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A conclusão que gostaria de chegar depois que tudo isso foi dito sobre a desconstrução

em Derrida e sobre sua recepção americana é que a desconstrução é menos um campo de investigação filosófico e um método do que um horizonte no qual vemos a nossa época. Podemos observar em todo esse cenário como os estudos teóricos foram cada vez mais aproximados das situações existenciais das pessoas e da vida contemporânea em toda a sua rica variedade, mesmo que seja rejeitando uma investigação conceitual estéril, preferindo, ao invés disso, o gosto e o sentimento de estar vivo de pessoas de carne e osso. Geralmente a história da filosofia supôs que o centro do mundo era um eu individual contemplativo, curvado sobre um livro e assim buscando entrar em contado com a história, a realidade e a verdade. É claro que essas coisas também são importantes. No entanto, o mérito dos textos da desconstrução, em seu foco na desleitura, foi justamente mostrar que somos sempre muito mais do que leitores. O indivíduo que estuda, que escreve e que lê está sempre em uma relação pessoal com os outros e com os sentidos do mundo. Bloom mostra isso com sua angústia da influência. A consciência desse fato se tornou a pedra de toque da desconstrução. Quanto mais ela se afastou da interioridade da vida teórica e se dirigiu às ruas, ao teatro, às galerias, ao cinema, aos bares, menos descolorida, mecânica e impessoal se tornou a sua existência teórica.

Comecei esse texto afirmando que a desconstrução não existe como um corpus teórico definido. O que isso significa? Costuma-se dizer que há duas maneiras pelas quais uma teoria, na filosofia, pode ser levada a sério e ter propósito e identidade. Trata-se do método de investigação ou do objeto específico que está sendo investigado. Já vimos como qualquer tentativa de definir a desconstrução em termos de o método utilizado vai sempre fracassar. Foram muitos os métodos e tipos de escrita utilizados pelos autores envolvidos. Muitos deles nada têm de significativos em comum. Metodologicamente falando, a desconstrução é um não- método.

Podemos passar para o objeto. Talvez a desconstrução seja qualquer coisa que pense um objeto chamado texto ou escritura. Se esse objeto for relativamente estável, saberemos sempre onde estamos quando falamos de desconstrução. No entanto, com tudo o que já mostramos aqui, é fácil pensar que o texto e a escritura não possuem essa estabilidade. A certeza do objeto, na desconstrução, é tão ilusória quanto a certeza do método.

Segue-se disso que devemos celebrar a pluralidade de métodos e objetos, adotando uma postura tolerante, quase ecumênica, e alegremo-nos com nossa liberdade de expressão quando nos compramos com à tirania que impera nas demais áreas da filosofia? Antes de ficarmos eufóricos, temos que ver que nem tudo aqui está tudo bem. Por mais generosos que pretendemos ser, a tentativa de combinarmos Derrida, dadaísmo, Kafka e fenomenologia é mais provável que nos leve a uma confusão teórica e a esgotamento nervoso do que a uma brilhante carreira filosófica. Os críticos que se orgulham do seu pluralismo metodológico só o fazem porque

grande parte dos seus métodos nunca chegarão, de fato, a serem “métodos”. Outros seguidores

da desconstrução gostam de trabalhar alheios aos métodos, através de palpites, vislumbres e intuições súbitas. Quanto esses teóricos, temos que agradecer por eles ainda se manterem longe de áreas como a medicina e a engenharia aeronáutica.

Pois, como vimos, o panóptico e simulacro tornaram-se ali personagens conceituais familiares; o significante flutuante ou o corpo sem órgãos, refrões culturais; e mesmo os nomes de Foucault e Derrida, patronímicos heróicos. É inclusive o que faz dessa aventura, mais do que um episódio banal da história cultural transatlântica, uma verdadeira prosopopéia – a história de conceitos, de autores, de textos e de procedimentos todos personificados, in situ, um após o outro (CUSSET, 2008, p.295).

