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4. METHODS AND DATA USED TO TEST THEORY

4.3 V ARIATIONS OF MODEL USED TO TEST THEORY AND DATA

Muito diferentemente do que em geral se pensa, o narcisismo não é usado somente para se referir àquele sujeito que nutre amor excessivo a si mesmo e a sua imagem. Comumente, e até mesmo na psicanálise, o termo pode ficar restrito a um estado patológico, sendo fácil e equivocadamente considerado como sinônimo de psicopatologia, de problemas

psíquicos. Pretendemos destacar que o conceito de narcisismo na psicanálise vai muito além de narcisismo como sinônimo de psicopatologia, ou de outros usos restritos. Ele pode ser amplamente entendido, e usado de várias formas que contribuem para o entendimento do psiquismo e de sua dinâmica. O termo pode abranger diferentes elementos da mente humana permitindo uma série de acessos à compreensão da vida psíquica; sua restrição a somente um significado o torna pouco esclarecedor, empobrecedor e reduz sua utilidade.

No texto de Freud (1914) sobre o narcisismo, podemos encontrar a utilização do termo em mais de duas sutis acepções, que não são propriamente distintas, mas complementares, além do uso capital de ”narcisismo primário” que se refere a uma fase do desenvolvimento. A primeira delas, e é com esta que Freud inicia seu artigo, se refere ao campo econômico, da pulsão, e significa o investimento da libido no ego, isto é, ao fato de este ser tomado como objeto de amor. Em um sentido mais amplo, isto significaria ser amado e admirado por si mesmo. O narcisismo diz respeito à relação da libido com o ego. A outra acepção – e gostaríamos de frisar que ela é complementar – se refere aos sentimentos desfrutados pelo ego em função deste investimento: sentimentos de completude, auto-suficiência, perfeição, onipotência, megalomania, ser admirado incondicionalmente.

Na psicanálise além de Freud, o termo “narcisismo”, em um sentido mais geral, pode ser usado de muitas maneiras. Estes usos vão além daquela fase primária do desenvolvimento, ou do extremo isolamento das relações objetais em algumas patologias. Só aí já enunciamos dois significados, um como fase de desenvolvimento humano e o outro como categoria psicopatológica.

Podemos, portanto, distinguir esquematicamente os usos da seguinte maneira:

a) Fase ou etapa do desenvolvimento infantil de indiscriminação com o objeto primário: narcisismo primário absoluto. Nesta fase temos também presente o termo identificação narcísica com o objeto, que significa este tipo de relação em que esteja presente a fusão com o objeto: ele é ao mesmo tempo amor e identificação; um amor narcisista da criança pela mãe (LAPLANCHE, 1987). b) O chamado narcisismo secundário: em termos econômicos e dinâmicos, trata-se

do investimento do impulso libidinal no ego através do processo de retração da libido dos objetos para o ego – processo denominado de “identificação secundária”.

c) Narcisismo como tipo de escolha/relação objetal: a escolha narcísica de objeto ou relação objetal narcísica, na qual o sujeito se relaciona com o objeto pautado na lógica da manutenção de seu próprio narcisismo. É comum encontrarmos também

os termos “vínculo narcísico” e “amor narcisista”. Todos eles se referem a um tipo de vínculo com o objeto ou ideal que se baseia em lógicas narcísicas: ama-se aquele que reflete a si-mesmo, aquele que permite a realização de ideais narcisistas e aquele que um dia foi parte de si-mesmo.

d) Categoria diagnóstica ou psicopatológica: narcisismo como perversão sexual, psicoses, ou as atuais categorias de patologias/distúrbios/personalidades narcísicas. Costuma-se falar em um ponto de fixação no narcisismo (psicose) ou em falhas na constituição deste (distúrbios narcísicos). A expressão “personalidade narcísica” também é muito encontrado.

e) Desejos ou ideais narcísicos: neste caso, o termo é utilizado para fazer referência a desejos egoístas, desejos onipotentes de fusão com o objeto sem barreiras, sem diferenças e sem desencontros, a busca da ausência de sofrimento e de perfeição total, desejos que almejam a completude, desejo de realização de altos sonhos impossíveis, megalomania, desejos de amor e admiração incondicional. Tais desejos são experimentados pelo bebê em sua fase narcisista e são chamados de “desejos narcísicos”. Nisto se baseia o uso corriqueiro no senso comum para se referir àquela pessoa que é “metida”, ou daquela que quer tudo para si, é egoísta, daquele que tudo sabe, enfim, de um sujeito ou de atitudes chamadas de “narcisistas”. Este é um funcionamento que tem como referência ideais absolutos, que operam nos extremos. Aqui temos também a presença do ego ideal ou ideal de ego, que são as instâncias responsáveis pelo narcisismo renunciado da infância, nas quais estão “contidos” os ideais narcisistas;

f) Narcisismo como sinônimo de auto-estima, amor próprio ou auto-conceito. Aqui pensamos em um “bom” narcisismo, mais em termos funcionais, com a incumbência de manter as imagens positivas do ego; em termos finais, ele aqui corresponderia ao conjunto de recursos egóicos para manter a organização psíquica. Freud (1914) faz referência à manutenção da auto-estima como um produto de três condições: resquício do narcisismo primário perdido na infância, as satisfações obtidas nas relações com os objetos e, por último, a aproximação do ego com seu ego ideal.

g) Por fim, gostaríamos de propor uma definição ampla e geral para nos referirmos a todas estas acepções anteriores. Em conjunto, todos estes usos do termo servem para se referir a processos psíquicos ou relacionais em que o elemento de destaque é narcísico. Propomos então chamá-los de elementos narcísicos.

E tais usos serão mais bem definidos ao longo do texto.