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Valøya og disponerte gards og bruksnummer

5.   Status og skjøtselsbehov for naturtypen kystlynghei

5.2   Valøya og disponerte gards og bruksnummer

De acordo com Machado (1999), a percepção dos indivíduos sobre determinado assunto é consequência de processos físicos e cognitivos, decorrentes de sensações captadas do ambiente em que vivemos pelos nossos órgãos sensoriais. Ou seja, o homem conhece o seu universo por meio do olfato, visão, audição, tato e paladar, e esses sentidos reagem aos vários tipos de energia que o rodeiam. Desse modo, como bem aponta Robins (2001), a percepção pode ser entendida como um processo pelo qual os indivíduos organizam e interpretam suas impressões sensoriais, a fim de dar sentido ao seu ambiente.

No entanto, é válido destacar que, conforme ressalta Fialho (2001), o cérebro não funciona apenas como mero produtor de representações e percepções, pois ele coordena movimentos elaborados em resposta a estes estímulos. Em concordância com essa perspectiva, Del Rio (1999) salienta que nossa mente não recebe as sensações de maneira completamente passiva, mas recebe influência de diversos mecanismos cognitivos, tais como conhecimentos prévios, necessidades, motivações e humores, os quais participam com grande força na constituição da realidade percebida por nossa mente. Dessa forma, cada indivíduo, de acordo com a própria percepção, cria e define sua realidade e suas impressões sobre determinado objeto.

68 tem-se a representação social, a qual, conforme Ferreira (1975), é a substância concreta absorvida pelos sentidos, pelo pensamento, pela imaginação ou pela memória, sendo, em síntese, uma reprodução daquilo que se pensa. Em outras palavras, constituem formas de conhecimento que são elaboradas e compartilhadas socialmente e favorecem a produção de uma realidade comum, viabilizando a compreensão e a comunicação dos indivíduos com o mundo.

Após breve resumo do que se entende por esses conceitos, é interessante que ambos sejam descritos de maneira mais detalhada, visto que são norteadores da análise dos dados obtidos por esta pesquisa.

4.1.1 Conceito de Percepção

O termo percepção tem considerável diversidade de sentidos e significados em variadas áreas do conhecimento. Considerando o sentido descrito pelo Dicionário Houaiss (2008), a palavra percepção, a qual deriva do latim perceptio, pode ser entendida como o ato de compreender, capacidade de perceber. Para Marin (2008), em linhas gerais, é o ato ou o efeito de perceber; recepção de um estímulo; combinação dos sentidos no reconhecimento de um objeto, sensação, ideia e representação intelectual.

Conforme Assis (2000), os indivíduos constantemente direcionam suas ações com base na interpretação de sons, imagens ou prognósticos de comportamentos. Para o autor, a percepção é inerente à pessoa e sofre influência de suas características pessoais, assim como do meio social e das instituições nas quais a pessoa está inserida.

A percepção, conforme o autor, se constrói por meio de aspectos visuais; auditivos; olfativos; gustativos; táteis; espaciais e temporais. Assim, podem existir diferentes maneiras de se ver e pensar o mundo, visto que as imagens e ideias sobre determinado objeto são formuladas com base nas experiências, vivências e sensações pessoais, portanto, cada indivíduo cria e organiza sua realidade de acordo com a própria percepção.

Desse modo, pode-se depreender que a percepção humana sobre uma realidade é individual e seletiva. No entanto, como bem salienta Tuan (1980), não se deve diminuir a importância do aspecto de que, por mais diferentes que sejam as percepções individuais e de grupos sobre algo, existe a possibilidade de vários sujeitos partilharem de percepções comuns por viverem em situações ou meios similares, ou por disporem de um mesmo contexto sociocultural.

69 consente entender, perceber e interagir com o mundo, visto que as pessoas se posicionam de acordo como percebem e atuam no universo que as rodeia, ou seja, a partir de suas percepções.

Tuan (1980) considera percepção como a reação dos sentidos aos aspectos externos e como sendo também o exercício de registrar certos fenômenos e de bloquear outros na construção do conhecimento sobre algo. Desse modo, para a autora, muito do que é percebido tem importância para as pessoas, de acordo com seus interesses, necessidades, convicções e experiência de vida. Conforme Ribeiro, Lobato e Liberato (2009, p. 56):

A mente, de maneira seletiva, destaca um conjunto de estímulos que fornecem a percepção, pela qual são formados imagens e pensamentos. Há consciência somente dos aspectos ou das informações que nos chamam a atenção. Nesse momento, a nossa inteligência/consciência atribui significado ao que está sendo percebido de acordo com as novas vivências e experiências, como advogam Yi-Fu Tuan e Lívia de Oliveira, mas também de acordo com nossas emoções, intuições, sensibilidades, desejos, humor, expectativas presentes e futuras, formação familiar e profissional, contexto sociocultural e paradigmático, dentre outros.

