2 Studieområde, materiale og metode
2.7 Analyser og prediksjoner
Estudo de caso é conceituado por Yin (1981, p. 2) como uma pesquisa empírica que “investiga um fenômeno contemporâneo dentro de um contexto de vida real especialmente quando as fronteiras entre fenômeno e contexto não são claramente evidenciadas” e, por isso, deve fazer uso de múltiplas fontes de evidências e não dissociar fenômeno e contexto.
Em uma pesquisa realizada por Godoi e Balsini (2006), entre 1997 e 2004, dos 169 artigos publicados nos periódicos RAP, RAUSP, RAE e RAC e que utilizaram pesquisa qualitativa, 44% fizeram uso da estratégia de pesquisa estudo de casos e 26,6% estudo de multicasos, constituindo 60,6% do total.
Godoy (2006) indica que embora seja comum referir-se ao estudo de caso como uma metodologia que permite certa flexibilidade, há princípios epistemológicos e procedimentos metodológicos a serem seguidos e respeitados para a elaboração de um trabalho de qualidade. Todavia, é comum pesquisadores indicarem o uso de estudo de caso quando utilizam apenas algumas das características metodológicas qualitativas sem considerar os requisitos de um estudo intensivo e profundo da unidade de análise, devendo ser caracterizado como um estudo qualitativo básico ou genérico (MERRIAN, 1998). De acordo com Godoy (2006), o estudo de caso tem como característica fundamental a busca por significados atribuídos pelos sujeitos às suas vivências e experiências pessoais. O estudo de caso no método qualitativo é uma forma de enxergar a realidade social da unidade de interesse por meio de um conjunto de técnicas de pesquisa, tais como entrevistas, observação participante ou não participante, análise de documentos, coleta de histórias de vida.
Stake (1988 apud Godoy, 2006, p. 119) identifica a principal diferença entre o estudo de caso e outras estratégias de pesquisa como sendo o foco de atenção do pesquisador, que busca “a compreensão de um particular caso, em sua idiossincrasia, em sua complexidade”. Quando do uso de estudo de caso, há uma escolha do objeto a ser estudado, pessoa, grupo, organização que compartilha o mesmo ambiente e a mesma experiência (GODOY, 2006).
Merrian (1998 apud Godoy, 2006) indica que o uso de estudo de caso denota que o interesse do pesquisador está mais voltado à compreensão dos processos sociais que ocorrem em determinado contexto do que às relações estabelecidas entre variáveis.
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Pesquisadores adotam o estudo de caso quando desejam compreender uma situação em profundidade, enfatizando seu significado para os vários envolvidos e estão mais interessados nos “insights”, na descoberta, na interpretação e menos na verificação de hipóteses. Godoy (2006, p. 121) indica que na realização de um estudo de caso o fenômeno a ser estudado não deve ser isolado de seu contexto e esta abordagem de pesquisa busca “descobrir e revelar a interação entre os fatores internos e externos que são características do mesmo evento”.
Hartley (1995) destaca ser o estudo de caso de grande aplicação em áreas de comportamento organizacional especialmente quando se busca compreender processos de inovação e mudança organizacional a partir da complexa interação entre as forças internas e o ambiente externo. Com o estudo de caso, é possível identificar e analisar as forças históricas, pressões contextuais e a dinâmica dos vários grupos de stakeholders na aceitação ou oposição a tais processos, em uma ou mais organizações, ou em grupos específicos no seu interior. Segundo o autor, estudos de casos constituem-se uma modalidade de pesquisa, especialmente indicada quando se deseja capturar e entender a dinâmica da vida organizacional, tanto no que diz respeito às atividades e ações formalmente estabelecidas quanto àquelas que são informais, não reveladas, ou mesmo ilícitas.
Estudos de caso podem ser classificados em três tipos (GODOY, 2006):
descritivo, que é um relato detalhado de um fenômeno, ilustrando a complexidade da situação e os aspectos nela envolvidos. São considerados importantes por apresentarem informações sobre fenômenos pouco estudados, servindo de base para estudos futuros;
interpretativo, que além de conter vasta descrição do fenômeno estudado, busca encontrar padrões nos dados e desenvolver categorias conceituais que possibilitem ilustrar, confirmar ou opor-se a suposições teóricas;
avaliativo, que ocorre quando a preocupação é gerar dados e informações obtidas de forma cuidadosa, empírica e sistemática, com o objetivo de apreciar o mérito e julgar os resultados e a efetividade de um programa.
A pesquisadora indica que problemas de pesquisa que geram estudos de casos podem surgir do desejo do pesquisador de explicar alguma situação a partir da prática ou motivado por questões de natureza conceitual, baseado em teorias já estabelecidas ou ainda na tentativa
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de instituir uma nova teoria.
Postula Godoy (2006) que, a partir do seu interesse por um fenômeno em particular e de algumas ideias acerca do que poderá encontrar (referencial teórico), o pesquisador deve imergir no caso, coletar cuidadosamente os dados e buscar compreender os significados dos mesmos. Desde a formulação inicial de um problema de pesquisa até a interpretação dos resultados, existe uma permanente e flexível interação entre os dados e a teoria.
Estudos de casos adotam um enfoque indutivo no processo de coleta e análise dos dados. Os pesquisadores tentam obter suas “informações a partir da percepção dos atores locais, colocando ‘em suspenso’ suas pré-concepções sobre o tema que está sendo estudado” (GODOY, 2006, p. 122). Complementa a autora que o processo de análise dos dados é criativo e intuitivo, sendo imprescindível que o pesquisador identifique o aparecimento de pressupostos não estabelecidos e significados ainda não articulados. Para Hartley (1995), a identificação inicial da questão de pesquisa e de uma estrutura teórica de apoio sempre deve ser considerada como tentativa, reconhecendo-se que tais questões e teorias podem ser modificadas à medida que são examinadas em confronto com os dados sistematicamente coletados em campo.
