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VALG OG DEMOKRATISKE INSTITUSJONER I KOSOVO

4. ANALYSE: FORMELT DEMOKRATI I KOSOVO

4.2 VALG OG DEMOKRATISKE INSTITUSJONER I KOSOVO

A criatividade encontra-se presente em todo indivíduo (ALENCAR, 1995, 2002c; CARVALHO; ALENCAR, 2004; MITJÁNS MARTÍNEZ, 1997, 2002a; WECHSLER, 2002), variando apenas quanto ao tipo e ao grau (ALENCAR, 2002c; CARVALHO; ALENCAR, 2004), podendo se expressar de diversas maneiras e em níveis diferentes entre pessoas, exigindo, portanto, estimulação (MITJÁNS MARTÍNEZ, 1997). Entretanto, no contexto educacional, um dos lugares mais oportunos para esta estimulação, muitas vezes predomina uma visão tradicional de ensino, com ênfase na memorização e na reprodução do conhecimento, o que é um fator inibidor ao desenvolvimento do potencial criativo do aluno (ALENCAR; FLEITH, 2003a; LUBART, 2007; MITJÁNS MARTÍNEZ, 1997).

Neste prisma, pesquisas realizadas por Clifford (in LUBART, 2007) evidenciaram que quanto mais os alunos avançam no sistema escolar, mais evitam correr riscos, indo de encontro aos traços implicados na criatividade. Em outro estudo com pessoas entre os 60 e 76 anos, constatou-se que os participantes optaram por problemas que lhe ofereciam uma maior perspectiva de êxito, se comparados com jovens com idades entre 18 e 32 anos (STERNBERG; LUBART, 1997), o que é um indicador de uma cultura avessa a riscos. Porém, para fomentar a criatividade, Sternberg e Lubart (1997) consideram como indispensável que as instituições educacionais repensem os valores arraigados culturalmente e consolidem a visão de que correr riscos é um elemento que potencialmente pode facilitar a realização de um trabalho criativo.

Observa-se que, no sistema tradicional de ensino, a grande maioria dos professores tem interesse em desenvolver apenas o intelecto do aluno, com uma visão limitada do papel para o qual foram destinados. Fala-se muito em desenvolver de maneira plena o potencial do indivíduo como um todo, mas será que se pode pensar em sua plenitude quando se ignoram as capacidades envolvidas no pensamento criativo? Como o indivíduo será capaz de intuir soluções originais de problemas, ser fluente e flexível nas ideias, questionar, se arriscar,

analisar, criticar? Como poderia ser capaz de modificar de modo salutar este mundo dinâmico e desigual, tornando-o mais humanizado e com oportunidades mais iguais para todos? Sem desenvolver o potencial criativo dos alunos, haveria uma interrupção na formação do ser para tornar-se verdadeiramente humano. Nesta perspectiva, Sátiro (2002) pontua a necessidade de a escola estar munida de professores capazes de estimular a criatividade dos alunos, por meio de metodologias que favoreçam o processo e a produção de ideias inovadoras.

Também Perrenoud (1995) chama a atenção para alguns aspectos do trabalho pedagógico exercido pelo professor, como o peso das tarefas fechadas, dos exercícios e das rotinas marcadas por uma relação utilitarista com o trabalho, que tendem a inibir a criatividade. O autor percebe uma prática escolar cheia de limitações, onde a liberdade não pode ser exercida plenamente. Além do mais, as recompensas ou sanções externas, tais como notas, competições, promoções, punições, tendem a condicionar o trabalho escolar.

Em pesquisa realizada por Mariani e Alencar (2005), com professores do curso de História da 5ª a 8ª séries, um dos objetivos foi a percepção destes professores a respeito dos elementos que impediam ou limitavam a expressão criativa em sala de aula. Constatou-se barreiras ligadas ao aluno e à estrutura escolar como as mais frequentes. Quanto às limitações impostas pelo aluno para desenvolver as habilidades criativas dos mesmos, foram mencionadas a falta de motivação, participação, responsabilidade, compromisso, imaturidade e brincadeiras na sala de aula, além da agressividade e timidez. No que diz respeito à estrutura escolar como fator que impede a criatividade, os professores mencionaram a sobrecarga de trabalho relacionado à quantidade de horas/aula, necessidade de trabalhar em várias escolas, junção de várias funções concomitantes, excesso de alunos na sala de aula, excesso de burocracia. Foi enaltecida, também, a necessidade de grande resistência física e emocional por parte dos docentes para que possam atender a demanda da instituição.

Alencar e Mitjáns Martínez (1998) efetivaram uma pesquisa com profissionais de educação do Brasil, Cuba e Portugal, com objetivo de identificar as barreiras à expressão da criatividade. Verificou-se que o “medo de errar” foi apontado com mais frequência na amostra brasileira e portuguesa. Já na amostra cubana, “a insuficiente capacidade de observação, análise ou eflexão” foi apontada como barreira pessoal mais frequente. No que diz respeito às barreiras sociais, a “falta de tempo” foi a mais apontada na amostra dos três países.

Alencar (2008b) realizou um estudo com 388 professores da educação superior, de universidades públicas e particulares, objetivando investigar os elementos que os dificultavam promover o desenvolvimento e a expressão da criatividade do aluno. Neste estudo, as

barreiras mais destacadas pelos professores foram: alunos com dificuldades de aprendizagem em sala de aula e desinteresse do aluno pelo conteúdo ministrado. Outras barreiras também foram apontadas: poucas oportunidades para discutir e trocar ideias com colegas de trabalho sobre estratégias instrucionais, elevado número de alunos em sala de aula e elevado número de disciplinas e outras atividades, limitando o tempo para o planejamento da prática docente. Foi também observado pela pesquisadora que um percentual significativamente superior de docentes de gênero feminino, comparativamente aos de gênero masculino apontaram as seguintes barreiras: cobrança de aulas expositivas por parte dos alunos e extensão do programa da(s) disciplina(s) a ser cumprido no decorrer do ano letivo.

No que concerne às diferenças entre professores de instituição de ensino superior público e particular, foi detectado um percentual significativamente superior de professores de instituição pública, quando comparado ao de instituição particular, indicando as seguintes barreiras: escassez de recursos materiais básicos na instituição de ensino superior onde trabalha, baixo incentivo, por parte da direção do(s) curso(s), para inovar a prática docente e desconhecimento de práticas pedagógicas que poderiam ser utilizadas para propiciar o desenvolvimento da criatividade do aluno. Em contrapartida, um percentual mais elevado de professores de instituição particular, comparativamente ao de instituição pública, indicou como barreiras à promoção da criatividade, alunos com dificuldades de aprendizagem em sala de aula, dificuldade em ir além da exposição do conteúdo previsto na disciplina e presença de alunos indisciplinados que perturbam o trabalho docente.

Resultados similares foram obtidos por Alencar e Fleith (2008) em uma pesquisa com professores do ensino fundamental. As barreiras à promoção de criatividades em sala de aula mais apontadas por esses professores foram: a) elevado número de alunos em sala de aula; b) alunos com dificuldades de aprendizagem em sala de aula; c) baixo reconhecimento do trabalho do professor; d) desinteresse do aluno pelo conteúdo ministrado; e) escassez de material didático disponível em sala e; f) extensão do programa a ser cumprido no decorrer do ano letivo.