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Spontanitet utløst i som del av interaksjonen mellom SMART dimensjonene i situasjoner i

5. TOLKNING OG DISKUSJON

5.1 H VORDAN KAN SMART DIMENSJONENE FORSTÅS I SAMMENHENG MED AT SELVFØLELSE SKAPES I

5.1.1 Spontanitet utløst i som del av interaksjonen mellom SMART dimensjonene i situasjoner i

O conceito de ethos advém da Retórica de Aristóteles e foi reformulado por Maingueneau para a AD. Segundo Maingueneau (2008b, p. 17)

O ethos é uma noção discursiva, ele se constrói através do discurso, não é uma imagem‗ do locutor exterior a sua fala; o ethos é fundamentalmente um processo interativo de influência sobre o outro; é uma noção fundamentalmente híbrida (sócio-discursiva), um comportamento socialmente avaliado, que não pode ser apreendido fora de uma situação de comunicação precisa, integrada ela mesma numa determinada conjuntura sócio-histórica.

Assim, levando-se em consideração esta conceituação, podemos afirmar que a subjetividade manifesta no discurso é concebida como uma voz que não pode

ser dissociada do corpo que enuncia. A noção de tom é apresentada como uma voz específica do texto oral e escrito. Este último também tem uma vocalidade que pode se manifestar em múltiplos tons, associados a um fiador, construído pelo destinatário a partir dos indicadores que a enunciação libera.

Relacionada à noção de tom, a incorporação é conceituada como a mescla que ocorre entre uma formação discursiva e seu ethos através do procedimento enunciativo. Além disso, a incorporação evoca a imbricação do discurso e seu modo de enunciação (conceito que trata de uma maneira de dizer específica a um discurso). A voz é um dos planos constitutivos da discursividade e o modo de enunciação obedece às mesmas restrições semânticas do conteúdo do discurso; aliás, frequentemente ele se torna tema do discurso.

A pretensão de um texto não é o da contemplação, mas, antes de tudo, a constituição de uma cena enunciativa que o torne legítimo, pois ele se destina a uma

enunciação ativamente dirigida a um destinatário que é preciso mobilizar a fim de aderir „fisicamente‟ a um certo universo de sentido (MAINGUENEAU, 2006, p. 266).

Por isso, o texto deve investir naquilo que caracterizará o seu ethos.

A noção de ethos permite refletir sobre o processo mais geral da adesão dos sujeitos a uma certa posição discursiva. Retomando a ideia aristotélica de que o

ethos é construído na instância do discurso, Maingueneau (1997) afirma que não

existe um ethos preestabelecido, mas, sim, um ethos construído no âmbito da atividade discursiva. Assim, a imagem de si é um fenômeno que se constrói dentro da instância enunciativa, no momento em que o enunciador toma a palavra e se mostra através do seu discurso.

Segundo Maingueneau (1997, p. 46), ―[...] a retórica antiga organizava-se em torno da palavra viva e integrava, consequentemente, à sua reflexão, o aspecto físico do orador, seus gestos, bem como sua entonação‖. Nos textos escritos não há a representação direta dos aspectos físicos do orador, mas há pistas que indicam e levam o coenunciador a atribuir uma corporalidade e um caráter ao enunciador, categorias essas que interagem no campo discursivo.

A Retórica antiga considerava, portanto, o ethos como a ―voz‖ do discurso. A voz está na enunciação do sujeito ou sujeitos que darão corpo e materialidade ao texto. Há certa diferença entre tom e voz. O tom está ligado ao

caráter que, segundo Maingueneau (1997, p. 47) seria ―[...] o conjunto de traços psicológicos que o leitor-ouvinte atribui espontaneamente à figura do enunciador, em

função de seu modo de dizer‖, e à corporalidade que nos remete a uma representação do corpo do enunciador construído no processo discursivo. Um corpo do sujeito imaginado pelo destinatário. Quando a voz está ligada à discursividade, isto é, à formação discursiva, o discurso toma corpo, surge, portanto, a noção de

incorporação, que pode atuar sobre três registros articulados: a) a formação

discursiva confere corporalidade à figura do enunciador e, correlativamente àquela do destinatário, ela lhes dá corpo textualmente; b) esta corporalidade possibilita aos sujeitos a incorparação de esquemas que definem uma maneira específica de habitar o mundo, a sociedade; c) estes dois primeiros aspectos constituem uma condição da incorporação imaginária dos destinatários ao corpo, o grupo dos adeptos do discurso (MAINGUENEAU, 1997, p. 48).

