1.4 Regional geologi
1.4.2 Vest-Troms gneisregionen
Quanto à discussão das propostas, podemos observar uma intensa relação entre o que se propunha fazer a partir do que já se estava fazendo. Por isso, há, no caso de Vilma, uma forte ligação entre Políticas Futuras e Políticas Passadas.
Em relação às Políticas Futuras, o gráfico abaixo apresenta os principais tipos de propostas apresentadas durante o primeiro turno:
Figura 6: Gráfico 6 - Políticas Passadas de Vilma no I Turno
Políticas Futuras Vilma - I Turno
21% 10% 26% 0% 12% 16% 0%0% 13% 2% 0%0%0%0% 10% 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% % Políitcas futuras Tem p o ( segu ndos) Economia/desenvolvimento Educação Saúde Segurança Emprego e renda Recursos hídricos Transporte Turismo Programas sociais Habitação Incentivo a cultura Paisagismo/urbanismo Geração de energia/infraestrutura saneamento básico Outras Fonte: GEMP, 2008
Como visto, as propostas de Vilma assentam-se nas seguintes políticas: saúde (21%), economia e desenvolvimento (19%), recursos hídricos (15%). Há ainda significativos índices nas políticas de emprego e renda (11%) e programas sociais (11%). As políticas categorizadas em “Outras “(10%), justifica-se pela apresentação de intenções40 (Cf. MEDISTCH, 2005) em melhorar ainda mais o estado em todas as áreas que já estão sendo trabalhadas em seu governo. Dentro dessa categoria não eram especificadas ações políticas concretas, por isso não poderiam entrar nessas subcategorias das políticas futuras.
Durante o segundo turno, as Políticas Futuras mais privilegiadas podem ser visualizadas no gráfico abaixo:
40
Em seu trabalho, Medistch distingue proposta de intenção. Para este estudo, são consideradas “propostas” as proposições que implicam uma ação concreta e específica sobre determinado assunto. As “Intenções “ são proposições que não apontam uma ação específica, mas apenas um intento genérico, como por exemplo “justiça para todos” ,ou “combate às desigualdades”.
Figura 7: Gráfico 07- Políticas Futuras de Vilma no I Turno
Políticas Futuras Vilma - II Turno
0,0% 18,6% 25,7% 0,0%1,3% 45,2% 6,9% 0,5%0,0%0,0%1,8% 0,0%0,0% 0,0% 0,7% 0,0% 5,0% 10,0% 15,0% 20,0% 25,0% 30,0% 35,0% 40,0% 45,0% 50,0% Políticas Futuras T em po ( s egundo s ) Economia/desenvolvimento Educação Saúde Segurança Emprego e renda Recursos hídricos Transporte Turismo Programas sociais Habitação Incentivo a cultura Paisagismo/urbanismo Geração de energia/infraestrutura saneamento básico Outras Fonte: GEMP, 2008
No segundo turno, Vilma passa a priorizar as políticas voltadas aos programas sociais (45,2%), à saúde (25,7%) e à educação (18,6%).
Tanto no primeiro como no segundo turno as proposições aparecem mediante uma dinâmica constante: antes de serem exibidas, são apresentadas as obras realizadas em seu governo – ressaltando, na grande maioria das vezes, a parceria com o Governo Federal – evidenciando a sua competência administrativa e criticando a atuação do governo anterior.
O que se percebe, na dinâmica adota pela equipe de marketing, é que as políticas futuras são complementares às políticas passadas. As políticas em “Habitação” e “Emprego e Renda”, por exemplo, são muito destacadas como PPs e pouco destacadas como PFs. No entanto, o pouco tempo investido na apresentação desses tipos de política futura não significa que não tenham sido discutidas, pois elas se inserem na lógica de continuar um projeto que está dando certo. Assim, o tempo das PPs contém em si discursos propositivos, demonstrando a estreita relação entre os apelos prospectivos e retrospectivos. Nesse caso, não se pode considerar prospectivo apenas aquilo que é novo, mas também o que se deseja continuar fazendo.
