses últimos ao abordarem os princípios e valores subjacentes aos processos que sustentam a gestão das universidades e que orientam os projetos de desenvolvimento institucional e os projetos pedagógicos. Tais princípios e valores abrangem o plano pessoal - dignidade da pessoa, liberdade e integridade; universitário - compromisso com a verdade, excelência, interdependência e transdisciplinaridade; e social - bem comum e equidade social, desenvolvimento sustentável e meio ambiente, sociabilidade e solidariedade para a convivência e diversidade e cidadania, democracia e participação.
A figura a seguir, elaborada por Calderón (2006) integra sintetiza esses conceitos e oferece importantes subsídios para esta pesquisa.
Figura 4 - Responsabilidade Social Universitária - Pirâmide
Fonte: Calderón (2006, p. 18).
A forma triangular da pirâmide possui três faces entrelaçadas que representam o ensino, a pesquisa e a extensão, sustentada pela gestão universitária. Os princípios e valores da RSU são os alicerces da pirâmide, pilares que sustentam a estrutura gerencial. Como propõe Calderón (2006), a gestão, assim atravessada, ganha uma dimensão pública que se expressa no conjunto das atividades universitárias. A figura contribui para a compreensão da integração dinâmica entre o conjunto de processos e princípios institucionais que se articulam à gestão da RSU e seus impactos internos e externos.
A íntima relação que passa a se estabelecer entre responsabilidade social, sustentabilidade e gestão de impactos, tendo em vista o desenvolvimento sustentável, encontra em uma nova ética o seu fundamento e princípio norteador. Concebendo a responsabilidade social universitária como nova filosofia de gestão ética e inteligente nas universidades, Vallaeys (2008) chama atenção para o fato de que não mais podemos considerar as organizações como sistemas autistas em relação a seu entorno, gerando externalidades não administráveis. A responsabilidade social implica este dever ético e a obrigação moral e epistemológica de internalizar as externalidades e não limitar a gestão a seus processos internos, o que implica acolher o pensamento complexo, no centro da reflexão ética e política.
Como aponta Vallaeys (2006, p. 37):
A responsabilidade social se desenvolve quando uma organização toma consciência de si mesma, de seu entorno e do papel que nele representa. Pressupõe a superação de um enfoque egocêntrico. Além disto, esta consciência organizacional passa a ser global e integral.
Segundo o autor, a consciência global e integral inclui as pessoas e o ecossistema, envolvendo e articulando todos os setores da organização em um projeto de promoção de princípios éticos e de desenvolvimento social equitativo e sustentável, com vistas à produção e transmissão de saberes e à formação de profissionais responsáveis (VALLAEYS, 2006a).
A gestão dos impactos significa diagnosticar, cuidar e prevenir os impactos negativos possíveis e maximizar os positivos, tendo em vista a pertinência social da universidade. Conforme Vallaeys, esta noção fundamental permite passar de “[...] uma ética pessoal limitada às boas intenções a uma ética sistêmica que contemple o Princípio da ecologia da ação de E. Morin.” (VALLAEYS, 2008, p 205, tradução nossa). O diálogo com as partes interessadas viabiliza um processo de democratização da tomada de decisões e contribui para a superação do egocentrismo organizacional.
A abordagem da gestão dos impactos tem sido referência em iniciativas internacionais voltadas a sistematizar e fomentar o desenvolvimento da RSU. Entre elas, as ações da já citada GUNI e, no cenário latino-americano, as iniciativas da UNESCO, através da também já citada IESALC/OBSERVATÓRIO REGIONAL DE RESPONSABILIDAD SOCIAL UNIVERSITARIA AMERICA LATINA Y EL CARIBE e da Asociación de Universidades
Confiadas a la Compañía de Jesus em América Latina (ASOCIACIÓN DE
UNIVERSIDADES CONFIADAS A LA COMPANÍA DE JESUS EM AMÉRICA LATINA) que constitui, em 2007, a Rede de Responsabilidade Social Universitária (ASOCIACIÓN DE UNIVERSIDADES CONFIADAS A LA COMPANÍA DE JESUS EM AMÉRICA LATINA, Rede). A Rede é criada com a finalidade de potencializar a habilidade e efetividade das universidades jesuítas da América Latina para responder às necessidades de transformação da sociedade em prol da justiça, solidariedade e equidade social.
O quadro abaixo apresenta as áreas de impacto conforme definidas por Vallaeys e pela ASOCIACIÓN DE UNIVERSIDADES CONFIADAS A LA COMPANÍA DE JESUS EM AMÉRICA LATINA, por meio do documento Políticas e Sistema de Autoavaliação e de Gestão da Responsabilidade Social Universitária (ASOCIACIÓN DE UNIVERSIDADES
CONFIADAS A LA COMPAÑÍA DE JESUS EM AMÉRICA LATINA, 2009), o qual define políticas de responsabilidade social universitária para a Rede, com base nas cinco áreas de impacto propostas por Vallaeys.
Quadro 3- RSU e a Gestão de Impactos
Impactos VALLAEYS ASOCIACIÓN DE
UNIVERSIDADES CONFIADAS A