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Den narrative konstruksjon av virkeligheten

4 Selvforståelse og frihet .1 Selvrefleksjon

4.4 Den narrative konstruksjon av virkeligheten

Inteligência e planejamento estratégico devem ter uma relação íntima e permanente. Não é possível ter um planejamento estratégico eficaz sem o suporte de inteligência e também não há razão para se ter a inteligência estruturada em uma organização se não for para apoiar as demandas do planejamento estratégico.

Muitos pensadores de planejamento estratégico para organizações empresariais defendem a tese de que o mercado nada mais é do que um mero campo de batalhas. Em parte, isto é verdade, pois é possível ver claramente as organizações serem excluídas dessa competição, tal a incapacidade de seus dirigentes de conduzi-las a uma situação de estabilidade no mercado.

Vivenciando essas organizações empresariais uma competição de mercado que se assemelha à guerra, cabe aos seus executivos conceber a estratégia, tomando boas decisões sobre os objetivos pré-determinados dentro de um prazo estimado e cumprir a missão da sua organização.

Para Cardoso Júnior (2005), um dirigente empresarial, como qualquer comandante de operações militares, precisa de informações qualificadas a respeito dos competidores e da arena de combate para que possa tomar as melhores decisões estratégicas. O esforço de coletar e analisar as informações do ambiente externo caracteriza a essência da Atividade de Inteligência desde a sua origem nos primórdios da humanidade.

Vale ressaltar que esta é a estratégia13 voltada às organizações empresariais, em que ter a capacidade de planejar para o longo prazo e maximizar o desempenho no curto prazo é vital para os gestores da nova economia.

Neste contexto, o tema estratégia, configura uma declaração de intenções que define onde se pretende chegar ao final de um conjunto de operações.

Para Mintzberg (2000) entre a estratégia inicial pretendida de um empreendimento e a consecução dos objetivos propostos e estabelecidos pelo planejamento, vários fatores (internos e externos) influenciam diretamente no rumo do desempenho organizacional.

Colaborando com a eficácia desse processo, a inteligência atua como se fosse um radar apontado para fora da organização, para captar indícios do que ocorre ao seu redor, diminuindo o sentimento de incerteza.

Esse rastreamento é focado para colher informações que não são facilmente percebidas, quer porque estão ocultas e/ou desconexas quer porque estão camufladas ou mesmo distorcidas por ação de um concorrente. Para tal, a atividade de inteligência gera recomendações voltadas para eventos futuros e não somente relatórios para justificar decisões passadas.

13 Estratégia é um conjunto de decisões sobre cursos de ação e alocação de recursos para atingir a objetivos pré-determinados dentro de um prazo estimado e cumprir a missão da organização.

Na ânsia de saber tudo o que possa interferir em uma tomada de decisão estratégica, a sociedade do conhecimento exige uma atitude ética das organizações empresariais em todas as suas atividades.

Isso diz respeito às intenções da empresa com funcionários, fornecedores, clientes, acionistas, governo, concorrentes, meio ambiente e com a comunidade.

Segundo Porter (1980), é necessário lembrar que para ter sucesso empresarial é necessário, cada vez mais, o alinhamento efetivo das condutas humanas (individuais e coletivas) à estratégia corporativa (consciência ética).

Não podem existir “zonas cinzentas”, nem devem ser utilizados quaisquer procedimentos ilegais para obter informações.

Informação conseguida ilegalmente é sempre dispendiosa, incompleta e perigosa. As questões éticas dizem respeito a todos os desdobramentos do trabalho de coleta, de análise e de disseminação de insumos estratégicos, pois a atividade de inteligência não existe para levar o dirigente de uma organização a ser incompatibilizado com a justiça (CARDOSO JÚNIOR, 2005).

De acordo com Borholdt (1997), qualquer organização pode ser contratualmente, civilmente e penalmente responsabilizada pelas ações dos seus integrantes. Assim, o papel do responsável pelo setor de inteligência é o de trabalhar sempre dentro da legalidade, dando provas do seu nível de exigência nas questões éticas, mesmo quando sob pressão destes, se arrisca a desagradar chefes e companheiros.

Outro aspecto relevante da ética nesse processo é o controle que deve haver sobre a qualidade moral das fontes. Os contatos externos não devem ser “alavancados” com manipulações ou pressões financeiras e morais.

Segundo a SCIP (Society of Competitive Intelligence Professionals, 1990, apud CARDOSO JÚNIOR, 2005), a reunião de insumos informacionais será ética quando a organização:

ƒ Colecionar matérias publicadas e documentos ostensivos fornecidos pelos concorrentes;

ƒ Obtiver legalmente pesquisas de mercado e relatórios abertos dos concorrentes (financeiro, operacionais, de consultorias, etc.);

ƒ Reunir material oriundo de patentes, feiras, mostras, exposições, missões, viagens de estudos, formadores de opinião, fontes internas, clubes, candidatos a emprego, prestadores de serviço, redes pessoais e de especialistas, sendo a entrevista uma das principais ferramentas;

ƒ Fizer engenharia reversa de produtos; e

ƒ Obtiver informações consensualmente, de empregados dos concorrentes e de quem faz negócios com eles.

