2. TEORETISKE PERSPEKTIV
2.7 B ARNEHAGENS SYSTEM OG INNHOLD
2.7.1 Barnehagens indre system
O propósito que originou este trabalho foi discutir questões relacionadas com a variação linguística e fonética da língua espanhola, mais precisamente a vocalização da lateral em espanhol, produzida por estudantes brasileiros. Como professora de espanhol, há mais de dez anos, sempre nos questionávamos como os alunos realizavam certos tipos de fonemas, que não tinham o correspondente na sua variedade da língua materna. Observávamos, no processo de aprendizagem deste idioma, os passos dos aprendizes, os estágios percorridos, entre outros mecanismos de apreensão da nova língua, como também de que estruturas linguísticas eles se utilizavam. Assim, buscamos conhecer essa competência transitória, ou seja, a interlíngua, onde podemos detectar, com maior riqueza de detalhes, as dificuldades encontradas pelo aprendiz e observar a sua evolução no processo de ensino/aprendizagem do espanhol.
A grande maioria dos alunos de espanhol considera que a priori a semelhança entre os dois idiomas de origem românica é algo que favorece o seu aprendizado, contudo, nos níveis avançados, essa similitude passa a ser uma dificuldade para a apreensão de algumas estruturas da nova língua, no nosso caso, fonológicas. Cabe a nós, professores, conscientizarmos os alunos brasileiros de que, embora o espanhol e o português tenham muitas coincidências, apresentam diferenças estruturais consistentes e alguns perigos léxicos, a exemplo dos falsos amigos. Celada e González (2005, p.77) afirmam que 90% das palavras do espanhol têm equivalentes idênticos ou muito parecidos no português, e que a dificuldade se encontra nos 10% restantes, pois aí estão ocultos os falsos cognatos, que podem gerar interferência linguística e causar mal entendido. No caso do nosso trabalho, esse particular torna-se ainda mais evidente, posto que, quase sempre, os aprendizes são professores atuais ou futuros, devendo funcionar como modelos no uso da língua.
Na entrevista realizada, os informantes, no geral, afirmaram que as semelhanças entre os dois idiomas ajudam, a princípio, no ensino/aprendizagem do espanhol. Muitos deles asseguraram que foi difícil interiorizar alguns sons divergentes da sua língua materna, como por exemplo o [l, r, s e z]. Alguns asseguraram que o campo fonético/fonológico é o que apresenta maiores divergências entre o português e o espanhol, já que os dois idiomas apresentam diferenças sonoras consideráveis, o que, segundo eles, dificulta a aprendizagem de alguns segmentos fonológicos da língua
espanhola. Eles informaram que alguns de seus professores se utilizavam da análise contrastiva para ensinar essas particularidades, o que, para esses informantes, soava como algo positivo.
Com relação aos informantes que têm consciência fonológica, afirmaram que os conhecimentos na área os ajudaram na compreensão das particularidades fonológicas do espanhol. Contudo, a análise quantitativa dos dados, como já vimos, mostrou que isso não fez muita diferença, uma vez que, a vocalização foi realizada pelos dois grupos de forma semelhante. Comprovamos, diante das respostas dos participantes da pesquisa e com a análise dos resultados, que eles sentem dificuldade em adquirir o segmento fonológico l. Assim, nossa investigação se propôs a abordar a forma como se deu o fenômeno da vocalização da lateral em língua espanhola por estudantes brasileiros, examinando as variáveis linguísticas e extralinguísticas que motivaram sua realização. Trata-se de uma pesquisa de natureza sociolinguística, obedecendo à metodologia de cunho quantitativo, contabilizando e analisando as ocorrências do fenômeno. Nossas hipóteses condutoras foram: O som da lateral em português pode exercer um fator não facilitador na sua
realização em espanhol; quanto maior o tempo de exposição à língua menor será o grau de variação na realização da lateral em espanhol pelos informantes brasileiros; os estudantes brasileiros que têm consciência fonológica, ou seja, que já estudaram a disciplina Fonética também apresentariam um grau menor de variação na realização da lateral em espanhol.
Observando essas hipóteses, pudemos confirmar que a diferença existente entre a realização da lateral nos dois idiomas dificulta a apreensão do segmento fonológico por parte dos estudantes brasileiros. Isso nos levou a observar a circunstância destes estudantes serem alunos de Letras ou graduados, alguns até professores de espanhol, ou seja, com a missão de servirem como exemplos para seus educandos. O fato é que ter a língua materna como espelho pode ser algo limitador e até perigoso, no momento em que isso vem confirmar a inaptidão do sujeito de interiorizar as particularidades fonológicas de cada idioma.