De fato, esse parece ser o maior problema dos estudos da desconstrução: definir para si mesmo um objeto e um método específico, para além das diversas técnicas discursivas dominadas pelos autores. A abertura metodológica e a falta de objeto é tanta que se não tivermos nada de melhor para fazermos em uma festa, podemos sempre analisá-la do ponto de vista da desconstrução, desconstruindo seus estilos e gêneros, suas nuances significativas e mostrando

a sua estrutura de signos. Esse “texto” pode se mostrar tão rico quanto as obras de Shakespeare

desconstruídas por Bloom. A desconstrução não tem vergonha nenhuma em confessar que pode tratar tão bem de festas quanto de Shakespeare. Para ela, muitas coisas comuns são tão valiosas quanto aquilo que Bloom coloca no seu cânone ocidental. A exclusão dessas coisas corriqueiras aconteceria apenas por uma decisão arbitrária e autoritária da instituição acadêmica. Por trás dessa tese está a ideia difícil de ser provada de que Shakespeare não é grande literatura por si só, mas apenas porque a instituição assim o fez. Vamos chamar essa revisão dos clássicos feitas pela desconstrução de a morte de nossos pais textuais.

Abre-se, assim, uma zona de não-direito entre controladores de origem e proprietários futuros, uma zona toda de interstícios, ao abrigo da qual, longe dos guardiões da Obra, se produzirão textos: eles se inscreverão ao longo de certos percursos, tatuarão corpos, investirão práticas e reunirão comunidades inteiras (CUSSET, 2008, p.298).

Essa estratégia da desconstrução sempre correu o risco de perder qualquer sentido positivo e ficar apenas com a opção de abafar e sufocar seus adversários. E se assim a

desconstrução empurrou suas implicações para longe demais, ela mesmo começou a provocar o seu próprio desaparecimento.

O que quero fazer é defender que essa é a melhor coisa que poderia lhe acontecer. O final lógico de um processo que começou com o reconhecimento de que a estabilidade do sentido é uma ilusão só poderia ser admitir que o tempo todo ele mesmo foi só mais uma ilusão. Naturalmente não uma ilusão do tipo de que Cusset tenha inventado as pessoas sobre as quais falou em seu livro: Harold Bloom realmente existe e o mesmo acontece com Judith Butler. É uma ilusão no sentido de que foi apenas um fruto do ambiente político e das ideologias sociais da academia americana, sem qualquer unidade ou identidade que a caracterize positivamente. O livro Filosofia francesa é menos uma introdução à teoria francesa e mais um epitáfio que termina enterrando o objeto que pretendia reviver.

O problema foi que arrancando a base dos pés de seus adversários, a desconstrução arrancou também a de seus próprios pés. Grande parte dessa exuberância teórica está hoje quase que totalmente dispersa. Hoje parece voltar a predominar na filosofia uma tendência totalizante e na política estamos preocupados em questionar toda forma de vida em nome de alguma opção real e não em nome dos fantasmas da diferença. Isso apenas mostra como a desconstrução estava diretamente ligada com os radicalismos políticos da época. Os jovens das décadas de 70 e 80 também foram os herdeiros da cultura pop, aquilo que antes era pedido para ser esquecido assim que você fizesse a matrícula num curso de literatura ou filosofia. O que esses estudantes fizeram foi um ato vanguardista de romper as barreiras entre a arte acadêmica e a artes que se fazia nas ruas, e isso empolgou todos que, como um aprendiz de cozinheiro que prepara o próprio jantar, descobriram nisso tudo ligação teórica maravilhosa entre a sala de aula e tempo de lazer.

O que se deu com o passar do tempo não foi o fracasso desse projeto vanguardista, mas sim o fracasso das forças políticas que originalmente sustentaram esse projeto. Ao constatar que o sistema político era um pouco mais difícil de ser desconstruído do que as polaridades dos poemas de Rilke, o movimento estudantil foi obrigado a recuar. Como se isso não bastasse, o Todo-poderoso levou desse mundo Barthes, Derrida, Lacan e Foucault sem oferecer nenhuma alternativa à altura, provando de uma vez por todas que Deus não estava satisfeito com os rumos da desconstrução.

