3. FATTIGDOM SOM OPPHAVSPROBLEM
3.3 V ELFERDSSTATENS NYE UTFORDRINGER
A cooperativa E, por outro lado, não atua no PAA e apresenta- se mais isolada no que se refere à articulação territorial. Ela foi criada no ano de 2005, situa-se também no Planalto Norte de Santa Catarina, inicialmente continha em seus quadros 36 cooperados e atualmente conta com aproximadamente 76 cooperados, todos eles agricultores familiares, nenhum deles assentado da reforma agrária.
A produção desta cooperativa é baseada exclusivamente na produção de maça e sua venda ocorre somente in natura. Após a colheita todos os serviços são terceirizados, como o transporte, a seleção da fruta, embalagem, estocagem e venda. A comercialização é majoritariamente feita através de atravessadores, com pequena participação em venda direta às redes atacadistas e varejistas locais.
A cooperativa E atua exclusivamente em seu município e apesar de participar da discussão do projeto de desenvolvimento territorial da região, não possui articulação local, tampouco participa de redes ou promove o intercâmbio com outras cooperativas. Há relação de proximidade com o sindicato dos trabalhadores rurais do município, mas recentemente perdeu o apoio que tinha da Prefeitura Municipal em virtude das mudanças políticas. Suas operações financeiras são feitas através do Banco do Brasil.
Atualmente seus objetivos se concentram no desenvolvimento econômico dos agricultores e na promoção das vendas com maior valor agregado, com planos de construir espaço de armazenagem e mais futuramente uma agroindústria.
Percebe-se também através do PDI que a cooperativa E tem dificuldades em realizar investimentos, apesar de tê-lo feito, em caráter de emergência, eles acabaram por contrair muitas dívidas, saldadas inclusive com novos empréstimos realizados no nome dos cooperados, já que a cooperativa não possuía mais crédito na praça. O grande fator de endividamento desta cooperativa ocorreu em virtude de tragédias climáticas que afetaram a estrutura de armazenagem que a cooperativa possuía. Em 2008, um vendaval derrubou o armazém de estocagem o que gerou, além dos prejuízos patrimoniais a necessidade de investimento para a reconstrução e de locação de infraestrutura em outras cidades.
Um fator importante para o baixo desempenho da cooperativa é explicada pelo próprio gestor no PDI. Afirma ele que na região do Planalto Norte há disputa ideológica entre os produtores locais e os
produtores assentados da reforma agrária vinculados aos movimentos sociais de esquerda. Segundo ele a formação de cooperativas está vinculada a este último fazendo com que os primeiros rejeitem as propostas cooperativas e prefiram buscar mercado através de empresas ou venda direta à atravessadores. Aliado a esta desavença ideológica, existe uma descrença no município quanto ao empreendimento cooperativo em virtude da liquidação recente de dois empreendimentos deste tipo.
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Conclui-se, portanto, que as cooperativas E e J situam-se na mesma região: o Planalto Norte e o mesmo tempo de atuação. Além disso, ambas declaram contar com funcionários registrados, ter participação satisfatória nas atividades da cooperativa e ainda facilidade de acesso ao crédito e ter realizado investimento em suas estruturas, apesar de a cooperativa E declarar inadimplência contratual.
No entanto, os fatores que as distanciam são muitos, entre eles se destacam a participação em políticas públicas, a estrutura produtiva das cooperativas e a inserção destas cooperativas em seus territórios. A cooperativa J, melhor posicionada no ranking, atua no PAA, enquanto a cooperativa E, a pior colocada no ranking, não acessa o PAA. Além de atuar no PAA a cooperativa J participa de outros programas e políticas públicas como o PNAE, enquanto a cooperativa E está à margem destes. Quanto à estrutura produtiva, explicita-se a inexistência de qualquer estrutura produtiva na cooperativa E, quer seja de armazém, agroindústria, veículo para distribuição, sequer instrumentos de gestão, enquanto a cooperativa J possui toda estrutura produtiva, utiliza softwares para gestão da produção e demais ferramentas de gestão e sistematicamente tem ampliado e diversificado sua capacidade produtiva. Essa diversificação de produção também faz com que a cooperativa J possua um maior diversidade nos canais de comercialização, assim como a relação direta com o consumidor final, que inexistem na cooperativa E, que vende seus produtos quase que exclusivamente a intermediários.
Ainda em relação à produção, pode-se destacar a agricultura orgânica como base da produção da cooperativa J e ser um tema ainda alheio à cooperativa E, assim como a capacitação que na melhor cooperativa chega para todos os cooperados e na pior é ainda restrita aos gestores e funcionários.
Sobre os recursos humanos disponíveis para as cooperativas E e J pode-se realizar as seguintes observações: a cooperativa E conta com
presidente bacharel em nível superior, enquanto na cooperativa J o presidente concluiu apenas o nível médio, o mesmo ocorre quanto aos funcionários, que na cooperativa E concluiu o nível superior em Administração enquanto na cooperativa J houve a conclusão do ensino médio. Nenhumas das duas cooperativas contam com a participação expressiva de jovens, e apenas na cooperativa J há participação de mulheres na gestão, ainda que esta não seja numericamente expressiva: há apenas uma mulher participante do conselho de gestão.
Mais significativo que a própria estrutura física e de produção entre essas cooperativas se destaca a questão da articulação. Percebe-se com a exploração detalhada do PDI das cooperativas, que a cooperativa J, a com melhor resultado no ranking, possui um grau de articulação e inserção territorial muito alto. Ela participa de políticas públicas, de conselhos municipais, tem relação com movimentos sociais, pleitos políticos e partidários, além de parcerias com outras cooperativas, seja para a comercialização, produção, capacitação e até mesmo com o crédito para investimentos. Isso significa que para o excelente desempenho tanto da cooperativa como da política pública é necessário um aparato de apoio aos beneficiários dos programas, pois eles fazem a diferença, o peso de levar a cabo a política.
Percebe-se portanto que a cooperativa E possui menos vínculos sociais, políticos e sociais, está mais envolvida com a questão financeira, uma urgência para que seja agregado valor no produto e conquistado melhores mercados. Tais fatores reforçam as conclusões anteriores de que as cooperativas com melhores desempenhos são aquelas que possuem bons resultados em todas as áreas e dimensões, pois um bom resultado reforça o outro, como bem explicitada no relação entre dependência do PAA e participação nas assembleias .
Concluídas as etapas de análise e baseada nas informações obtidas através delas são delineadas as conclusões com consequentes recomendações às cooperativas e gestores da política pública em questão no intuito de cumprir com o objetivo deste trabalho. Para alcançar este objetivo o capítulo seguinte será dividido em três partes, primeiro dedicado às conclusões da pesquisadora, no sentido de identificar as relações da teoria com a prática avaliada e em seguida recomendações divididas em recomendações às cooperativas e aos gestores do PAA.