5.3 Vegetasjon
5.3.3 Vegetasjonen i økosystemet
A teoria francesa nos Estados Unidos, o que estamos chamando aqui de
“desconstrução”, nunca de fato existiu como um corpo teórico unificado. Ela foi um dragão
inventado. Porém, por de trás desse dragão inventado havia uma realidade bastante complexa:
“A descontextualização é antes de tudo uma questão de territórios disciplinares: a teoria
francesa entra nos Estados Unidos pelos departamentos de literatura” (CUSSET, 2008, p.79). Do ponto de vista geográfico e político, as universidades americanas são bastante suscetíveis a formação de clubes e seitas teóricas. Lá um nome pode ganhar fama pelos bastidores, como no caso de Derrida e Foucault, cujas frases poderiam ser evocadas como que por mágica ao mesmo tempo em que poderiam ser esquecidas e anuladas na mesma rapidez. Essa organização acadêmica é bem receptiva a um número considerável de acadêmicos com queda por aparecer: com muita frequência, ideias e conceitos, ainda provisórios e imaturos, foram lançados ao público como buquês de flores. Nas palavras do valete da desconstrução Paul de Man:
Deparei-me consciente com “desconstrução” pela primeira vez nos escritos de Derrida, o que significa que ela está associada a uma força de rigor inventivo que não reivindico, mas que certamente não desejo apagar. A desconstrução, como era facilmente previsível, foi muito mal interpretada, rejeitada como um inofensivo jogo acadêmico ou denunciada como uma arma terrorista, e tenho pouquíssimas ilusões de combater essas aberrações (1989, p. 12).
Mesmo que não exista um corpus teórico bem definido que possamos chamar de teoria
A questão é: o que é a desconstrução nesse cenário? O que quero dizer é que devemos ver a desconstrução menos como uma qualidade inerente a certos tipos de escritos produzido originalmente na França e depois transposto para as terras americanas do que como várias maneiras novas de se relacionar com a leitura e a escrita que surgiram na metade para o fim do último século. Não seria, realmente, um trabalho fácil, entre tudo o que se escreveu e se chamou de desconstrução, encontrar um conjunto constante de características inerentes. Seria ainda mais difícil isolar uma única característica todos os tipos de jogos de escrita construídos. Não existe uma essência da desconstrução. A desconstrução não possui uma caixa-preta que poderia ser encontrada e que revelaria todos os seus segredos. Aparentemente, qualquer coisa
possuidora de sentido poderia ser “desconstruída”. Se olho para os horários de voos de avião
no painel do aeroporto, não para apenas saber o horário do meu voo, mas para estimular minhas reflexões sobre a velocidade e complexidade da vida contemporânea, então poder-se-ia dizer que estou desconstruindo esse painel de horários. A desconstrução no cenário americano
sobretudo, surge em um campo cultural americano onde na época se confrontam a austeridade elitista do “modernismo”, acusado de cristalizar a vida nos museus e nas bibliotecas, e as experiências libertadoras daquilo que ainda não é chamado de “pós- modernismo”, uma cultura fundamentalmente experimental, que não tem nem território próprio nem barreiras disciplinares (CUSSET, 2008, p.71).
O que temos que entender é que vez que a noção de erudição, de clássico, de tradicional, foi questionada, o que se seguiu foi que uma série de construções significativas puderam receber atenção: piadas, slogans, refrãos de músicas pops, manchetes de jornal – muita coisa que não era antes considerada literatura passou a ser incorporada. No entanto, isso teve uma consequência devastadora: isso significou que tivemos que abandonar de uma vez por todas a ilusão de o sentido das obras clássicas, filosóficas ou literárias, serem algo objetivo, no sentido de ser eterno e imutável. Qualquer coisa pode ser incorporada em nossos discursos teóricos e qualquer coisa considerada fundamental e inalterável pode deixar de sê-lo a qualquer momento. Uma passagem de ônibus pode ser lida como arte e um clássico da literatura pode ser ignorado. Nossas referências teóricas e nosso objeto de estudo não são mais uma entidade estável e bem definida. As propriedades comuns que faziam uma coleção de obras ter um valor real e inalterável foram postos em dúvida.