No entanto uma coisa precisa ser dita em favor da desconstrução. Se ela conseguiu ter todo esse prestígio, muito se deve a sua coragem de colocar questões fundamentais sobre as quais as pessoas queriam ouvir algumas respostas. Ela agiu como um terreno baldio em que eram arremessadas aquelas questões constrangedoramente vastas, vagas e imprecisas, que eram

descartadas facilmente pela vertente analítica. E a acusação de que sua escrita é obscura é só um jargão que pode ser levantado contra qualquer discurso por quem não está familiarizado com ele. O discurso especializado de um indivíduo vai sempre parecer obscuro para outro, como pode comprovar qualquer pessoa não familiarizada com discurso da mecânica quântica.

Uma batalha que talvez a desconstrução tenha vencido é com relação a hipótese de que não existe uma leitura neutra ou inocente de obras (de artes ou teóricas). A ingenuidade na pureza e na transparência do sentido também parece que foi vencida: hoje em dia restaram poucos formalistas de carteirinha. A desconstrução, mesmo com todo o seu exagero, nos mostrou a fragilidade e a incerteza dos cânones literários ocidentais e a sua dependência a uma estrutura de valor culturalmente específica, ao mesmo tempo que nos mostrou como grupos sociais foram injustamente excluídos deles. Assim deixamos de estar absolutamente seguros quanto ao ponto em que começa a cultura erudita e termina a cultura vulgar

O que se deu com o trabalho da desconstrução foi toda uma revisão de conceitos centrais do ocidente. Os mapas e as óticas de nossas definições clássicas foram alterados e redesenhados. O que até então era estável passou a ser visto como uma lembrança incerta. Tenho consciência das muitas objeções que podem ser levantadas contra a desconstrução. No entanto, gostaria de seguir adiante com a hipótese provisória de que a concepção que tínhamos desde a Grécia antiga de ser humano como animal linguístico sofreu uma série de desconstruções e hoje não nos serve mais. Enredados no vendaval e na turbulência das transformações sociais e políticas que estavam ocorrendo numa velocidade fantástica, toda uma revisão de termos clássicos para se pensar o ser humano foi feita. A “morte do homem” anunciada pelos teóricos da desconstrução é uma senha para se entender que muito daquilo que sabíamos sobre o conceito de ser humano terá que ser repensado. Pareceu correto para esses autores começar essa desconstrução do ser humano em seu centro nervoso que é a linguagem.

Os textos da desconstrução foi o mais próximo que chegamos na filosofia de uma negação total do semântico, de um niilismo do logos e uma anulação da convenção humana da escrita como comunicação. Eram textos que se colocavam num abismo de náusea ontológica, de desespero negador da vida e da proclamação do fim da linguagem objetiva. Essa crítica da linguagem foi radical e não visou apenas a filosofia e a literatura. A sociologia, a ciência política, a psicologia e demais artes também foram afetadas. Os desconstrutivistas não pretendiam deixar intocado nenhum aspecto da linguagem, que era entendia até então como o fundamento da nossa humanidade. A consequência dessa desestabilização do sentido, dessa falência da confiança elementar na palavra, revelaram-se, no campo político, mais definitivas do que as manifestações políticas de rua e as crises econômicas que marcavam a época. Só hoje,

depois da poeira baixar, e ainda de forma confusa, podemos começar a entender essa nova paisagem que emerge.

Talvez seja cedo demais para avaliarmos o impacto da desconstrução e do pós- estruturalismo sobre como o ocidente percebe a comunicação verbal e escrita. Em nossa forma atual de escrever, alguns recursos linguísticos, como o trocadilho, a piada, a inversão metafórica de uma intenção ou o recurso à ambiguidade, são filhos da desconstrução. Seja qual for o futuro incerto dessa forma de escrever, uma volta até uma linguagem pré-desconstrução, uma linguagem totalmente transparente e segura de si, parece descartada.

