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Verdier knyttet til artsmangfold og rødlistearter

3.5 Naturverdier knyttet til boreal lauvskog

3.5.3 Verdier knyttet til artsmangfold og rødlistearter

Extraindo um breve momento da narrativa do último exemplo, onde a entrevistada 02 descreve: “Descanso de me concentrar na música, de não pensar em problemas, de aprender

uma coisa nova, de conhecer pessoas diferentes, e que não tivesse nada a ver com meu dia-a- dia.”; teremos um indício de quanto a busca pelo novo também foi uma constante neste corpus. Este “NOVO”, já o definindo como o nosso adjetivo para esta categoria, não terá a mesma função descrita por McCracken (2003) ou Lipovetsky (2005), vivida com a idade moderna e a revolução industrial apresentando o consumo de novos produtos como um ideal de conduta social. Este “novo” a que nos referimos, que encantará os novos batuqueiros e baianas dos maracatus pernambucanos, tem antagonicamente sua referência no passado. O “novo” desejado tem suas origens na tradição e história desse folguedo. Ao mesmo tempo em que bebe na contemporaneidade da produção alternativa da música, cinema e literatura nacional e internacional. Outra característica deste “novo” consumido para nosso corpus é a sua não massificação. Esse “novo” será construído por referências do passado e o que há de mais novo no futuro.

Entrevista 04 – linhas 129 a 131

Quando a gente chegou lá no Porto Rico, aí tem a grande diferença: social e cultural.

Verbal – a narrativa associa o novo ao diferente, como se o entrevistado tivesse esse contato pela primeira vez. Não verbal – tom de valorização ao falar sobre a diferença encontrada.

De certo que o entrevistado já tenha vivido situações e relações com o meio social e cultural a que se refere. Mas, vistos pelos olhos do praticante das escolas de percussão e maracatu, o social e cultural aqui salientados agora fazem parte da minha história. Kaiser (1996) descreve que as relações sociais com esse novo construirão ajustes e modelagens necessárias para que este “novo” venha a si tornar um novo código e significado comuns ao seu subgrupo.

Esta relação de tradição e consumo também foi trabalhada por Maciel e Miranda (2007) no estado de Pernambuco. Para os autores, a formação cultural deste Estado tem raízes tão bem fincadas, que até elementos que outrora foram símbolos negativos, como o imperialismo dos senhores de engenho, passam a ser consumidos por meio de sua materialização em roupas para ocasiões socioteatrais. O mesmo nos leva a crer acontece neste estudo. Elementos da cultura do maracatu, até então visto como popularesco, pejorativo e

marginal, passam por uma nova construção de seus significados e consequentemente nossos códigos compartilhadas por esse grupo.

Vejamos, no exemplo a seguir, como a nosso entrevistado descreve sua chegada ao maracatu e todo o encantamento vivido em trabalhar este ritmo. Contextualizando esta passagem, o nosso entrevistado narrava seu histórico na música como sambista, e sua participação em uma escola de percussão por insistência de sua esposa.

Entrevista 08 – linhas 79 a 116

Lá no bairro do Recife. E ela que me convenceu, eu –resmungo- no início eu meio até que relutei “ah to com preguiça, num sei que lá, não vale a pena” não conhecia o ritmo... muito bem, né, ? daria também outros ritmos, ai eu fiquei... né? Lá...

Tipo, se propõe a, a, a ensinar outros instrumentos, como pandeiro, que eu tinha mais ou menos uma noção, porque meu irmão também tocava pandeiro

Mas eu não tinha... Molejo etc. Aí eu fui. E quando eu cheguei lá, eu tive muita sorte porque, era uma oficina... Uma oficina fantástica porque... Ele trabalhava, ele ia além dos

instrumentos, ele ia, o, o mestre, o professor, ele trabalhava toda musicalidade corporal então... A gente fez durante um ano de oficina, não sei mais ou menos, não sei quanto tempo, um ano de, de, de, de trabalho, ai aquilo, né, aí o maracatu entrou aí.

Verbal – a narrativa mostra o

encantamento do entrevistado na nova experiência vivida. Sua empolgação é tanta, que narra os sons do batuque na tentativa de se fazer compreender diante do seu entusiasmo.