Não se trata de traços psicológicos ou da presença física dos enunciadores, mas do que o leitor/ouvinte atribui a eles em função de seu modo de dizer. Dessa forma, o posicionamento discursivo não pode ser dissociado da forma pela qual ele toma ―corpo‖ e da ―cena‖ na qual esse ―corpo‖ tem existência social e histórica. Porém, a cena não é um ―quadro‖ que exista anteriormente à constituição do ethos. A cena de enunciação e o ethos possuem uma relação paradoxal: o ethos não só pressupõe uma cena, quanto a valida.

A corporalidade de uma identidade é essa imagem que o sujeito constrói de si no discurso, ou seja, o seu ethos discursivo. Analisá-la não significa apreender a compleição física em si, mas interpretar de que modo a corporalidade discursiva se materializa em textos. Assim, as identidades são os posicionamentos discursivos aos quais os sujeitos aderem e a corporalidade é a imagem, ou melhor, o ethos relacionado a esses posicionamentos.

Podemos dizer, assim, que o ethos está relacionado com a construção de uma corporalidade do enunciador por intermédio de um tom lançado por ele no âmbito discursivo. O tom permitirá ao leitor construir, no texto escrito, uma representação subjetiva do corpo do enunciador, corpo este manifestado não fisicamente, mas construído no âmbito da representação subjetiva. A imagem corporal do enunciador faz emergir a figura do fiador, entendida aqui como aquela que deriva da representação do corpo do enunciador efetivo, se construindo no âmbito do discurso. O fiador é aquele que se revela no discurso e não corresponde necessariamente ao enunciador efetivo.

Dessa forma, pode-se criar, no âmbito discursivo, a imagem de um fiador calmo e tranquilo, mesmo que o enunciador não tenha essas características. Essa construção da imagem do fiador se relacionará com as escolhas lexicais feitas pelo enunciador, que conferirão ao enunciado um tom de calma e tranquilidade, fazendo surgir, portanto, a imagem de um fiador calmo e tranquilo.

Essa abordagem é de extrema importância para este trabalho, pois, se as identidades são os posicionamentos discursivos, o ethos nos permitirá refletir ―sobre o processo mais geral da adesão dos sujeitos a uma certa posição discursiva‖ (MAINGUENEAU, 2005, p. 69). Isso quer dizer que os sujeitos, ao aderirem a certas posições, apresentam ―[...] uma maneira de dizer que remete a uma maneira de ser, à participação imaginária em um vivido.‖ (MAINGUENEAU, 2005, p. 73). Dito de outro modo, o posicionamento discursivo remete também à forma pela qual os sujeitos ―habitam‖ a sociedade: a imagem de um sujeito e a cena a ele relacionada, a saber, o ethos aparece como uma realidade que não deve ser dissociada de uma ―arte de viver‖, de uma ―maneira global de agir‖. É através deles que, frequentemente, os textos instauram suas cenografias, uma vez que todo enunciado é construído através de uma maneira de dizer, de um tom, pelo qual a personalidade do sujeito da enunciação se mostra e legitima o que diz, buscando mobilizar o destinatário. Como postula o referido autor:

As divergências entre os gêneros de discurso ou entre os posicionamentos concorrentes de um mesmo campo discursivo não são somente da ordem do ‗conteúdo‘, elas passam também pelas divergências de ethos: tal discurso político implica um ethos professoral, tal outro o da linguagem livre do homem do povo etc.. O ethos não deve, portanto, ser isolado dos outros parâmetros do discurso, pois contribuem de maneira decisiva para a sua legitimação (MAINGUENEAU, 2000, p. 60, grifos do autor).

Tudo isto vai ensejar a eficácia discursiva. Esta consiste em convencer o destinatário pelo que é dito na própria enunciação, permitindo a identificação com uma certa determinação do corpo, ou seja, uma forma de se instaurar nos espaços sociais.

A presença do ethos, portanto, é imposta pelo próprio texto que o torna responsável pela função enunciativa, na base da qual está a unidade e a origem dos sentidos.