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Valg av metode og vitenskapsteoretiske tilnærminger

1 Innledning

3.1 Valg av metode og vitenskapsteoretiske tilnærminger

As nossas emoções parecem desempenhar um efeito determinante na seleção alimentar e, consequentemente, nos padrões de alimentação (Corbalán-Tutau, 2012). Como as reações fisiológicas a emoções negativas ou stress são similares às sensações internas associadas à alimentação induzida, a saciedade, perda de apetite e diminuição da ingestão de alimentos foram considerados respostas fisiológicas naturais a emoções negativas (Schachter, Goldman, & Gordon, 1968). Em contraste, um aumento na ingestão de alimentos em resposta a emoções negativas foi considerada uma resposta inata ou desadaptativa, a qual Heatherton denominou de alimentação emocional (Herman, & Polivy, 1991; Spoor et al, 2007).

Quando se fala em alimentação emocional os principais conceitos a ter em consideração são o sofrimento subjetivo e o humor negativo, sendo que os indivíduos com níveis elevados nestas dimensões são mais propensos a experimentar estados emocionais negativos intensos nos mais diversos contextos e situações, mesmo na ausência de stress. É sabido que os sujeitos com padrões de alimentação emocional aumentam o seu consumo alimentar em resposta a emoções negativas, posto isso, níveis mais elevados de humor negativo parecem aumentar a frequência e gravidade da alimentação emocional. Além disso, a investigação efetuada até ao momento revela que elevados níveis de humor negativo e sintomatologia depressiva também foram associados a estratégias de coping orientadas para a emoção (McWilliams et al, 2003;. Turner et al, 2005). A procura de alívio nos alimentos tem sido considerada uma estratégia para aliviar as emoções negativas, resultantes de problemas do dia a dia ou mesmo do fracasso em manter uma dieta a longo prazo (Spoor et al, 2007).

De acordo com Polivy e Herman (1993) o stress e o humor negativo aparecem frequentemente identificados enquanto fatores precipitantes para comportamentos de ingestão compulsiva (Arnow, Kenardy & Agras, 1994). É amplamente aceite que a excitação emocional leva a mudanças no comportamento alimentar (Spoor et al, 2007). Neste sentido, a alimentação emocional tem sido definida como o consumo alimentar enquanto resposta a uma gama de emoções negativas, tais como a ansiedade, raiva e depressão (Corbalán-Tutau, 2012). De fato, as emoções negativas têm sido identificadas como precipitantes de hiperfagia em indivíduos obesos (Van Strien & Ouwens, 2003), em mulheres com perturbações do comportamento alimentar (Agras & Telch, 1998), e em sujeitos com peso normal envolvidos em comportamentos dietéticos. Isto sugere que a relação entre a alimentação e emoção é influenciada, pelo menos em parte, pelas caraterísticas particulares dos sujeitos, de forma ideográfica (Spoor et al, 2007). Ainda assim, vários estudos defendem a existência de uma relação entre as emoções, a ingestão alimentar e o aumento de energia. A ideia de que a influência das emoções no comportamento alimentar é mais forte em pessoas obesas do que em não obesas, assim como em sujeitos envolvidos em comportamentos dietéticos comparados com os que não o estão, foi suportada pelas mais recentes investigações. Tem sido sugerido, também, que não é a emoção em si a responsável pelos episódios de hiperfagia mas sim, a forma como a emoção é percebida (Corbalán-Tutau, 2012).

De acordo com Keranen et al (2010) a ingestão emocional descontrolada e compulsiva tem dificultado a perda de peso e indicam, ainda, que os padrões de comer emocional estão positivamente associados a um IMC mais elevado (Konttinen et al, 2010). Ouwens et al (2009) propôs que a alimentação emocional pudesse ser um mecanismo mediador entre a depressão e a obesidade. A visão clássica é que a raiva de uma pessoa deprimida é direcionada especificamente no sentido da sua auto-estima e manifesta-se através de sentimentos de impotência, humilhação e vergonha. Como resultado, os sujeitos podem distanciar-se dos seus relacionamentos mais próximos, deixando de encontrar satisfação no trabalho ou em qualquer

outra atividade, que antes era prazerosa (APA, 2010). Além disso, os indivíduos deprimidos têm maior propensão a desenvolver problemas ao nível da regulação emocional, a qual pode afetar, em larga medida, o comportamento alimentar. Num estudo descritivo de sujeitos com PIC, Arnow et al (1992), relatou que 42% dos indivíduos descreviam sentimentos de raiva /frustração antes de um episódio de ingestão compulsiva, enquanto que, apenas, 16% revelavam sentimentos de tristeza e/ou depressão. Outros autores descobriram que indivíduos que relataram comer demais em resposta à raiva e depressão registaram um aumento significativo de peso, sobretudo, na fase de entrada num programa de tratamento para a PIC e perda de peso do que os indivíduos que relataram comer demais em resposta à ansiedade, nos quais foi possível verificar uma diminuição de peso mais evidente (Arnow, Kenardy & Agras, 1994; Macht, 1999; Macht, Roth & Ellring, 2002). Estes estudos sugerem que o grau de sofrimento poderia conduzir um indivíduo a procurar outras fontes de conforto, como a alimentação, o que a curto ou longo prazo produziria um aumento de peso (Keranen, Rasinaho, Hakko, Savolainen & Lindeman, 2010).

2.2. Aspetos Epidemiológicos

A associação entre a obesidade e a depressão tem sido reforçada com o avanço da investigação científica nesta área. No sentido em que a obesidade tem sido associada ao aumento do risco de depressão, e esta, por sua vez, tem estado na origem do desenvolvimento da obesidade. Além disso, a depressão está associada à alimentação emocional e à ingestão compulsiva (Konttinen et al, 2010; Ouwens, Van Strien & Van Leeuwe, 2009). Vários estudos descobriram fortes associações transversais e prospetivas entre a ingestão compulsiva e a alimentação emocional tanto em amostras do género feminino, não clínicas como em sujeitos do género feminino com outras perturbações do comportamento alimentar (Spoor et al, 2007; Stice, Presnell, & Spangler, de 2002; Van Strien, Engels, Van Leeuwe, & Snoek, 2005). Stice et al (2002) apontaram, ainda, para o fato de que a alimentação emocional é um preditor fundamental para comportamentos futuros de ingestão compulsiva, em adolescentes do género feminino. Além disso, a alimentação emocional parece fazer a diferença no sucesso ou fracasso das restrições dietéticas, quando comparados sujeitos com alta e baixa susceptibilidade (Spoor et al, 2007).