A citação entra assim em um espaço de flutuação, em uma zona transdiscursiva atravessada por nomes próprios e conceitos voláteis, onde pode escapar tanto ao citado como ao citante, onde o empréstimo francês e o acréscimo americano se tornam indistintos (CUSSET, 2008, p.91).
Se a desconstrução não pode ser vista como uma categoria objetiva e descritiva, também não podemos apenas afirmar que ela é aquilo que, caprichosamente, queremos chamar de
“desconstrução”. Isso porque sua consolidação tem raízes em um contexto cultural tão evidente
e sólido do que a sede da Zero Hora em noites de protestos em Porto Alegre. É disso que trata o livro de Cusset. Ele nos mostra que a teoria francesa não existe da mesma forma que existem os rinocerontes, mas também que suas ideias possuem uma estreita relação de poder com um contexto social bastante específico.
Estamos vendo desde o começo desse capítulo, com a ajuda do livro de Cusset, como a desconstrução denunciou as oposições binárias, com quais o pensamento ocidental sempre trabalhou e que teve seu auge no estruturalismo francês, como uma maneira típica de organizar a sociedade da época. Na explicação de Derrida:
Para que esses valores contrários (bem/mal, verdadeiro/falso, essência/aparência, dentro/fora, etc.) possam se opor é preciso que cada um dos termos seja simplesmente exterior ao outro, isto é, que uma das oposições (dentro/fora) seja desde logo creditada como matriz de toda oposição possível (1997, p.50).
Isso resultava em fronteiras bastante rígidas entre o que é aceitável e o que não, entre o que é claro e o que é obscuro, entre a verdade e a falsidade, entre o normalizado e o excêntrico, entre o superficial e o profundo, entre o racional e o louco. Esse pensamento, que era chamado de metafísico, não pode ser simplesmente trocado por outro. Não podemos simplesmente criar uma ponte que passe por cima do metafísico para chegarmos até a terra prometida ultrametafísica. O que podemos fazer – e foi isso que os teóricos americanos fizeram – revelar
nos textos (sejam literários ou filosóficos) através de determinada maneira de “ler” e operar
neles, um pouco dessas oposições e mostra como um termo que se destaca possui sempre um oposto escondido. Uma parte da desconstrução nos EUA delimitou-se em trabalhar com textos e a mostrar neles essas oposições binárias, expondo essa lógica para o público. Uma das formas de fazer isto é tomar um fragmento aparentemente sem importância de uma obra (uma nota de rodapé, um termo qualquer repedido diversas vezes, uma alusão casual) e trabalhar nele insistentemente até que desse pequeno trecho se chegue até as oposições que governam o texto como um todo. Essa é uma busca obcecada por detalhes insignificantes que podem perturbar e trair toda a ordem do texto. Esse “método” desconstrutivista visa mostrar como as próprias palavras de um texto podem implodir o seu sistema dominante. Os desconstrutivistas fazem isso tomando aquilo que Paul de Man chama de “tropos” (1989, p. 37), isto é, aporias sintomáticas, impasses do significado, nos quais um texto deixa de fluir levemente e se abrem contradições.
Essa preocupação com a alienação e com a renovação da linguagem na sociedade de massa, com a reflexão de sua dignidade que havia sido roubada pelo comércio e pela publicidade, acabou aproximando os teóricos americanos dos departamentos de literatura da filosofia francesa pós-estruturalista. Isso significou romper com a ideia de que se escrevia para alguém e sobre um tema específico e fazer da própria linguagem e seu jogo o objeto de estudo. Dessa forma, ao contrário da visão tradicional da escrita, escrever passou a ser vistos como algo que não possuía uma finalidade específica, nem um tópico específico. Escrever era um fim e uma paixão em si mesmo. Se a história perdeu sua teleologia e parece caótica e confusa, se as coisas e os acontecimentos do mundo passaram a ser visto como despossuídos de sentido por si só e se as palavras passaram a servir de instrumento para uma ordem social, a resposta dos desconstrutivistas americanos em um primeiro momento foi isolar tudo isso, ignorar o referente, jogar fora os objetos clássicos da escrita e colocar as próprias palavras em seu lugar. Era um tipo de rebeldia que dizia que agora passaríamos a jogar conforme as nossas próprias regras.