O que estou defendendo nesse capítulo é que, apesar de todos os exageros dos grandes gestos exagerados da desconstrução, ela conseguiu colocar uma forte sombra na concepção do ser humano como um animal da linguagem e na convicção de que sua singularidade e grandeza está nessa sua condição linguística. O que estou sugerindo é que esse movimento profundamente trágico feito pelos advogados do obscurantismo representou um deslocamento sísmico na forma que vemos a linguagem e o ser humano. Acredito também que esse deslocamento e essa rebeldia inconsequente contra a palavra sejam os mais importantes e influentes dos últimos anos. É quase impossível não olhar para todo esse cenário e não perguntar: o que vem depois?

Mudança de época. Uma mudança que essa aventura americana simultânea à teoria francesa permitirá assim reexaminar para talvez extrair daí algumas perspectivas de futuro. O giro por esse falacioso caminho americano, pela modéstia história desses divulgadores e tradutores de campus também nos fala a contrário dessa “paisagem intelectual francesa” que sociólogos e jornalistas descrevem hoje como campos de ruínas (CUSSET, 2008, p.21).

O que vem depois da desconstrução? Difícil respondermos essa pergunta com toda a certeza. Ainda estamos muito próximos da gênese e do desdobramento da desconstrução e por demais envolvidos em seu velório turbulento da linguagem. Porém, algumas fraturas e certas erosões na consciência social e na sensibilidade estética são bastante visíveis. Algumas coisas podemos conjecturar. Claro que não é fácil avaliar toda essa diminuição do peso milenar de um sistema logocêntrico sobre a mentalidade coletiva e individual. É evidente que todo aquele peso do falocentrismo que pesa nas leis, na educação, no discurso político e na filosofia foi apenas aliviado e não totalmente desconstruído. Toda a vida ocidental foi organizada ao redor do poder das palavras faladas. Foram relações de poder que se dava em razão de uma confiança intocável no potencial de verdade da palavra. Essa confiança legitimou a nossa história, o nosso conhecimento, nossa moral, nossa política, etc. O que virá depois do abalo dessa segurança não é uma questão fácil de ser respondida.

Muito do que venho tentando defender aqui é que a desconstrução significou o fim de um conceito de linguagem e de ser humano que havia prevalecido na antiguidade desde o ocidente. O ideal da imortalidade e da completude, fundamental desde sempre para as pretensões artísticas e intelectuais do ocidente, passou a ser visto apenas como um ideal ingênuo, e nada mais do que isso. A completude não parecia ser mais um objetivo nobre. A desconstrução e seus representantes reduziram esse ideal a uma simples tática retórica. É difícil pensarmos que podemos voltar a um estágio anterior a desconstrução. Suas rupturas foram radicais demais. O teológico foi derrotado e o transcendental foi dissolvido. Não é coincidência que muita coisa que hoje nos aguça nossos interesses na academia e nas galerias ilustre as rupturas da desconstrução. São rupturas que o nosso trabalho teórico não pode mais honestamente ignorar.

A história movimentada, retocada às vezes aqui e ali, desses erros providenciais, dessas traições criativas, ou mesmo performativas, ainda está por ser escrita. Vasto canteiro no qual podem ser descobertas as virtudes políticas, e não apenas culturais, de misturas e de reapropriações, cujos exemplos históricos são incontáveis (CUSSET, 2008, p.297).

As mudanças foram drásticas em esferas sempre tão essenciais para a tradição: na memória, na escrita, na leitura, na narrativa de nossas vidas e na representação das coisas do mundo. Claro que toda essa desumanização da linguagem ainda é recente demais para nos permitir um exame confiável. O livro da desconstrução pode ter sido encerrado, mas seu posfácio ainda está sendo escrito pela nossa geração. Ela ainda é o nosso vasto canteiro.