Diante de todo o exposto, pode-se inferir que os estudos sobre percepção concluem que diferentes pessoas não veem uma realidade da mesma forma, pois a percepção humana ou social da realidade é individual e seletiva. No entanto, destacam que embora sejam diversas as percepções de indivíduos e de grupos sobre algo, é bastante provável que vários seres humanos possam compartilhar de percepções semelhantes por viverem em ambientes e contextos também semelhantes, ou por partilharem de valores, conceitos e/ou princípios comuns.

A esse entendimento alia-se o princípio de representação social, o qual será abordado no próximo tópico.

4.1.2 Conceito de Representação Social

A representação social, de acordo com a conceituação clássica apresentada por Jodelet (1985), é um tipo de conhecimento prático voltado para a comunicação e para a compreensão do meio social, material e ideativo em que o indivíduo está inserido, sendo, portanto, uma forma de conhecimento que se apresenta como elementos cognitivos - imagens, conceitos, categorias, teorias, mas que não se reduz a esses elementos.

O conceito de representação social, conforme muitos autores, origina-se da teoria das Representações Coletivas de Durkheim, segundo a qual a sociedade tem poder coercitivo

70 sobre as consciências dos sujeitos, expressando a prevalência social sobre a individual. Para Durkheim (2003), portanto, o pensamento do sujeito tem pouca autonomia diante das formas coletivas de pensar. Apesar de a teoria da representação social sofrer muitas influências do pensamento de Durkheim, a representação social propriamente dita não reduz a autonomia dos indivíduos, mas enfatiza a importância dos sujeitos como sendo ativos e construtores da formação do pensamento sobre algo.

Como bem destacam Alvântara e Vesce (2008, p. 2213):

A experiência individual é construída pelo sujeito em sua interação com a realidade social, do mesmo modo que a realidade social constitui-se da multiplicidade de experiências individuais. Sendo assim, a Representação Social situa-se na relação entre o universal e o particular, não podendo estar localizada em nenhum desses dois pólos, mas se constrói nas relações interpessoais, e é por meio dessas relações que o indivíduo pode reconstruir significados e estabelecer novas relações.

Corroborando esse posicionamento, conforme Garcia (1993), pode-se dizer que as representações sociais são compostas por três elementos básicos, que estão em constante interação, quais sejam o conteúdo (opiniões, imagens, atitudes, etc.), o objeto (pessoa, fato ou ação) e o sujeito (o indivíduo ou o grupo social). Dessa forma, estão vinculadas a valores, noções e práticas individuais que direcionam as condutas na rotina das relações sociais e manifestam-se por meio de expressões, sentimentos, atitudes, estereótipos, etc.

Concorda com esse entendimento o posicionamento de Moscovi (1981), citado por Oliveira (2007, p. 387), o qual defineas representações sociais como:

[...] um conjunto de conceitos, proposições e explicações originadas na vida cotidiana no curso de comunicações interpessoais. Elas são o equivalente, em nossa sociedade, aos mitos, e sistemas de crença das sociedades tradicionais; podem ser vistas como a versão contemporânea do senso comum.

Portanto, a representação social, na qualidade de conhecimento do senso comum, está presente nos posicionamentos e nas opiniões dos indivíduos de um determinado grupo. Dessa maneira, constitui forma de conhecimento que é elaborada e compartilhada socialmente e beneficia a produção de uma realidade comum, possibilitando a compreensão e a comunicação dos sujeitos com o mundo.

Desse modo, pode-se inferir que as representações sociais e, por conseguinte, as percepções dos indivíduos sobre determinado assunto, estão intimamente vinculadas a valores, noções e práticas individuais que orientam as condutas no cotidiano das relações sociais e manifestam-se por meio de estereótipos, sentimentos, atitudes, palavras, frases e

71 expressões. Relacionam-se, ainda, conforme ressalta Oliveira (2006), à participação dos sujeitos nos grupos em que estão inseridos e são influenciadas pela absorção e interpretação particular dos conceitos e ideias enraizados nesses grupos dos quais fazem parte.

Assim, a escolha pela utilização desses conceitos para análise da percepção das servidoras lotadas na Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas - PROGEP da Universidade Federal do Ceará deveu-se à concordância com a perspectiva de Jovchelivitch (1995) de que a experiência individual é formada pelos sujeitos em sua vivência com a realidade social, da mesma forma que a realidade social forma-se a partir da multiplicidade de experiências particulares, o que evidencia a intrínseca relação entre as mediações sociais e a formação da representação social sobre um determinado assunto.

Frente às considerações sobre as duas teorias descritas neste tópico, buscou-se demonstrar sob quais fundamentos pretendeu-se abordar e analisar a percepção e, por conseguinte, a representação social do assédio sexual na perspectiva dessas trabalhadoras, tendo em vista que, diante das impressões desses sujeitos, acreditamos ser plausível tecer conclusões a respeito do conhecimento delas sobre esse tema tão prejudicial às organizações, à sociedade e às mulheres, sobremaneira.