Não verbal – na primeira fase da narrativa o tom trabalhado tem a função de explicar e afirmar o processo vivido. Quando este se refere ao

maracatu, temos um tom de entusiasmo e euforia na narrativa. Outro aspecto não verbal percebido são os movimentos com mãos e braços simulando o tocar no maracatu. O entrevistado fica tão entusiasmado com a narração, que levanta e dança

batendo com os pés, enquanto que seu tom de voz volta a ser explicativo enquanto fala sobre os contratempos musicais do ritmo.

Foi entrando devagar, entrando devagar... E aí eu fui descobrindo o, o, o ritmo. E foi uma coisa...

fantástica, quer dizer, a partir do momento que eu tive contato com maracatu, e que eu pude compará-lo com, com, com o resto, eu via que eu não sabia nada, quer dizer, que eu não, o que eu sabia de samba, o que eu conhecia, o que eu gostava de samba era muita, muito pouco do que, daquilo que eu tava descobrindo ali. Né, porque... Tecnicamente samba e maracatu são completamente diferentes, né, são... São ritmos de origens, é, da mesma origem africana, mas de idéias, você assim, de

concepções técnicas diferentes, né, assim, o... Enquanto que o samba é, é um ritmo binário.

É , não querendo entrar na técnica Do, da, da musicalidade, mas, falando só pra sintetizar assim, enquanto que o samba é um ritmo binário, que é uma batida simples né, pá pá pá pá,o, o, o, o...

O maracatu, é... Ele trabalha o tempo quartenário, então pra você fechar o, o, o, o ritmo do maracatu você tem que fazer quatro tempos, pá, pá pá,pá pá, pá pá pá pá pá, e isso é muito complicado, isso é difícil, porque ele trabalha no contratempo.

Este novo não carregará consigo o estigma ou fascínio do exótico. Os integrantes das escolas de percussão não se sentiram como exploradores de novas culturas, nem tão pouco arqueólogos em busca de costumes distantes. Sua vivência e participação na construção dessa cultura lhe dão a chancela do que denominaremos de um consumidor do erudito cultural. Sua tradução em consumo de moda estará atenta a tradições renovadas. Seus trajes serão construídos de referências das suas novas experiências.

6.5 Categoria Analítica – 05

A princípio e durante a análise do nosso corpus, viemos a associar esta categoria ao prazer. Com o aprofundamento e as descobertas feitas, ficou claro que esse prazer tinha uma relação direta com o Eu, e o consumo aqui descoberto está diretamente ligado à satisfação pessoal. O fazer aula de percussão ou participar de um maracatu não será dividido com mais ninguém.

Diante da descoberta do um consumo pessoalque o corpus nos apresentou, buscamos mais uma fundamentação teórica que viesse a nos apoiar nesta análise. No pensamento dos pioneiros da área, temos em Hirschman e Holbrook (1982) as primeiras ideias de como e por que se processa essa forma de consumo. Para os autores, o consumo não pode ser analisado apenas por questões econômicas ou ligadas diretamente às necessidades básicas. Assim, propõem uma análise com base na perspectiva que estes denominam de experiencial. Esta nova perspectiva passa a explorar os significados simbólicos deste consumo em formas subjetivas tais como: alegria, sociabilidade e elegância. Os autores buscam traçar uma relação entre as respostas cognitivas e a reação de envolvimento na orientação de consumo. A atenção, interesse e entusiasmos assumem diretamente uma ação sobre a experiência de compra. Segundo Hirschman e Holbrook (1982), o consumo para si pode ser definido como as facetas do comportamento do consumidor relativas aos aspectos multisensoriais, fantasiosos e

emotivos da experiência de alguém com produtos. A capacidade de despertar a emoção não

deve ser tratada simplesmente como uma variável de forma ou preferência, e sim como uma característica funcional deste consumo.

Para o entrevistado número 06, ao responder sobre o que mais o fascina no maracatu, sua narrativa apresenta uma relação direta com um prazer pessoal. Vejamos:

Entrevista 06 – linhas 84 a 99

Rapaz, essa é uma pergunta... Bem colocada. Porque... A expressão da alegria, não sei se é a alegria, se é a musicalidade, se é um, se é só a música, se é só a dança... Mas é uma, uma... Uma síntese de coisas,

entendeu, que não dá muito pra você parar. É ... A cultura dos caras, né. E isso, é... É único. É uma coisa que não tem, eu não conheço em nenhum lugar do mundo, nunca tinha visto uma coisa daquelas, entendeu?

