3. METODE OG DESIGN
3.1 V ITENSKAPSTEORETISK BAKGRUNN OG VALG AV METODE
Trecho 45- A1:
Sendo assim, Brinton e Traugot (2005) definem lexicalização como:
A mudança pela qual, em certos contextos linguísticos, os falantes usam uma construção sintática ou uma formação de palavras [...]. Através do tempo, pode ocorrer mais perda da constituição interna e o item pode se tornar mais lexical. (p.96)
Trecho 46- A3:
Nesse sentido, a noção, tal como empregada, de gênero de texto designa “espécie de texto” que apresenta “características semióticas mais ou menos identificáveis (BRONCKART, 2008, p.88.), se coaduna com a definição proposta por Marcuschi (2008), em que:
O gênero textual refere os textos materializados em situações comunicativas recorrentes e que apresentam padrões sociocomunicativos característicos definidos por composições funcionais, objetivos enunciativos e estilos concretamente realizados na integração de forças históricas, sociais, institucionais e técnicas. (p.155)
Trecho 47- B5:
Segundo Gonçalves (1996) apud Marques, Moreira e Gomes (2010, p.1):
“Ética profissional consiste em atender essa atividade – o trabalho – como fator fundamental à construção da identidade e da realização pessoal, bem como os estabelecimento de uma ordem social, em que prevaleçam relações fundadas na dignidade, na liberdade e na igualdade entre os homens.”
Nos trechos acima (Trechos 45, 46 e 47), selecionamos para análise casos de arrazoados por autoridade em que o locutor responsável pelo enunciado como um todo – L1 – apresente a voz de outro locutor – L2 – introduzindo-a por verbo dicendi não modalizador ou equivalente (a palavra Segundo, seguida dos dois pontos36).
No primeiro trecho (Trecho 45) percebemos que L1 introduz o discurso de L2 (Brinton e Traugot) a partir do verbo dicendi não modalizador definir. Esse verbo pertence ao que Nascimento (2009) classifica como primeiro grupo, os não-modalizadores, ou seja, aqueles em que L1 apresenta o discurso de L2 sem deixar marcas de avaliação, ou seja, sem apresentar nenhum julgamento, nenhum comprometimento ou nenhum afastamento com relação ao dito do segundo locutor.
O mesmo ocorre no segundo trecho (Trecho 46); no entanto, esse trecho apresenta três locutores distintos. L1, o locutor responsável pelo enunciado como um todo; L2, Bronckart, que é responsável pela primeira citação em estilo direto entre aspas; e L3, Marcuschi, responsável pela última citação também em estilo direto, mas com o recuo de 4 cm da margem esquerda, com letra menor e espaçamento simples (de acordo com a regra da ABNT). Essa última citação foi analisada anteriormente, mas agora consideremos apenas a primeira citação, correspondente ao discurso de L2 – Bronckart.
Assim como o verbo dicendi definir, do primeiro trecho, nesse segundo trecho L1 introduz o discurso de L2 também com um verbo dicendi não modalizador, designar. Ao inserir um verbo dicendi pertencente ao primeiro grupo, L1 apenas introduz o discurso de L2, indicando o ato de fala proferido pelo segundo locutor, qual seja uma designação, e sem emitir qualquer posicionamento com relação a este dito.
No último trecho (Trecho 47), L1 introduz o discurso de L2, Gonçalves, sem utilizar expressamente verbo dicendi. Ao introduzir o discurso de L2 apenas por um termo não modalizador, “Segundo”, L1 não avalia do discurso de L2 e, portanto, não se compromete, não julga nem se distancia do dito, apenas apresenta-o. Assim como o termo segundo, empregado no trecho em análise, alguns outros termos se comportam da mesma maneira, a saber: de acordo com; conforme X; para X.
No entanto, nos três casos acima, apesar de os verbos dicendi ou equivalentes serem expressões não modalizadoras, o caráter de comprometimento e de engajamento do dito de L1 com relação ao dito de L2 se mantém, em razão do discurso relatado ser um caso de arrazoado
36 Apesar de não se apresentar explicitamente um verbo dicendi, no trecho 47, é possível considerar a sua
existência, de maneira elíptica. Em decorrência do próprio uso da palavra “segundo”, introdutora de relatos e citações, é possível a elipse do verbo, nesse contexto, sem prejuízo para a apresentação do relato.
por autoridade. Em outras palavras, L1 se engaja com o discurso de L2 por utilizá-lo como a voz de autoridade sobre o assunto e, desta forma, compromete-se com o dito do segundo locutor.
