As empresas que sabem se identificar com seus recursos humanos lhes prestaram atenção e cuidado. Podem utilizá-los adequadamente, de tal forma que cada membro se sente motivado não apenas por pertencer à organi- zação, mas por contribuir com suas ideias e criatividade. Essas, por sua vez, diante de um clima organizacional favorável, se manifestam gerando ações, estratégias, planos que favorecem o desenvolvimento da empresa e a inova- ção.
Atualmente, é necessário determinar o alcance, as repercussões do fato de saber utilizar o potencial da criatividade e da inovação, bem como ter claras suas possibilidades, sem esquecer a ideia de que uma organização cria- tiva ou inovadora tem mais possibilidades de alcançar a excelência, embora poucas consigam traduzir, na prática, esses pressupostos teóricos.
Conforme comenta Lubart (2007), existe uma brecha profunda entre o processo de geração de ideias (processo criativo) e a implantação dessas mesmas ideias. São muitas as organizações que descuidam do que representa a criatividade: a inovação que pode ser gerada pelo gerenciamento da criativi- dade; o êxito que poderiam alcançar.
Prosseguindo, Lubart (2007) observa que adotar estratégias criativas é uma necessidade prática, ao menos em dois tipos de situação que são muito frequentes nas organizações:
a) Empresas em situações de crise, com riscos à sua sobrevivência caso não se desenvolva uma ideia nova;
b) Empresas que não dependem de ideias novas, mas que reconhe- cem as vantagens e benefícios importantes delas, como liberar-se do peso e da influência de velhas ideias que continuam utilizando, mas que se mostram insuficientes.
Para o autor, também, em geral a criatividade e a inovação são compreendidas praticamente como sinônimos e, ainda que sejam conceitos intimamente relacionados, não têm significados exatamente iguais. Não se po- de esquecer que a criatividade constitui uma ajuda para a solução de proble- mas dentro da organização ou de uma equipe de trabalho e que aporta novas formas para analisar a natureza de um problema e para gerar uma ampla vari- edade de opções possíveis para a sua solução (LUBART, 2007).
Já a inovação, para Lubart (2007), tem um significado que represen- ta, em si mesmo, uma solução criativa, ou seja, supõe uma mudança que se realiza com o propósito de solucionar um problema ou melhorar uma situação. Os dois conceitos, como se observou no presente estudo, estão relacionados intimamente, porque, em uma organização, a criatividade somente tem sentido quando se busca a sua aplicação prática, ou seja, a inovação.
Robbins (2003) pondera ainda que um dos três elementos destaca- dos para criar um entorno criativo na organização é o desenho de procedimen- tos para conduzir as ideias que surgiram e que podem ser implantadas na em- presa, estabelecendo filtros para a informação.
Quando se pretende selecionar ideias, é importante recordar que nem todas as ideias que parecem atrativas são necessariamente adequadas às necessidades da organização ou às circunstâncias específicas da empresa. Uma ideia pode ser boa em si mesma, mas irrelevante para a empresa em da- do momento. Da mesma forma, uma ideia pode ser muito atrativa e original, mas incompatível com os recursos da empresa. As melhores ideias são as que, além de serem atrativas, satisfazem os objetivos da organização (ROBBINS, 2003).
É importante considerar a importância de incentivar a geração de ideias de forma criativa, por meio da aplicação de técnicas específicas, bem como ter claro que a inovação não se produz por si mesma, mas deve ser obje- to de gestão, alimentação e controle de forma sistemática.
a) A revisão dos diversos componentes que ajudam uma empresa a gerir, de forma mais eficaz, os processos de inovação. Ainda, é necessário de- finir pautas de seleção, filtros que eliminem as ideias que não são interessantes ou adequadas. As ideias selecionadas deverão passar pelo filtro da viabilidade, pois uma ideia pode ser atrativa, mas não viável para a empresa, sob determi- nado ponto de vista;
b) A consideração dos recursos financeiros para levar adiante as ideias;
c) A ponderação sobre as ferramentas ou a tecnologia necessária para desenvolvê-las;
d) A clareza de que algumas ideias não são compatíveis com a es- tratégia comercial de determinadas empresas ou se referem a produtos ou ser- viços para os quais não existe mercado.
