• No results found

3   Resultater

3.2   Variasjon i antall og andel HTU mellom fylker

Segundo Silva et al. (2006), a definição dos procedimentos metodológicos é iniciada no planejamento do estudo e permeia toda a execução da pesquisa, mas sempre respeitando o quadro teórico, a base epistemológica e, principalmente, o problema de pesquisa.

Entre concepção e a prática, a arte da entrevista deve avançar de forma sempre aberta e imponderável, nisso, aliás, consiste o saber da ciência (GODOI; MATTOS, 2006, p. 303).

O estudo de caso qualitativo, conforme indica Godoy (2006), pode utilizar de diversas fontes para coleta de dados, sendo as principais a entrevista, a observação participante ou não, e análise de documentos.

A entrevista objetiva compreender os significados que os entrevistados atribuem às questões e situações relativas ao tema de interesse. No caso de entrevistas, o pesquisador deve ser flexível, permitindo que o entrevistado se expresse em termos pessoais, seguindo uma lógica diferente daquela do pesquisador.

Na observação, procura-se compreender aparências, eventos e comportamentos. Pode ser de caráter participante ou não participante, em que o pesquisador busca registrar o máximo de ocorrências que interessam ao seu trabalho.

101

Análise de documentos é a prática de coleta de informações de todo e qualquer conteúdo escrito ou em mídia, como estatísticas, banco de dados, fotografias, imagens e vídeos.

Nesta pesquisa, foram utilizadas as três técnicas, entrevistas, observação não participante e análise documental.

Entrevistas semiestruturadas

A entrevista é um dos métodos mais utilizados em pesquisas organizacionais (NIGEL, 1999), pela flexibilidade em sua realização, quase em qualquer lugar e a qualquer hora, pela facilidade de entendimento tanto do pesquisador e entrevistador quanto dos entrevistados sobre o processo e também pela maioria dos entrevistados se sentir confortável com o convite, pois tem certa ideia do que se espera dele, “gostaria de lhe entrevistar sobre determinado assunto”. Adicionalmente, as entrevistas são fontes ricas de dados e informações tanto verbais quanto não verbais e trazem ao pesquisador oportunidades de um diálogo participativo e presencial, diferentemente de um questionário enviado por correio ou internet. Não obstante, há riscos deste processo se tornar vazio e limitado, por isso Nigel (1999) recomenda uma metodologia estruturada desde a fase de concepção do estudo até sua avaliação final. O objetivo principal de uma entrevista qualitativa é “enxergar” certo tópico do ponto de vista do entrevistado e entender como e porque possui tais perspectivas; para tornar este processo mais simples ao entrevistador, recomenda-se o uso de perguntas abertas e situacionais, vivenciais e específicas, em vez de abstrações e opiniões gerais.

Nigel (1999) cita quatro etapas da pesquisa qualitativa que se utiliza de entrevistas:

a preparação: definição do método, seleção dos entrevistados e elaboração do guia de entrevista (quando aplicável);

a entrevista em si;

o processo de transcrições das entrevistas;

a validação das transcrições com os entrevistados, quando aplicável.

Segundo Godoi e Mattos (2006), os aspectos-chaves na preparação das entrevistas são:

· Quantas pessoas e quem entrevistar, em que tão importante quanto buscar um

102

qualitativa, não há fórmulas matemáticas que definam o número ideal de participantes, pelo contrário, o pesquisador deverá adotar uma postura crítica identificando a quantidade de pessoas que melhor representariam a diversidade de perspectivas e opiniões sobre o tema objeto de estudo.

· Relacionamento entrevistador-entrevistado: deve-se buscar a eliminação de

todas as barreiras inibidoras que restringiriam o entrevistado de responder coerentemente as questões com o máximo de transparência e veracidade.

· Acordos iniciais e aspectos da rotina da pesquisa: o pesquisador deve definir

inicialmente com seus entrevistados quais as “regras do jogo”, tais quais os motivos da pesquisa, a confidencialidade dos dados, a gravação da entrevista, a logística e devolução da informação.

Qualquer pessoa que faça entrevistas conhece a riqueza desta fala, a sua singularidade individual, mas também a aparência por vezes tortuosas, contraditórias, com buracos’, com digressões incompreensíveis, negações incômodas, recuos, atalhos, saídas fugazes ou clarezas enganadoras” (BARDIN, 2002, p. 89).