Dessa forma, as próprias políticas passadas contêm um programa de governo (no sentido amplo), uma vez que a sua proposta de governo está incorporada nas ações pessoais da governadora, no sentido de que são ressaltadas as obras como realizações da candidata, evidenciando o caráter personalista da política na atualidade. A natureza das políticas públicas realizadas em seu governo, que revelam o tipo de governo que se pretende seguir, são discutidas em projetos já realizados e, juntamente com as políticas futuras, apresentam a visão de mundo, defendida, mesmo implicitamente, pelo partido e/ou coligação. Visões de mundo estas que se materializam não somente nas propostas, na análise de conjuntura, mas também em outros veículos de ideias, como as imagens e as músicas.
Comparando as Políticas Futuras no primeiro e segundo turnos (Gráficos 6 e 7), podemos ver que há um aumento do tempo destinado aos Programas Sociais, da Saúde e da Educação. Assim, confrontando as PFs apresentadas por turno, temos o seguinte quadro:
Figura 8: Gráfico 08 - Comparação das Políticas Futuras de Vilma no I e II Turnos
Políticas Futuras de Vilma - I e II Turnos
0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% Econ/ Des. Educ Saúd e Segu ranç a Em preg o/ren da Rec . hí dric os Trans porte Tur ism o Pro grama s soc iais Hab itaçã o Cultu ra Urba nism o Energ ia/in fraes trutu ra Sane am ento Out Política Futura Tem po ( % ) Tempo II Turno Tempo I Turno Fonte: GEMP, 2008
O aumento da apresentação das propostas voltadas aos programas sociais busca enfatizar a tentativa de diminuir as desigualdades sociais no Rio Grande do Norte, continuando a estratégia seguida no primeiro turno de vincular suas políticas a do Governo Federal. A ideia era registrar a
continuidade da parceria com o Governo Lula durante os próximos quatro anos de governo, apresentando políticas que foram realizadas em consonância com as políticas do Presidente.
As propostas aparecem mediante uma dinâmica emotiva, sem precisar dizer muitos detalhes de quando ou como serão feitas, pois sempre se remete à participação do Governo Federal e à competência da mulher que “trabalha, trabalha, trabalha.”
O que se percebe é que no primeiro turno há a tentativa de conquistar o eleitorado de todas as regiões do estado, mostrando propostas para os temas mais comuns, discutidos no dia-a-dia da população, como saúde, economia e desenvolvimento, educação. No segundo turno, busca-se atingir o eleitorado de Garibaldi, que se encontra nas regiões semiáridas do interior do estado, destacando a apresentação de propostas em recursos hídricos e em programas sociais.
Também é importante observar que as políticas sociais mais destacadas foram o Desenvolvimento Solidário e o Programa Luz para Todos, que estão voltados para a população do interior, também seguindo a lógica de conquistar a população rural que foi beneficiada com as políticas de implementação de adutoras do governo Garibaldi.
Vejamos algumas passagens que mostram como isso ocorre na apresentação dos dois tipos de políticas futuras que mais cresceram de um turno a outro.
Programas Sociais
Após destacar a importância dos Programas Sociais do Governo Federal - por meio da fala de populares - e de políticas voltadas para a habitação, o locutor do HGPE do dia 23 de outubro faz o seguinte comentário:
Locutor:
Há quatro anos, a vida podia ser ainda mais difícil para quem não recebia o Bolsa Família .
Eu passei por muito sufoco na vida já, né?
Eu não tinha emprego, tenho duas filhas, minha família é quem me ajudava.
Pra mim era um sufoco, porque eu recebia só um salário do meu trabalho, né? Aí, agora, com esse dinheiro que eu recebo todo mês agora, é uma ajuda grande, né?
Locutor:
Quem diz que os programas sociais de Vilma e Lula são simplesmente esmolas, não conhece a realidade dos muitos que vivem com muito pouco.
[...]
