3.5 Metode
3.5.3 Validitet, relabilitet og metodiske utfordringer
didática (APÊNDICE-A, CD-ROM)
De acordo com os objetivos da pesquisa (ver pág. 25), a síntese da entrevista 2 fundamentou-se em três eixos ou critérios de descrição e análise:
A) Objetivos de ensino para execução das aulas da unidade didática 1 “Texto científico”; B) Relação entre práticas de ensino e de avaliação e objetivos propostos;
C) Interpretação das medidas comportamentais de aprendizagem.
A) Objetivos pretendidos para o tema “Texto Científico”:
A P1 ao relatar os objetivos pretendidos para o tema P1 faz uso de verbos como compreender, perceber, aprender, dentre outros, destituídos de descrição de medidas
2 Foram selecionados alguns relatos da P1 que justificam a descrição dos resultados. Estes relatos estão expostos em itálico no corpo do texto e identificados pelo número da página em que está situado na transcrição de cada entrevista em anexo. Este mesmo procedimento de descrição foi empregado com P2 e P3.
comportamentais correspondentes e mencionados de modo genérico. Os objetivos mencionados por P1 foram os seguintes:
1) Compreender a diferença entre um texto e outro (fábulas, jornalístico, poesia, etc.); 2) Perceber a definição dos termos de um Texto Científico;
3) A diferença entre Texto Científico e a redação – algo que é real e algo que é imaginário; 4) Aprender a usar o dicionário como ponto de apoio; para recorrer e apropriar-se das palavras científicas.
Em outras palavras, quando P1 mencionou que os alunos deveriam “compreender a diferença entre um texto e outro e perceber a definição de termos, aprender a usar o dicionário”, por exemplo, não ficam explícitas quais seriam as ações dos alunos (o que os alunos deveriam ser capazes de fazer), em termos de modificações comportamentais, que deveriam ser interpretadas como medidas comportamentais de aprendizagem consistentes com os objetivos propostos, dadas as condições de ensino que foram utilizadas.
B) Relação que P1 estabelece entre práticas de ensino e de avaliação e objetivos propostos:
As práticas de ensino e de avaliação relacionadas aos objetivos propostos foram descritas pela P1, considerando os objetivos em conjunto, isto é, na entrevista, a P1 relatou suas práticas de uso geral sem fazer distinção para cada objetivo particularmente.
Dessa forma, as práticas de ensino e de avaliação, de um modo geral foram justificadas pela P1 com base em práticas anteriormente efetuadas e independentemente dos efeitos dessas últimas sobre os comportamentos dos alunos: “Já estudamos no início do ano
outros textos... então quando ele (aluno) se depara com esse novo texto, TC, vai notar a diferença que tem e vão trabalhar em cima disso aí” (pág.1). P1 também justificou práticas
utilizadas em função de procedimentos anteriormente realizados pelo aluno, ou seja, P1 prescindiu de um relato de possíveis medidas de pré-requisitos e vinculou o uso de um procedimento para obtenção de outros objetivos para os quais os procedimentos anteriores não foram inicialmente destinados: “Quando eles estão usando o dicionário eles estão
verificando a língua diferente... Quando nós vimos também a prática do uso do termo, nós já vimos lá em Geografia, vendo a legenda de um mapa, por exemplo,”(pág.4). Neste exemplo,
relativo ao objetivo 2 (Perceber a definição dos termos de um Texto Científico) verificou-se o uso generalizado do procedimento de uso do dicionário, mencionando o comportamento do aluno desvinculado da descrição das condições de ensino que garantiriam o desenvolvimento
das habilidades pretendidas. Dessa forma, P1 justificou as outras práticas para os demais objetivos, como por exemplo, no relato das práticas para o objetivo 3: “Desde o ano passado
eles já vêm desenvolvendo a prática de escrever... Com as leituras dos livros, fazer pequenos resumos, resumos de filmes, da história...” (pág.8). Ou seja, quando indagada sobre suas
práticas de ensino e avaliação, a P1 descreveu as ações dos alunos sem vincular funcionalmente as ações mencionadas com as condições que ela deveria disponibilizar.