Assim a escrita passou a girar sobre si mesma, num tipo de dança narcisista, sempre culpada e consciente da própria inutilidade. A mesmo tempo cúmplice e inimiga daqueles que a rebaixaram a mera mercadoria, a escrita – assim com a leitura que desconstrói – passou a ser
o último espaço não “colonizado”, lugar da percepção de toda a contaminação de significado
do mundo social, no qual o intelectual americano pôde agir como um santo do significado, completamente indiferente ao que acontecia nas ruas e nos guetos fora dos campis. Nessa escrita da desconstrução, a tirania do significado estrutural poderia ser rompida por alguns momentos, deixando entrar um pouco de ar puro. Agora o sujeito escritor e leitor poderia ser libertado da camisa de força de uma identidade única, transformando seu “eu” em algo híbrido e diluído, numa performance cultural, como queria Butler. O resultado foi uma avalanche de textos e estudos queer, feministas e descolonizados.
O cenário político em que os textos franceses foram recebidos pelos americanos também é bastante peculiar: toda uma convulsão social abalava as raízes políticas da academia. O movimento estudantil cada vez mais golpeava o autoritarismo das instituições acadêmicas. No entanto, incapazes de produzir lideranças políticas coerentes, mergulhados em uma confusão entre anarquismo, stalinismo, socialismo e feminismo radical, esses estudantes dispersaram textos pelos campi sem um foco político. O livro Filosofia Francesa tem o mérito de mostrar como a desconstrução nos Estados Unidos foi produto dessa euforia e decepção. Ela foi libertação e dissipação, carnaval e catástrofe. Incapaz de romper com o poder do Capital e do Estado, a desconstrução americana viu como alternativa subverter as estruturas da linguagem.
A vantagem dessa postura é que nenhum policial irá nos golpear na cabeça quando jogamos com a polaridades de uma peça de Shakespeare.
Será, portanto, à margem dessas funções de autoridade que ocorrerão os encontros mais decisivos, entre o estudante e o texto teórico, no sentido de uma outra relação com o texto, mais próxima do mecanismo de encantamento, tal como analisava Max Weber (CUSSET, 2008, p.206).
O Estado americano foi competente em varrer a revolta estudantil das ruas e conduzi-la até os textos. Agora o inimigo não era mais alguém que vestia uma cartola e fumava um charuto atrás de uma mesa em um escritório bem decorado em Wall Street, pois a revolta era dirigida contra todo um sistema de crenças, que garantiam as estruturas da sociedade como um todo. Todo pensamento minimante sistemático passou a ser visto com desconfiança, como algo que flertava com o fascismo. A ação política – voltaremos a política da desconstrução mais adiante no capítulo – passou a ser um tipo de jogo erótico: um gesto anarquista libidinal e espontâneo. Os movimentos políticos procuraram desenvolver alternativas libertárias e descentralizadas, rejeitando as teorias sistemáticas tradicionais de esquerda como sendo colonizadoras e falocentricas.
A teoria francesa parece essas receitas em fitas cassetes para torna-lo milionário do dia para a noite: adquira poder denunciando o poder! Seja um mestre do universo! Chame esse número em Paris imediatamente! (PAGLIA, apud CUSSET, 2008, p.102).
Esses estudantes denunciavam o poder como algo que estava em toda parte. Ele era uma força volátil e fluída que se estendia por todos os cantos da sociedade, mas que não tinha nenhum centro. A superestrutura não poderia ser atacada porque, na verdade, não havia mais nenhuma superestrutura. Isso gerou uma liberdade de se intervir na vida social e política em qualquer ponto ou momento que se desejasse. As intervenções urbanas e os pequenos protestos se tornaram rotina.
