2.3 Strukturelle elementer
2.3.4 Strukturer i den kvartsfeltspatiske gneisenheten
No que se refere à discussão das propostas, Garibaldi, assim como Vilma, faz referências às suas obras realizadas para falar dos projetos futuros. O gráfico abaixo apresenta os principais tipos de propostas apresentadas no primeiro turno.
Figura 15: Gráfico 15 - Políticas Futuras de Garibaldi no I Turno
Políticas Futuras - I Turno
8% 10%11% 14% 22% 12% 3% 5%6% 2% 0% 0% 0% 2% 6% 0% 5% 10% 15% 20% 25% Tempo I turno% Política Futura Te m po Economia/desenvolvimento Educação Saúde Segurança Emprego e renda Recursos hídricos Transporte Turismo Programas sociais Habitação Incentivo a cultura Paisagismo/urbanismo Geração de energia/infraestrutura saneamento básico Outras Fonte: GEMP, 2008
Pela leitura do gráfico acima, as proposições de Garibaldi estão assentadas nos seguintes tipos de política: emprego e renda (22%), segurança (14%) e recursos hídricos (12%). Assim como ocorreu com a análise das propostas de Vilma, a grande expressividade das políticas futuras
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A distinção entre o discurso técnico e ideológico tem tido considerável atenção no âmbito das Ciências Sociais e da Filosofia. Marilena Chauí (2006) faz uma análise sobre o assunto, através do que ela denomina de “discurso competente”, isto é, o discurso que incorpora “a ciência como saber separado e como coisa privada, como instrumento de dominação no mundo contemporâneo” (CHAUÍ, 2006, p. 6). Nessa perspectiva, o que aparece como técnico é, na verdade, parte da ideologia dominante. Habermas (1968) em sua obra, também busca analisar a técnica como ideologia dominante. Embora acreditamos que esse é um aspecto a ser ressaltado, o que estamos caracterizando como discurso “técnico” é o detalhamento da realização dos projetos. Os discursos pretendem ter credibilidade através das explicações do “como fazer”, para atuar nas carências de uma determinada área.
classificadas em Outras (15%) justifica-se pela apresentação de “intenções” (MEDISTCH, 2005) em melhorar o estado em todas as áreas que, segundo os programas desse candidato, sofreram com o descaso do governo atual.
Os contextos em que aparecem tais proposições caracterizam-se pela crítica sistemática à administração atual e pela exaltação da competência e capacidade política do candidato realizar obras importantes para o desenvolvimento do estado.
Em relação às políticas futuras no segundo turno, o gráfico abaixo mostra os principais tipos apresentados:
Figura 16: Gráfico 16 - Políticas Futuras de Garibaldi no II Turno
Políticas Futuras Garibaldi - II Turno
2,1% 9,9% 9,8% 3,4% 14,7% 34,4% 17,5% 0,0% 2,5% 0,0% 0,0% 1,4% 4,6% 0,0% 0,0% 0,0% 5,0% 10,0% 15,0% 20,0% 25,0% 30,0% 35,0% 40,0% 1 Política Futura Te m po Economia/desenvolvimento Educação Saúde Segurança Emprego e renda Recursos hídricos Transporte Turismo Programas sociais Habitação Incentivo a cultura Paisagismo/urbanismo Geração de energia/infraestrutura saneamento básico Fonte: GEMP, 2008
Durante o segundo turno, as políticas futuras destacadas pelos programas de Garibaldi são bem diferentes das destacadas no primeiro turno. Adotando outro tipo de estratégia, a ênfase agora é na apresentação de políticas voltadas para a adoção de programas sociais (34,4%), Habitação (17,5%), Turismo (14,7%), Educação (9,9%), Emprego e Renda (9,8%) e Recursos Hídricos (4,6%).
Se compararmos as políticas futuras no primeiro e no segundo turnos, temos o seguinte quadro:
Figura 17: Gráfico 17 - Comparação das Políticas Futuras de Garibaldi no II Turno
Políticas Futuras de Garibaldi - I e II Turnos
0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40% Econ /Des. EducSaúd e Segu ranç a Em preg o/ren da Rec . hídr icos Tran sport e Turism o Prog . so ciais Habi taçã o Cul tura Urba nism o Ener g/in fra Sane amen to Out Política Futura Tem p o Tempo - I Turno Tempo II Turno Fonte: GEMP, 2008
Diante do quadro de intensa disputa e do avanço político de Vilma no primeiro turno, Garibaldi altera sua estratégia, e passa a aumentar a apresentação de propostas voltadas aos programas sociais (pouco trabalhados no primeiro turno), buscando se aproximar e neutralizar os discursos de Vilma que se voltavam intensamente pra essa área.
