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Conclusões e perspectivas futuras

O presente trabalho apresenta um ambiente de apoio a estudantes e professores envol- vidos com a elaboração de propostas para TCC em IES. A concepção deste ambiente é supor- tada por três assuntos, a saber:

1. modelos pedagógicos para fomentar a cooperação e a colaboração na elaboração de projetos, são empregadas duas propostas pedagógicas: aprendizagem colaborativa e pedagogia de projetos;

2. agentes assistentes e sistemas multiagentes, com suas interações cooperativas, formam a parte funcional do sistema proposto, possibilitando as atividades dos agentes huma- nos, assim como o seu apoio direcionado;

3. mecanismos de apoio baseados no modelo 3C, proposto por Fuks e equipe (FUKS,

2000; GEROSA, FUKS & LUCENA, 2004; PIMENTEL FUKS & LUCENA, 2004), dão sustentação à definição dos mecanismos que apóiam os usuários do ambiente e in- dicam como esses atores realizarão suas atividades de comunicação, cooperação e co- ordenação.

A aprendizagem colaborativa e a pedagogia de projetos são modelos pedagógicos am- plamente utilizados em ambientes de aprendizagem apoiados por computador. Por serem vol- tados à construção do conhecimento contextualizado e centrado na construção de obje- tos/artefatos, esses ambientes computacionais de ensino serviram de inspiração para a con- cepção do ambiente proposto. Como já discutido, tais ambientes levam o estudante a construir projetos de forma colaborativa inclusive com a preocupação com suas fases como proposição de tema, identificação de problema e hipóteses (HANSEN et al., 1999).

Os agentes assistentes, idéia que se inspira na noção de agentes racionais (SALLAN-

TIN, 1997 apud CABRAL, FERNEDA & NÓBREGA, 2006), vem a ser uma construção per-

sonalizada do conhecimento do usuário (agente humano) por meio da interação deste com seu assistente dando-lhe a capacidade e a responsabilidade de agir e oferecer apoio de forma dire-

cionada e individualizada. Cada agente, então, registra e controla o conhecimento do seu a- gente humano enquanto esse último se encontra ativo no sistema. Ao término das atividades dos agentes humanos – seja no final do período letivo ou afastamento por motivos variados – o agente administrativo (AAdm), que controla toda a sociedade de agentes, coloca seus agen-

tes em estado de hibernação. Esse procedimento evita que se acumule, com o tempo, um nú-

mero excessivo de agentes ativos. Porém, o agente em hibernação preserva o seu conhecimen- to com o propósito de atender a futuras necessidades quando solicitado.

Os mecanismos propostos para o ambiente, inspirados no modelo 3C, buscam propici- ar o espaço necessário para que ocorram os processos de orientação, debate, negociação, coo- peração, colaboração e coordenação. Os mecanismos de comunicação viabilizam os debates, negociações, acordos, etc., necessários no processo de orientação. Os mecanismos de coorde- nação formalizam os compromissos gerados pela comunicação nas situações anteriores e ser- vem de acompanhamento do cumprimento dos mesmos. Os mecanismos de cooperação, o ter- ceiro dos três C’s (FUKS, 2000; GEROSA, FUKS, LUCENA, 2004), viabilizam a interação, o compartilhamento e a integração de ações.

Além desses pilares, duas outras abordagens foram consideradas na concepção do am- biente: a “arquitetura” de colaboração AC-Híbrida (CASTRO et al., 2004) e a modelagem dos usuários. Em relação à primeira, ela foi empregada no ambiente proposto como um esquema que viabiliza a discussão assíncrona centrada nos documentos de propostas. Sob essa aborda- gem, é possível que estudantes e professores foquem suas discussões na construção desses artefatos e coordenem ações em função das decisões decorridas desses debates. Tais ações

coordenadas podem, então, ser formalizadas e acompanhadas pelo mecanismo Agenda. Com-

promissos formalizados nesses mecanismos são acompanhados pelos agentes assistentes dos atores envolvidos e esses cuidam de alertar, quando assim programados, os seus agentes hu- manos de suas obrigações. Dessa forma, o AgenTCC viabiliza o debate em torno das propos- tas que fomentam a coordenação de ações, gerando compromissos acompanhados pelos agen- tes.

