6. Analyse av ulykkessteder i Midtbyen etter HB 115
6.3 Analyse av utvalgte ulykkespunkt
6.4.1 Kollektivfelt langs Prinsens gate/ Olav Tryggvasons gate
De acordo com Borg (2009), os estudos em cognição de professores de L2/LE revelaram que dentre os principais desafios enfrentados por profissionais dessa área, destaca- se o ensino-aprendizagem de gramática. Nesse âmbito, as pesquisas buscam refletir sobre como os professores ensinam gramática e o que influencia suas decisões instrucionais. Borg (1999b) aponta que apesar do vasto número de investigações envolvendo gramática, ainda não há consenso entre os estudiosos sobre qual a melhor maneira de ensiná-la. Para o autor, ensinar gramática é um processo multifacetado de tomada de decisões. A primeira escolha do docente é com relação ao próprio ensino de gramática, se há instrução formal ou não. Ele também pondera sobre quais aspectos linguísticos estarão em foco; como deve planejar e
16No original: What teachers do cannot be satisfactory understood with exclusive reference to what they think,
know, and believe; an understanding of the context they work in and of the impact of this on their teaching is also necessary.
organizar tal instrução; se haverá o uso de metalinguagem, entre outros. Percebemos que devido ao caráter complexo do ensino-aprendizagem desse conceito, cabe ao professor decidir sobre sua abordagem instrucional e este o fará pautado em sua cognição, que por sua vez, pode ser influenciada por diversos fatores.
Para Borg (1999b, p. 26), a cognição do professor de línguas acerca do ensino de gramática pode ser formada com base em três elementos principais: experiência de aprendizagem, formação docente e experiência de ensino. O autor defende que é por meio da investigação da cognição que podemos ter acesso a essas motivações escondidas que
embasam as escolhas instrucionais dos professores17.
Borg e Burns (2008) asseveram que há interesse considerável nas investigações de cognição de professores com relação à gramática. Muitos estudos revelam uma possível falta de congruência a respeito do que seja uma boa prática gramatical, o que pode levar os professores a tomar decisões com base em suas próprias teorias. Pesquisas mostram que essas teorias são formadas por meio da experiência e pautadas na compreensão dos professores sobre seus contextos de atuação. Assim, os autores ressaltam a complexidade das decisões instrucionais que podem ser baseadas na interação de fatores internos e externos à sala de aula, uma vez que as escolhas feitas por professores podem ser impulsionadas por diversos elementos, tais como psicológicos, instrucionais, institucionais e sociais. Portanto, pautados em Johnson (1999) e Freeman (2002), Borg e Burns defendem a importância de considerarmos tais fatores para que possamos compreender melhor o processo de ensino- aprendizagem de línguas.
Retomando a cognição acerca do ensino de gramática, Borg e Burns afirmam que a falta de consenso nessa área pode resultar na compreensão pessoal e individual de cada professor sobre esse processo que, somada aos fatores internos e externos à sala de aula, vão definir como o professor vai abordar o ensino integrado de gramática, ou seja, como relacionar o estudo da forma ao significado, à comunicação. É importante ressaltar que a discussão sobre gramática apresentada pelos autores é orientada pela proposta de Ellis (2006), que sugere três maneiras de integrar forma e sentido. A primeira é a chamada foco em formas, na qual a gramática é isolada do conteúdo da aula. A segunda trata do foco planejado na forma, no qual o aluno é requisitado a trabalhar com alguma estrutura gramatical pré- determinada com o objetivo de realizar uma atividade. Já a terceira opção refere-se ao foco na forma incidental que envolve o foco não planejado na forma no contexto comunicativo.
