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A dimensão social do ambiente de aprendizagem permite refletir a respeito de como os indivíduos constroem significados com base nas relações com o mundo físico e social no qual vivem. Embora os sujeitos ocupem um mesmo meio social, cada sujeito desenvolve diferentes relações com o ambiente culturalmente (RIBEIRO; CAVASSAN, 2013). A cultura representa o desenvolvimento social do homem configurada sobre as formas de convívio entre as pessoas, as quais podem assumir formas variáveis e se alterarem com o transcorrer do tempo (MERRIAM; CAFFARELLA; BAUMGARTNER, 2007).
As culturas acumulam-se, diversificam-se, complexificam-se e enriquecem-se, ou então se desenvolvem e, por motivos sociais, se extinguem ou são extintas (MIZUKAMI, 1986). Logo, pode se afirmar que a cultura não é herdada, mas sim transmitida de geração para geração (MERRIAM; CAFFARELLA; BAUMGARTNER, 2007), sendo muitas vezes referida como a forma como fazemos as coisas (GREGORY; CHAPMAN, 2007).
A noção de cultura pode ser examinada a partir de várias perspectivas na educação de adultos, que incluem: (a) posicionalidade: pode ser um atributo visível como idade, classe, gênero, entre outros, ou invisível, derivado das experiências que influenciam a vida ou a relação com outros; (b) privilégio: poder indevido com base na raça, gênero ou em outra
posicionalidade existente na dinâmica, privilégio e opressão presente entre os grupos sociais; (c) contexto: sistema social que molda os pensamentos e as ações dos sujeitos inseridos no ambiente escolar, organizacional e social; e (d) poder: a partir do momento em que indivíduos se envolvem em contextos sociais, a dinâmica existente em sua cultura, posicionamento e privilégios resultam em relações de poder expressa pela capacidade de influenciar outros (MERRIAM; BIEREMA, 2014). Tal contexto adequa as ações de formação de uma coleção de símbolos, histórias, rituais e visões de um mundo a partir da qual os indivíduos criam o conhecimento que servirá de alicerce para suas atitudes e ações quando necessário (BAYNE, 2012).
O comportamento de cada ser humano se molda pelos padrões culturais do grupo em que ele nasce, cresce e vincula-se. Estes mesmos padrões coletivos desenvolvem sua individualidade, seu modo pessoal de agir, seus sonhos, aspirações e eventuais realizações (MERRIAM; CAFFARELLA; BAUMGARTNER, 2007). Assim, a dimensão cultural configura-se em um ambiente no qual os indivíduos de um grupo convivem, atuam e se comunicam coletiva ou individualmente.
Para Merriam, Caffarella e Baumgartner (2007), um ambiente cultural refere-se a processos e estruturas pessoais de uma determinada sociedade que podem gerar uma aprendizagem sobre sua cultura e história ao longo do tempo. As experiências são transmitidas por meio de vias simbólicas a gerações futuras, como um ser social que age culturalmente apoiado sobre os fundamentos que amparam determinada cultura. A construção de significados não se relaciona apenas ao fato de pessoas de diversas culturas atribuírem valores diferentes ao ambiente, mas também às experiências pessoais, por meio das quais os indivíduos conhecem e constroem a realidade e aprendem a partir da própria vivência (RIBEIRO; CAVASSAN, 2013).
Essa dimensão pode ser considerada como um elemento que interfere na aprendizagem, pois determina a maneira como as pessoas agem dentro de um determinado contexto social formado por um sistema de crenças, valores e atitudes que servem como balizadores do comportamento humano (SILVA, 2008). A consciência de sua existência social, o modo de sentir e pensar os fenômenos, de vivenciar as aspirações, os possíveis êxitos e eventuais insucessos molda-se segundo ideias e hábitos particulares relacionados ao contexto social dos sujeitos.
Cada indivíduo constrói e reconstrói seu mundo interior por meio da relação com o exterior em um processo contínuo, ou seja, cada sujeito cria suas próprias relações de interesse e, assim, seu próprio ambiente. Ao se atribuir identidade aos elementos que os
cercam, os sujeitos assumem significados particulares e sentidos distintos. Isso implica dizer que, na medida em conhecem melhor os elementos a sua volta, passam a partir de sua vivência a experienciá-los (RIBEIRO; CAVASSAN, 2013).
Os objetos, fenômenos ou situações referentes ao ambiente físico ou social que os sujeitos experienciam podem ser percebidos pelos mesmos de formas diferentes, por exemplo, um indivíduo que mora há pouco tempo em um bairro pode vê-lo como um simples conglomerado de prédios e casas, mas outro sujeito que mora nesse mesmo local desde criança e experienciou momentos prazerosos em sua infância, enxerga-o e o valoriza-o de maneira distinta do outro (RIBEIRO; CAVASSAN, 2013). Logo, os significados individuais experienciados por cada sujeito influenciam na forma como estes se relacionam com o ambiente, uma vez que envolvem os sentimentos e a singularidade de cada indivíduo inserido no contexto.
Os sujeitos que integram o mesmo ambiente de aprendizagem são susceptíveis de percebê-los e de se comportar de formas diferentes, ao depender de suas expectativas a priori sobre ele (KONINGS et al., 2008). Assim, diferentes indivíduos podem experimentar o mesmo ambiente de aprendizagem de forma bastante diferente e, nesse sentido, habitarem mundos diferentes (DAY, 2009).
O aprendizado ocorre naturalmente por meio do contexto de vida dos indivíduos, uma vez que aprendizagem, experiências e ambiente são elementos presentes no contexto social. Também se destacam as relações culturais imersas na dimensão social, que podem facilitar ou inviabilizar a aquisição de conhecimentos e a troca de experiências em um determinado ambiente de aprendizagem socialmente constituído (MERRIAM; BROCKETT, 2007).
O contexto social, no qual os profissionais então imersos, tem exigido dos sujeitos cada vez mais participação ativa em sua aprendizagem e, frequentemente, a busca por informações em tempo real de forma dinâmica, por meio do uso de recursos tecnológicos (DORMAN; FISHER; WALDRIP, 2006), os quais podem contribuir positivamente ou de forma negativa na interação social e no aprendizado dos sujeitos seja no ambiente físico ou virtual.