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4. METODE OG FORSKNINGSDESIGN

4.3 Variabler (artikkel 1 og 2)

Conforme a seção anterior, a LC parte do pressuposto de que o estudo da linguagem

está ancorado na cognição humana e em seus modos de funcionamento. A partir disso,

postula-se que o significado está primariamente condicionado à experiência cognitiva, o

que permite perceber e construir a realidade por meio da linguagem. Desse modo, a

língua passa a ser vista como dinâmica, afinal o significado é tido como um processo

realizado cognitivamente, cuja conceitualização pode se constituir sutilmente a depender

das escolhas linguísticas feitas pelos falantes. Com o tempo, tais escolhas podem se fixar

e resultar em mudanças linguísticas.

A gramaticalização é um dos processos inerentes a mudanças. Esse conceito

refere-se a quando uma palavra assume um novo status em certos contextos, passando

de item lexical para gramatical, ou de item gramatical para ainda mais gramatical. Isso

acontece quando o item lexical adquire propriedades sintáticas que não possuía antes,

podendo mudar de categoria sintática, sofrer alterações em suas propriedades semânticas,

fonológicas e morfológicas, até reduzir-se a um afixo ou desaparecer, como consequência

de uma cristalização extrema (CASTILHO,2004).

Subjacente à essa trajetória, estariam os processos secundários de (i) sinta-

ticização, em que as propriedades sintáticas de um item lexical são alteradas; (ii) mor-

fologização, em que uma classe sintática assume propriedades morfológicas (ex: verbos

auxiliares); e (iii) desmorfemização, em que um morfema desaparece e todo o processo

recomeça.

Tais processos podem ser observados quando uma construção linguística

passa a ser utilizada casualmente no discurso, seu uso passa a se repetir mais em de-

terminadas estruturas sintático-morfológicas, sua variabilidade sintagmática se reduz (ou

seja, suas possibilidades combinatórias em sentenças ficam mais rígidas) e, por fim, sua

frequência de ocorrência passa a influenciar em algum tipo de alteração fonológica (erosão)

ou no desaparecimento da forma (CASTILHO,

1997;

LOPES,

2013).

Mas o que inicia o processo de gramaticalização de uma palavra? Conforme

explica

Lopes(2013), esse dinamismo acontece com a regularização natural do uso da lín-

gua, na medida em que novas expressões são criadas e os próprios falantes fazem rearranjos

Capítulo 3. A semântica das preposições

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vocabulares para atender propósitos comunicativos. Assim, quando uma nova construção

se repete muito, algo que é casuístico se fixa, tornando-se regular - gramaticalizando-se.

Essa explicação reflete um ponto de vista funcionalista, em que se analisa o

processo ao longo do tempo, ou seja, sob uma perspectiva diacrônica. Embora qualquer

processo de mudança linguística seja, sim, predominantemente diacrônico, as motivações

cognitivistas fazem recortes sincrônicos da língua para analisar a gramaticalização como

um processo instantâneo, que envolve atos mentais pelo qual uma relação de similaridade

é reconhecida. Isso significa dizer que o fenômeno se dá tanto pelas necessidades comuni-

cativas não satisfeitas do falante, quanto pela existência de conteúdos cognitivos para os

quais não há designações linguísticas adequadas (NEVES,

1997).

Acerca da gramaticalização como um processo diacrônico ou sincrônico,Ne-

ves

(1997) atrela essa questão ao caráter “gradual” do ponto de vista histórico versus o

“instantâneo” da construção. Para a autora, embora possa ocorrer uma estrutura substi-

tuindo outra, em determinado momento ambas as formas, a velha e a nova, coexistirão,

pois a criação de novas construções não é barrada pela existência de estruturas funcional-

mente equivalentes que já existem.

Em suma, a gramaticalização se dá pela busca constante dos falantes de

uma língua por expressividade, seja pela simplificação da fala ou pela economia de esforços

mentais. Seja sob uma perspectiva sincrônica ou diacrônica, argumenta-se a favor de um

gradualismo inerente das palavras que, devido ao dinamismo característico da língua,

podem trafegar entre a fronteira das classes lexicais e gramaticais.

No que se refere às preposições, esse construto teórico contribui ao ampliar

os limites das classes fechadas e abertas, o que possibilita uma descrição mais adequada

da classe das preposições como um todo. Tradicionalmente, a divisão entre as classes era

rígida, o que colocava as preposições na categoria funcional e contribuía para difundir a

afirmação de que preposições não possuíam sentido próprio.

Com essa visão, a classe ganha dinâmica e as preposições passam a ser clas-

sificadas como mais gramaticalizadas ou menos gramaticalizadas, como na escala proposta

por

Ilari et al.

(2008), ilustrada no

Quadro 3.

A seta bidirecional deve ser entendida como um continuum léxico-gramatical,

em que as preposições estariam distribuídas conforme seu grau de gramaticalização, sendo

contra uma das menos gramaticalizadas e de uma das mais gramaticalizadas. Como as

etapas de gramaticalização não são vencidas simultaneamente por todas as palavras de

uma classe, justifica-se, dessa forma, porque as preposições são tão diferentes entre si,

não só pela frequência de uso6, mas também por não ocuparem os mesmos ambientes

6

Uma das descobertas da análise quantitativa do corpus do Projeto NURC (Disponível em:

http://www.letras.ufrj.br/nurc-rj/), como destacado emIlari et al.(2008, p. 624) é frequência de uso

muito desigual das preposições, sendo que apenas 4 (de, em, para, a) de um total de 17 correspondem

por cerca de 80% do total de ocorrências.

Capítulo 3. A semântica das preposições

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Quadro 3 – As preposições no continuum léxico-gramática.

menos gramaticalizadas

mais gramaticalizadas

(-)

(+)

GRAMATICALIZAÇÃO

contra < sem < até < entre

sobre

sob

por < com < a < em < de

para

Fonte

Quadro retirado deIlari et al.(2008, p.647)

sintáticos.

ComoBorba(1971) já observava, quanto maior a frequência de um sentido

de uma preposição, mais individualizado ele se torna e a preposição se lexicaliza, isto é,

torna-se uma unidade lexical com um valor semântico mais definido. Porém, o inverso

também acontece: quanto maior a variedade de empregos, maior a distribuição, mais

abstrata é a preposição e maior seu valor gramatical.

(...) não se compara o valor genérico, quase puramente relacional de DE,

A, EM, com o valor único de SEM, APÓS ou DESDE. Isto não equivale

a afirmar que as segundas não tenham propriedades relacionais ou que

as primeiras não tenham um sentido básico. (BORBA,1971, p.41)

Percebe-se, assim, como é inadequado afirmar que mesmo as preposições

mais gramaticalizadas são destituídas de sentido. Como os exemplos(44)e(45)mostram,

até as preposições mais gramaticalizadas podem ter usos mais lexicais, uma vez que nesses

dois contextos elas são as únicas formas responsáveis por alterar completamente o sentido

das sentenças, não podendo, portanto, ser consideradas meros elementos relacionais.

(44) Cheguei em São Paulo.

(45) Cheguei de São Paulo.

Em resumo, tudo isso contribui para perceber as preposições como palavras

detentoras da capacidade de expressar relações e sentidos variados em virtude de terem

sofrido diferentes graus de gramaticalização, o que apoia uma compreensão unificada dos

vários sentidos de uma mesma preposição, um dos aspectos do fenômeno da polissemia.