A modelagem possibilita que os agentes assistentes ofereçam um apoio direcionado às características pessoais de seus assistidos. A modelagem de estudantes e de professores pro- posta neste trabalho é inspirada em Cumming & Self (1991) e Veermans (2002). Com ela, os agentes podem apoiar os estudantes com sugestões de assuntos relacionados às suas preferên- cias e seus anseios no momento da busca por um tema ou orientador para sua proposta de TCC.

Paralelamente a esses modelos que dão suporte à concepção do ambiente, levou-se em consideração a estruturação do processo de orientação utilizando a proposta de coordenação de ações de Flores (1996). Essa proposta esquematiza um ciclo de quatro fases que cobrem os

momentos de interação do estudante com o ambiente: (i) Contextualização: contato inicial,

apresentação, pesquisas e formulação do pedido de orientação; (ii) Negociação: negociação da

orientação com professores e grupos e fechamento do acordo de orientação; (iii) Realização:

desenvolvimento da proposta, orientação, acompanhamento, discussões, cooperação e colabo-

ração e (iv) Avaliação: análise retroativa do processo e levantamento do nível de satisfação

dos envolvidos. Como discutido nas Seções 4.1.1.1, 4.1.1.2, 4.1.1.3, 4.1.1.4 e 4.5 essa abor- dagem do processo sob a ótica do ciclo de ações de Flores serve como esquema para estrutu- rar a interação entre estudantes, professores e ambiente.

Em termos de objetivos gerais, vislumbrou-se a definição de um modelo de ambiente colaborativo para apoiar o estudante em sua tarefa de elaboração de proposta de TCC em IES. Para isso, identificaram-se os seguintes objetivos específicos:

1. identificação dos atores envolvidos no processo de orientação;

2. identificação e caracterização das interações entre os atores envolvidos;

3. identificação das ferramentas de colaboração síncronas e assíncronas que sejam mais indicadas para utilização no modelo;

4. identificação e definição dos recursos necessários nas diversas fases de elaboração da proposta;

5. identificação e adoção e/ou adaptação de metodologias de levantamento de perfis e modelagem de estudantes;

6. identificação de conhecimentos e informações convenientes para apoio à elaboração de proposta de TCC;

7. proposição ou identificação e adaptação de mecanismo de raciocínio para apoio à ela- boração de proposta de acordo com perfil identificado.

Com relação aos primeiro e segundo objetivos específicos, foram feitas pesquisas bi- bliográficas que procuraram identificar na literatura os atores do processo de orientação, as- sim como, suas interações. A pesquisa bibliográfica em livros focados no assunto de trabalhos de conclusão, assim como manuais internos de IES foram a fonte de identificação de tais ele- mentos. Como era de se esperar, foram identificados entre os atores do processo os professo- res orientadores, professores colaboradores, estudantes orientandos e professores coordenado- res. Quanto às interações entre tais atores, por ser um assunto menos prático, pouco se trata na

literatura do mesmo de forma explícita. Ainda assim, foram identificadas em trabalhos associ- ados às ferramentas computacionais de ensino, que tratam dos modelos pedagógicos mencio- nados acima, estudos que atenderam às expectativas da pesquisa, especialmente nos trabalhos de Brito (2001), Fuks (2000), Togneri et al. (2003) e Hansen et al. (1999).

Os trabalhos citados anteriormente, juntamente com a proposta de Castro et al. (2004) entre outros, ajudaram a identificar as ferramentas de colaboração assíncronas e síncronas que apontaram o arcabouço deste ambiente, atendendo assim, aos terceiro e quarto objetivos espe- cíficos.

Em relação à modelagem de estudantes, como foi discutido nesta seção anteriormente, os trabalhos de Cumming & Self (1991) e Veermans (2002) foram determinantes em relação aos quinto e sexto objetivos específicos.

