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5. Analyse og tolkning av funn

5.1. Valg av diskusjonstråder og tekstbeskrivelse

A primeira fonte de inspiração de Lacan para falar em política, estratégia e tática na direção da cura é a obra freudiana, como não poderia deixar de ser. O leitor atento dos textos de Freud pode observar nos escritos sobre a técnica – como seguimos acima ao longo de todo item 3 – que o vocabulário da guerra aparece a todo momento. Retomemos algumas passagens importantes. No caso do Homem dos Lobos (1918/1996) – analisante descrito como alguém que “permaneceu muito tempo inexpugnavelmente entrincheirado por trás de uma atitude de amável apatia” (p.22)– ele faz metaforicamente uma comparação entre a tarefa da análise e a tarefa de um exército:

(…) o curso deste tratamento ilustra uma máxima cuja verdade era há muito apreciada na técnica da análise. A extensão da estrada pela qual a análise deve viajar com o paciente e a quantidade de material que deve ser dominado pelo caminho não têm importância em comparação com a resistência encontrada no decorrer do trabalho. Só têm importância na medida em que são necessariamente proporcionais à resistência. A situação é a mesma de um

exército inimigo que precisa, hoje, de semanas e meses para abrir caminho

através de uma região que, em tempos de paz, seria atravessada em poucas horas por um expresso e que, pouco tempo antes, fora transposta pelo

exército defensor em alguns dias. (op. Cit., p.22-23)

(1916-1917/1996), ao tratar do tema da transferência Freud afirma:

(…), obtemos a mais vívida ideia da forma como uma violenta luta se trava na mente do paciente ante cada resistência a vencer — uma luta mental

normal, no mesmo chão psicológico, entre os motivos que procuram manter a

anticatexia e os motivos que estão preparados para abandoná-la. (Freud, 1916- 1917/1996, p. 439)

Como já apontado, a transferência é o que permite que o conflito seja situado no mesmo “campo de batalha”. Por isso Freud afirma que “a transferência torna-se o campo de batalha no qual todas as forças mutuamente em choque se enfrentam” (1916-1917/1996, p. 455) e que “é nesse campo que deve ser conquistada a vitória, cuja expressão é a permanente cura da neurose” (1912a/2010, p. 146). Vale destacar aqui uma afirmação de Lacan que evidencia a influência do texto freudiano. A transferência, diz ele, “é o terreno em que se decide o combate” (1958/1998, p. 602).

Freud também usa em dois momentos a palavra tática para se referir à situação analítica. Em A dinâmica da transferência (1912a/2010), ele também constrói uma metáfora entre a resistência que aparece na transferência e a tentativa do exército ocupar o terreno inimigo:

Do que não é licito concluir, porém, que em geral o elemento escolhido para a resistência de transferência tem uma importância patogênica particular. Se, numa batalha pela posse de uma pequena igreja ou de uma propriedade, os soldados lutam com particular empenho, não precisamos supor que a igrejinha seja um santuário nacional, ou que a casa abrigue o tesouro do exército. O valor

dos objetos pode ser puramente tático, existindo talvez durante uma batalha somente. (p. 140)

Depois, em Recordar, repetir e elaborar (1914a/2010), Freud se refere à tática para indicar como o psicanalista deve agir frente às repetições que surgem via transferência:

Pode-se facilmente justificar a tática que o médico deve adotar nesta situação. Para ele, o recordar à maneira antiga, produzir no âmbito psíquico,

continua sendo a meta a que se apega, embora saiba que na nova técnica isto não se pode alcançar. Ele se dispõe para uma luta continua com o paciente, a fim de manter no âmbito psíquico todos os impulsos que este gostaria de dirigir para o âmbito motor, e comemora como um triunfo da terapia o fato de conseguir, mediante o trabalho da recordação, dar solução a algo que o paciente gostaria de descarregar através de uma ação. (p. 204)

Apesar do vocabulário da guerra ser bastante presente na obra de Freud, as referências à tática ou estratégia, entretanto, são raras e não são usadas com peso. Portanto, não creio ser possível afirmar que Lacan tenha encontrado apenas em Freud a inspiração para o uso dos termos política, estratégia e tática.

Há outro texto, contudo que parece ter sido uma de suas principais fontes de inspiração. Surpreendentemente, trata-se de um artigo Ernst Kris – que sabemos que foi lido por Lacan, pois é o mesmo em que Kris discute o caso dos miolos frescos –, um dos autores mais criticados pelo próprio Lacan. Vejamos como esses termos aparecem em Kris (1948/1988), dez anos antes de A direção do tratamento:

Os progressos da teoria permitiram melhor compreender como se alternavam os diferentes tempos da cura e, igualmente desse fato, de melhor se fazer compreender. Podemos agora, com efeito, fazer entender muito melhor o que é a “hierarquia” e o “momento” das interpretações, da mesma maneira que a “estratégia” e “tática” de uma terapia, mesmo se nos damos conta que subsiste ainda muitas incertezas sobre esse assunto. Quando falamos de hierarquia ou de momento das interpretações, de estratégia ou de tática no que concerne à

técnica, não queremos dizer, pois, que se trata de fazer um mapa do tratamento,

seja em suas grandes linhas, seja para tal tipo de caso ou de prognóstico? A qual grau de generalização ou de especificidade cada analista em particular desenvolve seu planejamento do tratamento? (p. 15)

Kris, desta maneira, não só emprega os termos estratégia e tática como também os remete a uma hierarquia que deve ser inserida num planejamento do tratamento, no sentido mesmo de uma direção para o tratamento. Três anos depois, Loewenstein também utiliza esses termos, mencionando tanto o texto de Kris como os trechos de Freud citados acima, referindo-se mais

precisamente às estratégias e táticas das interpretações: “algumas interpretações tem valores táticos, outras visam objetivos estratégicos” (Loewenstein, 1951). Tais estratégias e táticas das interpretações devem, segundo Loewenstein, estar submetidas à seguinte hierarquia: (1) as primeiras interpretações devem evitar a análise de sintomas importantes; (2) deve-se interpretar os traços defensivos antes das rígidas defesas da neurose de caráter25; (3) a interpretação, seja lá o que ela visa, deve ser feita no tempo certo.

Bem, mas embora Lacan possa ter se inspirado em tais textos, é evidente que ele não segue o emprego dos termos feito por Kris e Loewenstein. As estratégias e táticas presentes numa sessão psicanalítica não se reduzem, para Lacan, às interpretações. Ademais, Lacan insere na hierarquia existente entre esses termos um terceiro elemento muito importante e que se refere a algo que “domina a estratégia e a tática” (1958/1998, p. 596): a política. Em quem Lacan pode ter se inspirado para essa reorganização? Tudo indica que sua inspiração maior é Carl Von Clausewitz.