A corrente empirista explica a aprendizagem pela influência do meio externo, seja ele físico ou social. Ele considera que o conhecimento é algo que está fora do sujeito, no mundo do objeto, portanto, este mundo é determinante do sujeito. Por esta razão, considera-se de suma importância o papel da experiência nas sucessivas fases de desenvolvimento da inteligência. Com efeito, o ponto alto do empirismo é a experiência que se impõe por si mesma e pressiona o organismo fazendo-o reagir ao estímulo.
Segundo uma visão empírica, o ser humano, ao nascer, não carrega nenhum conhecimento: é uma tábula rasa; uma folha de papel em branco; não há nada no seu intelecto. Todo o conhecimento advém das condições que o mundo exterior lhe puder proporcionar, pressupondo, assim, que o educando, em qualquer tempo, possui uma capacidade ilimitada de experiência, e o meio um poder soberano de influência.
Na Psicologia ou teorias da aprendizagem, o empirismo é nomeado como teoria associacionista, de estímulo-resposta ou conexionista, pontuando que o ato de aprender não está ligado somente à experiência, pelo contrário, é necessário haver uma associação, uma conexão entre um estímulo e uma resposta que o indivíduo fornece. De acordo com La Rosa (2004, p. 170) “a teoria associacionista procurou explicar a aprendizagem a partir de experiências com animais, de modo que o que ocorria na aprendizagem dos animais era transferido para a aprendizagem humana”. Mais especificamente, ligando-se aos seus principais mentores, o associacionismo pode ser apresentado, por Pavlov, com o condicionamento clássico, e por Skinner, com o condicionamento operante.
Zanella (2004), ao interpretar como acontece a aprendizagem, classifica esta linha teórica como teoria do condicionamento, que está baseada em situações estímulo-resposta, ou
43 seja, a aprendizagem acontece porque o sujeito estabelece conexões relacionando estímulo- resposta. Entre as formas de aprendizagem associativa, a autora enumera, também, o condicionamento clássico pavloviano e o condicionamento operante skinneriano.
O primeiro tipo de aprendizagem associativa foi descoberto e estudado pelo fisiologista russo Ivan Pavlov (1849-1936), durante a primeira metade do século XX, através de uma série de experimentos bem conhecidos. Os postulados de Pavlov tentam explicar, cientificamente, as reações do indivíduo a partir de estudos neurofisiológicos, observando que se estabelecia uma associação entre estímulos. Essas idéias auxiliaram na compreensão do comportamento humano tanto mecânico quanto emocional, adquirindo, assim, grande respaldo nas áreas da Psiquiatria e da Psicologia. Para entender melhor os estudos pavlovianos, pode-se analisar o que postula Pessotti, (apud RIES, 2004a, p. 41):
“Todas as atividades do organismo enquanto organismo são, para Pavlov, passíveis de decomposição em reflexos, condicionados ou não. E todos os comportamentos de tal organismo são constituídos, em última análise, por reflexos condicionados. A idéia de comportamento, como ato psíquico ou ato voluntário, implica, para Pavlov, alguma forma de sinalização, e é com a propriedade de reflexo de sinal que o reflexo condicionado constitui a unidade última da análise do comportamento”.
A teoria do condicionamento respondente de Pavlov, diz Ries (2004a), é típica de enquadramento no leque de teorias que podem ser conceituadas em analogias de estímulo e resposta. E mais ainda, um estímulo é caracterizado como um fenômeno ou uma alteração deste fenômeno, advinda do meio, e a resposta é definida como uma reação comportamental do organismo relacionada ao estímulo recebido.
Essas linhas apresentadas encobrem outro aspecto muito importante que convém ressaltar aqui; o condicionamento pavloviano poder ser relacionado com as emoções humanas. Salienta Ries (2004a, p. 50) que “podemos interpretar as emoções como reações específicas a determinados estímulos. Tais reações não integram o repertório original de comportamento, mas são adquiridas. Reações como o medo, a alegria, a tristeza, a raiva, etc”.
