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2. Bases teóricas de la narrativa fantástica

2.1. El aporte de Todorov

2.1.1. Intentos de definición

2.1.1.3. La vacilación

Fonte: Adaptado de Moraes (2012).

Sem desmerecer a ótica do isolamento, após a descoberta do ouro outras iniciativas econômicas afloraram na região, entre elas a produção da cana de açúcar, por volta de 1729. Em 1750, funcionavam engenhocas de aguardente de cana, que empregavam negros da Guiné. Nessa época a produção açucareira não era bem vista nas regiões de exploração aurífera, porquanto poderia desviar a mão de obra do trabalho minerador. Dessa forma, em 1735 o governador da capitania de São Paulo enviou homens para a destruição dos engenhos existentes na região das Minas do Cuiabá. Embora assim, continuaram a existir posteriormente dada a importação de maquinaria industrial movida a vapor, trazida da Inglaterra, por meio de empresas importadoras e exportadoras estabelecidas na Argentina. Em razão disso, os engenhos se transformaram em usinas açucareiras.

Na relação de trabalho, a substituição do engenho pelas usinas, não modificou-lhe a forma. Mesmo após a abolição da escravatura em 1888, os trabalhadores continuaram recebendo tratamento escravista, fazendo as vezes do ―coronel‖ o proprietário da usina. Borges (2001) menciona que o trabalho escravo nas usinas de açúcar e nos ervais de Cuiabá existiu, documentado nos registros, até 1931, sendo escravidão de negros, índios e brancos. A tudo se empregava um sistema repressivo, com guarda armada. Borges ainda cita a existência

de trabalho livre, em que índios e homens livres de Mato Grosso e do Paraguai lançavam mão de sua força de trabalho nas atividades extrativas da borracha, erva-mate, ipeca e outros. Embora a mineração fosse motivo de sustento dos habitantes durante as expedições bandeirantes, quando do início das primeiras atividades industriais, a dificuldade de produção e de transporte agrícola fez com que as primeiras produções atendessem primeiramente ao consumo interno. Com isso, seu volume mais expressivo se deu na virada do século XVIII para o seguinte.

Embora o isolamento tivesse seus aspectos políticos e econômicos estabelecidos, o processo de interiorização do Brasil sempre foi discutido. Pelo fato de o Rio de Janeiro estar localizado no litoral, existiam preocupações com a segurança da Capital. Basta lembrar que a constituição de 1824 já menciona a mudança da capital do Império para o centro do país.

No tocante à Independência, Mato Grosso depôs seu capitão-general em 3 de junho de 1821, um ano antes de ser ela proclamada, dado que ocorreu em setembro de 1822. Assim, Mato Grosso assistiu à Independência do Brasil sob uma junta governativa de residentes da capitania. Quanto aos conflitos regionais, sobressaia a Rusga que se deu, neste estado, em 1834. Ao longo do período que antecedeu a Guerra do Paraguai (1864-1870)14, foram registradas correntes migratórias para Mato Grosso, provenientes de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul.

Antes da guerra, o rio Paraguai, que havia se tornado importante escoador dos produtos comerciais, também cedeu das suas barras para a produção de açúcar de engenho e extração de ipecacuanha, tornando-se centro de apoio ao desenvolvimento econômico da região. A produção se dava pelo rio Paraná e Prata até o oceano Atlântico, e dali ao porto de Santos. Durante a guerra, a comunicação com o Sudeste cessou, pois os conflitos na Região Sul de Mato Grosso, onde hoje é o Estado de Mato Grosso do Sul, sucederam no decurso do rio Paraguai. Com este incidente, ficou evidente, na época, a fragilidade das forças regionais, pois não tinham o apoio das tropas imperiais. Daí porque Mato Grosso enfrentou a batalha com regimento próprio. Quando Corumbá foi tomada pelos paraguaios, Cuiabá se preparou para defender-se, algo que não foi preciso, em razão das dificuldades encontradas por eles para subirem o rio. Mesmo assim, o Presidente provinciano sugeriu o fortalecimento da região

14A guerra do Paraguai, ou da tríplice aliança, envolveu o Brasil, o Uruguai e a Argentina contra o Paraguai.

Depois de o Brasil invadir o Uruguai e interferir em uma guerra civil, o presidente paraguaio, Solano López, por temer que também fosse invadido, procurou se aliar aos derrotados uruguaios para contrapor ao Brasil. Assim, em 11 de novembro de 1864, aprisionou um vapor brasileiro suspeitando que tivessem armas em seu interior, mas se tratava do presidente da província de Mato Grosso. Posteriormente, o Paraguai invadiu Mato Grosso.Política e economicamente, a Inglaterra estava envolvida no conflito, devido ao desenvolvimento industrial do país guerreado.

de Melgaço, devido à sua localização físico-geográfica. A partir dessa época, passou a se chamar Barão de Melgaço, em homenagem ―a seu defensor Augusto Leverger, titulado Barão de Melgaço a 10 de novembro de 1875, título conferido pelo Imperador D. Pedro II‖, informação que colhemos na citada obra de Siqueira.

Entre 27 de dezembro de 1864 e 23 de março de 1870 a Guerra do Paraguai afetou seriamente Mato Grosso. A navegação interrompida com o oceano Atlântico e a força de trabalho desestruturada frente à epidemia de varíola e uma baixa capacidade de demanda interna remonta um quadro de dependência exógena para acumulação de excedente, que mesmo tendo a poaia e artefatos de couro para exportação, não conseguiam realização pela dificuldade de produção e escoamento. Sem produção não havia arrecadação de impostos, o que remetia ao endividamento público tanto pelos esforços de guerra quanto para a manutenção das condições mínimas de vida na Província. Com o Paraguai arrasado pela guerra, os vencedores impuseram as suas intenções, sendo para que Mato Grosso a mais importante foi a reabertura da navegação da bacia platina. Através do rio Paraguai Mato Grosso volta a se comunicar com centros econômicos relevantes. De 1870 a 1930 a navegação nesta bacia foi ininterrupta e pela hidrovia se movimentavam mercadorias, pessoas e ideias (MENDONÇA, 1981; SIQUEIRA, 2002).