Locutor:
Lula e Vilma sabem que o Bolsa Família não vai resolver todos os problemas, mas com certeza já está melhorando a vida das famílias que mais precisam.
[...] Vilma:
Todo mundo reconhece a importância econômica e social do Bolsa Família, programa do nosso presidente Lula, que beneficia mais de 300 mil famílias aqui no nosso estado. E para melhorar a situação dessas famílias, vamos aumentar a renda mensal de todas elas em mais 20%, com recursos do Governo do Estado. Pois bem, se uma família recebe, por exemplo, R$ 75,00 reais, vai passar a receber R$ 90,00 reais por mês. Ou se hoje recebe R$ 100,00 reais vai passar a receber R$ 120,00 todos os meses. Isso vai valer para todas as famílias cadastradas no Bolsa Família”.
Buscando destacar o programa Luz para Todos, o HGPE do dia 26 de agosto, no turno da noite, destaca:
Apresentadora:
O Rio Grande do Norte é o primeiro estado brasileiro a universalizar o serviço de energia elétrica na zona rural. Isso significa que estamos entrando na fase final do trabalho para levar energia elétrica a mais de 30 mil domicílios em comunidades rurais. Lugares aonde outros governos nunca foram, mas onde Vilma está chegando em parceria com Lula e com o setor privado, e em dois anos antes do previsto.
Locutor:
Pra quem nunca teve energia elétrica, vivendo à luz de lamparinas e lampiões, o programa Luz para Todos é uma bênção.
Popular:
Quando a luz chegou, Ave Maria, foi a coisa mais linda do mundo. Era coisa boa, homem. Porque a gente tava sem luz,
né? A dificuldade é grande. Essa outra, não, ela “alumeia”
melhor. É mais confortável um pouco, né?”
Locutor:
A meta do Luz para Todos era chegar a 100% das ligações de energia em 2008, mas a força da parceria Lula-Vilma e a eficiência do trabalho da governadora anteciparam a meta em dois anos. Já foram feitas mais de vinte mil ligações, beneficiando cento e uma mil pessoas. Até o final do ano serão feitas mais dez mil ligações, totalizando as trinta mil e noventa e cinco previstas. Um investimento é de cento e vinte e seis milhões de reais, garantindo a cento e cinqüenta e dois mil pessoas acesso a serviços e confortos que nunca tiveram.[...].
No dia 26 de outubro, penúltimo dia de HGPE, o programa da candidata foi quase todo dedicado à defesa da continuidade do Programa do Leite, em virtude de Garibaldi ter veiculado em seu programa que ela iria acabar. Após a defesa da continuidade desse programa social, o HGPE apresentou a proposta da criação do programa Mesa Solidária.
Apresentadora:
Com o mesmo objetivo de garantir o alimento na mesa e gerar emprego que Vilma está criando o programa Mesa Solidária.
Locutor:
Com o programa Mesa Solidária, as famílias cadastradas no Programa do Leite agora também vão ganhar o pão. Cada litro de leite vai ser acompanhado de 5 pães. A receita dos pãezinhos, além de solidariedade, vai 10% de farinha de mandioca, um reforço na alimentação e também na geração de empregos no campo. A mandioca que será usada no pão será produzida nas cadeias produtivas do Rio Grande do Norte.
Agricultor:
Só era o que tava faltando para o pequeno agricultor, era uma segurança da produção, o programa mesa solidária Também vai movimentar a indústria do pão, o segundo setor que mais emprega no RN. Hoje são mais de 15 mil pessoas empregadas.
José Américo Ferreira da Silva (Presidente do Sindicato de
panificação do RN):
A panificação vai poder empregar mais, hoje ele é o segundo setor. Então é uma felicidade muito grande pro setor, ele poder contribuir para desenvolvimento do RN.
