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4. METODE OG FORSKNINGSDESIGN

4.8 Diskusjon av sentrale metodologiske valg

Outro conceito interessante para a descrição das preposições é o Frame Semântico, ou

simplificadamente “frame”, postulado porFillmore(1982) antes mesmo de a LC se afirmar

como o empreendimento que agrupa teorias que partilham as mesmas concepções de

linguagem e cognição.

Ao longo de quatro décadas, esse autor vem realizando um sólido projeto de

pesquisa que enfatiza a continuidade entre linguagem e experiência, denominado Semân-

tica de Frames. O conceito de frame sofreu alterações conforme os estudos de Fillmore

percorreram a Gramática Transformacional, a Gramática de Casos e a Teoria dos Protó-

tipos. A partir desse percurso intelectual, o autor define “frame” da seguinte forma:

Pelo termo ’frame’ tenho em mente qualquer sistema de conceitos rela-

cionados de tal maneira que para entender qualquer um deles é preciso

entender a estrutura que os comporta como um todo; quando um dos

itens de tal estrutura é introduzido em um texto ou em uma conversa,

todos os outros se tornam automaticamente disponíveis. (FILLMORE,

1982, p.11, tradução nossa)

8

Em outras palavras, Fillmore defende que os falantes entendem o significado

de uma palavra ou expressão a partir de sua associação a uma cena esquemática men-

tal. Por exemplo, o conceito de hipotenusa requer a evocação cognitiva de um triângulo

retângulo, assim como o conceito de raio evoca um círculo.

Entretanto, frames podem ser mais complexos. O conceito de TRANSAÇÃO

COMERCIAL, por exemplo, articula em sua estrutura elementos como um participante

8

Do original: By the term ‘frame’ I have in mind any system of concepts related in such a way that to

understand any one of them you have to understand the whole structure in which it fits; when one of

the things in such a structure is introduced into a text, or into a conversation, all of the others are

automatically made available.

Capítulo 3. A semântica das preposições

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interessado em trocar dinheiro por mercadorias (o COMPRADOR), outro interessado em

trocar mercadorias por dinheiro (o VENDEDOR), aquilo que é trocado entre os partici-

pantes (a MERCADORIA) e uma moeda de troca (o DINHEIRO). Como o autor explica,

é o frame TRANSAÇÃO COMERCIAL que estrutura os sentidos das unidades lexicais

que o evocam e que por ele são invocadas. Portanto, não é possível conhecer os sentidos

dos elementos sem que se conheça o enquadramento contextualizado de uma situação e a

motivação para as categorias conceituais que tais unidades lexicais simbolizam.

Além disso, a criação de um frame também possibilita perceber que cada

unidade lexical evoca diferentes perspectivas sobre uma cena. O que quer dizer, conti-

nuando com o exemplo anterior, que diferentes verbos como comprar, vender e cobrar

evocariam perspectivas diferentes de uma TRANSAÇÃO COMERCIAL, e não a cena

como um todo.

É importante notar que o conceito de frame vai além dos Esquemas Imagé-

ticos, pois sua complexidade interna deriva do fato de que cada frame é parte integrante

de uma rede de frames. Por exemplo, um modelo cultural como o conceito de SEMANA

herda o Esquema Imagético CICLO e as normas sociais ideologizáveis de ORGANIZA-

ÇÃO DO TRABALHO (sem as quais não é possível interpretar o que é um fim de semana

prolongado). Ou, ainda, o frame de EDUCAÇÃO, que pode ser evocado na perspectiva do

frame do ENSINO ou do frame da APRENDIZAGEM (SALOMÃO; TORRENT; SAM-

PAIO,

2013).

No que se refere às preposições, os frames são ferramentas interessantes

para se analisar sua forma característica de categorizar a realidade. Por exemplo, verbos

de movimento do português selecionam a preposição a para indicar que um deslocamento

não é feito por meio de um veículo (ex: Maria foi a pé; Pedro chegou a cavalo), ao

contrário dos que selecionam a preposição de (ex: Chegou de ônibus, Viajou de carro). Ou,

ainda, diferentes preposições inseridas em contextos iguais enquadram diferentes recortes

espaciais (ex: Chegar de algum lugar; Chega em algum lugar). Desse modo, pode-se pensar

que a polissemia das preposições pode ser explicada pela possibilidade de valorizar um ou

outro aspecto de uma mesma cena, simultaneamente presentes em uma mesma experiência

captada pelo frame.

Além disso, a ideia de que uma mesma unidade lexical pode evocar mais

de um frame permite circular de maneira motivada entre os valores de uma preposição.

Como

Ilari et al.

(2008) destacam, o uso primário da locução prepositiva frente a era

espacial e envolvia a referência a um espaço que “fica à frente” para evocar o frame de

dois referentes que atuam um à vista do outro. Entretanto, em exemplos de uso como

(50)

e

(51), essa locução prepositiva instaura um sentido de comparação, provavelmente

porque

Capítulo 3. A semântica das preposições

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visual e que são colocadas, simetricamente, frente a frente, são realidades

que se prestam a ser compreendidas uma por referência à outra, isto é,

a ser comparadas. (ILARI et al.,2008, p.654)

(50) Apesar da queda, resultado mostra melhora frente ao período anterior.

(51) O Brasil tem vantagens comparativas frente a outros países emergentes.

Em resumo, frames são complexas estruturas de conhecimento, em que é

possível evocar diferentes pontos de vista a depender dos aspectos que se quer projetar

para determinada interpretação de uma cena. E as preposições são excelentes indicadores

dessa organização mental, visto que seus sentidos primários retêm esquemas imagéticos

essenciais para atribuir relações espaciais entre palavras.

Nesse capítulo, apresentaram-se alguns conceitos cognitivos que contribuem

para uma descrição mais robusta da semântica das preposições por quebrarem a classifica-

ção rígida entre entre palavras lexicais (com carga semântica aparente) e gramaticais (com

carga semântica opaca) e por apresentarem um modo de organização conceitual que inclui

noções de espaço, tempo e condições gerais subjacentes ao conhecimento enciclopédico.

A seguir, noCapítulo 4, apresenta-se como o sentido primordial desses itens

foi descrito com base em características espaciais que são ancoradas nos conceitos cogni-

tivos de Esquemas Imagéticos e Frames Semânticos.

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4

Descrição linguística

Detective Spooner: Human beings have dreams. Even dogs have

dreams, but not you, you are just a machine. An imitation of life.

Can a robot write a symphony? Can a robot turn a... canvas into

a beautiful masterpiece?

Sonny: Can *you*?

— I, Robot (2004)

Neste capítulo, propõe-se a descrição das preposições e locuções prepositivas segundo

os construtos da Linguística Cognitiva que foram selecionados da literatura. Especifica-

mente, relata-se como se deu a seleção dos itens descritos, como foi feita a classificação

espacial de seus sentidos primários, como a descrição linguística foi organizada a partir

do preenchimento de templates léxico-conceituais e, por fim, como as extensões de sentido

foram identificadas.

Capítulo 4. Descrição linguística

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