O capital comercial, em franca expansão mundial, identificou oportunidades de empreendimentos em Mato Grosso para fornecimento de bens industriais produzidas na Europa. Além disso, havia algumas matérias-primas de interesse, que logo atraíram o capital produtivo. Os principais produtos fornecidos por Mato Grosso eram couros bovinos secos, sebos, crinas, penas de aves, cascos de animais, látex manufaturado, erva-mate e poaia ensacada (SIQUEIRA, 2002). O capital estrangeiro comercial se estabeleceu em três principais polos, Corumbá, Cáceres15 e Cuiabá, em função da ligação fluvial. Para garantir o fornecimento de produtos regionais, os capitais comerciais também passaram a controlar o sistema de extração de poaia e látex, além de organizar a produção de gado de forma extensiva. Esta fase é de conformação de um capitalismo comercial voltado ao eixo Sul, onde a saída pelo oceano Atlântico se consolidou como a forma mais segura e competitiva de interligar Mato Grosso ao mundo capitalista. A acumulação de capital se expande, mas muito relacionado às condições biofísicas do território, dado o caráter de extrativismo da

15As primeiras empresas industriais com alta potencialidade de produção e exportação para a Europa surgiram

em Cáceres após a Guerra do Paraguai, pelas usinas de açúcar e as charqueadas de Descalvados e Barranco Vermelho.

biodiversidade. Em 1882 Cuiabá alcançava 20 mil habitantes, uma recuperação em relação a 1867, quando dos 12 mil habitantes, estima-se que quase a metade tenha falecido por varíola.

Mesmo com a abertura da navegação e a possibilidade de revigorar a economia, com a presença de novos vetores produtivos e com a exportação de produtos industriais e da poaia, a balança comercial mato-grossense permaneceu deficitária entre 1872 e 1897, quando o saldo negativo foi coberto pelo Governo Imperial e pelo Governo Republicano. A fase entre 1870 e 1890 é considerada de reduzido movimento de exportação. Entre 1890 e 1914 surgem, ao lado da extração da poaia, dois outros sistemas extrativos, a borracha e a erva-mate, estes com maior capacidade de agregação de valor, gerando a partir de 1902 excedentes apropriáveis, em função do considerável superávit da balança comercial de Mato Grosso. A pecuária, tradicional produção mato-grossense, somente se estabeleceria como vetor dinâmico a partir de 1914 com o término da construção da ferrovia interligando Mato Grosso (a atual porção Sul) com São Paulo (BORGES, 2001).

O crescimento da extração acabou deslocando grande parte da mão-de-obra disponível na região para a extração do látex, o que desarticulou a produção local de alimentos e agravou sobremaneira o já existente problema de escassez de trabalhadores. No entanto, observou-se na região um intenso fluxo migratório a partir do terceiro quartel do século XIX, provocado por um longo período de estiagem no Nordeste brasileiro, e que, em última instância, mitigou os problemas oriundos da falta de população economicamente ativa na região (WEINSTEIN, 1993). O sistema de aviamento, onde o capital comercial e latifundiário controlava a força de trabalho se estabeleceu como elemento estruturante do sistema produtivo16.

Em 1901 as exportações de borracha representavam importantes 23% das exportações mato-grossenses, alcançando em 1907 a participação de 59% e o pico em 1910 com 69% do valor exportado por Mato Grosso. A borracha permaneceria como principal atividade econômica de Mato Grosso até 1917, quando foi suplantada em 1918 pela pecuária e seus subprodutos, que estavam em franca expansão desde 1914, com o advento da ferrovia Noroeste do Brasil e da Primeira Guerra Mundial. A participação da borracha na exportação regional declinaria de forma constante até a década de 1930, tornando-se o terceiro sistema produtivo na pauta de exportações, atrás da pecuária e da erva-mate (BORGES, 2001).

A exploração da poaia serviu à acumulação de capital na porção Oeste de Mato Grosso, na região compreendida entre o rio Paraguai e o rio Guaporé, o que poderia ter

16 Houve uma complementação entre o sistema extrativo da poaia e do látex. Como o período de extração destes

sistemas não coincidia, os trabalhadores eram alocados em torno de seis meses em cada sistema, sendo ambos, regidos pelo aviamento.

orientado mais uma vez a Província para o Norte, em contato com os núcleos amazônicos. Contudo, dadas as condições de navegação na bacia platina, Mato Grosso consolida a sua direção voltada ao Sul, sofrendo influência direta da navegação no oceano Atlântico, com Barra do Bugres, Cáceres e Corumbá sendo os núcleos de organização deste empreendimento. 2.3 A nova configuração política e econômica para o centro-oeste mato-grossense

Mato Grosso sofreu duas separações territoriais, a primeira se deu em 1943, quando foi criado o território de Rondônia. Já em 1977, o desmembramento teve como objeto a criação de Mato Grosso do Sul. Antes dessas separações Mato Grosso chegou a ter uma extensão de 1.477.041 km2, assinalando que, com a divisão, sua extensão corresponde à terceira maior do país: 906.806.90 km2. No mapa 5 a seguir, é possível verificar a formação do Guaporé, posterior território e Estado de Rondônia, e na parte sul de Mato Grosso a demarcação para Ponta Porã, o que não ocorreu, essa cidade ficou dentro do futuro estado do Mato Grosso do Sul.