Em termos de conhecimento e informações convenientes ao apoio à elaboração de propostas de TCC (sétimo objetivo específico), constatou-se, por meio das respostas obtidas com os questionários aplicados (Apêndices A, B, C e D), que alguns elementos são pontos comuns na avaliação do estudante no momento de orientá-lo nessa fase. Pode-se destacar as preferências dos estudantes em termos de disciplinas e assuntos discutidos dentro do contexto disciplinar como fator de direcionamento do estudante na escolha de seu tema e seu orienta- dor. Para relacionar esses elementos de preferência do estudante com o professor, procurou-se associar a este último seus elementos de domínio e preferências. Esses conhecimentos acerca de estudantes e professores são apresentados nas seções que tratam do conhecimento dos AAP e AAE em termos de perfis do professor e do estudante.

Para o apoio à elaboração de propostas, levando em consideração o perfil do estudan- te, a abordagem de agentes computacionais serviu de pilar para a concepção deste ambiente. Cada um dos agentes da sociedade representa um agente humano do mundo real no ambiente. Esses agentes assistem a seus agentes humanos, levando em consideração o conhecimento adquirido em relação a estes, atendendo assim o último objetivo específico.

Na perspectiva de trabalhos futuros, como uma primeira iniciativa, sugere-se a imple- mentação do ambiente aqui proposto visando à observação de seu desempenho à luz de uma realidade prática. Além disso, sugere-se estender o projeto do ambiente para sua aplicação em cursos de pós-graduação.

Outra sugestão de trabalho futuro é quanto à inclusão no sistema da divisão em cursos de graduação. Assim, poder-se-ia ter coordenadores distintos para cada curso e, dessa forma, seria possível que cada coordenador estipulasse independentemente seus modelos de docu- mentos para as propostas, assim como outras configurações com relação à possibilidade de trabalhos em grupo, data de encerramento, etc. Neste trabalho o autor não se preocupou com essa questão, pois a meta é a concepção de um modelo de ambiente que possibilite o apoio e o acompanhamento da elaboração de propostas. Mas, vislumbra-se a necessidade de divisão no sistema dos estudantes e seus trabalhos por cursos. Essa necessidade pode ser mais bem per- cebida em grandes IES onde as regras/normas para trabalhos acadêmicos podem ser distintas entre os cursos superiores.

Para a modelagem do conhecimento dos agentes assistentes foram propostos arquivos

em formato XML. Em virtude de ser este um trabalho de concepção de um modelo de ambien-

te, o autor entende que uma modelagem nesse formato de arquivo seja por ora satisfatória. Contudo, sugere-se uma formalização do conhecimento de maneira a facilitar busca semânti- ca, ao invés de sintática por meio de palavras-chave, como sugerido em um primeiro momen- to.

Estudos como o de Santoro, Borges & Santos (2001, 2002) e Veen (2001) apontam pa-

ra a possibilidade do uso de Workflow em ambientes educacionais. Neste ambiente, a coorde-

nação de ações e o controle da evolução das propostas em etapas, em função das característi- cas inerentes à atividade, ficaram livres para serem conduzidas e negociadas através dos fó- runs de debate, documentos e suas versões organizados de acordo com a AC-Híbrida e seus

níveis. Além disso, os documentos XML para manipulação das propostas, carregam em sua

estrutura informações de como deve ser a sua manipulação, o seu processamento e sua apre- sentação. Essa abordagem torna o processo mais dinâmico, flexível e permite uma personali- zação a cada caso. Contudo, um estudo mais detalhado pode identificar a viabilidade de uso de Workflow como forma de estipular a seqüência de atividades e ações envoltas no processo de acompanhamento de elaboração de propostas.

Por meio das análises realizadas na seção de relevância do estudo, identificou-se que a atividade de orientação/acompanhamento de trabalhos de TCC é inerentemente subjetiva, di- nâmica e interativa. Assim, o sistema proposto busca oferecer um apoio direcionado ao perfil do usuário, sem, ao mesmo tempo, restringir as possibilidades de pesquisa e aprimoramento pessoal. Dessa forma, o ambiente proposto vem a atender tais necessidades e ao mesmo tem- po à suposição inicial de concepção de um modelo de ambiente baseado em aprendizagem por

projetos e agentes inteligentes para o desenvolvimento e acompanhamento de trabalhos cola- borativos.

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