Trecho 56- A2:
Conforme Tagliani (2001, p. 138-139), “(...) há um renovado interesse no LD, o que se deve,
principalmente, as avaliações periódicas feitas via PNLD”.
Trecho 60- A4:
Neste sentido, os Parâmetros curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM) assim
dispõem: “(...) as novas tecnologias da comunicação e da informação permeiam o cotidiano,
independente do espaço físico, e criam necessidades de vida e convivência que precisam ser analisadas no ambiente escolar”.
4.2.4 ARRAZOADO POR AUTORIDADE INTRODUZIDO POR VERBO DICENDI NÃO MODALIZADOR OU EQUIVALENTE SOB A FORMA DE ESTILO
INDIRETO
Trecho 80- A1:
Buscando ampliar a noção de gramaticalização, Givón (1979), linguista funcional norte- americano, sem desprezar as ideias defendidas anteriormente pelos teóricos citados, introduz a noção do discurso como um fator que influencia o desenvolvimento de estruturas e categorias gramaticais, e é com base nessa definição, já explicitada inicialmente, que esse estudo será feito.
Trecho 81- A1:
A título de exemplificação, temos o processo de gramaticalização do item a gente, descrito por Omena Braga (1996), como um item que se refere semanticamente aos pronomes pessoais eu e nós, principalmente quando essa referência, no que diz respeito às pessoas do discurso, aparece de maneira indeterminada ou deiticamente determinada.
Trecho 82- B3:
Em relação às restrições de uma entrevista Marconi e Lakatos (2003) cita algumas das limitações ocorrentes na entrevista, com dificuldade de expressão de ambas as partes,
incompreensão por parte do informante, disposição do entrevistado em dar informações necessárias, retenção de alguns dados importantes, entre outros.
Nos trechos acima (Trechos 80; 81; e 82), L1 – locutor responsável pelo Projeto – apresenta a voz de outro locutor, L2, em forma de estilo indireto a fim de que seu enunciado apresente fundamento científico, já que L2 é autoridade sobre o assunto. No primeiro trecho (Trecho 80), L1 introduz o discurso de L2, Givón, informando, inclusive, que esse é um “linguista funcional norte-americano”, reforçando ao interlocutor a autoridade que L2 possui sobre o conteúdo abordado. Ao abordar o dito de L2 em forma de arrazoado, L1 se engaja com L2; no entanto, L1 introduz o discurso do outro a partir de um verbo dicendi não modalizador, introduz, que não assinala nenhum julgamento ou posicionamento do primeiro locutor com relação ao dito do segundo locutor.
O mesmo ocorre nos dois outros trechos selecionados para análise nesse tópico (Trechos 81 e 82). L1 apresenta o discurso de L2 - Omena Braga, no segundo trecho; Marconi e Lakatos, no terceiro trecho – em forma de arrazoado por autoridade em estilo indireto, mas não o introduz com verbo dicendi modalizador. No primeiro trecho (Trecho 81), L1 utiliza o verbo dicendi descrever para apresentar o discurso de L2, indicando apenas o ato de fala realizado pelo segundo locutor: uma descrição. No último trecho (Trecho 82), L1 introduz o discurso de L2 a partir do verbo dicendi citar e, com este verbo, indica a ação verbal realizada por L2: uma citação. Assim sendo, esses três verbos pertencem ao primeiro grupo, segundo Nascimento (2009), uma vez que são verbos dicendi não modalizadores, indicam um ato de fala, mas não apresentam um julgamento de L1 com relação ao discurso de L2.
É importante observar, no entanto, que o uso destes verbos dicendi não modalizadores não interferem no caráter de engajamento de L1 com relação ao discurso de L2, uma vez que o relato do segundo locutor se constitui em um arrazoado por autoridade, sob a forma de estilo indireto. Ou seja, L1 se engaja com o discurso de L2 por utilizá-lo como a voz de autoridade sobre o assunto e, desta forma, compromete-se com o dito do segundo locutor.
Trecho 83- A1:
Lehmann (1995 [1982], p. 11-12), acrescenta à definição de Meillet (1912) a noção de que o processo de gramaticalização pode levar à mudança não somente de um item lexical para gramatical, mas de um item menos gramatical para mais gramatical.
Trecho 220- A6:
Travaglia (2006) denomina essa ocorrência como variação de registro e afirma que na língua escrita há uma tendência “para maior regularidade e geralmente maior formalidade que as língua falada” (TRAVAGLIA, 2006, p. 56).