O livro Filosofia Francesa também mostra como, enquanto isso na França, essas ideias se tornaram rapidamente passé. Lá podemos acompanhar toda uma volta do humanismo e o ressurgimento dos grandes conceitos (CUSSET, 2008, p.276) enquanto Derrida estava cada vez mais presente na América. O que aconteceu foi que na América a desconstrução foi alimentada por um sentimento de derrota e desilusão política bem específico: a dificuldade de encontrar um inimigo para o ocupar o lugar do Estado armado e repressivo da fase moderna do capitalismo. A desconstrução americana, ainda, se tornou uma forma bastante convincente de fugir das questões políticas que indicavam para alguma totalidade política. Os americanos leram Derrida como alguém que lançou sérias dúvidas sobre as noções tradicionais de verdade,
representação, realidade, significado e conhecimento. Tudo isso foi denunciado porque se baseava numa concepção ingênua de linguagem. Para os descostrutivistas americanos tudo era mais ou menos simples: se o significado era um produto frágil e passageiro das palavras e dos signos, sempre algo instável e oscilante, então como poderia haver qualquer coisa como uma verdade determinada? Se a realidade era construída por nossos discursos e nossas ideologias, e não iluminada por eles, como o foco pode ser a realidade e não nossa linguagem? Que critérios poderíamos ter para dizer que um discurso ou texto se aproximava mais da verdade e da realidade do que outro? Tudo se tornou literatura. Nas palavras de Paul de Man comentando a resistência que a teoria literária da desconstrução recebia:
Ela transforma ideologias enraizadas revelando a mecânica de seu funcionamento; vai contra a poderosa tradição filosófica de que a estética constitui parte proeminente, transtorna o cânone estabelecido das obras literárias e esbate os limites entre discursos literários e não-literário (1989, p.32).
Sua resistência se explicava, segundo Paul de Man, por uma resistência que temos da utilização da linguagem sobre a linguagem (1989, p.33). Se essas questões não eram as mesmas que inspiraram os teóricos franceses, isso não parece ter sido problema para os americanos e tais ideias se tornaram comuns em círculos acadêmicos americanos de esquerda. Houve todo um cenário em que se você aplicasse palavras como “verdade” e “realidade” dentro de certos círculos acadêmicos de esquerda, você corria o risco de ser chamado de “fascista” ou – o que era pior – de “metafísico”. O trabalho da ciência empírica passou a ser visto como o trabalho de alguém ingênuo que acreditava na noção nostálgica de uma verdade absoluta e tinha a convicção megalomaníaca de que poderia ver a realidade tal como ela é. O fato de não encontrarmos muitos cientistas e filósofos da ciência que correspondem a esse espantalho criado pelos literários americanos não parece que diminuiu a empolgação na defesa dessas ideias.
Dessa forma, a desconstrução americana atacava um modelo de ciência que estava mais próxima do modelo positivista do século XIX – que defendia um conhecimento puro dos fatos, isento de juízos de valor – do que da ciência real que se fazia na época. O alvo mirado pelos pós-estruturalistas americanos era um alvo fake, e o debate epistemológico não tinha nada a ganhar com essa caricatura grosseira. Além disso, dizer que não há boas razões para os usos absolutos de palavras como “verdade”, “certeza” e “realidade” não é o mesmo que dizer que essa palavras não possuem sentido e que podemos usá-las com sucesso algumas vezes.
É preciso explorar o potencial dramático, emocional e mesmo de afinidade da desconstrução. Assim, jovens discípulos, enlevados e ao mesmo tempo oportunistas, universalizarão as hipóteses da “desleitura criativa” e do “erro produtivo”: afirmarão
que todas as leituras são desleituras, que todo texto literário é alegoria de sua ilegibilidade (CUSSET, 2008, p.116).
