4. RESULTAT AV ANALYSEN
4.5 R ELASJONER
4.5.3 Vennskap og relasjoner
No que se refere à relação interdiscursiva, Maingueneau (2005, p.21) proclama o primado do interdiscurso sobre o discurso: ―[...] a unidade de análise pertinente não é o discurso, mas um espaço de trocas entre vários discursos convenientemente escolhidos‖. Afirmação que podemos interpretar de duas maneiras: uma, indicando que o estudo da especificidade de um discurso se faz colocando-o em relação com outros discursos; e outra, o interdiscurso passa a ser o espaço de regularidade pertinente, do qual os diversos discursos não seriam senão componentes. Dessa forma, a concepção de formação discursiva implica sua relação com o interdiscurso, a partir do qual ela se define. Maingueneau (1997) advoga que a definição de uma formação discursiva não deve ser concebida fora de seu interdiscurso, pois ela se mostra como o lugar de um trabalho do interdiscurso. Segundo a sua concepção:
O interdiscurso consiste em um processo de reconfiguração incessante no qual uma formação discursiva é levada [...] a incorporar elementos pré- construídos, produzidos fora dela, com eles provocando sua redefinição e redirecionamento, suscitando, igualmente, o chamamento de seus próprios elementos para organizar sua repetição, mas também provocando, eventualmente, o apagamento, o esquecimento ou mesmo a denegação de determinados elementos (MAINGUENEAU, 1997, p. 113, grifos do autor). Conforme explanações de Costa (2001, p. 27), com relação à AD, o ele afirma que:
Dominique Maingueneau questiona os conceitos, ou melhor, a articulação entre os conceitos de condições de produção e de formação discursiva, no âmbito da Análise do Discurso Francesa. Segundo o autor (1989), tais categorias são freqüentemente vistas segundo a fórmula conjunto/subconjunto, como um exterior que se opõe a um interior, ou um anterior a um posterior. Para o autor, as duas realidades são imbricadas, como as duas faces de uma folha de papel. Assim, antes de pensar uma relação de anterioridade em que um discurso se constitui de tal modo
conforme as coerções do contexto no qual ele é produzido, é preferível pensar que a produção daquele discurso supõe suas condições de realização. Noutras palavras, a existência de qualquer discurso traz inscritas em si as condições de sua existência.
Visando especificar melhor a noção de interdiscurso, Maingueneau (1997) recorre a três termos complementares: universo discursivo, campo discursivo e
espaço discursivo.
Segundo Maingueneau (1989 apud CARVALHO, 2011, p. 83),
O texto é um objeto discursivo, pois se manifesta como unidades verbais que integram um discurso. Objeto de estudo da AD, o discurso é o elemento que faz a amarração entre o linguístico e o extralinguístico, possibilitando- nos entender a relação entre sujeito, sociedade e ideologia. Para o autor, algumas características são essenciais ao discurso, tais como: i) o discurso é uma organização situada para além da frase; ii) o discurso é orientado; iii) o discurso é uma forma de ação; iv) o discurso é interativo; v) o discurso é contextualizado; vi) o discurso é assumido por um sujeito; vii) o discurso é regido por normas; viii) o discurso é considerado no bojo de um interdiscurso. Portanto, para falar de prática discursiva, é preciso articular discurso e condições de produção.
O universo discursivo compreenderia o conjunto de formações discursivas de todos os tipos que interagem em um determinado contexto histórico-social. É finito, mas irrepresentável, jamais concebível em sua totalidade pela Análise do Discurso. Seria a constituição de um ―arquivo‖ de uma época, como considera Foucault.
O campo discursivo seria um recorte no universo discursivo, ou seja: um conjunto de formações discursivas que estão em relação de concorrência no sentido amplo, que se delimitam reciprocamente por uma posição enunciativa em região específica desse universo discursivo. Por exemplo: campo discursivo religioso, político, literário, dramatúrgico etc. É no interior do campo discursivo que se constitui um discurso.