O condicionamento respondente estabelecido por Pavlov ilumina a origem de muitas reações humanas obscurecidas de explicações pelas vias de desenvolvimento. Ele pressupõe, ainda, que esse mecanismo de aprendizagem é mais desenvolvido durante a infância, onde a espécie humana requer maior adaptabilidade ao meio.
Um outro tipo de aprendizagem por associação, denominada posteriormente por condicionamento operante ou instrumental, foi descrita um pouco depois de Pavlov pelo
44 americano B. F. Skinner em 1953, representante do behaviorismo e principal expoente da Psicologia Americana. Essa forma de aprender caracterizava-se pela associação entre um estímulo e uma determinada resposta comportamental. As experiências demostravam que a aprendizagem dos animais acontecia associando o comportamento com um estímulo qualquer advindo do meio. Especificamente, uma experiência positiva (um reforço ou uma recompensa) ou uma experiência negativa (punição) conduzia à realização de uma determinada ação.
De acordo com Ries (2004b, p. 58), “o homem é produto das forças do meio no qual ele vive”. Sendo assim, as ações humanas são resultantes de condições ou eventos que podem ser específicos e, ao serem determinados, antecipam e determinam a ação. Para Skinner (apud RIES; 2004b) não são as variáveis internas do organismo, mas sim as variáveis externas, ou seja, as variáveis que estão fora do organismo, no seu meio e em sua história social, que irão explicar o comportamento humano.
Perante essa perspectiva, na qual a aprendizagem acontece por influência dos estímulos do ambiente, pode-se enunciar o primeiro princípio do condicionamento operante: os pais e professores devem reforçar todos aqueles comportamentos emitidos pelas crianças que queiram que sejam mantidos; dar atenção quando se esforçam para apresentar comportamentos desejáveis. Normalmente acontece o contrário, atenta-se para comportamentos indesejáveis como: conversar, brigar, falar errado, não realizar as tarefas ou realizá-las erradamente, não fazer os temas, entre outros.
Conforme as pesquisas de Skinner, os reforços podem ser classificados em reforços positivos e reforços negativos. Um reforço positivo é caracterizado como a apresentação de um estímulo que resultará num aumento da freqüência do comportamento, por exemplo, quando a criança acerta o exercício recebe um elogio da professora. Já o reforço negativo compreende a retirada do estímulo e, conseqüentemente, o aumento da freqüência desse comportamento, por exemplo, um bebê de fraldas molhadas fica “assado” e começa a chorar; se neste momento as fraldas molhadas forem retiradas (reforço negativo), a criança será condicionada a ser chorona quando fizer xixi.
Quanto ao tipo de reforços, conforme a descrição de Ries (2004b) podem ser distinguidos sob três formas: reforçadores primários, secundários e generalizados. Segundo o autor, os reforçadores primários caracterizam-se por estímulos que visam satisfazer a uma necessidade primária (sede, fome, frio...), tendo como vantagem primordial a universalidade, isto é, qualquer indivíduo pode ser condicionado por estes estímulos. Já os reforçadores secundários, primeiramente, não possuem propriedade reforçadora, mas a adquirem quando
45 associados a um reforçador primário (um bebê associa a mãe ao alimento, a mãe chega perto e o bebê chora para mamar). Os reforçadores generalizados são estímulos que foram associados a reforçadores primários e secundários, como por exemplo, o afeto, a atenção, o dinheiro, as notas escolares, entre outros.
A maior parte do comportamento do ser humano pode ser explicada através do condicionamento operante. Desta forma, os estudos de Skinner trouxeram inúmeras aplicações tanto na medicina (terapia) quanto na educação (ensino). Os terapeutas passaram a adotar uma variedade de técnicas baseadas na modificação de comportamento humano. No processo de ensino, as principais aplicações configuram-se no Ensino Programado e nas Máquinas de Ensinar.