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8. Oppsummering og konklusjon

8.1 Oppsummering

A área de ensino-aprendizagem de gramática como habilidade no contexto brasileiro ainda se encontra em fase de desenvolvimento. Muitos pesquisadores reconhecem a necessidade de se redimensionar o papel da gramática, não se tratando apenas de focar em memorizações de regras e exercícios estruturais, tampouco em abolir a gramática das aulas de LI, tendo como objetivo principal a comunicação. Entretanto, por se tratar de uma teoria relativamente recente, sobretudo no Brasil, ainda há carência de estudos nessa área que demonstrem como o ensino-aprendizagem de gramática como habilidade tem se revelado na formação de professores de LI, na prática docente e nas discussões acadêmicas.

A fim de traçar as tendências de pesquisa na área de ensino-aprendizagem de LI, Monteiro (2013) fez um levantamento das teses e dissertações realizadas nos principais programas de Pós-graduação em Linguística, Linguística Aplicada e Educação no período de 2005 – 2010. Segundo a autora, dos 568 trabalhos analisados, 27 estavam relacionados com a investigação do ensino de gramática ou vocabulário. Porém, ela não revelou se esses estudos versavam sobre o ensino de gramática como habilidade, visto que não era foco de sua pesquisa.

Schmitz (2007) afirma que não há consenso entre os professores de LI no âmbito nacional sobre ensinar ou não gramática. Segundo ele, alguns professores equalizam o ensino de uma língua ao explícito da gramática, focando a leitura e a tradução. Por outro lado, há os professores que enfatizam o ensino comunicativo, evitando abordar a gramática em suas aulas. Percebemos que nesses dois extremos há a falta de reflexão acerca do que entendemos por gramática, como nos lembra Larsen-Freeman (2003). Não se trata de retomar o ensino tradicional e estrutural da gramática, tampouco abandoná-la, mas integrar forma e comunicação, por meio do ensino de gramática como habilidade.

Mello e Souza (2010), na introdução do número temático sobre gramática da Revista Brasileira de Linguística Aplicada (RBLA), ponderam que o ensino de gramática ainda parece ser visto como dois extremos, ensinar regras ou aboli-las. Todavia, os autores ressaltam que a gramática constitui-se em objeto multifacetado, não redutível a dicotomias de extremos (p. 825), sendo assim, objeto relevante de reflexão na área de Linguística Aplicada. De acordo com os pesquisadores, pedagogias recentes têm sido propostas frente ao ensino puramente metalinguístico e descritivo da forma, a saber, o uso de corpora eletrônicos e o desenvolvimento de tarefas pedagógicas68. Os autores discutem que embora esses estudos tenham apresentado resultados positivos, resta investigar os efeitos dessas práticas em âmbito nacional, refletindo acerca de possíveis adaptações aos contextos de ensino de línguas estrangeiras e materna.

Nesse volume temático da RBLA, encontramos investigações que versaram sobre diferentes aspectos do ensino de gramática. Mello e Souza (2010) esclarecem que o volume está divido em três grupos: ensino de gramática de LE, inovações no ensino de gramática e ensino de gramática de LM. Dos oito artigos da revista em questão, apenas dois trataram do ensino-aprendizagem de gramática de LI, tendo como foco o papel da aprendizagem consciente, com tratamento estatístico dos dados, cujos pontos principais serão discutidos a seguir. Com relação às inovações no ensino de gramática, o único artigo sobre LI refletiu sobre o uso da Linguística de Corpus para aquisição de formas tidas como problemáticas, como o uso de “for”. Os demais trabalhos consideraram o ensino de gramática no Português, mas estes não serão discutidos neste trabalho por não estarem diretamente relacionados ao nosso objetivo e tema.

Um dos artigos destinados ao ensino de gramática de LI foi o de Finger e Vasques (2010), que conduziram uma pesquisa experimental acerca das diferenças do ensino implícito e explícito na compreensão e uso do Presente Perfeito por alunos universitários. Os autores apresentam uma sólida revisão bibliográfica envolvendo o conceito de noticing, pautados em várias obras de Schmidt, além dos próprios conceitos testados no estudo: implícito e explícito. Eles concluem que o grupo submetido ao ensino explícito do Presente Perfeito obteve resultados mais positivos no pós-teste sobre essa estrutura, defendendo a instrução explícita na sala de aula de LI.

Outro estudo da mesma revista que salienta o papel do noticing é o de Marques (2010). A autora constatou que, após a intervenção feita por meio de atividades de percepção

68 Propostas feitas respectivamente por: St. John, 2001 e Yoon, 2008; Ellis, 2003 (citados por MELLO; SOUZA,

consciente, os aprendizes tiveram melhora significativa no uso dos conectores concessivos. Chamou-nos a atenção o estudo de base quantitativa e a análise estatística dos dados, uma vez que esses estudos não são comumente conduzidos na área de ensino-aprendizagem de LI em contexto brasileiro.