Vilma:
O programa Mesa Solidária é um avanço para a nutrição das pessoas. Com ele as famílias cadastradas no Programa do Leite também vão receber cinco pães, com nutrientes produzidos no próprio estado. O sucesso do trabalho social que estamos fazendo, com as ações de Desenvolvimento Solidário, tem nos apontado caminho para o tipo de programa que ao mesmo tempo em que dá o peixe ensina a pescar. Com isso, ajudamos a quem precisa e estimulamos para que esta pessoa se torne capaz de investir no seu trabalho e melhorar cada vez mais a sua vida. O programa Mesa Solidária é um exemplo dessa combinação, de parceria entre o governo e a sociedade, para dar oportunidade de crescimento pra todos. Com isso, aumentamos a oferta de emprego, estimulamos a nossa economia e ajudamos a quem precisa. O Mesa Solidária, assim como o Bolsa Família, será um programa importante para diminuir as desigualdades sociais e fazer o nosso estado avançar para um desenvolvimento que beneficie a todos.
Saúde
No programa veiculado na noite de 20 de setembro, após destacar obras na área da saúde, a candidata faz o seguinte comentário:
Vilma:
Qualquer pessoa pode ver que estamos trabalhando muito na saúde, apesar dessa área ser de responsabilidade de todos os governos: federal, estaduais e municipais. Mas é claro que não resolvemos tudo, que precisamos fazer mais. Porque a saúde é assim: um trabalho permanente, que a gente faz com um olho no presente pra resolver os problemas de agora, e outro olho no futuro, pra adequar a rede de atendimento à procura que não para de crescer
[...] Vilma:
Como vocês perceberam, não está faltando trabalho nem investimento para melhorar a saúde. Nem vai faltar, porque temos a consciência de que não dá pra resolver tudo em apenas três anos e meio. É preciso fazer sempre mais. Por isso, além do compromisso que já apresentamos aqui, quero destacar mais duas prioridades: a primeira é a construção do Centro de Referência de Traumo-ortopedia em Natal; a segunda é a construção de dois Hospitais da Mulher: uma em Natal, outra em Mossoró.
Como podemos perceber, as Políticas Futuras buscam sempre destacar as Políticas Passadas como estratégia para conferir maior
credibilidade aos projetos. Ao mesmo tempo em que busca atingir os setores populares com os projetos sociais, vincula a sua importância à do crescimento de diferentes setores da indústria. Com isso, diferente da posição da legenda que ocupa, que se define formalmente no âmbito nacional como de esquerda, os interesses entre as diferentes classes aparecem como complementares e não como contraditórios. Os discursos voltados para diminuir as desigualdades sociais não levam em conta a possibilidade de contrariar os interesses dos empresários da indústria. Pelo contrário, há a defesa da valorização dos interesses dessa classe, como se as políticas voltadas para esse setor fossem atender aos interesses da coletividade, revelando o papel que o Estado assume de organizador das classes sociais e evidenciando as suas contradições internas, que, em geral se desdobram na adoção de políticas em favor do bloco no poder (POULANTZAS, 2000, p.135).
Em relação às PFs com menor destaque, vejamos como são trabalhadas duas em especial: as políticas voltadas para o Saneamento e a Cultura.
Saneamento
No primeiro turno não tem referência a obras em saneamento, apenas em obras já realizadas. No segundo turno, no dia 14 de outubro (noite), fala em ampliar o programa de saneamento (apelo com duração de 3 segundos) e no dia 27 de outubro (Noite), é apresentado uma série de obras em saneamento para a cidade de Natal.
Cultura
Há referência à construção do complexo Cultural da Zona Norte nos programas do dia 12 outubro (tarde) e 16 de outubro (noite), que com duração de 4 segundos. Além disso, a única referência à política passada nessa área foi uma breve citação (de 4 segundos) à construção do Teatro Municipal de Mossoró, nos programas do dia 01 de setembro (noite), e 4 de setembro (tarde).
O pouco tempo destinado à apresentação de políticas para a área da cultura demonstra que tais políticas, na visão da equipe de marketing, não são o maior interesse da população. Privilegiam-se projetos que demonstram soluções mais imediatas para os seus problemas imediatos, não sendo, pois, necessária a discussão desse tipo de política como ação estratégica para conquistar o eleitor.