17No original: (…) it is only by studying teacher cognition that we can gain access to these often hidden
Borg e Burns (2008) apontam que há muitas opções disponíveis de como integrar gramática e comunicação. No entanto, segundo Ellis (2006), embora haja consenso acerca da necessidade da integração entre forma e comunicação, não há um acordo sobre qual o grau de integração desejável para um ensino de línguas eficaz. Motivados por essa possível falta de consonância entre os teóricos da área, os pesquisadores analisaram a cognição de 176 professores de 18 países sobre a integração do ensino de gramática com a comunicação. Para tanto, questionários do tipo likert scale e também questões semiestruturadas foram utilizadas. Porém, a prática docente não foi observada, uma vez que o intuito era identificar a cognição dos professores acerca da integração da gramática e analisar como eles relatavam essa possível integração. O objetivo dos pesquisadores é fornecer oportunidades de comparação entre as teorias formais (advindas da literatura em aquisição de segunda língua) e teorias práticas (conforme as definições dos participantes do estudo).
Os autores observaram que a maioria dos participantes (99%) trabalhava com a gramática integrada de alguma forma, uma vez que acreditavam que a mesma não deveria ser ensinada isoladamente. As maneiras de integração foram diversas, sendo categorizadas pelos autores como contextuais e temporais. Na primeira, a gramática é trabalhada a partir de textos, que têm o propósito de apresentar os elementos linguísticos, além de atividades comunicativas nas quais a gramática é focada. Na abordagem temporal, por usa vez, a gramática pode preceder, ocorrer durante ou após o foco em outra habilidade.
É importante salientar que as respostas dos participantes sobre a integração forma e comunicação em sua prática docente foram pautadas na prática pedagógica e na experiência de sala de aula desses professores e não em teorias; não houve menção ao conceito foco na forma, por exemplo. Os autores nos lembram que a maioria deles (39,7%) possuía título de Mestre ou pós-graduação (12,6%), o que levaria a crer que esses participantes poderiam embasar suas respostas em teorias. Borg e Burns (2008) concluem que os resultados do estudo sugerem que a teoria não apresenta uma função dominante e direta na concepção do professor. Dessa maneira, é desejável que pesquisadores da linha de aquisição de segunda língua (SLA – Second Language Acquisition) e estudiosos de cognição de professores trabalhem colaborativamente. A união de ambas as áreas representa um passo fundamental no desenvolvimento de pesquisas sobre ensino-aprendizagem de línguas.
Conforme defendido por Borg (1999b), os estudos sobre cognição podem contribuir para que o professor reflita sobre o processo de ensino-aprendizagem de línguas, fornecendo dados sobre o pensamento, o conhecimento e as crenças desses profissionais com relação a determinados assuntos e como a cognição relaciona-se com a prática docente:
Pesquisas sobre cognição de professores ampliam nossa compreensão atual sobre instrução formal ao elucidar não somente o que os professores fazem, mas também ao possibilitar o entendimento das bases cognitivas para essas práticas. Tais dados podem desempenhar papel central na formação docente em L2 e em iniciativas de desenvolvimento que estimulem professores a refletir e, portanto, a melhorar a qualidade de suas próprias práticas de ensino de gramática18. (BORG, 1999b, p. 28 – 29)
Farrell e Bennis (2013) ponderam que o propósito dos estudos que envolvem as crenças dos professores e a prática docente não é a busca pela melhor prática, mas a compreensão sobre o que os professores fazem em sala de aula para que eles próprios compreendam suas crenças sobre ensino-aprendizagem de línguas e possam refletir se estas estão em consonância com seu fazer docente.
Percebemos que investigações sobre a cognição de professores de línguas têm contribuído para que estudiosos da área compreendam o pensamento, o saber e as crenças dos professores com relação a um aspecto específico, como o ensino-aprendizagem de gramática. Em consonância com as afirmações de Borg (1999b), julgamos que essas investigações podem contribuir para maior compreensão sobre o processo de ensino-aprendizagem de línguas, bem como para que professores reflitam sobre sua própria prática, visando a torná-la mais coerente com sua cognição e, sobretudo, mais significativa.
Tendo refletido sobre a relevância dos estudos sobre cognição de professores de línguas, especificamente com relação ao ensino de gramática, passamos a apresentar e discutir estudos na área de ensino-aprendizagem de gramática, reconhecendo a centralidade desse tema neste trabalho.