Segundo P1, foi a observação da participação do aluno diante da atividade proposta que constituiu sua estratégia de avaliação. Contudo, a P1 não descreveu na entrevista qual seria a atividade proposta – como prática de ensino - para observar a participação e também não há descrições de medidas comportamentais sobre o que o aluno faz quando ele “participa”: “Na avaliação a primeira coisa que a gente observa é a participação deles... Na
observação vejo se eles estão atingindo os objetivos” (pág.1). E mesmo quando a P1 é
indagada sobre quais ações ela considera como “participação”, a P1 continua explicando por meio de outros termos pouco descritivos como, por exemplo, a “atenção”: “É a participação
dele, a primeira coisa. Quando a gente faz algumas questões... Se ele está atento ou não ao que a gente ta perguntando... Como está a atenção dele voltada pra isso aí... Se ele estiver alheio a tudo, ele não vai conseguir fazer nada”(pág.3). Neste exemplo, se verifica-se que a
P1 considerou como prática de ensino e de avaliação emitir questões orais para os alunos e, os alunos estarem “atentos” para essas questões seria a medida comportamental de aprendizagem da P1. Em outros momentos da entrevista, a P1 também justificou suas práticas de avaliação através de termos como “perceber” algo, “concentrar”, “refletir”, enfim, conjunto de termos desvinculados de descrições, tanto de comportamentos dos alunos, quanto de práticas de avaliação e de ensino relacionadas à obtenção dos objetivos propostos.
C) Interpretação das medidas comportamentais de aprendizagem:
Diante do que já foi descrito no item b., as medidas comportamentais constantemente citadas pela P1 durante a entrevista, dizem respeito às respostas dos alunos as suas perguntas orais sobre a diferença entre um texto ou outro e exemplificações para caracterizar o tema: “Ele (aluno V) tá bem melhor que no início do ano. Então, ele percebe a diferença de um TC,
de uma fábula, de um texto jornalístico...”, “Ela (aluna C) consegue (entre dois textos, a
profa. demonstra com as mãos) dizer: este aqui é uma poesia, este é o texto científico, no
caso...”(pág.1 e 4). Por essa medida P1 considera que o aluno conseguiu atingir o objetivo de
interpretar o texto e sobre o que a P1 faz ao “interferir” na ação do aluno para que o ele “perceba” a diferença entre os textos: “Como ele tá interpretando o texto, que é de aluno para
aluno, e através dessa avaliação já vem a minha interferência pra eles perceberem qual é a diferença”(pág. 4).
Além desta medida de P1 caracterizada pelo fato de o aluno responder ou não as suas perguntas orais (de reconhecimento ou evocativas) sobre a diferença entre os textos (Texto científico e outros que são mencionados nas perguntas) também a realização de algumas ações do aluno, como pesquisa no dicionário, ler o significado das palavras desconhecidas presentes no texto científico e escrevê-las na lousa e no caderno, foram considerada pela P1 como medidas da obtenção ou não dos objetivos, mesmo prescindindo de medidas de possíveis pré- requisitos para realizar esse procedimento e de práticas de ensino que garantissem a sua execução. Por exemplo: “O recurso que eles tiveram foi o dicionário... Ele vê que as palavras
que a gente usa no TC são diferentes do nosso cotidiano” (págs. 4 e 5). Quando a P1 foi
questionada sobre qual o comportamento do aluno que permitiria inferir a ocorrência de aprendizagem, P1 mencionou respostas cuja topografia fez referencia a medidas comportamentais distintas das expressões utilizadas nas especificações dos objetivos: “Pra
entender o que ta escrito ele precisa parar, pensar, observar... É esse o comportamento dele... observação daquilo lá” (pág.5).
Quanto às medidas comportamentais relacionadas à escrita ou produção de texto científico, P1 considerou a execução ou não da tarefa pelo aluno, independente do resultado. Portanto, no relato da P1, não houve considerações sobre o que a P1 tenha feito, enquanto prática de ensino e de avaliação, nas etapas anteriores à produção escrita que teriam se constituído em condições adequadas para a manifestação dos pré-requisitos relacionados com a produção de texto, como compreender as diferenças entre um texto e outro e os significados dos termos de um texto científico. P1 afirma que o fato de o aluno “tentar escrever” seria admitido como medida comportamental de que o aluno compreendeu o texto e estabeleceu diferença do texto científico com outros gêneros textuais: “A redação a partir dele (do aluno),
criando o título, fazendo a história dele, acrescentando as idéias dele. Ele percebe que há uma diferença sim... Se você manda ele escrever um conto ou até mesmo uma poesia, ele vai ver que é completamente diferente de um Texto Científico” (pág.8).
Mediante os resultados descritos sobre o relato verbal da P1 sobre o tema ministrado na primeira unidade didática, constatou-se que P1 apresentou de modo independente, de um lado, as medidas comportamentais de interpretação do texto e de produção escrita e, de outro, as condições de ensino e de avaliação disponibilizadas. Ao justificar as práticas de avaliação e
ensino, a P1 mencionou os “fazeres” dos alunos e não as suas próprias ações. Esta característica de relato também foi constatada em relação aos objetivos para o tema “Texto Científico”.
3.1.2 FASE 2
A Fase 2 foi constituída por três Etapas, sendo que em cada etapa foi realizada uma entrevista com cada professora participante.