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6. KONKLUSJON

6.2 V EIEN VIDERE

O vínculo com a comunidade escolar é fator importante na construção da aprendizagem do aluno. Faz parte, de forma decisiva, do contexto de um ambiente qualitativo para a formação de todos (professor, aluno, pai, mãe, gestão). Tardif (2008, p 15) argumenta que “o saber dos professores é profundamente social e é, ao mesmo tempo, o saber dos atores individuais que o possuem e o incorporam à sua prática profissional, para a ela adaptá-lo e transformá-lo”. O referido autor explica que o saber do professor está “sempre ligado a uma situação de trabalho com outros (alunos, colegas, pais etc), um saber ancorado numa tarefa complexa (ensinar), situado num espaço de trabalho (a sala de aula, a escola), enraizado numa instituição e numa sociedade”. Assim, os saberes do professor devem ser compreendidos numa relação direta com as condições que estruturam seu trabalho.

Em relação aos vínculos com a comunidade escolar, as colocações dos entrevistados, respostas, em sua maioria, enfatizaram uma boa expectativa, que se cumpriu, em relação à convivência com colegas e com a academia em geral. Havia

o sentimento do aprendizado, a partir do contato com professores experientes que seriam parceiros de jornada, abertos para entender e acolher as diferenças. Entre as habilidades que esperavam desenvolver, constava saber lidar com diferentes situações de forma consciente e amadurecida e saber lidar com pessoas difíceis e fáceis, como pode ser visto nas falas abaixo:

Maria - Ah, eu espero também que tenha respeito, né? Respeito do

profissional que nós somos, aprender por meio daqueles que já tenham experiência a mais, né? A gente tem que ter muita abertura pra isso, pra acolher o diferente, mas também acolher as ideias, acolher é, com toda a experiência que os professores que já atuam na educação tem, muitas vezes a gente deixa alguma coisa de lado que não vão contribuir pra nossa formação, mas eu acredito que tenha muita abertura com esses profissionais que já atuam.Eu espero que eles sejam comprometidos com a educação, comprometidos com a escola que eles se responsabilizaram a trabalhar, com a educação desses alunos, e trabalhar também junto a família, que eu acredito que, eu acredito que um bom coordenador é aquele que atua com todos os professores e também com os seus alunos, com a comunidade toda né? (informação verbal).

Mácia - Eu acho que eles vão me tratar bem, porque dificilmente alguém

não gosta de mim. Nessa profissão a gente vai encontrar pessoas, pessoas legais, pessoas ruins, então a gente tem que estar já preparado pra poder lidar com pessoas difíceis, pessoas fáceis, até pra receber um não, receber um sim, ser elogiado, mas eu acho que vou ser bem recebida sim.

Ai, eu acho que também, dependendo deles se forem aqueles professores tradicionais a gente vai entrar em conflito, mas se tiver a mesma visão, né? Que eu tenho acho que vai ser tudo harmonioso.

Acho que também vão gostar de mim, porque é, o meu objetivo é ser professor e ser profissional naquilo que eu faço, ser dedicada o maior possível, com essa minha ideia eu só tenho a somar com a escola, né? (informação verbal).

Ainda de acordo com Tardif (2008), uma boa parte do trabalho docente é de cunho afetivo e emocional. Baseia-se em emoções, em afetos, na capacidade não somente de pensar nos alunos, mas igualmente de perceber e sentir suas emoções, seus temores, suas alegrias, seus próprios bloqueios afetivos. Por isso, é muito importante que dentro dos saberes do docente esteja também o feeling para a percepção da emoção, que é transmitido pelo corpo, atitudes, fisionomia e na fala trazida pelo aluno no seu dia a dia.

A escola é um ambiente vivo, onde a emoção faz parte dos tratados de boa convivência, desenvolvendo, assim, condições de administrar as emoções mais fortes e ao mesmo tempo continuar com um ambiente vivo. Perrenoud (2002) contempla que o ensino é uma profissão de foco relacional, representado pelo professor, com toda sua subjetividade, ou seja, suas palavras, seus gestos, seu

corpo, seu espírito, que dão sentido às informações que quer fazer chegar aos colegas e alunos.

