• No results found

3 Metode

3.5 Validitet og reliabilitet

A pesquisa abrange uma investigação em dois momentos distintos. Num primeiro momento houve o levantamento de documentos acerca do tema proposto, o fair-play financeiro e a definição dos entrevistados. Inicialmente, o pesquisador realizou pesquisa na

literatura brasileira, visando identificar a produção de artigos publicados acerca do assunto. O pesquisador não verificou nenhum artigo sobre o tema junto as bases de dados escolhidas, obrigando-o a ampliar a pesquisa em textos de autores europeus, além da consulta das publicações em diversas universidades europeias, no período de 2007 a 2014. Dentro desta busca na base de dados foi identificada uma pesquisadora com vasta publicação sobre o assunto, levando o autor a escolhê-la como uma das entrevistadas (E1).

Após reunir em torno de cinqüenta artigos dos mais diversos países daquele continente, o próximo passo, dentro do momento de levantamento de documentação envolveu a busca de toda a legislação que a UEFA criou para a regulamentação do Licensing System e do Fair play financeiro. No site da entidade há disponível toda a documentação referente as regulamentações impostas aos clubes. O segundo momento dentro deste contexto foi a identificação dos entrevistados, sua contribuição acadêmica sobre o assunto e sua participação na criação da regulamentação.

O autor decidiu entrevistar os atores de todas as entidades envolvidas no processo, com o intuito de enriquecer o estudo. Assim, foram enviados mails solicitando entrevistas com gestores da ECA (entidade dos clubes europeus), da EPFL (representantes das Ligas europeias), da FIFPro (representante dos jogadores) e, também a UEFA organização que regulamenta o FPF. Um contato com a Universidade de Rouen na França abriu a possibilidade de entrevistar uma pesquisadora com vasta publicação sobre este assunto. Esta tentativa de entrevistas levou o pesquisador à Europa por um período de três meses, mesmo que nenhuma entidade tenha respondido

positivamente, exceto a Universidade de Rouen.

A entrevista com a pesquisadora foi realizada e outras entidades francesas do futebol foram sugeridas, já que os contatos novamente feitos na Europa não tiveram o resultado positivo. De posse de novas informações foram contatados a Liga de futebol profissional (LFP) francesa e a União dos clubes profissionais de futebol daquele país, a UCPF. O motivo primordial de se escolher as organizações francesas deve-se ao tempo de existência, ou seja, ela tem mais de 20 anos. A DNCG é um organismo de controle de gestão dos clubes franceses que possui regulamentação semelhante a que a UEFA pretendia implantar com o FPF. Também contribuiu o fato de o presidente da UCPF francesa ser o mesmo da EPFL europeia. Assim, dois executivos destas organizações foram contatados e aceitaram prestar seu depoimento sobre a regulamentação francesa, assim como evidenciar os pontos fortes e fracos em relação ao futebol francês.

Com a definição das organizações, o pesquisador chegou ao perfil dos entrevistados: um pesquisador universitário especialista na pesquisa sobre o FPF e sobre à gestão do esporte profissional (E1), (Apêndice B), um representante de um sindicato de presidentes clubes profissionais (E2), (Apêndice C) e um representante de uma Liga das chamadas “big five”, (E3), (Apêndice D).

Também foram utilizados depoimentos de stakeholders conhecedores do assunto publicados em sites ou em documentos impressos. O presidente da UEFA, por exemplo, foi considerado o quarto entrevistado (E4), (Anexo A), pelo fato de propagar as informações oficiais da entidade. Foram consideradas duas entrevistas constantes no site da entidade (UEFA, 2014b; 2015e).

Concluído o quadro de entrevistados, o pesquisador decidiu verificar e considerar a entrevista publicada em congresso com o renomado Economista do esporte, (E5), (Anexo B), Professor da Universidade de Paris Oueste - Nanterre, La Défense, e do Centro Emile Bernheim da Escola de Economia e Management da Universidade Livre de Bruxelas. O professor possui inúmeras publicações na área de economia do esporte e é consultor em periódicos europeus. O depoimento do professor foi retirado do site challenges.fr (CHALLENGES, 2014).

Desta forma, observa-se no Quadro 40 a relação dos entrevistados, por entidade e cargo/função.

Quadro 40 - Relação dos entrevistados.

Entrevistado Entidade Cargo/função/qualificação

E1 Professor/ pesquisador Universidade de Rouen Mestre de Conferências (Dr) em Gestão do Esporte profissional.

E2 Executivo LFP Controlador de gestão da DNCG.

E3 Executivo UCPF Diretor financeiro e de marketing.

E4 Executivo UEFA Presidente

E5 Professor/ pesquisador Universidade de Paris e Universidade Livre de Bruxelas Economista do Esporte.

Professor (Dr), autor e consultor em esportes

Fonte: Produção do próprio autor (2015).

O segundo momento ocorreu na Europa no primeiro trimestre de 2015, quando da realização das entrevistas. Após inúmeras tentativas nas sedes das entidades citadas anteriormente e sem sucesso, o pesquisador decidiu buscar na França, as entidades que administram o esporte naquele país. Para tanto, foram realizadas entrevistas semidirigidas, segundo o modelo sugerido por De Ketele e Roegiers (1993) com algumas

perguntas feitas a título de ponto de referência. Pode-se dizer também que as entrevistas foram semi- estruturadas, pois, de acordo com Triviños, (1987, p.146) entrevista semi-estruturada é:

Aquela que parte de certos questionamentos básicos, apoiados em teorias e hipóteses, que interessam à pesquisa, e que, em seguida, oferecem amplo campo de interrogativas, fruto de novas hipóteses que vão surgindo à medida que se recebem as respostas do informante. Desta maneira, o informante, seguindo espontaneamente a linha de seu pensamento e de suas experiências dentro do foco principal colocado pelo investigador, começa a participar na elaboração do conteúdo da pesquisa. Com este pensamento, as perguntas foram divididas em dois grupos. O primeiro grupo de perguntas (12 perguntas) relacionava sobre o histórico da organização a qual o entrevistado pertencia. Já o segundo grupo de perguntas (13 perguntas) se relacionavam as percepções do entrevistado em relação aos motivos que incentivaram a implantação do Fair-play financeiro. Segundo Saccol (2009, p.262), o pesquisador,

O pesquisador ao invés de ir a campo com um conjunto pré-definido de construtos ou instrumentos para medir a realidade, o pesquisador, muitas vezes, deriva seus construtos a partir do trabalho de campo, visando captar aquilo que é mais significativo.

A entrevista envolveu uma conversa sobre o modelo francês de gestão e as formas que ocorrem na Europa, assim como sobre o futebol internacional e as

regulamentações européias aos clubes e sobre os modelos nas principais ligas européias. A ampliação do tema no momento da entrevista ajudou o pesquisador a compreender de forma mais intensiva o sistema na qual o FPF está inserido.