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A escolha de uma instituição educativa municipal da zona norte do município de Porto Alegre para a realização desta pesquisa ocorreu de forma intencional, uma vez que a pesquisadora já possuía livre acesso em função de trabalhar como professora nessa escola desde o ano 2000. Desse longo convívio escolar, a professora estabeleceu uma relação

62 interpessoal muito próxima e de grande confiança pedagógica com os demais docentes. Isso ocorreu, principalmente, devido à pesquisadora prestar atendimento a alunos com dificuldades de aprendizagem encaminhados pelo coletivo de professores ao Laboratório de Aprendizagem. Dessa forma, foi mais fácil a realização de um trabalho com os professores e a escolha dos alunos e conseqüente coleta de dados.

Apesar da longa caminhada escolar e do forte vínculo já estabelecido com essa instituição educacional, manteve-se todo o trâmite legal indispensável para uma coleta de dados de forma segura, confiável e confidencial, mantendo-se o anonimato dos sujeitos na hipótese de divulgação dos resultados obtidos.

Inicialmente foi feito um contato com a direção da escola com o intuito de esclarecer os propósitos do estudo e requerer permissão e aprovação para o desenvolvimento da investigação. O requerimento para a realização do trabalho de pesquisa na escola (Apêndice A) foi entregue pela pesquisadora à direção da instituição que, além da calorosa acolhida, deu seu parecer favorável e procedeu à imediata aprovação ao término da leitura do mesmo.

O segundo procedimento adotado, posteriormente à aprovação para a realização da pesquisa pela direção, foi o contado com os professores das turmas envolvidas nessa investigação, ou seja, as turmas B14 (1o ano do II Ciclo), A31, A32, A33 e A34 (turmas do 3o ano do I Ciclo). Esse contato visou a apresentação dos objetivos da pesquisa, a permissão para a coleta de informações e a obtenção da assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido pelos professores (Apêndice B), permitindo a realização do estudo nas turmas escolhidas pela pesquisadora.

Posterior ao preenchimento dos requisitos institucionais e éticos, com devida aprovação, deu-se início à realização de um estudo piloto, que consistia na constatação da fidedignidade e aplicabilidade da Bateria Luria – DNI, também conhecida como Teste Neuropsicológico Infantil (Anexo A), para a faixa etária sugerida por Manga e Ramos (1991). Esse estudo piloto serviu para validação desse instrumento estatístico, utilizado para avaliar o desempenho matemático, de alunos na faixa etária entre 7 e 10 anos.

Após conversa inicial com a professora referência da turma B14, expondo o objetivo da aplicação do Teste Neuropsicológico Infantil, entrou-se em sala de aula para uma conversa com os alunos. Esse diálogo objetivou a apresentação do trabalho e solicitação de compreensão e colaboração por parte dos alunos para a realização do mesmo. A pesquisadora foi acolhida calorosamente e atendida pela turma, que já havia tido um contato direto com a mesma durante a Educação Infantil. Dessa forma, os alunos realizaram o teste com muita

63 seriedade. Salienta-se que a professora da turma preferiu ausentar-se durante a execução do referido teste.

Concluída a aplicação do Teste Neuropsicológico Infantil na turma B14, houve um diálogo com o alunado na tentativa de verificar quais questões apresentavam problemas quanto à compatibilização do entendimento para a faixa etária, caracterizando, assim, o processo de validação de tal instrumento. Em seguida, realizou-se a investigação da coerência nas respostas atribuídas pelos alunos às questões do teste, tentando verificar se houve entendimento e clareza suficientes por parte dos mesmos.

Esse estudo piloto foi realizado com vinte e seis alunos com idades entre 9 e 10 anos. Os resultados apresentados por esses alunos foram satisfatórios e comprovaram a aplicabilidade do Teste Neuropsicológico Infantil, na sua íntegra, sem reformulações. O desempenho dos alunos no teste está descrito em forma de gráficos, exposto na próxima fase – Descrição e análise dos resultados.

Com um procedimento idêntico ao descrito anteriormente, esse estudo piloto também abrangeu a validação do Questionário de Auto-estima e Auto-imagem (Apêndice E), que buscou obter informações a respeito da auto-estima e da auto-imagem de crianças pertencentes à faixa etária entre 7 e 10 anos. Esse questionário, após as devidas modificações quanto à adequação para a faixa etária determinada, foi também aplicado na turma B14. A mensuração dos resultados do Questionário de Auto-estima e Auto-imagem da turma B14 está descrita em uma tabela apresentada na fase da Descrição e análise dos resultados.