De acordo com Silva et al. (2006), são três tipos de entrevistas: conversacional livre, em que não há roteiro de perguntas e entrevistado e entrevistador participam de um diálogo sobre um determinado tema; entrevista baseada em roteiro, em que há uma preparação prévia de um roteiro de perguntas com a possibilidade de flexibilização durante a entrevista; e a entrevista padronizada aberta, em que as perguntas são ordenadas e redigidas por igual para todos os entrevistados, mas com possibilidade de respostas abertas e individuais.

Em entrevistas baseada em roteiro, o guia de entrevista é um instrumento muito útil quando se utiliza modelos de entrevistas semiestruturadas ou estruturadas e sua concepção é baseada em leituras críticas da literatura, observações preliminares ou reconhecimento de campo, discussões com outros pesquisadores, entrevistas piloto e alguma criatividade. Um ponto importante dentro da pesquisa qualitativa é a possibilidade de se adaptar os conteúdos durante o processo, ou seja, o pesquisador deve avaliar a necessidade de adaptar seu roteiro de entrevista diante de novos fatos e para auxiliar os respondentes no entendimento das questões de pesquisa. Os autores destacam ainda que o fundamental em uma entrevista é o entrevistado expressar-se a seu modo ante o estímulo do entrevistador, sem que a fragmentação ou ordem das perguntas prejudiquem essa expressão; e que seja possível o entrevistador inserir outras perguntas ou participações no diálogo sempre que for oportuno, tendo em vista o objetivo

103

geral da pesquisa.

Nigel (1999) explora o tema da flexibilidade em entrevistas semiestruturadas ressaltando que o mais importante é obter respostas em sua totalidade e com o máximo de riqueza e detalhamento. O pesquisador deverá ser sensível e flexível para alterar a ordem das questões, incluindo subquestões ou dicas para auxiliar o entrevistado a responder coerentemente o que lhe for perguntado. Sugere ainda o uso de perguntas mais “fáceis” e pouco estressantes no início do processo para deixar entrevistado e entrevistador mais relaxados. O encerramento da entrevista deve ser também com uma questão mais amena.

Neste trabalho, foram utilizadas entrevistas semiestruturadas, baseadas em roteiro que foi sendo adaptado no decorrer das entrevistas, tanto na ordem das perguntas quanto no próprio formato das questões, para um melhor entendimento dos entrevistados e para captar a maior riqueza de detalhes nas falas. No total, foram três alterações no roteiro inicial, conforme apresentado na Figura 9. Os roteiros finais estão indicados nos Apêndices A, B e C. As entrevistas tiveram duração entre 40 e 80 minutos, foram gravadas com a autorização dos entrevistados e transcritas literalmente resultando em 186 páginas. Tendo em vista a transcrição literal das falas não houve necessidade de validação por parte dos respondentes (definidos nos acordos iniciais).

Observação não participante

A importância das observações reside no fato de que as práticas somente podem ser comprovadas por meio da observação, uma vez que entrevistas e narrativas somente tornam acessíveis os relatos das práticas e não as próprias práticas. A observação propicia ao pesquisador descobrir como algo efetivamente ocorre, o que pode resultar tanto na confirmação dos relatos dos entrevistados como na descoberta de desvios, ambiguidades ou conflitos.

Para atuar como observador não participante, além das competências comunicativas, o pesquisador deve estar preparado para utilizar todos os sentidos, visão, audição, percepção e olfato. No método da observação não participante, o pesquisador abstém-se de qualquer intervenção e sua presença deve ser a mais neutra possível, como se o pesquisador não estivesse presente no campo. A observação não participante é utilizada com frequência como uma forma de triangulação das observações com outras fontes de dados, tais como entrevistas e documentos, ou até mesmo com notas de campos de diferentes observadores, o que promove uma maior expressividade dos dados, contribuindo no aumento da qualidade das

104

informações.

Para este estudo, foi realizada observação não participante em um encontro da rede de valor dos fornecedores com a participação de aproximadamente quinze representantes de empresas fornecedoras. As notas de campo da observação foram incluídas no corpus documental da pesquisa.