Uma vantagem evidente desse gesto excêntrico – de afirmar que somos prisioneiros do jogo da linguagem e que não trabalhamos em nosso discurso com pretensões de verdade – é que podemos confrontarmo-nos com os mais diversos discursos sem corrermos o risco de termos que apresentar razões para nossas convicções. No final de contas, é uma postura invulnerável e o fato de ser filosoficamente vazia é só preço que temos que pagar pela nossa ironia espirituosa. Isso também nos livra da necessidade de assumirmos posições em questões clássicas e políticas importantes, pois seja lá o que falarmos sobre essas coisas, isso não será mais do que um produto gratuito e passageiro do significado, que não deve ser levado muito a sério. Outra vantagem desse tipo de estratégia retórica é que com ela podemos ser impiedosamente radicais com os discursos das outras pessoas, denunciando suas certezas como só mais um jogo de significados, sem nos comprometermos com nada, pois nada podemos afirmar como resposta. A desconstrução americana, no final das contas, é uma arma que dispara tiros de festim. Nesse cenário, faz sentido as seguintes questões lançadas por Harold Bloom:
O que significa quando alguém em busca de um novo negativo, ou melhor, quando um revisionista de um antigo negativo recorre, como seu tópico ou tema fundamental, à evasão de toda interpretação possível? (BLOOM, 1993. P. 195).
O famoso quarteto de Yale – composto por, além de Bloom, Paul de Man, J. Hillis, Geoffrey Hartman – que aplicaram a desconstrução em texto literários clássicos (CUSSET, 2008, p.112), procuraram demostrar como a linguagem literária clássica constantemente enfraquece o seu próprio significado. O que estava em jogo nesse departamento de literatura não era nada menos do que redefinir a própria essência da literatura. No mesmo contexto surge a figura polêmica do filósofo Richard Rorty defendendo que toda a linguagem filosófica é inevitavelmente metafórica, que opera por tropos e figuras e, com isso, denuncia o engano que seria uma linguagem totalmente literal na filosofia. Para Rorty, todas as áreas da filosofia funcionam por metáforas, tal como poemas, e, portanto, são tão ficcionais quanto como os poemas. O que acontece na história da filosofia, segundo esse autor, é essencialmente um desbotamento de certas metáforas que são substituídas por outras. O que há em comum tanto em Rorty e no quarteto de Yale é a compreensão da literatura como a área em que essa ambiguidade da linguagem é mais evidente, em que o leitor sempre se vê suspenso entre um significado literal e outro metafórico, sem poder nunca escolher entre um dos dois, e assim, suportando o abismo sem fundo do texto. No entanto, o texto literário tem a vantagem de
reconhecer a própria condição retórica e assim seria mais honesto que os demais discursos. Essa natureza irônica do texto literário – o fato de saber que o que diz é diferente daquilo que fazem e de trabalhar com estruturas figurativas – é o que Rorty pretendia transpor do texto literário para o texto filosófico, eliminando de vez as barreiras entre os dois. Para esse autor, a escrita filosófica seria tão figurativa e ambígua quanto a escrita literária, no entanto, ela procura se passar por verdade inquestionável, faltando-lhe a ironia da literatura. Para o quarteto de Yale – e mais fortemente em Paul de Man (1989, p.31) – esse caráter irônico na literatura é tão marcante que ela nem precisa do crítico para ser desconstruída, pois ela se desconstrói a si mesma.
Mas, como toda boa história, a invenção da teoria francesa pelos americanos tem outro lado. Enquanto os desconstrucionistas americanos acreditavam que seu empreendimento teórico era fiel ao espirito francês, os franceses não estavam tão convencidos disso. Derrida chegou a acusar o uso da desconstrução pelos americanos como um tipo de fechamento institucional que joga muito bem o jogo dos interesses políticos e econômicos dominantes na sociedade americana. Derrida estava muito longe de apenas pretender desenvolver nossas formas de leituras. Para ele, como veremos ainda, a desconstrução era uma questão de justiça, isto é, uma prática política que deveria tentar desvendar a lógica pela qual um sistema particular de pensamento e todo um sistema de instituições e estruturas políticas se mantém no poder e