Sobre a questão da segurança, pouco comentada nos programas da candidata Vilma, a equipe de marketing do candidato tratou o tema com significativa atenção. Podemos verificar, como exemplo, o programa exibido na noite de 30 de agosto e repetido na tarde de 01 de setembro, que foi elaborado especificamente para discutir o tema da violência.
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Garibaldi:
Precisamos recuperar a tranquilidade e a segurança do Rio Grande do Norte. E a primeira coisa é tirar a educação do fundo do poço. Isso precisa ser feito urgentemente. Temos que voltar a gerar empregos e temos, é claro, que investir nas polícias que precisam de mais equipamento, mais treinamento e principalmente mais tecnologia para combater o crime (Garibaldi Alves Filho, HGPE do dia 01de setembro de 2006 – noite).
Locutor:
Informatização da PM, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros, integrando uma única base de dados: essa é mais uma ação que vai agilizar e tornar mais eficiente o trabalho das polícias.
Será implantado um único modelo de Boletim de Ocorrência em meio eletrônico e de fácil acesso por todas as forças; Concursos para delegado da Polícia Civil para preencher as vagas que existem no interior: com a falta de delegados da polícia civil no interior, oficiais da Polícia Militar acabam exercendo essa função. Apesar da boa vontade, eles não têm a preparação exigida, especialmente para comandar as investigações; Intensificação do policiamento ostensivo e estímulo a organização de Conselhos de Segurança. Garibaldi vai criar parcerias com as comunidades e prefeituras para ajudar no combate ao crime. Reativação da Polícia do Turista: a Polícia do Turista vai voltar e câmeras de monitoramento serão instaladas nos pontos mais visitados do estado (In: Paiva, 2007).
Em relação ao emprego e renda, o programa da noite de 22 de agosto apresenta alguns dados sobre o desemprego no Rio Grande do Norte:
Locutor:
Dessa vez, é o IBGE que registra: o desemprego no RN cresceu muito nos últimos anos. O índice de desempregados do ano passado é o pior do estado desde 2001. Bem diferente do que o governo estadual tem anunciado. Outro dado que preocupa é que o desemprego atingiu mais as mulheres potiguares. Entre elas, a taxa pulou de 9,91% em 2004, para 14,30% em 2005. A verdade sempre aparece. Não adianta tapar o sol com a peneira. Não adianta fazer propaganda do que não existe (Locutor do programa de Garibaldi, HGPE do dia 22 de setembro de 2006).
Garibaldi:
Vocês viram que a situação do emprego não é a maravilha do que a propaganda do governo estadual diz que é. Infelizmente essa é a realidade. Para gerar emprego de verdade, vou fazer uma revolução na economia da área rural, assim como já fiz com o Programa das Águas e com o Programa do Leite. Desta vez, vou implantar o Programa do Biodiesel RN, para produzir o combustível do futuro. (In: Paiva, 2007).
Em relação às políticas voltadas para os recursos hídricos, vejamos como são apresentadas:
Apresentadora:
A grande obra de Garibaldi não teve continuidade. Não seguiram o exemplo do próprio Garibaldi quando assumiu o governo depois de José Agripino. Naquela época, Garibaldi deu continuidade a todos os programas que estavam dando certo e que eram importantes para o nosso povo.
Garibaldi:
É muito importante rever o trabalho que fizemos. É importante lembrar que graças à água, diminuímos a mortalidade infantil pela metade em nosso estado. Tivemos oportunidade de abrir novas escolas, a fruticultura irrigada se desenvolveu pelo interior, gerando empregos e melhorando a renda de milhares de pessoas. Lembrar dessas conquistas nos traz muita alegria. Mas temos que olhar pra frente e é isso que estamos fazendo. O que importa agora é construir um futuro melhor para a gente sofrida do nosso estado. Vamos retomar com força o que foi deixado de lado e vamos melhorar e aprofundar tudo o que fizemos de bom. Vamos levar água e desenvolvimento para todo o estado, principalmente para os pontos mais pobres
Locutor:
Construção da adutora Alto Oeste: uma obra que vai beneficiar 108 mil habitantes da região do Apodi, uma das mais pobres e secas do Estado; Conclusão da Adutora Lagoa do Boqueirão: Garibaldi vai concluir imediatamente essa obra; conclusão da Adutora Parelhas - Santana do Seridó: apenas 13 km de extensão. Mesmo pequena a obra não foi concluída; mas Garibaldi vai concluir. Modernização do sistema de fonte de Pureza: Esta obra também vai beneficiar milhares de famílias. Construção das barragens Tabatinga, Macaíba e Várzea Nova: com estas obras, Garibaldi vai concluir o sistema de controle de enchentes da cidade de Macaíba. Construção da Barragem de Oiticica, em Jucurutu. Construção de açudes nas bacias dos rios Trairí, Jacu e Curimataú. Com a construção destes açudes, Garibaldi vai construir o abastecimento de água em várias regiões do estado (HGPE do dia 25 de agosto de 2006 – noite).