Nosso intuito com essa breve referência aos artigos do número temático da RBLA foi o de constatar o pressuposto de que, mesmo em um trabalho específico sobre gramática, são escassas as pesquisas que focam o papel da gramática e maneiras de integrar forma e comunicação, fomentando o ensino como habilidade, conforme defendido por Augusto- Navarro (2007).Não obstante, a pesquisadora aponta que há poucos materiais didáticos que ilustram essa relação. Augusto-Navarro, nesse artigo de 2007 e em outros trabalhos (AUGUSTO-NAVARRO et. al., 2003) e projetos, busca ilustrar essa visão de gramática como habilidade, sugerindo exemplos de atividades que focam o desenvolvimento do

noticing.

Outro trabalho em que também houve a preocupação com atividades de noticing e prática comunicativa com foco no sentido foi a dissertação de Marcheti (2009). O objetivo constituiu-se em avaliar o desenvolvimento da acuidade no uso do idioma de alunos do Ensino Médio antes e após uma proposta de intervenção de foco na forma. A pesquisadora concluiu que trabalho com foco na forma, por meio do noticing da estrutura-alvo (Presente Simples em LI) e tarefas com foco no sentido, contribuiu para o desenvolvimento da acuidade linguística dos aprendizes.

A dissertação de Terenzi (2009) também apresenta ilustrações de como a teoria de gramática como habilidade pode ser materializada em atividades pedagógicas. Nesse estudo, foram analisados os efeitos da adoção dessa teoria na acuidade de jovens aprendizes. Os resultados apontam que os participantes foram capazes de perceber a língua, ou seja, puderam refletir sobre o funcionamento da mesma por meio de atividades de noticing, além de utilizarem a língua de maneira significativa.

Outro estudo nessa linha foi o de Linhares (2010). Em sua dissertação, a pesquisadora analisou os resultados obtidos com a adoção do ensino de gramática como habilidade no envolvimento dos alunos-participantes, bem como na acuidade linguística deles. Segundo Linhares, os alunos mostraram-se engajados e interessados nas aulas, demonstrando receptividade a essa proposta, além de apresentarem melhora na proficiência linguística.

Della Rosa (2010) investigou, por meio de Trabalho de Conclusão de Curso, a concepção dos alunos de um curso de Inglês para Propósitos Específicos sobre gramática e como os alunos-participantes observavam uma proposta de ensino mais indutiva. A

pesquisadora aponta que, para esses participantes, gramática era sinônimo do uso correto do idioma, além de ser associada apenas às atividades de produção escrita. Além disso, embora os participantes percebam e reconheçam o ensino indutivo da forma, eles se sentem inseguros frente à essa proposta, solicitando atenção explícita aos aspectos gramaticais nas aulas de LI.

Outro estudo que versou sobre as teorias de ensino-aprendizagem de gramática como habilidade foi o de Kawachi , C.; Augusto-Navarro; Kawachi, G. (2010). Os autores analisaram um livro didático para alunos de nível avançado e observaram que as atividades propostas ora estimulavam o ensino de gramática como produto, ora como processo. Assim, eles propuseram adaptações das referidas atividades visando a ilustrar como elas poderiam ser desenvolvidas a fim de fomentar o ensino-aprendizagem de gramática como habilidade.

A proposta de ensino-aprendizagem de gramática como habilidade também foi investigada por Martinez (2011) visando a ilustrar como esse modelo poderia contribuir para a autonomia do aprendiz por meio da análise e sugestão de atividades do material do sexto ano do Ensino Fundamental fornecido pelo governo do Estado de São Paulo (material conhecido como Cadernos do Estado).

Em estudo recente, Andrade (2013) analisou como os aspectos da pragmalinguística são contemplados em um livro didático de LI, bem como o papel atribuído à gramática no livro em foco. Com base nas teorias de ensino-aprendizagem de gramática como habilidade, a pesquisadora conclui que apenas a dimensão da forma está presente no material, o que pode limitar as possibilidades dos aprendizes refletirem acerca do funcionamento linguístico da L- alvo.

Não é objetivo deste trabalho fazer um levantamento de todos os estudos cujo foco estava relacionado a algum aspecto da gramática como habilidade, o que representaria outra pesquisa. Propusemo-nos apenas a ilustrar brevemente como a questão da teoria basilar desta investigação tem sido representada no contexto brasileiro. Lembramos que a maioria das investigações citadas neste item foram conduzidas por alunos do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de São Carlos, instituição que concentra pesquisas realizadas na área de ensino-aprendizagem de gramática como habilidade.

É possível perceber que alguns dos estudos citados concentram-se nas potencialidades da teoria, visando a ilustrar possíveis materializações da mesma, de modo que gramática como habilidade seja compreendida com maior complexidade e sejam revelados os ganhos e limitações que a adoção da teoria possibilita.

Nosso objetivo neste capítulo foi discutir as principais contribuições dos estudos sobre cognição de professores de línguas e de pesquisas na área de ensino-aprendizagem de

gramática. Essas teorias são basilares para este trabalho, uma vez que visamos a investigar a relação entre cognição relatada e prática pedagógica do professor de LI. No próximo capítulo, abordaremos a metodologia de pesquisa deste estudo, refletindo sobre os procedimentos e instrumentos adotados, bem como sobre os participantes e os procedimentos de análise dos dados.