Conforme ilustrado nos quadros abaixo o julgamento da fonte e do conteúdo podem ser analisados da seguinte forma:

Para Determinar Pergunta-se Verifica-se

AUTENTICIDADE ƒ O dado provém da fonte presumida?

ƒ Em caso afirmativo, foi nela que o dado se originou?

ƒ Meios transmissores ou meios pelos quais o dado transitou; e

ƒ Processos utilizados para a identificação do(s) informantes. CONFIANÇA ƒ Quem é a fonte?

ƒ Qual o interesse da fonte ao fornecer o dado?

ƒ Antecedentes: criminal, político, de lealdade, de honestidade, etc.;

ƒ Padrão de vida: compatível ou não com o seu poder aquisitivo (cargo, emprego, situação em relação ao órgão, etc); ƒ Contribuição já prestada ao órgão; e ƒ Motivação: ciúme, vingança, patriotismo, pagamento, interesse pessoal.

COMPETÊNCIA ƒ A fonte está habilitada a perceber e transmitir o dado?

ƒ A localização da fonte permite-lhe perceber o fato ou a situação que descreve?

ƒ Atributos pessoais da fonte para perceber, memorizar e descrever o fato ou a situação (experiência relativa ao assunto); e ƒ Considerações sobre data,

hora, local, etc. (oportunidade da observação).

Quadro 2 – Julgamento da Fonte

Para Determinar Pergunta-se Verifica-se

COERÊNCIA ƒ O dado em julgamento apresenta contradições em seu conteúdo?

ƒ A harmonia interna do dado; e

ƒ O encadeamento lógico. COMPATIBILIDADE ƒ O dado se harmoniza com outros

dados conhecidos anteriormente?

ƒ Relacionamento do dado com o que se sabe sobre o fato ou a situação que é o objeto do mesmo, e grau de harmonia.

SEMELHANÇA ƒ O dado provém realmente da fonte?

ƒ Meios transmissores ou meios pelos quais passou o dado; e

ƒ Se há outro dado cujo conteúdo esteja conforme o dado em julgamento.

Quadro 3 – Julgamento do Conteúdo

Fonte - (EBI – Manual do Estágio Básico de Inteligência, 2000)

Ainda de acordo a SCIP, (1990, apud CARDOSO JÚNIOR, 2005), no extremo oposto do que prega a atividade de inteligência estão às práticas ilegais, tais como:

ƒ Invadir propriedades dos concorrentes; ƒ Fazer ou terceirizar espionagem;

ƒ Subornar colaboradores dos concorrentes;

ƒ Infiltrar funcionários no quadro de empregados dos concorrentes; ƒ Chantagear e extorquir informações; e

ƒ Manter dossiês proibidos pela lei (com informações de natureza pessoal). Uma forma eficaz de enquadramento das questões éticas da atividade de inteligência em ambientes corporativos é a criação de um código de ética. Esse código consiste em um instrumento regulador que emprega critérios de conduta individual perante interesse coletivo.

Um bom exemplo de código de ética é o preconizado pela ABRAIC (Associação Brasileira dos Analistas de Inteligência Competitiva, 2006), a saber:

ƒ Preservar sua dignidade, prerrogativas e independência profissional;

ƒ Esforçar-se continuamente para aumentar o reconhecimento e o respeito à profissão;

ƒ Cumprir as leis aplicáveis, tanto no País quanto no exterior;

ƒ Manter sigilo sobre o que souber, em função da sua atividade profissional; ƒ Evitar envolver-se em conflitos de interesse para o desempenho ético-

profissional; e

ƒ Emitir opinião, dar parecer e sugerir medidas somente depois de estar seguro das informações produzidas e da confiabilidade dos dados obtidos. O desenvolvimento acelerado da atividade de inteligência na dimensão empresarial ocorrido nas últimas décadas decorre, em grande parte, do acirramento generalizado da concorrência no mundo dos negócios, da globalização, da evolução tecnológica e das crescentes necessidades dos mercados consumidores que agilizaram o amadurecimento dessa nova concepção de emprego para a atividade de inteligência, a inteligência estratégica, tida como uma das ferramentas mais eficazes na disputa de poder na nova economia.

Sendo muito mais transparente que no Modelo Clássico, a inteligência estratégica busca desenvolver, também, um conceito de convergência entre os competidores de um mesmo arranjo produtivo, no qual o objetivo maior deve ser o de encontrar formas de cooperação com os rivais para maximizar a eficácia, especialmente nas demandas de comércio exterior, onde é necessário disputar fatias de mercado com concorrentes mais experientes e capitalizados (CEPIK, 2003).