As ideias não viáveis devem ser abandonadas e somente devem ser implantadas aquelas que sejam adequadas, segundo os pressupostos anterio- res, que passarão a ser objeto da fixação de um programa de ação.
Fitzherbert e Leitão (2009) aconselham atentar para alguns elemen- tos que devem ser desenvolvidos para alcançar os resultados positivos no âm- bito da inovação:
a) Clima: o clima para a inovação é o correto quando as pessoas que trabalham na empresa, desde os níveis diretivos até os operativos, pen- sam, falam e agem criativamente;
b) Eliminação de barreiras: em toda organização existe um conjunto de barreiras à inovação (burocracia, obsessão pelos resultados imediatos, a rejeição ao novo, etc.). Todas estas barreiras devem ser identificadas e elimi- nadas;
c) Planejamento do processo criativo: se a inovação deve se iniciar pelo nível diretivo, nesse nível deve ser demonstrada a habilidade para desen- volver uma visão inovadora e planejar a gestão futura da empresa de uma for- ma criativa;
d) Desenvolvimento das fontes de ideias: existem inúmeras fontes de ideias e uma organização inovadora deve se assegurar de que pode captar e recopilar todas as ideias geradas por essas fontes;
e) Sistema de comunicação: deve ser estabelecido um sistema que assegure que todos os membros da empresa saibam como e a quem devem apresentar as suas ideias;
g) Estímulos e motivação: os estímulos e a motivação podem atuar como um poderoso fator para despertar e desenvolver a inovação. Esses estí- mulos não necessariamente precisam ser monetários ou materiais, pois um elogio ou um agradecimento podem alcançar o mesmo resultado;
h) Procedimentos para a avaliação das ideias: esses procedimentos devem ser implantados e comunicados a todo o pessoal que compõe a empre- sa. O conhecimento dos critérios de avaliação pode ajudar a melhorar o índice alcançado pela empresa no processo de conversão das ideias em inovações;
i) Gestão da inovação: o maior estímulo à criatividade é o conheci- mento de que ao menos algumas vezes as ideias são implantadas. O controle desse nível de êxito e a identificação das lições aprendidas constituem a culmi- nância lógica do ciclo.
A inovação é, pois, a única forma para que as empresas permane- çam competitivas na realidade do século XXI, o que não é fácil, já que existe uma grande diferença entre falar de inovação e, efetivamente, praticá-la.
O estudo realizado indicou, inicialmente, que a inovação é uma aposta no futuro e não uma certeza de ganhos em curto prazo; que os métodos de administração convencional não são capazes de organizar o trabalho criati- vo e que existe um processo para inovar, baseado no estímulo à criatividade, que pode e deve ser aprendido e implementado nas organizações.
Ainda, compreendeu-se que esse processo não é linear e envolve um alto grau de desafios e incertezas, mas é efetivo e se baseia em conceitos e ações que devem ser enfatizados, abandonando-se práticas tradicionais, há- bitos e atitudes mentais que impedem a manifestação do potencial criativo den- tro das organizações.
A criatividade, portanto, induz a inovação, impulsiona-a, traduz-se em inovação, gerando novas ideias, enfoques, ações, enquanto a inovação aplica essa criatividade dentro do contexto organizativo.
O que se ressalta, nesse sentido, é que no atual contexto socioeco- nômico, além das novas tecnologias e da sociedade da informação, os concei- tos de criatividade e inovação adquirem maior importância diante da necessi-
dade de incorporar esses conceitos, no entorno empresarial, para o alcance da competitividade ou, mesmo, para a sobrevivência das empresas.
Assim, conclui-se que a criatividade apoia o desenvolvimento de or- ganizações inovadoras, embora não se possa esquecer de que, nesse proces- so de melhorias, deve estar envolvida a organização como um todo e que mu- dar é um processo difícil, que envolve muito mais do que uma decisão de ino- var.
Mesmo encontrando resistências, barreiras e obstáculos, o processo de inovação é irreversível, embora a criatividade, que a move, não seja um fe- nômeno novo – é nova, sim, sua natureza e o alcance da relação entre criativi- dade e inovação para gerar um valor extraordinário para as organizações con- temporâneas.
2.6. Práticas de Recursos Humanos,Gestão do conhecimento, inovação e