6 Resultater
6.2 Varmelaster
A partir dos principais temas debatidos na literatura (CARREIRA, PINTO, 2011; TIKLY, 2010; RIVKIN, HANUSHEK, KAIN, 2005), em relatórios internacionais da Unesco (2005; 2014) e em documento elaborado sob coordenação conjunta da Ação Educativa, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e do INEP (AÇÃO EDUCATIVA et al, 2004) foram estabelecidas as seguintes categorias de análise:
1. Ambiente educativo/clima organizacional; 2. Prática pedagógica;
3. Avaliação do estudante; 4. Gestão escolar;
5. Formação e condições de trabalho dos docentes;
6. Ambiente físico escolar (infraestrutura e recursos escolares). Cumpre informar que os itens-resposta de uma das questões de múltipla escolha aplicada (questão 5 aplicada aos alunos; questão 8, aos docentes e coordenação pedagógica e questão 2, à direção), referente ao que precisa ser feito para melhorar a qualidade do Ensino
Médio na escola, foram elaborados com base na coleção Indicadores da Qualidade na Educação (AÇÃO EDUCATIVA, 2004).
Salienta-se que, a princípio as categorias analisadas restringir-se-iam ao âmbito intraescolar, de governabilidade da direção da escola e de sua equipe. Porém, com a aplicação da pesquisa, surgiu a necessidade de se acrescentar na análise duas categorias: “Políticas Públicas” e “Família”. A primeira pelas condições legais impostas pelos poderes governamentais distrital e federal sobre as unidades escolares. A segunda que, inicialmente, seria apontada apenas na contextualização do aluno, acabou sendo incorporada na análise por ter sido destacada por diversos profissionais como importante fator que influi no sucesso escolar do estudante. O que vai ao encontro de análises realizadas por autores e organismos internacionais (UNESCO, 2005 e 2014; TIKLY, 2010).
Como critério para interpretação dos dados foi realizada análise de conteúdo com base na literatura de Franco (2003) e Bardin (2010), e contrastada as informações obtidas com as características identificadas no referencial teórico.
Ressalta-se que o presente estudo não tem o intuito de avaliar o sistema educacional posto, a ideologia defendida, suas fragilidades ou contradições, mas analisar os principais desafios vivenciados na prática por aqueles que implementam a política educacional no País. Desafios esses enfrentados por quem desempenha o papel de diretor, coordenador pedagógico, docente e estudante.
Dessa forma, o estudo tem como pressupostos:
a) A qualidade medida por avaliação externa, como o ENEM, não corresponde necessariamente à qualidade almejada pelos implementadores;
b) A burocracia de base possui papel fundamental não apenas na implementação de um Ensino Médio de melhor qualidade como também nas etapas de elaboração e avaliação da política pública educacional.
Participantes da pesquisa Escola A
Ao todo participaram da pesquisa na escola A: 1 dirigente, 2 coordenadores pedagógicos, 13 docentes e 339 estudantes.
No tocante ao público docente da escola A, cabe informar que parte ofereceu resistência em responder ao questionário aplicado. De um total de 30 docentes que atuam em sala de aula, 13 responderam à pesquisa, o que corresponde a 43% da população local em
regência de classe. Em relação ao turno, colaboraram seis professores do período matutino (2º e 3º anos) e sete do vespertino (1º e 2º anos).
Em relação aos estudantes da escola A, de um total de 827 alunos do Ensino Médio regular em 2016, conforme Censo Escolar 2016 (DISTRITO FEDERALb, 2016), responderam ao questionário aplicado 339 estudantes, o que corresponde a 40% da população. De acordo com cálculos estatísticos de Levin (1987) e Levine (2000), essa amostra possui um grau de confiabilidade no resultado de 98,29% com margem de erro de 5%.
Na Escola A, a entrevista e a aplicação dos questionários aos públicos docente, discente e coordenação pedagógica foi no mês de julho de 2016. A primeira tentativa foi desestimulada pela direção e pela coordenação pedagógica em razão de se tratar de semana de revisão de conteúdos em sala de aula e de preparação de provas, momento em que os docentes não dispunham de tempo. Por esse motivo, fomos orientados a realizar a pesquisa duas semanas mais tarde, período posterior à aplicação e à correção das provas. Momento mais propício aos docentes, porém, com reduzido número de estudantes na escola em razão de se tratar de véspera de férias.
Escola B
Em relação à escola B, contribuíram com a pesquisa: 1 dirigente, 1 coordenador e 1 supervisor pedagógico, 1 orientador educacional, 15 docentes e 415 estudantes.
No tocante à coordenação pedagógica, esclarece-se que a escola B possui, para a etapa do Ensino Médio, dois coordenadores pedagógicos, um que trabalha no período matutino e um no noturno. Como este último não respondeu ao questionário, apesar das várias tentativas, com vistas a se obter maiores informações sobre o noturno, convidou-se a participar da pesquisa uma supervisora pedagógica e uma orientadora educacional, as quais gentilmente se disponibilizaram a responder ao questionário adaptado, aplicado aos coordenadores. Para que o anonimato dos participantes fosse preservado, optou-se por expor os resultados dessas profissionais em conjunto com o do coordenador pedagógico do matutino, mantendo-se a nomenclatura nos quadros e nas análises como coordenação pedagógica.
Em relação ao público docente, trabalham na escola B, ao todo, 24 professores no Ensino Médio regular, sendo 13 no matutino e 11 no noturno. Cumpre esclarecer que a aplicação dos questionários ao público docente seguiu dois momentos distintos. Para os profissionais do turno matutino, a coordenação pedagógica autorizou a aplicação dos questionários ao final da reunião geral de coordenação, em julho de 2016. Apesar dos
docentes terem levado cerca de meia hora respondendo às 7 questões propostas, o que demonstrou intuito de colaboração com a pesquisa, percebeu-se que as respostas às questões abertas eram genéricas e não traziam, de certo modo, direcionamento para se compreender os desafios postos na prática. Por esse motivo, após uma semana aplicou-se questionário complementar contendo três questões adicionais.
No período noturno, como não havia coordenação pedagógica com todos os docentes ao mesmo tempo, a pesquisadora visitou a escola três dias do mês de julho, porém, obteve o retorno de apenas um docente. Para que a pesquisa não prescindisse do noturno, foi necessária a ida da pesquisadora à escola por mais 6 vezes no mês de agosto, quando se obteve mais 4 respostas.
Assim, em resumo, na pesquisa de campo realizada na escola B, de 13 docentes do diurno, 10 responderam ao questionário; e de 11 professores do noturno, 5 participaram da pesquisa. Com isso, ao todo 15 docentes colaboraram com a pesquisa.
Em relação ao público discente da escola B, de um total de 457 alunos do Ensino Médio regular em 2016, conforme Censo Escolar 2016 (DISTRITO FEDERALb, 2016), responderam ao questionário aplicado 415 estudantes, o que corresponde a 90% da população. De acordo com cálculos de Levin (1987) e
Levine (2000),
essa amostra corresponde a um grau de confiabilidade no resultado de 99% com margem de erro de 2%.Cabe informar que duas limitações foram percebidas durante a aplicação da pesquisa de campo. Uma relativa ao gênero dos alunos: previu-se feminino e masculino, mas não uma terceira classificação, demandada por estudantes. Outro aspecto refere-se ao tema esporte, não previsto na pergunta objetiva do questionário como uma possível área a ser fortalecida. Sugestões para pesquisas futuras, contemplar esses aspectos.