Verbal – a narrativa tenta explicar a alegria e o prazer de fazer parte do maracatu.

Não verbal – tom de voz embargado de emoção em narrar o texto.

A experiência vivida e narrada por nosso entrevistado 06 é muito pessoal. O não saber explicar o que ele sente no momento de fazer parte deste universo traduz algo que está intrínseco a sua vivência. Consumir a vivência aqui apresentada por nosso entrevistado mostra claramente o pensamento de Hirschman e Holbrook (1982) com relação as diferenças individuais, já que experiência hedônica surge de produtos que tendem fortemente a evocar níveis

acrescidos de fantasias, sentimentos e diversão. Relacionado com as artes, cinema ou música;

este consumo tem uma conexão direta com as escolas de percussão e os grupos de maracatu. A emoção e o prazer de fazer parte, são as grandes forças motivadoras. Neste contexto, o individual será um novo indicador de desejos, onde para o nosso corpus, percebemos que a diferença será um fator de integração.

Sou diferente dos outros grupos, e dentro do meu próprio grupo a minha individualidade será destacada como original. Diante desta conclusão, não teremos nesta categoria um adjetivo, mas sim todo o significado que o HEDONISMO pode representar. O consumo de moda aqui apresentado buscará a exclusividade, o único; mas que não o segrega e sim o aglutina.

6.6 Categoria Analítica - 06

Nesta categoria, o desejo apresentado nas narrativas traduz valores culturais compartilhados neste grupo transformados em consumo simbólico construtor de uma identidade de seus membros, como já vimos no pensamento de Baudrillard (2000). Estas referências, associadas ao real ou ao imaginário do maracatu, carregam em seu bojo muito da tradição cultural de Pernambuco onde símbolos educativos, farão uso da memória afetiva na construção do seu significado (BAUDRILLARD, 1973). Nos exemplos que a traduzem, veremos o quanto o orgulho em fazer parte esteve presente.

Durante a fala do nosso entrevistado 07 foi perguntado sobre como ele havia ingressado neste universo. Sua resposta foi imediatamente associada a esta categoria. Vejamos:

Entrevista 07 – linhas 18 a 22

E aí quando... Eu sempre gostei muito, muito da, da... Sou

pernambucano, sempre gostei muito da nossa cultura, da dança popular, comecei minha carreira fazendo teatro... Eu sempre tive muito envolvimento com as pessoas que fazem... É... A, a cultura aqui no estado. E assim, a música popular que eu tive muito próximo, sempre gostei muito, quando ia, de, de maracatu, de caboclinho, de maracatu rural, de maracatu de baque-virado.

Verbal – a narrativa deixa claro sua atração pela cultura popular, e que esta atração é anterior a sua participação nas escolas de percussão e maracatus.

Não verbal – tom de voz

simbolizando prazer em revelar sua história. Além disso, temos no movimento de mãos e braços, em movimentos ascendentes, a tentativa de enfatizar o quanto o que foi narrado é valorizado.

O ser pernambucano, dentro da classificação de categoria analítica 02, é reforçado com seu histórico, o tornando uma fonte de informação sobre a cultura local para o seu grupo. Da mesma forma quando afirma: “a música popular que eu tive muito próximo, sempre gostei

muito, quando ia, de, de maracatu, de caboclinho, de maracatu rural, de maracatu de baque- virado”, revela sua paixão e admiração pelo grupo que agora é integrante. Sua admiração e

valorização deixam de ser contemplativas e passam a ser participativas. Ele agora é parte da cultura.

Nesta participação ativa da cultura, é interessante lembrar o pensamento de Maciel e Miranda (2008) sobre a transição do simbólico no tempo e espaço da cultura pernambucana. Para os autores, personagens que no passado carregaram um estigma negativo, como é o caso dos Senhores de Engenho, vêm a ter seus modos de vestir replicados em nossos dias. No universo dos maracatus, questões de religiosidades africanas como o candomblé, que ainda em dias atuais são vistas como marginais à sociedade, vem a ser valorizadas por seus novos integrantes, como é o caso do nosso corpus de pesquisa. Cremos que esta alteração de valor se dá por dois motivos. O primeiro por conta da vivência, desmistificação e reconhecimento da estrutura e funcionamento desta religião. A segunda possibilidade seria por esta religião ser a base do maracatu. Todo maracatu de raiz tem sua origem na formação das cortes africanas diretamente ligadas ao candomblé. Assim, justificado na categoria analítica em questão, o que antes poderia tem um caráter negativo, passa a ser valorizado como referência cultural também.