Essa hipótese, para Maingueneau (1997), é que tal constituição pode deixar-se descrever em termos de operações regulares sobre formações discursivas já existentes. Isso não significa que todos os discursos se constituam da mesma forma em todos os discursos desse campo, nem é possível determinar, a princípio, as modalidades das relações entre as diversas formações discursivas de um campo, uma vez que o campo discursivo é uma estrutura dinâmica, ele é um jogo de equilíbrio entre posicionamentos dominantes e dominados, posicionamentos centrais
e periféricos.
Já o espaço discursivo delimitaria, enfim, um subconjunto do campo
discursivo, constituído ao menos de dois posicionamentos discursivos que,
supostamente, mantenham relações privilegiadas, de suma importância para o entendimento dos discursos considerados pertinentes pelo analista. Tais restrições devem resultar apenas de hipóteses fundadas sobre um conhecimento dos textos e um saber histórico, que serão ou não confirmados no decorrer da pesquisa.
Ainda com enfoque referente ao interdiscurso, mediante o que ratifica Maingueneau (1989, p.81) e como forma de incrementar as afirmações supra citadas, colhe-se que:
O interdiscurso é conceituado por Maingueneau (1989) como um conjunto de discursos que mantém uma relação discursiva entre si, tripartido em universo discursivo, campo discursivo e espaço discursivo: Universo discursivo é o conjunto heterogêneo de formações discursivas que interagem numa conjuntura. Embora finito, é irrepresentável e não pode ser apreendido em sua globalidade. Campo discursivo é o conjunto de formações discursivas em concorrência que se delimitam numa região do universo discursivo. O discurso se constitui no interior de um campo discursivo, que foi etiquetado pela tradição como campo discursivo religioso, político, literário, etc. Espaço discursivo é o subconjunto do campo discursivo, que liga no mínimo duas formações discursivas que se relacionam e são importantes para o entendimento dos discursos em questão. Como analistas, colocamos em relação esses subconjuntos de formações discursivas da maneira que julgamos relevante. O conceito de interdiscurso é o que nos possibilita relacionar a memória coletiva à análise das canções, já que ele permite que os dizeres que já foram ditos tenham sentido em nossas palavras. Além disso, o discurso ganha sentido quando se relaciona com outros discursos. A hipótese do primado do interdiscurso pressupõe a presença do Outro, que se dá por meio da heterogeneidade enunciativa.
Neste sentido, Segundo Maingueneau (2008,p.52-56) afirma que:
O texto é um objeto discursivo, pois se manifesta como unidades verbais que integram um discurso. Objeto de estudo da AD, o discurso é o elemento que faz a amarração entre o linguístico e o extralinguístico, possibilitando- nos entender a relação entre sujeito, sociedade e ideologia. Para o autor, algumas características são essenciais ao discurso, tais como: i) o discurso é uma organização situada para além da frase; ii) o discurso é orientado; iii) o discurso é uma forma de ação; iv) o discurso é interativo; v) o discurso é contextualizado; vi) o discurso é assumido por um sujeito; vii) o discurso é regido por normas; viii) o discurso é considerado no bojo de um interdiscurso .Portanto, para falar de prática discursiva, é preciso articular discurso e condições de produção.
É importante ressaltar que as formações discursivas, por pertencerem ao mesmo momento histórico instituem um campo discursivo, devido ao fato de possuírem a mesma formação sócio-histórica; razão por que é o princípio da contradição a marca de especificidade da formação discursiva. Essa contradição funciona como princípio de historicidade do discurso. Entende-se, pois, que a concepção de formação discursiva não se remete ao fechamento, à imobilidade – expressão cristalizada da visão de mundo de um grupo social – mas a um domínio aberto e inconsistente (BRANDÃO, 1991).