Esse capítulo foi em grande parte o desenvolvimento de uma tese central. Acredito que a concepção do ser humano como um ser de logos, que sempre impulsionou o ocidente desde sua origem judaico-cristã, vem sofrendo uma modificação radical que teve seu momento de mais destaque com o movimento da desconstrução. Em algum momento o nonsense da desconstrução alcançou cada um de nós. Então somos hoje um planeta sem sentido. É possível que todas as mitologias, todos os sistemas filosóficos e todas as narrativas artísticas tenham sido muitas uma tentativa elaborada de lidar com essa falta de um sentido fundamental. Elas seriam como que uma casa em que poderíamos nos abrigar para suportar mais a dor de nossa finitude, podemos vislumbrar alguma compreensão, esperança ou consolo. Hoje não temos mais essa casa.

Porém essa falta de um sentido original pode ser justamente a condição de nossos discursos teóricos, de nossas novas ontologias, de nossas artes, músicas e literaturas. Esses tipos de criações continuam sendo formas de articularmos nossa falta de sentido primordial. Já há algum tempo que a consciência de nossa finitude e de nossa fragilidade é um jogador essencial

de nossos discursos filosóficos. Mais do que isso: houve como que todo um deslocamento na base de nossa cultura e de nosso vocabulário, que nos conduziu até a uma nova codificação da vida, que opera com o descartável e o efêmero e vê com suspeita todo o tropo de imortalidade que ainda se insinue na arte ou no pensamento humano. Hoje até o mais carismático dos filósofos e o mais dramático dos poetas consideraram embaraçosas, senão totalmente ridículas, as reinvindicações a perenidade e a totalidade que durante o idealismo alemão causava clamor entre os intelectuais. A imanência venceu. Quando perguntamos o que virá depois da desconstrução estamos também perguntando o que faremos com essa nossa condição de desligados do sentido absoluto. Começaremos a responder e a dar conta do duelo com a finitude e com a falta de sentido, que hoje permanece no coração dos trabalhos filosóficos, no capítulo seguinte usando o neo-pragmatismo irônico de Richard Rorty.

Nossa linguagem nos conduz sistematicamente a equívocos e nenhum conceito é capaz de definir nada de uma vez por todas. Partindo dessas ideias, Rorty vai jogar com a imprecisão da linguagem e defender uma linguagem pragmática, que só seria honesta consigo mesma e com os que a utilizam quando se dirige e atende as nossas necessidades mundanas. Para Rorty, sempre que tentamos usar a linguagem para tratar do não-tautológico ou do não pragmático, inevitavelmente cairemos em falsidades e confusões. É um pouco nessa direção que iremos mostrar como Rorty vai afrouxar as fronteiras entre filosofia e literatura.

Nós, portanto, viemos depois da desconstrução. Hoje nós sabemos que uma pessoa pode ler Kant ou Nietzsche antes de dormir e depois acordar para cumprir sua rotina de trabalho em Auschwitz pela manhã. “Nós viemos depois” – essa é a nossa posição que temos que assumir com toda a lucidez. Nós escrevemos depois de toda uma ruína sem precedentes de valores morais, políticos, teóricos e estéticos resultada da irresponsabilidade dos autores da desconstrução. Depois da teoria francesa, essa ruína precisa ser o ponto de partida para qualquer reflexão filosófica séria. A filosofia lida constantemente com o humano e com a imagem e com a conduta do ser humano. Porém, hoje não podemos mais agir, seja como quem se ocupa com filosofia ou como simples seres racionais, como se nada de vital não tivesse acontecido em nossa concepção de humano e de linguagem no final do último século. O que a desconstrução infligiu a linguagem e ao ser humano, em época muito recente, afetou radicalmente a matéria básica que coloca a questão do modo de ser do homem.

Não estou defendendo que devemos abandonar nossas referências clássicas. Não parece que essa é uma opção quando nos ocupamos de filosofia. Estou dizendo que devemos reconhecer que em nossa atual cultura o que entendíamos por clássico e canônico passa por uma difícil e limitada sobrevivência. Principalmente estou dizendo que o reconhecimento disso

pode nos levar a ter que procurar por novas coordenadas de referências culturais e teóricas que toquem mais diretamente em pontos fundamentais de nossas vidas, em nossa atual maneira de ser e agir. E isso não tem nada a ver com a defesa de uma pesquisa que trabalhe apenas com