O que se percebe é que no primeiro turno, a estratégia é criticar a candidata na sua debilidade nas áreas da saúde, do emprego e da segurança, propondo soluções para essas áreas, buscando discutir como e por que realizar tais políticas. Além disso, busca mostrar que vai continuar seu projeto das adutoras, apresentando mais uma série de projetos de recursos hídricos. No segundo turno, essa estratégia dá lugar a outra,
agendada pelos programas televisivos de Vilma, que primam pela apresentação de investimentos futuros em programas sociais49.
Vejamos algumas passagens no HGPE que mostram os dois tipos de políticas futuras que mais cresceram de um turno a outro.
Programas Sociais
Após apresentar a importância do programa de adutoras para o estado, o programa do dia 27 de outubro destaca:
Apresentadora 1:
Garibaldi fez e você sabe que ele tem determinação e palavra para fazer muito mais. Veja algumas de suas propostas que vão melhorar a vida dos norte-rio-grandenses.
Locutor:
Como governador, já no próximo ano, Garibaldi vai isentar o ICMS da conta de energia de quem consome até 150 KWh por mês. Quem hoje paga R$ 30,00 vai passar a pagar R$ 24,00. Essa economia representa 1kg de feijão, 1kg de arroz, 1kg de açúcar, 1 Litro de leite, 5 pães. É mais comida na mesa do trabalhador.
Locutor:
Garibaldi vai criar o Vale-Gás. Se hoje você paga R$ 30,00 por um botijão de cozinha, com Garibaldi você vai pagar só R$ 21,00.
Bolsa Família
Locutor:
Hoje é assim: para cada filho matriculado o bolsa família paga R$15,00. Garibaldi vai aumentar esse valor em 50%. Com isso você vai passar a receber R$ 22,50. Uma família que recebe hoje R$ 100,00 no total, com a proposta de Garibaldi vai passar a receber R$ 150,00.
Garibaldi:
Vamos dar uma atenção especial e ampliar os programas sociais, aumentar o valor do Bolsa Família que é o menor do nordeste. Retomar também o programa do Pão Vitaminado
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É importante observar que durante o primeiro turno as políticas futuras voltadas para economia e desenvolvimento, emprego e renda e energia/infraestrutura destacavam sobremaneira o projeto Biodiesel. Por uma questão metodológica, que inseria os tipos de PF a partir do destaque que eram dados pelos programas, esse projeto foi inserido em cada uma dessas categorias (Economia e Desenvolvimento, Emprego e Renda, Energia e infraestrutura), conforme era apresentado pelo programa do candidato.
que foi suspenso no atual governo. Com isso, ganha a família norte-rio-grandense e os panificadores criando mais empregos no setor. Os programas de abastecimento d’água serão ampliados e as centrais do cidadão, um projeto vitorioso que surgiu no nosso governo, terão novas unidades instaladas no estado.
Habitação
Na noite de 22 de outubro, após fazer sua defesa em relação à venda da COSERN e, em seguida, uma crítica à política de habitação do governo de Vilma, o programa de Garibaldi destaca projetos futuros para habitação:
Garibaldi:
Além de construir casas de qualidade para quem precisa, vamos fazer o maior programa de regularização de moradias do estado. Através da criação do fundo estadual de habitação e regularização de moradias, milhares de famílias vão conseguir a tão sonhada escritura pública de suas casas e poder dizer que agora tem um lar.
Locutor:
Habitação: propostas: construção de 40.000 novas casas, distribuição das casas para as famílias cadastradas por entidades não-governamentais; entrega da escritura das casas em nome da mulher, esposa ou mãe dos filhos. Vinheta [...]
Em relação às Políticas Futuras que tiveram um menor destaque em toda a eleição, cabe lembrar a observação a nossa metodologia, feita anteriormente. Conforme os gráficos, vemos que a PF “Energia e Infraestrutura” foi uma das políticas que tiveram menores índices percentuais. Porém, muitas obras dessa área, como é o caso do projeto Biodiesel, foram inseridas, no caso de Garibaldi, no apelo Economia e Desenvolvimento, por isso os números desse tipo de política, no gráfico, foram insignificantes. Por esse motivo, não vamos considerá-la para a análise das políticas em menor destaque. Vamos nos deter à observação de outros dois tipos de políticas com menores índices: Cultura e Urbanismo.