Focando no consumo de moda, temos na entrevista 04 uma relação de alguns elementos do vestuário ou de suas matérias-primas, reconhecidos pela sua referência cultural, vindo a ser consumidos por conta da vivência no maracatu ou escolas de percussão. Quando indagada sobre como é esse momento do desfile carnavalesco, a entrevistada descreve o seu figurino, e como este está carregado de referências que para ela são culturais.

Entrevista 04 – linhas 183 a 187

E como, e como, e como, assim, dono, vamo supor, da Cabra Alada. Que ele utiliza muitos, é... É... Recursos, muitas informações regionais na confecção do figurino.

Então assim, presilhas... É... A chita mesmo, a chita entrou na minha vida, até a chita que sempre foi um tecido pouco valorizado entrou na minha

Verbal – a narrativa descreve um novo produto que até então era visto como algo negativo ou de baixa qualidade.

Não verbal – tom de voz expressa, num sorriso meio sem graça e um volume mais baixo ao falar, a

vergonha em não ter reconhecido antes o valor destas referências culturais.

vida, hoje eu uso faixa de cabelo de chita, uso uma, uma, um... Sei lá, um broxe de chita, uma fivela...

Assim como no exemplo anterior, vemos a migração de valores. Desta vez a chita, matéria-prima acima citada, passa a ter um simbolismo cultural por conta do seu uso histórico no universo popular e em especial do maracatu. Nos maracatus de tradição, também chamados de Nações, a chita aparecerá no dia-a-dia dos seus membros. Nos desfiles, tecidos nobres com referência à corte (cetins, brocados e lamês) serão os mais utilizados (MONTES e RIBEIRO, 1998).

Como vivido na categoria 05 onde a sintetização não foi feita com a associação a um adjetivo, se repetirá na categoria 06 a mesma lógica. Aqui, encontramos na frase REFERÊNCIA CULTURAL, o uma síntese do que essa categoria representa. A construção da identidade de moda estará carregada de materialidade regional. Seja na matéria-prima seja nas formas. O vestir a minha identidade transporta, seja em referência simbólica ou na matéria prima, a minha história

6.7 Categoria Analítica – 07

Muito próximo da categoria NOBREZA (aqui você já pode dizer qual), esta classificação nos mostra um dos desejos do ser humano que é a busca pela beleza. Este desejo está fundamentado na cresça de que este belo lhe servirá de ferramenta para sua aceitação e pertencimento. Para dialogarmos entre a categoria analítica aqui trabalhada e o corpus do nosso trabalho, uma nova bibliografia fez-se necessária. Indo bem distante na formação de um conceito de beleza, veremos em Platão (SUASSUNA, 1996) uma associação direta do belo ao bem, onde na verdade nossa atração ao belo nada mais será que a saudade que temos da nossa passagem pelo mundo dos arquétipos, onde a perfeição estava ali representada como a pureza verdadeira das formas. No pensamento de Eco (2004), o belo ainda carrega consigo essa associação ao bom; e esse bom não é somente algo que me agrada, e sim algo que queremos ter. Pensando assim, veremos como a beleza ou o se sentir belo, esteve presente como mais um dos elementos da construção da identidade deste grupo.

Quando indagado sobre como era a sua participação no maracatu que fazia parte, o entrevistado 01 descreve o quanto estar bem apresentado é importante. Vejamos:

Entrevista 01 – linhas 34 a 37

Num sou da batucada, como todo mundo pensa que um cabra que faz veterinária tem que ser super macho. Gosto de tá no desfile. Ser vassalo ou caboclo-de-lança. Gosto mesmo é de me amostrar.

Verbal – a narrativa mostra o quanto ser percebido como belo ultrapassa padrões de comportamento do seu meio além do maracatu.

Não verbal – tom de euforia em narrar o texto. Além disso, mãos e braços descrevem gestos da dança e dos movimentos durante o desfile.

Para o entrevistado a beleza tem uma associação muito grande com sensualidade. Na euforia do tom da narrativa, ficou claro uma valorização pessoal quanto a ser um homem atraente e belo, e o quanto este fato é algo que lhe faz bem.