Cabe ressaltar que o Estado, para proteger o interesse dos consumidores, desenvolve os seus instrumentos e mecanismos para coibir qualquer intenção de formação de cartéis.

Hoje é preciso conhecer e praticar a gestão da competição globalizada, de forma estratégica. A organização empresarial brasileira ainda é muito carente de uma cultura verdadeiramente comercial, precisam “driblar” ainda o processo de transformação ora em curso no ambiente econômico global, maior causador de desequilíbrios nas relações comerciais internacionais e que aumenta a incerteza nos processos de tomada de decisão na dimensão estratégica de negócios.

A sobrevivência no atual mundo dos negócios exige especialização em administração estratégica que por sua vez demanda cada vez mais lideranças capacitadas, aptas e conciliar interesses muito diversos de consumidores, fornecedores, governos, investidores, entre outros.

A prática da atividade de inteligência nas organizações empresariais é uma resposta à globalização dos mercados e ao acirramento da concorrência com abrangência global. Ela caracteriza a busca por fontes científicas, tecnológicas, econômicas, políticas e mercadológicas que apóiem a tomada de decisão visando o melhor desempenho e posicionamento da organização no contexto em que ela atua.

Considerando a transição da Era Industrial para a Era do Conhecimento, as organizações mais seguras nesse processo têm se destacado por:

ƒ Planejar e implementar estratégias sistematicamente; ƒ Aplicar gestão por processos;

ƒ Operacionalizar internamente educação corporativa; e

ƒ Valorizar o conhecimento e criar e empregar inteligência estratégica como uma ferramenta eficaz de apoio ao processo decisório.

É conveniente esclarecer que uma organização se torna verdadeiramente competitiva quando:

ƒ É capaz de minimizar as ameaças do ingresso de organizações concorrentes no seu ambiente de atuação;

ƒ Consegue convencer a rivalidade imposta pelas organizações posicionadas no mercado, o que lhe permite ganhar e manter fatias de mercado; e

ƒ Consegue reduzir o poder de pressão de seus fornecedores e consumidores. Para um mercado aquecido, os esforços para aplicar a inteligência estratégica exigirão, invariavelmente, a reunião e a análise de informações com a finalidade de fundamentar o processo de tomada de decisões estratégicas.

O conhecimento precisa afinal, ser gerado e analisado antes de poder ser comunicado e utilizado (TARAPANOFF, 2001). Isto se aplica tanto aos dados gerados internamente quanto à inteligência obtida de fontes situadas fora da ambiência

organizacional, o que pode amenizar o isolamento que tantas vezes tolhe os tomadores de decisão.

Oferecendo apoio seguro à tomada de decisões estratégicas, a função da atividade de inteligência prever oportunidades e riscos, acompanha e avalia os concorrentes, e orienta a implementação eficaz de novos negócios. Assim a inteligência estratégica pode ser vista como uma reflexão organizacional pró-ativa, oportuna e focada no futuro.

A inteligência concentra uma atuação cada vez maior na dimensão econômica, dando suporte aos novos negócios, permitindo a conquista e a manutenção de vantagens competitivas. Esse é o principal motivo pelo qual a sociedade e a maioria das associações de classe vêm se interessando certamente pelo emprego da inteligência estratégica em suas demandas.

Em sentido amplo, o emprego da inteligência estratégica força as organizações a manterem um foco de rastreamento externo contínuo. É mais do que estudar os competidores; é o processo de estudar qualquer coisa que possa tornar a organização mais competitiva e posicioná-la melhor no mercado.

O que mais inspira a atividade de inteligência segundo o modelo empresarial é o sentido de empreendedorismo, com a antecipação de oportunidades mercadológicas, adotando abertamente um novo paradigma de competitividade. Para operarem dessa forma, seus sistemas precisam estar submetidos a pouca regulamentação normativa, de forma a poderem atuar mais livremente no mercado e de forma bastante transparente.

Com a adoção do modelo empresarial, além do aumento de riscos vivenciados na conjuntura atual, os executivos mais competentes e preparados costumam dedicar muito tempo na busca de oportunidades para conquistar e/ou manter suas fatias de mercado. Com essa visão, para a atividade de inteligência o principal não é saber como resolver os problemas emergentes, mas, sim, como identificar e aproveitar as oportunidades surgidas no ambiente externo.

De acordo com Borholdt (1997), a competitividade une-se, em cruz, um novo conjunto do “diamante estratégico”, conforme demonstrado na abaixo:

Cénários

Negócios Mudanças

Indicadores Competiti-

vidade

Figura 3 - Diamante Negro

Fonte: BORHOLDT, Werner. Orquestrando Empresas Vencedoras: guia prático de

administração de estratégias e mudanças. Rio de Janeiro: Campus, 1997.