Cultura
Assim como os programas de Vilma, os projetos voltados para a cultura não foram contemplados nos programas de Garibaldi Alves. Em nenhum dos turnos aparecem propostas para a área da cultura. Mais adiante comentaremos essa ausência de discussões para essa área.
Urbanismo
O urbanismo também foi um tema que não fez parte das estratégias da equipe de marketing de Garibaldi, pois não apareceram propostas para esse tema em nenhum dos turnos da campanha.
Provavelmente esses dois temas foram preteridos por não serem considerados como demandas de primeira ordem do eleitor. Além disso, essas omissões seguiam a estratégia adotada pela equipe de marketing de Garibaldi de responder aos programas da candidata adversária, que dedicou pouco tempo a esses assuntos.
As políticas futuras de Garibaldi, como foi visto, apesar de estarem se referindo à obras já realizadas, estão voltadas para uma comunicação direta com sua adversária. A mudança de estratégia de apresentação de políticas futuras de um turno para o outro é um indicador desse diálogo. Isso demonstra a necessidade de compreendermos as mensagens políticas veiculadas no HGPE no contexto mais geral das discussões e debates travados durante toda a campanha. Portanto, além da intenção de convencer o eleitor e o desejo de construir uma imagem de seriedade e competência (ALBUQUERQUE, 1999), a apresentação dos projetos nos programas televisivos resultam dessa disputa discursiva entre os candidatos, que, via de regra, são construídas pelo marketing político no decorrer da campanha eleitoral. Mas essa disputa também leva em conta outros elementos, como as pesquisas de opinião, e de intenção de voto em diferentes regiões.
De maneira geral, as propostas do candidato aparecem mediante uma dinâmica crítica e, ao mesmo tempo, técnica. Crítica porque aparecem acompanhadas por uma contextualização dos problemas, justificando a
importância de realizar tais ou quais projetos; técnica porque mostram as ações específicas de como fazer para atuar nas carências de uma determinada área. No entanto, tais contextualizações aparecem mais como uma forma de acusar a governadora de incompetente do que como forma para apresentar sua posição para a conquista da qualidade de vida das pessoas de forma geral, visto que não busca discutir as origens dos problemas apresentados, conferindo à Vilma a responsabilidade por todas as deficiências apontadas.
A contextualização dos problemas não ocorre sob a análise das desigualdades e os conflitos imanentes às sociedades divididas em classes. Nesse aspecto, as diferenças ideológicas são deixadas de lado, evidenciando o declínio da noção de política como conflito ideológico (MAIR, 2003).
Assim como Vilma, os discursos de Garibaldi tinham uma dimensão afirmativa, no sentido de proporem projetos que focam mudanças para as regiões mais pobres do estado (algumas principiadas pelos seus governos anteriores, como o projeto das adutoras e o programa do leite). Porém, esses projetos não apresentam diferenças significativas em relação aos apresentados por Vilma, no sentido de não mostrarem algo novo em relação a quaisquer temas. Ao contrário disso, o que se observa nos dois candidatos é um discurso de continuidade no atendimento aos interesses dos grupos empresariais e, ao mesmo tempo, propõem melhorias para a população em geral.
Sobre a forma de apresentação, é importante percebermos que Garibaldi precisava dar mais credibilidade e legitimidade às suas propostas, pela sua condição de desafiante da disputa. Por isso há a necessidade de mostrar mais detalhes da implementação da política, informando quando, porque e como realizar seus projetos.
Essa característica, contudo, não aparece como uma intenção de esclarecer ao eleitor sobre as propostas governamentais para que este vote “bem informado”, mas revela-se como mais uma estratégia de marketing frente à necessidade de defender um programa inovador, na tentativa de reverter as tendências ao crescimento eleitoral da candidatura da sua adversária. Como está disputando os mesmos eleitorados de Vilma, as técnicas de organização e de campanha são muito semelhantes: as soluções
propostas mesclam interesses de todas as camadas sociais, como se pudessem ser conciliados. Ao propor, por exemplo, o programa Pão Vitaminado, afirmando que este beneficiará os panificadores e toda a população do Rio Grande do Norte, Garibaldi assume claramente um compromisso com essa fração do setor empresarial, como se seus interesses fossem o interesse geral de toda a sociedade.