De acordo com Yin (2005), estudo de caso representa um modo de investigar um problema empírico considerando um conjunto de procedimentos pré-estabelecidos. Nessa investigação, tem-se um fenômeno contemporâneo dentro de um contexto da vida real, cujos limites entre fenômeno e contexto não são claramente definidos. Adicionalmente, enfrenta-se uma situação em que o número de variáveis de interesse é maior do que a quantidade de dados e, como consequência, o estudo se utiliza de diversas fontes de evidências e por meio da triangulação busca a convergência entre os dados.
Flick (2004) indica que a triangulação refere-se à combinação de distintos métodos, grupos de estudos, ambientes locais e temporais, bem como distintas teorias utilizadas no tratamento de um fenômeno.
Neste trabalho, foram utilizadas a triangulação de dados oriundos de diferentes fontes (entrevistas, observação não participante, documentos) e a triangulação de perspectivas entre os diferentes entrevistados de dentro e de fora da organização.
Yin (2005) indica a necessidade de se garantir a qualidade durante toda a pesquisa e cita quatro testes que devem ser utilizados para determinar a qualidade em qualquer pesquisa empírica:
Validade de constructo – partindo do estabelecimento de medidas operacionais adequadas aos conceitos objetos do estudo;
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Validade interna – busca estabelecer uma relação causal por meio da qual são evidências determinadas condições que levam a outras;
Validade externa – procura estabelecer uma estrutura sob a qual as descobertas de um estudo podem ser generalizadas;
Confiabilidade – busca demonstrar que as operações de um estudo quando repetidas tendem a apresentar os mesmos resultados.
O Quadro 12 apresenta os testes indicados por Yin (2005) a associação entre táticas do estudo e o momento de se aplicar cada um dessas táticas a fim de garantir a qualidade da pesquisa.
Quadro 12: Testes para a qualidade da pesquisa
Fonte: YIN (2005, p. 55), adaptado pelo autor
Para aumentar a validade de constructo, deve-se fazer uso de várias fontes de evidências a fim de buscar uma convergência na investigação, estabelecer um encadeamento dessas evidências durante a coleta de dados e discutir e revisar as descobertas da pesquisa com informantes-chave no processo.
A validade interna pode ser trabalhada fazendo uso de duas metodologias, a primeira denominada “peer debriefing” e a segunda “member checks”. O uso do “peer debriefing” explora a atuação de especialistas no tema de interesse por meio de análises críticas, reflexões e questionamentos que corroboram na construção e modelagem da pesquisa e na análise e interpretação dos dados. A prática do “member checks” utiliza-se do envolvimento dos membros participantes da pesquisa em um processo revisional, verificando o entendimento, formulando perguntas complementares e cruzando as respostas. Para Godoy (2006), a validade interna é julgada, considerando-se até que ponto a descrição oferecida pelo pesquisador representa os dados coletados. Nesse estudo o uso do “peer debriefing” foi utilizado durante as reuniões de orientação entre pesquisador e orientador nas várias etapas da
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pesquisa. A prática do “member checks” foi realizada durante as revisões e discussões com o orientador, principalmente, nos estágios de coletas e tratamento dos dados e nas análises e interpretações dos dados.
A validade externa busca a constituição de uma estrutura para replicação do estudo em outras situações e, por isso, é fundamental que o pesquisador detalhe todo o processo durante o projeto de pesquisa. Segundo Godoy (2006), a possibilidade de generalização (validação externa) tem sido a regra orientadora das pesquisas desenvolvidas nas tradições do método quantitativo. De acordo com Stake (1988 apud GODOY, 2006, p. 139), “os estudos de casos podem prover experiência viçaria aos leitores, constituindo-se uma fonte de generalização denominada naturalista”. Sugere o autor que “(...) a generalização naturalista se dá no âmbito do leitor que, a partir da sua leitura do caso e com base em sua própria experiência, fará associações e relações com outros casos, transferindo os achados da investigação para outros cenários” (STAKE, 1988 apud GODOY, 2006, p. 139).
Quanto aos critérios de confiabilidade, indica Flick (2007, p. 343): “a qualidade do registro e da documentação dos dados passa a ser uma base central para a avaliação da confiabilidade destes e das interpretações subsequentes”. O autor comenta a necessidade de se estabelecer critérios e convenções para redigir as notas de campo e as transcrições das entrevistas, assim como treinar os diferentes pesquisadores para o processo de observação e interpretação dos dados. Resume Flick (2007) que o critério da confiabilidade se apoia na necessidade da explicação da gênese dos dados e nos procedimentos de análise e interpretação e que a confiabilidade de todo o processo será maior na medida do detalhamento da documentação do processo de pesquisa como um todo. Silverman (1971 apud GODOY, 2006, p. 140) acredita que “a confiabilidade está associada ao grau de consistência com que os códigos e categorias são atribuídos às informações coletadas”. Pode ser obtido por meio de checagem por diferentes pesquisadores ou pelo mesmo pesquisador em diferentes ocasiões.
Alves Mazzotti (2002) corrobora indicando que os procedimentos a serem adotados na coleta dos dados devem ser precisamente documentados e seguidos; desta forma, maximiza-se a confiabilidade, a consistência e a capacidade de transferência e confirmação dos dados.
O processo realizado nessa pesquisa desde a coleta, o tratamento, a análise e a interpretação dos dados está todo delineado nesse estudo de forma a propiciar uma futura replicação.
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