2.2 Metode
2.2.1 Valg av metode
O acontecimento de uma mega-sociedade modificou as bases das relações políticas, econômicas e culturais entre as partes que a constituem, tornando os cidadãos e os produtos de consumo mundializados. Nessa mudança, a própria formação da nação e da modernidade foram apenas etapas do grande processo de desenraizamento e desterritorialização, em que uma nova realidade baseada nas noções de sociedade global e de mundialização cultural começou a superar os espaços hegemônicos de coesão social (ORTIZ,2007).
O processo de mundialização conquista a redefinição das noções anteriores de espaço e o processo de globalização bem longe de ser sinônimo de homogeneização, se acomoda com
bases nas diferenças (ORTIZ, 2007). Contudo, a lógica de produto desterritorializado
pressupõe traçar uma estratégia comercial específica para o mercado globalizado em que o “não-lugar” é articulado acima de toda ordem de fronteiras e particularidades.
Porém, enquanto a ideologia da mundialização opera no mercado global dos bens e serviços no sentido de promover a descentralização de decisões e a pretensa liberdade de escolha do indivíduo-consumidor, na dimensão econômica observa-se uma concentração ainda maior da riqueza, política que beneficia o poder dos oligopólios transnacionais (ADORNO, 2002). Assim, o processo de globalização implica na perda de todo sentido de
centralidade, do externo e do interno, mas permanece apoiada em um discurso constituído de poder, que aparecem sob novas formas de dominação (ADORNO, 2002; BRITTOS, 1999;
CASTELLS,2008;DEL.MASSO, 2008; 1999;JAMESON,2004;ORTIZ,2008). Visto desse modo,
a relação estabelecida entre colônia e metrópole gera uma exploração econômica e uma dependência cultural.
No momento em que a consciência desenraiza as formas culturais em relação ao solo e desvincula da tradição, permite ao megaconjunto possuir o domínio de todas as formas, oferecendo possibilidades estéticas de relações quase infinitas para formar o composto desterritorializado. Isso implica que os processos de globalização e mundialização rompem o vínculo entre a memória nacional e os objetos e cria uma memória internacional-popular, que forja no interior da sociedade de consumo as referências culturais globalizadas (ADORNO,
2002;ORTIZ,2008). São os traços da modernidade-mundo que fazem com que o individuo ao
ser cruzado com objetos da modernidade se sinta em casa mesmo deslocado do espaço nativo, pois “as lembranças transformam os não-lugares em lugares” (ORTIZ,2008,p.127).
É desse modo que a memória traz o prazer do reconhecimento, pois é formada através da educação imagética de situações projetadas através do sistema de comunicação facilitado pela tecnologia. É desse modo também que a indústria cultural pôs fim às originalidades e
moldou da mesma forma o todo e as partes “o universal pode constituir o particular e vice- versa” (ADORNO,2002.p.21). Para Adorno esse sistema elimina a tensão entre os pólos na
medida em que reifica a necessidade antes do conflito e das hierarquias permitindo às novas necessidades só acrescentarem autoridade ao que já foi transmitido. Ainda, basta sua diferença ser registrada pela indústria cultural para fazer parte desta, onde são organizadas para que o consumidor a elas se prenda.
Porém, a memória forjada para criação de uma falsa tradição pelo poder dominante facilita sua estratégia utilizando a mediação pela diversão. Segundo Adorno (2002) é preciso refletir sobre essa cultura em que é Pato Donald quem ensina como os infelizes devem ser e sempre foram espancados. Para o autor a diversão sendo oferecida como um prolongamento da lógica do trabalho faz a mecanização e sua produção de divertimento adquirir poder sobre o homem, seu tempo de lazer e até a sua felicidade. O prazer finda por congelar-se no enfado, pois segue o mesmo caminho rotineiro trilhado pelo processo de trabalho, e a indústria cultural priva os consumidores do que lhes promete e o espetáculo se reduz a ela própria.
Na cultura de massas a liberdade de escolha do consumidor está sempre sob controle. Baseia-se em modelos ofertados pela indústria cultural que determina o consumo e afasta como um risco inútil o que não foi experimentado. Isso é uma condição na medida em que: “o falso senso de liberdade que as pessoas possuem auxilia a manipulação” (DEL.MASSO, 2008.
p.17) e promovem o sistema. Nele, a diferença entre as séries de produtos é quase sempre ilusória: qualidades e desvantagens servem para manifestar uma concorrência aparente e possibilidades de escolha.
Assim, além de refletir a pressão econômica, os triunfos da propaganda promovem “a mimese compulsória dos consumidores às mercadorias culturais cujo sentido ao mesmo tempo decifram” (ADORNO, 2002, p.74). Com a liberdade de escolha restrita ao que foi
massacrado pela impotência econômica que se prolonga na impotência espiritual do isolado” (ADORNO,2002, p. 26). Como a mesmice também é quem regula a relação com o passado,
máquina gira em função do próprio eixo. A racionalidade técnica é a racionalidade da própria dominação e torna-se repressiva na sociedade que se auto-aliena.
O sistema mantém-se assim, através do círculo de manipulações e das necessidades derivadas, utiliza clichês de necessidades de consumidores para conquistar a aceitação sem oposição (ADORNO, 2002). Para o autor, onde a técnica adquire tamanho poder sobre a
sociedade, encarna sempre o poder dos economicamente mais fortes, revelando a violência da sociedade industrial sobre os homens.
Através de uma [des]ordem espacial global promovida pelo sistema capitalista, as relações entre o poder e a resistência se instalaram, impondo um modelo econômico dominante, trazendo conseqüências para compreensão das questões culturais, do conhecimento, da natureza e da economia. Nesse contexto, entendemos que a globalização desterritorializa para dominar, mas que também contribuiu para a produção de uma alteração substancial nas práticas espaciais promovendo uma reconfiguração epistemológica na própria forma de entender as Ciências Sociais (BRINGEL,2007).