A partir do estudo piloto, chegou-se à conclusão que a auto-estima e auto-imagem dos alunos da faixa etária referida anteriormente e que possuem o mesmo nível de escolaridade, apresenta uma pontuação cuja variação está entre 50 e 150 pontos e uma média de 103.5 pontos.

Devido aos resultados obtidos a partir do estudo piloto, o qual validou o Teste Neuropsicológico Infantil (Anexo A) e o Questionário de Auto-Estima e Auto-Imagem, cuja versão original encontra-se explicitada no Anexo B, e a versão aplicada nesta investigação, no Apêndice E, optou-se pela aplicação de ambos os instrumentos na sua íntegra, sem reformulações, na turma A31. A escolha dessa turma para a aplicação do teste e do questionário se deu por três motivos: primeiro, em função de cinco alunos da turma com dificuldades para aprender, principalmente em matemática, estarem em atendimento no Laboratório de Aprendizagem no ano de 2006; segundo, por esses alunos pertencerem à faixa etária recomendada para a aplicação do teste; terceiro pela disponibilidade da professora

64 referência dessa turma. A descrição e interpretação dos resultados encontram-se descrita na próxima etapa deste estudo.

A turma A31 foi uma turma em que foi realizada a aplicação do Teste Neuropsicológico Infantil e do Questionário de Auto-Estima e Auto-Imagem, simultaneamente, justificando a escolha em virtude de essa turma abrigar os participantes deste estudo. Nos sujeitos do Laboratório de aprendizagem dessa turma, entretanto, os testes e os questionários foram aplicados em dois momentos distintos: no início da investigação e após quatro meses. A primeira aplicação aconteceu em junho e a outra em outubro de 2006. Esse intervalo contou com um conjunto de intervenções psicopedagógicas no Laboratório de Aprendizagem.

Ao término dessa etapa, tomando por base os resultados do estudo piloto, que viabilizou a aplicação do instrumento completo, sem alterações, decidiu-se pela aplicação do Questionário de Auto-Estima e Auto-Imagem (Apêndice E) nas turmas A32, A33 e A34; demais turmas correspondentes ao 3o ano do I Ciclo (turmas equivalentes à 2a série do Ensino Fundamental Regular). Posteriormente à disponibilidade e à aceitação das professoras responsáveis por essas turmas, entraram-se nas salas de aula determinadas, em momentos distintos, estabelecendo-se uma conversa com os alunos a fim de explicar o intuito do trabalho e, na seqüência, aplicou-se o instrumento. A aplicação do Questionário de Auto-Estima e Auto-Imagem, nessas turmas, objetivou a obtenção de informações relacionadas à auto-estima e auto-imagem dos alunos da faixa etária entre 7 e 10 anos, com mesmo nível de escolarização que os sujeitos escolhidos para os estudos de casos. A mensuração dos resultados do Questionário de Auto-Estima e Auto-Imagem aplicado nas turmas A32, A33 e A34 encontra-se descrita na fase Descrição e análise dos resultados.

Seguindo os procedimentos adotados para a viabilização desta pesquisa, foi realizado contato com os responsáveis pelos alunos que freqüentavam o Laboratório de Aprendizagem, pertencentes à turma A31. Após a demonstração de disponibilidade e assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido (Apêndice C), deu-se início ao processo de intervenção no Laboratório de Aprendizagem, com olhar investigativo. Na ocasião desses encontros, os responsáveis participaram da entrevista semi-estruturada (Apêndice D), elaborada para a obtenção de informações significativas a respeito da vida dos educandos.

Também foi realizada uma entrevista (Apêndice G) com a professora da turma A31 com o intuito de coletar informações significativas a respeito do desempenho escolar dos cinco sujeitos investigados.

65 Para finalizar a etapa inicial de coleta de dados, foram realizadas observações (Apêndice F) na sala de aula da turma A31 durante as atividades matemáticas, na intenção de apreender aspectos pertinentes ao contexto áulico dos cinco sujeitos investigados.

Convém ressaltar aqui que as intervenções psicopedagógicas foram realizadas pela própria pesquisadora somente com os cinco alunos que pertenciam a turma A31 e que já freqüentavam o atendimento no Laboratório de Aprendizagem no ano de 2006. Essas intervenções educativas foram pautadas em estratégias lúdicas. De forma complementar, esses dados foram registrados num diário de campo, contribuindo para a interpretação e análise dos resultados deste estudo.