Com efeito, é importante prestar atenção no outro, em seus saberes, dificuldades, angustias e alegrias, assim podemos entender que construir vínculos positivos na comunidade escolar é necessário. Nesse sentido, não se pode dar espaço para sentimentos negativos como o rancor, a rispidez, o mau humor, o desrespeito, a ofensa, o cinismo, o autoritarismo, que humilham e envergonham. Enfim, o professor deve ter sentimentos positivos, tanto individual, como coletivo, que fazem parte do crescimento pessoal. O agir pedagógico deve contemplar a harmonia, a tolerância, a capacidade de cuidar do outro e se deixar ser cuidado, ser ouvido, ser colhido, ouvir, ser organizado, adaptar-se ao novo, como sugerem as falas abaixo.

Marina - Eu acho que eu vou ser bem recebida né? Porque onde eu

trabalho, onde eu estagio sempre fui bem recebida, foi bem acolhedor, me acolheram muito bem, sempre fui ouvida, então eu não tive nenhum problemas com os professores, eles me ajudaram, me falaram que eu podia melhorar em alguma coisa e eu melhorei sempre me esforço bastante pra não ser chamada atenção né? Sempre me empenhando, sendo organizada. A coordenadora lá, ela é muito gente boa, ela é bem assim, ouve mesmo, quando é pra ouvir a gente ela ouve, ela respeita as opiniões, e a gente tem que se impor né? Pra quando for preciso escutar a gente.

Ah, pelos alunos vou ser bem recebida, eles me chamam de tia, eles tem mais contato comigo assim, mais liberdade comigo do que com a professora, porque ela fala mais, quando eles querem fazer alguma coisa quando eles estão todos quietinhos, eles falam bem pertinho de mim tia posso ir no banheiro, eu posso tá na zuada que for, posso tá na rodinha e ela tá na mesa, mas eles não vão lá onde ela, eles vão la pra mim na rodinha, gente eu tô na rodinha, vão pra lá onde a professora, tudo é pra mim, tia eu posso ir no banheiro? Tia eu posso beber água? Tia olha aqui minha atividade, tia eu terminei, tudo é pra mim assim, só vão pra ela quando eu tô muito ocupada aí, eles não mostram pra mim. (informação verbal).

Mércia - Eu acho que vão me receber bem, por eles, porque primeiro eu

acho que não se deve chegar num lugar criando tanta indiferença assim, dependendo da escola que você for trabalhar, é você se adaptar ao lugar que você tá chegando, não adaptar o lugar a você, né? E é isso se conhecer melhor, buscando um jeito melhor pra trabalhar em conjunto. Aí eu acho que a mesma coisa que dos professores, só que aí a gente pode ter várias relações, rebater mesmo sobre projetos, recursos, talvez não seria nenhuma dinâmica, seria um debate mesmo com relação ao ensino mas não ia ter muita dificuldade não.

Os alunos, eu tenho certeza que vão me receber maravilhosamente bem, sempre gostei de crianças, como eu já trabalhei com crianças por muitos anos. (informação verbal).

As relações com os agentes educacionais estão relacionadas à história de vida e à história profissional, com o entendimento do que seja o ambiente

escolar. É necessário estudar, situar o saber do professor na interface entre o individual e o social, entre o ator e o sistema, a fim de captar a sua natureza social e individual como um todo (TARDIF, 2008). É muito importante ser colhido, ser ouvido, ser ajudado, participar, ser sujeito do processo educacional. Essas condicionantes levam ao crescimento dos diversos saberes. As relações dos professores com os saberes nunca são relações estritamente cognitivas: são relações mediadas pelo trabalho que lhes fornece princípios para enfrentar e solucionar situações cotidianas.