O nível interdiscursivo é compreendido por Maingueneau como a relação de um discurso com outros discursos do mesmo campo, podendo divergir deles ou apresentar enunciados semanticamente vazios em relação àqueles que autorizam sua formação discursiva. O nível do intradiscurso é compreendido como a relação que o discurso define com outros campos discursivos, dependendo de serem os enunciados do discurso citáveis ou não. Nesse sentido, pode-se propor a existência de uma intensa circulação de ―saberes‖ de uma região para outra no universo discursivo.
Entende-se que, em se tratando do nível interdiscursivo, na formação dos enunciados está implicado o próprio saber sobre uma formação discursiva, de modo que os próprios enunciados existem no tempo de uma memória. Assim sendo, esse saber envolve toda uma transmissão cultural, não só transmitida de geração em geração, mas também regulada pelas instituições.
Neste intuito e ainda discorrendo sobre as questões interdiscursivas, Costa (2001, p. 48-49) diz que:
A perspectiva bakhtiniana sugere a existência de relações interdiscursivas. Como o próprio nome indica, elas consistem nas relações da enunciação com o interdiscurso, isto é, com o suposto exterior discursivo. Note-se que aqui o sentido de ―interdiscurso‖ é estrito, pois refere-se ao interdiscurso enquanto sistemas discursivos anônimos (modos de dizer, gêneros, regras, fórmulas, formações discursivas etc.) que circulam na sociedade e compõem uma memória. A interdiscursividade é, assim, a convocação de, ou o ―dar a ouvir‖, vozes exteriores ao fio discursivo (ou seja, ao que foi efetivamente dito), que flutuam na esfera interdiscursiva, quer fazendo parte de sistemas linguageiros co-relacionados a práticas sociais (formações discursivas), quer como vozes ou enunciações encenadas, implícitas ou mascaradas. Assim, quando uma determinada formação discursiva faz uso de expressões populares, quando utiliza termos habitados por outras esferas, registros discursivos e até mesmo linguísticos, ou ainda quando se reporta a etos, gestos e esquemas discursivos de outras práticas discursivas, temos relações interdiscursivas ou interdiscursividade como vozes ou enunciações encenadas, implícitas ou mascaradas.
Maingueneau (1997) apresenta algumas indagações sobre as ideias de condições de produção e formação discursiva focalizadas nessas perspectivas, porque, para ele, opor o ―interior‖ do texto ao ―exterior‖ das condições que o tornam possível, isto é, fazer oposição do discursivo ao extradiscursivo é algo questionável, uma vez que o espaço de enunciação, por si mesmo, supõe que um grupo específico sociologicamente caracterizável nele esteja presente, no seu interior.
Assim, é preferível aceitar que não há relação de exterioridade entre o funcionamento do grupo e o funcionamento de seu discurso, mas que eles estão sobrepostos: ―não se dirá, pois, que o grupo gera um discurso do exterior, mas que a instituição discursiva possui, de alguma forma, duas faces: uma diz respeito ao social e a outra, à linguagem‖ (MAINGUENEAU, 1997, p. 55, grifos do autor).
Nessa perspectiva, Maingueneau (1997) substitui as noções de condições de produção e de formação discursiva pelo de ―prática discursiva‖, adotada por Foucault, cuja designação refere-se à reversibilidade necessária entre as faces social e textual do discurso:
A noção de ‗prática discursiva‘ integra, pois, estes dois elementos: por um lado, a formação discursiva, por outro, o que chamaremos comunidade discursiva, isto é, o grupo ou a organização de grupos no interior dos quais são produzidos, gerados os textos que dependem da formação discursiva. (MAINGUENEAU, 1997, p. 56, negritos do autor)
Discorrer sobre a prática discursiva é compreender tanto a organização material dos textos, quanto o modo de vida, o percurso sócio-histórico das comunidades discursivas. Deve-se entender, portanto, que os textos produzidos pressupõem um processo de organização social que tem sua existência motivada por essa prática, daí implicarem numa inscrição e num posicionamento, ou seja, na relação que o sujeito mantém com o contexto discursivo.