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Quanto ao nível de relacionamento de Tiãozinho com outros empresários, sua filha Juliana comentou:

Meu pai sempre se encontrou com grandes empresários da cidade. São empresários da construção civil, do ramo de hotelaria, donos de postos de gasolina. Eles jogam bola juntos, saem pra se divertir, e conversam muito sobre negócios. Trocam realmente muitas ideias. Meu pai dá e recebe conselhos a respeito de negociação, estratégia de venda e coisas desse tipo.

Essa troca de experiências permite a cada partícipe aprimorar suas resoluções gerenciais e operacionais, em função dos exemplos trazidos à baila. Esses momentos são tão importantes para eles, que alguns possuem dia e local fixos, tornando-se um compromisso mutuamente assumido, apesar de descontraído, informal, e realizado em locais públicos como bares, restaurantes, campos de futebol, ou na residência de algum deles.

Tiãozinho se orgulha em ter em sua lista de amizade ilustres políticos, intelectuais, artistas e empresários, e afirma ser merecedor disso devido a seu interesse por vários assuntos, por ser um pesquisador:

“Dá uns conselhos pra minha mulher, conversa com ela aí, pô... Ela brigou comigo, e falou, e me xingou (…)” (Como se alguém pedisse sua ajuda). E eu fui buscar recursos, pra conversar (…), pra falar: “Pô, ele é um cara muito legal...”. Aí eu vou fazer uma pesquisa sobre você. Entendeu? Eu vejo a vida dessa forma. Aí eu resolvi fazer uma pesquisa sobre você: quem é você, como é que era..., e na minha opinião tentar alcançar o que é que eu vejo em você, que pode trazer um resultado futuro com ela (…), que ela tá jogando fora (…). Mas o que é que me fez sacar isso? Foi a pluralidade da minha convivência (…). Sempre gente mais velha... Sempre gente mais velha do que eu... Agora hoje tá duro , porque, em qualquer roda que eu vou, eu é 72

que sou o mais velho (risos)! Mas eu sempre andei com gente que lia, que gostava de ler, que falava bem, gente que se expressava bem, gente que conhecia e tal. E eu sempre tive uma ligação muito grande pela língua, embora eu não conheça... É... eu estudo, e eu cheguei até a faculdade..., mas foi tudo assim..., é... tudo fragmentado..., fazendo provas ali de... artigo 99, natureza, supletivo, não sei o quê..., depois a faculdade (…), mas tudo fragmentado. Agora..., muita leitura por trás disso.

Também gosta de manter relações de amizade com músicos renomados e talentosos, como o próprio Marcelo Barbosa, que é um de seus amigos íntimos e confidente, e conversar sobre música, chegando mesmo a declarar que a “música para mim é tudo!”. Sobre ser músico, e ter amigos que não são, declara:

Eu acho que esse caras convidam a gente também..., e..., pô..., nos servem super bem..., são amigos da gente..., amigos mesmo, pra valer! Então você pegar um violão, e tocar uma música (…). Todo mundo gosta de cantar. Só que ele e a mulher dele..., e a filha dele, cantam bem (…) Então, pô..., não tem problema pra mim pegar um violão e tocar (…) Eu toquei na zona , eu 73

toco de tudo..., tudo!

Tiãozinho defende a ideia de que o artista profissional deve sempre alegrar as pessoas,

Difícil.

especialmente os amigos, com sua arte, pois isso representa um comportamento diferenciado em relação aos amadores, mesmo os talentosos. Ele acha que as pessoas esperam tal gentileza dos músicos, quando convida-os a um evento íntimo, e não considera essas pequenas apresentações como trabalho.

Ele se considera uma pessoa, e não somente um músico, polivalente, capaz de transitar por assuntos intelectualizados e/ou vulgares com propriedade, dependendo da situação. E acredita ser capaz de identificar a maneira adequada de se portar nos diferentes ambientes sociais que frequenta. Sobre isso, cita um amigo que também tem esse perfil:

Esse cara tem coisas que eu...não acredito, cara... Ele tem tudo do

Coltrane , que você pensar... E ao mesmo tempo ele canta aquelas moda 74

rasgada, de sertanejo... e canta com o peito! Ele bota o peito, e faz assim! Igual a um pombo! Bicho, eu sou fã...:“Telefone mudo não pode parar!”. Muita sinceridade, cara!

!

E se julga uma pessoa capaz de se dedicar, e obter êxito, a qualquer atividade que se proponha a fazer:

A diferença entre mim e alguns outros músicos, é porque... eu tenho um olhar pra tudo..., que ele acaba por exemplo convergindo pra algo que eu faço, que é a música... era o conjunto. Esse meu olhar, que eu tô olhando tudo aqui: o prédio, a moça que tá vindo lá de laranja, e tá descendo aqui, eu acabo..., o resultado final... é pra trazer pra música, não é pra trazer..., não é um projeto. Acaba vindo pra música, que é o que eu tô mexendo. Se eu tivesse mexendo com uma sapataria, seria uma sapataria. Mas eu tenho um olhar..., e acho que o grande diferencial do meu comportamento é esse olhar. Sobre ser empresário, ele diz nunca ter projetado nada a esse respeito, antes do cantor Joãozinho o convidar para ser sócio na banda Tom Maior, como já mencionado. Da mesma forma, declarou que em nenhum momento visou o lado financeiro do negócio, e que a única coisa que lhe interessava era prestar um bom serviço musical, diferenciando-se pela qualidade, e que toda a estrutura que a empresa tinha, era unicamente para atender à banda

Squema Seis, ou ao Terminal Zero , nunca pensando em alugar seu equipamento de som ou 75

luz, mesmo em dias em que o conjunto não tocasse:

Há dezoito anos atrás, a empresa já chegou a ter três milhões e oitocentos

Compositor e saxofonista de jazz.

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Segunda banda em grau de importância da Brasília Sequema Seis Ltda, a qual ele pouco fez referência nas

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mil reais parados em uma conta bancária. Nós já tínhamos imóveis, caminhão, som, luz, carros, e esse dinheiro ficou parado no banco. Há dezoito anos! Eu nunca fui investidor... Se eu tivesse tido uma assessoria... Hoje tem pessoas que dão assessoria para você aplicar, mas.... eu nunca quis saber disso... Eu só pensava em comprar novos equipamentos..., em como a banda podia ser melhorada...

Relativamente ao seu senso de pertencimento identitário, sobre se considerar músico, empresário, ou uma mistura de ambos, Tiãozinho diz nunca ter pensado no assunto, o que é explicitado em seu depoimento: “Eu não sei se sou músico, se sou empresário... Na verdade eu não sei o que eu sou.” E finaliza com muito bom humor: “Acho que eu não existo.... Não sou porra nenhuma! (Muitos risos)”. Contudo, em vários momentos de sua fala ele se declara músico, ocupação essa realizada de forma natural desde sua juventude, e secundariamente empresário, devido a necessidade de prover, fato esse corroborado por ser ele um empreendedor apenas do mercado musical, não se interessando por outros tipos de negócio . 76

Apesar de possuir uma imobiliária, esta se destina apenas a administrar o aluguel de seus imóveis que,

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segundo ele, não são investimentos propriamente ditos, apenas uma aplicação financeira para o excedente dos lucros da Brasília Squema Seis Ltda, oferecendo retornos monetários pouco maiores que a caderneta de poupança. Além do mais os aluguéis são sua única fonte de renda atual, assim como a de Valma, sendo uma