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A presença e a aplicação de novas tecnologias estão transformando a paisagem educacional, tanto direta como indiretamente (GRAETZ, 2006; KOP; FOURNIER, 2010), ao

proporcionar a arquitetura que serve de sustentação e reforço para o ambiente educacional, bem como para o profissional, uma vez que a maioria dos indivíduos são autodirecionados em sua aprendizagem (KOP; FOURNIER, 2010) e desempenham a maior parte de suas atividades de modo virtual, conectados eletronicamente (DAFT, 2007; GRAETZ, 2006).

Além da riqueza sensorial proporcionada pelo uso da tecnologia, os dispositivos móveis apresentam um grande potencial para melhorar os espaços de sala de aula, uma vez que a maioria dos indivíduos utiliza seus dispositivos em sala para tomar notas, acessar materiais de leitura e encontrar informações relevantes que criem oportunidades para sua aprendizagem. Entretanto, há um lado obscuro do uso desses recursos quando os sujeitos passam a utilizá-los para se envolver em atividades não relacionadas ao curso (GRAETZ, 2006).

Na medida em que os indivíduos utilizam a tecnologia como forma de interação social e comunicação dentro do ambiente de sala de aula, gera-se uma problemática que vai além de tirar a atenção do próprio usuário, uma vez que interfere na capacidade de outros processarem as informações transmitidas durante o curso e os impede de obter resultados, especificamente de aprendizagem, o que pode ocasionar frustração e raiva, provavelmente mais relacionadas a distrações com dispositivos sobre os quais não têm controle (GRAETZ, 2006).

Integrar tecnologia e educação de forma eficaz e com cautela pode trazer novas configurações para o ambiente e estimular mudanças pedagógicas, o que pode melhorar a interatividade em sala de aula e a maneira pela qual os educadores ensinam e os sujeitos aprendem (HAWELL et al., 2001; LOMAS; OBLINGER, 2006). A utilidade de tais alterações deve ser medida pelo impacto da relação tecnologia e pedagogia na aprendizagem dos sujeitos (HAWELL et al., 2001).

Ambientes de aprendizagem assistidos por tecnologias são projetados para facilitar a construção de entendimentos, os quais não devem ser vistos apenas como processos internos da mente do indivíduo, mas como ligações associadas com a compreensão e os contextos em que ocorrem (HANNAFIN; LAND, 1997). Frequentemente, as tecnologias vêm sendo descritas como instrumento cognitivo que transforma, aumenta e apoia o envolvimento cognitivo de crianças e adultos (MCLOUGHLIN; OLIVER, 2000).

A aprendizagem nesse ambiente é caracterizada pela separação de lugar e tempo, professor e aprendizado, e aprendizes e recursos de aprendizagem. Neste ambiente, o papel do professor passa a ser de facilitador ao fornecer orientações que permitam aos alunos explorar o material do curso sem restrições, e ao aluno cabe a capacidade de analisar, refletir,

sintetizar, organizar e reestruturar essas informações de modo a criar e contribuir com seus próprios pensamentos (CHANG; FISHER, 2003). Considera-se que um ambiente de estudo dimensionado e a presença física em sala de aula não são mais as únicas formas de transmitir conhecimento e promover a aprendizagem (SILVA et al., 2012).

O uso de recursos tecnológicos no ambiente educacional, a exemplo do moodle, softwares, internet, entre outros, tem expandido o processo de aprendizagem para além das fronteiras do ensino, ao partir de uma visão antes centrada apenas em um ambiente físico, para uma dimensão mais ampla do processo de ensino-aprendizagem (LAND; HANNAFIN; OLIVER, 2012). O emprego desses recursos tem o intuito de oferecer, além do suporte tecnológico na representação e amplitude da aprendizagem, apoio à construção e a compreensão do conhecimento.

Hannafin, Land e Oliver (1999) caracterizam três tipos de ferramentas tecnológicas que são geralmente utilizadas em ambientes de aprendizagem: (a) ferramentas de processamento, que ajudam no desenvolvimento cognitivo, por meio da busca, coleta, organização e integração das informações; (b) ferramentas de manipulação, configuram as funções, por meio do teste dos parâmetros e efeitos visualizados com base na entrada do usuário no sistema; e (c) ferramentas de comunicação, que atuam na promoção, nos diálogos e nas interações sociais.

Tais ferramentas tecnológicas combinadas com o uso de softwares específicos podem ser integradas em um ambiente de aprendizagem para melhorar o processamento do conhecimento e facilitar o ensino flexível (KUUSKORPI; FINLAND; GONZÁLEZ, 2011). Os indivíduos podem usá-las para construir conceitos compartilháveis que representem o seu pensamento ou apresentem o que está sendo apreendido (LAND; HANNAFIN; OLIVER, 2012).

O uso de diferentes tipos de dispositivos de comunicação, a exemplo de notebooks, tablets, celulares, entre outros dispositivos móveis, permitem que praticamente qualquer espaço se torne um ambiente de estudo, colaboração e socialização. Estes espaços informais combinados com o uso de recursos tecnológicos ampliam a aprendizagem para além de um local específico. Os indivíduos não estão mais restritos a um único local, uma vez que qualquer espaço com uso da tecnologia pode tornar-se área de estudo (LOMAS; OBLINGER, 2006).

O local físico não é mais um lugar onde a informação é entregue a indivíduos passivos. Em vez disso, está se tornando um ambiente interativo, no qual o conhecimento vem sendo criado ativamente pelos sujeitos, muitos dos quais possuem tecnologias que os

completam (GRAETZ, 2006) e que também podem vir a ser uma importante parte deste processo na expansão da aprendizagem. As tecnologias que configuram o ambiente tecnológico têm fornecido o acesso à informação, a capacidade de trabalhar e aprender de uma forma colaborativa globalmente tanto no espaço de sala de aula quanto para além das estruturas educacionais (GRAETZ, 2006; KOP; FOURNIER, 2010).

Os ambientes de educação virtual a distância começaram no século XIX para atender àqueles indivíduos com pouco ou nenhum acesso ao ensino tradicional, mas, à medida que a aprendizagem on-line foi projetada para ampliar o acesso daqueles que precisavam de flexibilidade de tempo e espaços diferenciados para sua aprendizagem, passaram também a atender aos que dispunham de tempo para realizá-los (MERRIAM; CAFFARELLA; BAUMGARTNER, 2007).

A aprendizagem on-line apresenta tanto oportunidades como desafios para a educação de adultos, uma vez que pode ocorrer em ambientes formais, não-formais e informais de aprendizagem, os quais podem maximizar o seu potencial ao mesmo tempo que representar desafios em relação ao seu acesso, particularmente devido à comunicação e transmissão das informações por via tecnológica (MERRIAM; CAFFARELLA; BAUMGARTNER, 2007). O uso de recursos tecnológicos deve criar ambientes que consigam fomentar a integração e a troca de experiências vivenciadas entre os indivíduos, seja na dimensão física ou virtual do ambiente, de modo a construir um pensamento reflexivo sobre como tem se desenvolvido seu processo de aprendizagem.

Após a caracterização de cada dimensão que integra o ambiente de aprendizagem, tem-se a necessidade de algumas reflexões acerca destas dimensões na formação de mestres profissionais em Administração.

2.3.5 Reflexões acerca da multidimensionalidade do ambiente de aprendizagem no processo