3. Resultat
3.1 Vekst
3.1.1 Vekst under smoltifisering og tidleg sjøvassfase
Quanto à abordagem teórica, a superficialidade é devida à própria insuficiência qualitativa do campo da Pesquisa em Educação Médica, a qual tem sido sugerida pela literatura. Citamos, a seguir, dois exemplos.
Uma revisão sistemática foi conduzida por Cook et al (2007a), de uma amostra aleatória de 105 artigos publicados entre 2003 e 2004 em quatro periódicos com enfoque exclusivo em Educação Médica, e em dois periódicos médicos que publicam artigos sobre pesquisa educacional, para determinar a qualidade dos relatórios de estudos experimentais em Educação Médica. A partir da análise referenciada em critérios de qualidade para a pesquisa biomédica, os autores concluíram que muitos elementos científicos desejáveis em um relatório de pesquisa estavam freqüentemente ausentes no material pesquisado. Dentre esses elementos foram assinalados os seguintes: (1) revisão crítica da literatura, (2) formulação do esquema conceitual, (3) declaração do desenho do estudo, (4) definição do grupo de comparação ou grupo controle, e (5) explicitação dos direitos éticos dos sujeitos humanos.
Outro estudo, com abordagem qualitativa, realizado por Albert et al (2007), interrogou 23 “figuras influentes” da comunidade de língua inglesa do campo da Educação Médica para determinar os julgamentos e as opiniões sobre as práticas correntes de pesquisa no campo, e para entender sua concepção sobre que forma essa pesquisa deve tomar. Esse estudo concluiu que a pesquisa em Educação Médica, apesar dos avanços observados nas duas últimas décadas, continua a ser qualitativamente deficiente. Três fatores foram identificados pelos participantes para explicar os problemas atuais com a pesquisa no campo: (1) a insuficiente contextualização com respeito à literatura em Educação Médica; (2) o limitado conhecimento teórico dos pesquisadores; e (3) as lacunas, mais especificamente em ciências sociais, observadas na educação científica dos pesquisadores.
Os dois estudos concordam em pontos importantes, principalmente no que concerne à contextualização crítica da literatura do campo da Educação Médica, à dificuldade em formular o esquema teórico-conceitual e às lacunas no campo metodológico. Contudo, penso que o trabalho de Albert et al (2007) traz uma questão importante para debate que diz respeito ao papel das teorias sociológicas na pesquisa em Educação Médica. Para esses autores, o treinamento dos pesquisadores na metodologia das ciências sociais é fundamental para o desenvolvimento de pesquisa de qualidade em Educação Médica. Daí que se reconhece a importância das teorias sociológicas para a apreensão do fenômeno educacional/educativo. De acordo com Domingues (2004), as grandes teorias sociológicas, próximas dos paradigmas de pesquisa em ciências sociais, possuem duas dimensões que considero necessárias ao debate sobre a pesquisa avaliativa enfocando currículos médicos:
- Uma dimensão teórica em cujo interior se formula o problema a ser investigado, se postula algo a respeito da realidade, se elege uma parte ou segmento do real como elemento ou princípio explicativo—uma força, um ente, um objeto; e
- Uma dimensão metódica, instalada pela teoria e guiada por ela, a qual se encarregará, entre outras coisas, de contrastar a teoria em relação à realidade, servindo-se de técnicas e de procedimentos apropriados.
A superficialidade da abordagem teórica, tangenciando essas duas dimensões, pode comprometer seriamente os esforços da pesquisa em Educação Médica na temática da avaliação curricular.
No contexto brasileiro, Briani (2001), em sua análise sobre os processos de mudança no ensino médico e as teorias curriculares, aponta evidências de que uma reflexão crítica mais aprofundada sobre as matrizes epistemológicas, teóricas e políticas sobre os processos de mudança em Educação Médica
ainda está por ser realizada. Sem ela, ações efetivamente transformadoras, nas perspectivas curriculares críticas e pós-críticas, são impossíveis de serem empreendidas.
Um olhar panorâmico sobre o volume de trabalhos apresentados nos últimos anos sobre novas metodologias de ensino adotadas por diversas faculdades de medicina poderia levar ao argumento de que estão ocorrendo verdadeiras revoluções no ensino médico no País. De fato, a grande maioria das reformas curriculares recentemente implementadas em cursos de medicina teve como principal fundamento a promoção de metodologias de ensino centradas no aluno, na resolução de problemas e no aprendizado contínuo. Passado o primeiro momento, entretanto, percebe-se aqui também a adoção acrítica de modelos importados de ensino, desenvolvidos para uma população estudantil dotada de outros padrões educacionais, culturais e etários, inadequados, contudo, à maioria das estruturas universitárias do nosso país. O objetivo explícito desses novos métodos de aprendizagem nos próprios países de origem foi aumentar a eficácia no processo de ensino por meio da integração de conhecimentos e autonomia dos alunos que buscam promover. O critério é, pois, o da eficiência. (BRIANI, 2001, p. 76).
Resta, pois, evidente que quaisquer pesquisas realizadas no campo da Educação Médica, particularmente aquelas que têm por recorte a avaliação curricular, necessitam dos aportes teóricos da Educação, particularmente no que concerne aos currículos. A deficiência desse aspecto na pesquisa nos cenários nacional e internacional há que ser superada. Daí que, na presente pesquisa, tomaremos no capítulo que trata de seu pólo teórico, em consonância com os pressupostos epistemológicos explicitados no capítulo que o antecede, a perspectiva teórica sobre Educação e Currículo que norteará a inteligibilidade deste último como objeto de pesquisa e da primeira como macro-campo em que se situa a Avaliação Educacional e Curricular como campo específico.