Essa associação com a sensualidade também é vista na narrativa da entrevista 04. A entrevistada se refere a um dos componentes do grupo e ao seu marido. No seu depoimento tratou de uma beleza associada à masculinidade e virilidade masculina.

Entrevista 04 – linhas 252 a 276

Assim, a forma de Jorge, por exemplo, tocar, eu... É uma forma assim... Encantadora. Eu digo olhe, Chico, assim... Até hoje eu digo, Jorge tocando é impressionante! Como ele toca bem. Assim, eu digo, tem duas pessoas que eu acho que tocam muito bem, além de Chico né, claro.! Eu digo é Jorge, e um menino lá da Nação Porto Rico. Que eles, eles se destacam assim, pelo charme, pela,

Verbal – a narrativa apresenta uma sensualidade natural percebida nos seus integrantes, através de alguns gestos do maracatu durante o desfile. Esta sensualidade está associada a uma masculinidade e virilidade.

Não verbal – tom de empolgação em relatar a sensualidade dos envolvidos na narrativa. Mãos gesticulam tentando demonstrar o volume dos ombros e braços dos envolvidos nos movimentos

acho que assim até a virilidade. A força... É realmente são, são destacados, assim. Outras pessoas tocam muito bonito, tocam, tem gente que toca até se amostrando demais, que eu acho que fica feio...

De certa forma. Mas eles tocam muito bonito. Aí assim, isso, isso chamava a atenção. No vestuário não muito, porque... Era normal, pessoal normal. Onde você encontra pessoas muito, como a gente encontrava,

normalmente que vai pra grupo você vê pessoas mais... é mais ligadas às artes de uma forma geral. E todo mundo que é ligado às artes independente de ser música, mas a cinema, a dança, às... artes plásticas, teatro, artes plásticas mesmo, já tem um diferencial de comportamento e de vestimenta.

do maracatu.

No exemplo a seguir, veremos o belo ligado ao vestir e ao tocar no maracatu. A entrevistada explica como nos instrumentos que já tocou, a roupa tem uma funcionalidade que vai além da liberdade dos movimentos para essa função. Da mesma forma que descreve sua finidade com o Abê12 e a sensualidade necessária no figurino para esse instrumento.

Entrevista 02 – linhas 87 a 21

Eu acho que as, as poucas vezes que eu toquei alfaia, tem que ser uma roupa confortável que não atrapalhe.

Verbal – a narrativa mostra a sensualidade da execução de um dos instrumentos do maracatu e a

preferência da entrevistada por esse

Pra... Por causa do tambor, do instrumento. Mas Abê é divertido que seja uma saia ... Porque Abê é um instrumento mais feminino. Então que seja uma saia, que você, que a pessoa quando tenha que dançar, faça todo aquele movimento de rodar, fica mais bonito. Do quê... Normal... Você pode, você pode tocar Abê com uma calça, com um shortinho, alguma coisa assim, só que mesmo assim, mas não é tão bonito, e nem é tão divertido quando você tá com um saião, rodando...

O Abê é... Normalmente são as meninas que tocam Abê, são poucos os homens que tocam. Então fica aquela ala mais feminina, fica mais bonito visualmente a dança, (palavra inaudível), a cor, sendo que a roupa da gente normalmente é diferenciada do pessoal da... Da, do, das alfaias na hora do desfile ou coisa assim.

instrumento.

Não verbal – mãos e braços

movimentam-se descrevendo no ar o movimento das saias no uso do abê. Tom de voz remetendo a sensualidade dos movimentos, dando graça e feminilidade a narrativa.

A década de 90 na cidade do Recife foi um ambiente propício para despertar na estética do maracatu uma beleza reconhecida por grupos que foram além de suas fronteiras (VICENTE, 2005). A que valorização dessa estética surge com o Movimento Mangue Beat, e esse fará uso de símbolos do universo do maracatu como elementos de referência. Assim, o belo descrito por nossos entrevistados não tem o mesmo padrão reconhecido pela grande massa. Numa ação trickle-up (SIMMEL, 1957), essa nova estética ganhará as ruas desta cidade, mas não foi massificada, continuando a ser consumida por um grupo restrito, vivendo o que o Simmel chamará de trickle-across. Essa não massificação da nova estética, fará com