É sabido que o desempenho escolar individual de cada aluno depende não apenas do seu rendimento em sala de aula e da competência de seus professores, mas também do apoio da base familiar que o aluno encontra em sua casa. A relação entre família e estudo e, principalmente, a maneira como a família de cada aluno se comporta em relação ao seu desempenho escolar, influencia os resultados obtidos por crianças e adolescentes, independente de classe social. A relação da escola com a família é muito importante, principalmente se essa parceria acontece quando a escola provoca, por meios de projetos, reuniões, palestras etc., uma aprendizagem eficaz. Na visão de alguns participantes, foi percebido, durante sua formação acadêmica, a importância e a necessidade de se ter uma boa relação com os pais dos alunos, conforme foi relatada por eles:

Márcia - Principalmente quando a escola der abertura pra isso, né? Com

projetos, reuniões, sempre tem que ter essa parceria entre a escola e a comunidade. (informação verbal).

Mércia - Eu sempre me dei bem com os pais das crianças, com as crianças,

com a própria comunidade que eu trabalhava, então, não vou ter dificuldade. (informação verbal).

O docente deve saber olhar seu aluno de forma criteriosa, deve conhecer sua família, conhecer detalhes como o bairro que mora, ocupação dos pais, sua religião etc. Deve desenvolver a capacidade de ouvir, observar e aprender com as famílias. É importante esse conhecimento para poder criar vínculo e saber trabalhar as diferenças de cada família.

Os problemas situados na família geralmente vêm para a escola, para a sala de aula e muitas vezes trazem sérios traumas para o aluno. O envolvimento do professor com o aluno acontece através de trocas afetivas, por isso, faz-se necessário criar vínculos, articular ações que possibilitem a relação escola-família, pois a educação não acontece essencialmente na escola, ou só na família. Juntas, escola e família, são responsáveis por uma aprendizagem significativa para os

alunos, tornando-os sujeitos mais seguros, prontos para um crescimento cognitivo, social e emocional. Esse vínculo dialógico surge da necessidade de buscar uma sintonia dos valores dos dois espaços em questão. Assim, constrói-se uma afetividade com vínculo positivo. Nesse contexto, podemos visualizar, nas falas abaixo, a intimidade e confiança estabelecida no relacionamento professor e família.

Manuela - Com certeza eles vão falar bem de mim para os pais como já

falaram, já teve uma mãe que chegou pra mim e disse: tia, o Davi chegou em casa falando que você tá incentivando ele, então realmente ele aprendeu, começou a se desenvolver. Aí, eu comecei a dar incentivo, olha você consegue, você aprende, você é inteligente, então vamos lá, vamos tentar, aí no dia seguinte ele falou pra mãe, aí a mãe no dia seguinte disse- me: olha, o Davi chegou falando que você tá ajudando, tá incentivando, eu acredito que eu vou ser bem vista por eles né? (informação verbal).

Marcela - Os pais, eu acredito que eu vou estar fazendo um bem aos filhos

deles, logo os pais vão reconhecer isso porque os filhos deles vão estar falando de mim a todo momento, então vão ter esse laço também de afetividade. (informação verbal).

É importante perceber o aluno como ser pensante, que constrói seu mundo com conhecimento e afetividade. Essa construção da afetividade não acontece só pelo contato físico. Como nas falas acima, incentivar, elogiar o aluno, elogiar seu trabalho, reconhecer seu esforço e motivar, sempre são formas de construção cognitivas que constituem vínculos de ligação afetiva. Dessa forma, o olhar do professor é indispensável para o conjunto de critérios e condições para a aprendizagem significativa do seu aluno. Esse olhar traz em seu bojo credibilidade, confiança, afeto, valorização.

De acordo com Almeida (1999), as relações afetivas são particularmente importantes, pois a transmissão de conhecimento implica, necessariamente, uma interação entre pessoas. Portando, na relação professor- aluno, relação de pessoa para pessoa, o afeto está presente.

Destaca-se como atribuição do professor, favorecer o comparecimento e a participação dos pais em reuniões, o envolvimento em associações de pais e em todas as atividades que a escola proporciona. De acordo com Perrenoud (2000), seja qual for sua pedagogia, um professor precisa que os pais de seus alunos a compreendam e apoiem a ela, pelo menos globalmente. Vale ressaltar, que uma aprendizagem significativa perpassa pelo relacionamento família e escola. Por isso, é fundamental o professor saber envolver a família no contexto escolar.