Nesse cenário, nosso desafio como professores é voltar o olhar para as questões fonológicas, a fim de que os alunos possam progredir na interlíngua. É importante reconhecer essa dinâmica como parte integrante do processo de ensino/aprendizagem de idiomas e a variação proveniente de seu uso como um avanço em direção à língua meta. Assim, nós professores de línguas estrangeiras temos que observar o progresso dos
aprendizes no momento em que é muito importante identificar os fatores relacionados ao desenvolvimento da interlíngua. É interessante registrar o grau de identificação que eles mantêm com a nova língua e sua motivação, aspectos que vão afetar sua predisposição em acomodar-se, ou não, linguisticamente.
No tocante à motivação dos alunos, vale dizer que a metodologia comunicativa e contextualizada é a mais afeita para introduzir estudos fonéticos que, muitas vezes, os alunos consideram de difícil compreensão. Assim, nós professores devemos nos atualizar, sempre, realizando atividades inovadoras e dinâmicas para trabalhar com fonética nas salas de aula de espanhol, atendendo à necessidade dos aprendizes e aos objetivos de cada curso.
Nesse contexto, com relação ao ensino de questões fonéticas em espanhol, acreditamos que a análise contrastiva pode ser útil. Levando em consideração a proximidade tipológica entre o português e o espanhol, não no sentido behaviorista de prever os desvios provenientes da interferência da língua materna, mas com o objetivo de conscientizar os aprendizes das diferenças entre os dois sistemas linguísticos. De forma que se o professor sistematiza contrastivamente aqueles aspectos da língua materna que apresentam semelhanças com a língua meta, poderá desenvolver ou direcionar o material pedagógico de modo relevante para os alunos, rentabilizando o processo de aprendizagem.
Voltando aos resultados da nossa investigação, de acordo com os dados obtidos, a variável nível de proficiência na língua foi a primeira selecionada na rodada. Este fato confirmou a hipótese de que o nível do aprendiz é um fator de grande influência para a vocalização da lateral, já que, quanto maior esse nível, no aprendiz, menor a ocorrência da vocalização da lateral. Como já era esperado, na medida em que os informantes vão se aprofundando no conhecimento do idioma, ampliando mais a sua interlíngua, conseguem apreender os segmentos fonológicos do espanhol com maior facilidade.
Com relação às variáveis, o contexto fonológico precedente foi a segunda mais relevante da rodada, como vimos na análise dos resultados. Identificamos que as vogais que mais influenciaram na realização da lateral foram: I, com 0.61, U, com 0,59 de vocalização e O, com 0.57. O fato dos segmentos fonológicos terem sido a segunda variável que influenciou na realização da vocalização, nos causou surpresa, porque não havíamos pensado que o segmento fonológico anterior fosse um fator tão relevante na
vocalização. Vale ressaltar que esses valores tão similares também nos chamaram atenção por evidenciar quais as vogais que mais favorecem a aplicação do fenômeno investigado.
A consciência fonológica foi a terceira variável selecionada pelo programa. Os pesos relativos 0,49 e 0.50, respectivamente, dos informantes com consciência fonológica e sem ela, que realizaram a vocalização, é um resultado muito semelhante. Dessa forma, contraria nossa hipótese de que aqueles que tivessem estudos fonéticos realizariam menos a vocalização. Isso veio mostrar que, mesmo com conhecimento na aréa fonológica da língua espanhola, é difícil para os estudantes internalizarem particularidades fonéticas do novo idioma que não existem na variedade do português por eles usada.
Com esta pesquisa, esperamos que a nossa proposta possa ser somada às hoje existentes, sinalizando não só os caminhos da realização da lateral, mas também o processo de interferência que é comum ocorrer no ensino/aprendizagem de línguas próximas. É oportuno discutir ideias que possam aprimorar as considerações a que chegamos, para compreender melhor o papel da LM na aprendizagem de uma LE, visto que a interlíngua dos informantes constitui um processo variacionista. Assim, nossa investigação buscou dialogar entre as áreas da Sociolinguística e aprendizagem de línguas estrangeiras, pretendendo trazer novas sugestões nesse campo. Acreditamos ter dado neste trabalho uma contribuição para a pesquisa dos processos de interferência e o uso do conhecimento no ensino de uma língua estrangeira. Objetivamos, ainda, com os frutos desta investigação, colaborar para o desenvolvimento da inter-relação entre sociolinguística e línguas estrangeiras, visando à melhoria do ensino/aprendizagem e norteando estudantes e professores.
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