Portanto, a competitividade é o centro de um conjunto de fatores dos quais recebe a influência direta de:

ƒ Cenários futuros; ƒ Negócios futuros;

ƒ Habilidade em introduzir mudanças; e ƒ Indicadores de desempenho.

Outro enfoque, explorado por Borholdt (1997), é o de estratégias competitivas. A idéia básica é ampliar e sistematizar o conceito clássico de ameaças x oportunidades, vantagens x desvantagens, pontos fortes x pontos fracos, em relação à cadeia de valores e aos competidores atuais e futuros.

Alvin Toffler (1995) cita a frase: “O conhecimento, arma decisiva para enfrentar a competição do futuro, inclui coisas tais como imaginação, valores, imagem e motivação, além das capacidades técnicas formais”, como exemplo de conceituação mais abrangente de estratégia competitiva.

A conceituação, atribuída a Toffler, descreve de maneira singular a questão chave de um modelo de administração estratégica, o domínio e a busca constante do conhecimento. Utilizando-se de processos criativos e estruturados, este processo busca a identificação da melhor oportunidade de crescimento da organização.

O grande diferencial competitivo nas organizações está no inter-relacionamento entre alta e média gerencia e na compreensão do ambiente do negócio. Amparados na declaração da missão, pressupostos básicos sobre os propósitos da organização, seus valores e suas competências especiais, os planos estratégicos são elaborados como forma de moldar a atuação empresarial para dado período.

Ancorado a esses planos estratégicos, estão os objetivos estratégicos, as metas operacionais e planos operacionais. A seguir, é demonstrado, na figura abaixo, um modelo de hierarquia dos planos, composto por um cenário ideal:

Figura 4 - Modelo de Hierarquia dos Planos

Fonte: Stoner, James A. F.; Freeman, R. Edward. Administração. Rio de Janeiro:

Prentice Hall do Brasil, 1995.

Stoner e Freeman (1995) descrevem um modelo de processo formal de planejamento estratégico. O processo estudado consiste numa abordagem direta e fácil, de acordo com os autores, que pode ser mais bem compreendido se cada passo, de um total de nove, for traduzido em uma pergunta ou uma afirmação simples como:

ƒ Passo 1: O que queremos?

ƒ Passo 2: O que estamos fazendo agora para obtermos o que queremos? ƒ Passo 3: O que há “lá fora” que precisa ser feito?

ƒ Passo 4: O que somos capazes de fazer?

ƒ Passo 6: Continuar o que estamos fazendo agora vai nos levar aonde queremos ir?

ƒ Passo 7: Isso é o que faremos para obter o que queremos; ƒ Passo 8: Fazê-lo;

ƒ Passo 9: Checar, freqüentemente, para ter certeza de que estamos fazendo o certo.

Cada uma dessas etapas, reproduzida na forma de perguntas ou afirmações, leva à consecução do processo de planejamento estratégico, onde, através de metodologias estruturadas e criativas serão envolvidas as pessoas chaves da organização. Nas respostas, as perguntas e afirmações acima têm a seguinte estrutura de planejamento estratégico:

1. Formulação de objetivos;

2. Identificação das metas e estratégias atuais; 3. Análise ambiental;

4. Análise de recursos;

5. Identificação de oportunidades estratégicas e ameaças; 6. Determinação do grau de mudança estratégica necessária; 7. Tomada de decisão estratégica;

ƒ Identificação de alternativas estratégicas; ƒ Avaliação de alternativas estratégicas; ƒ Seleção de alternativas estratégicas;

8. Implementação da estratégia; e 9. Medida e controle do progresso.

O processo tem seu início com a revisão e compreensão da missão da organização para, após, definir os objetivos que melhor traduzem a missão. Dos itens 2 a 6, procura-se ter uma base para se determinar o que deve ser feito de modo diferente para alcançar os objetivos organizacionais, com o cruzamento de informações e estudos de origem interna e externa.

No item 7, acontece a decisão de modificar ou não a estratégia atual, buscando um melhor desempenho da organização, à luz das alternativas construídas nos itens anteriores.

Os itens 8 e 9 representam o ”fazer acontecer”. A partir da decisão estratégica tomada, procurar-se-á a implementação com eficácia das estratégias e à medida de sua evolução, deve ser verificado o progresso em estágios periódicos ou críticos.

Nessa fase, procura-se responder a duas perguntas: 1. A estratégia está sendo implementada como o planejado? e 2. A estratégia está alcançando os resultados pretendidos?

Conforme Schendel e Hofer (1979), a administração estratégica evoluiu a partir das abordagens anteriores de formulação política e de estratégia inicial, defendidas por Chandler (2000).

Schendel e Hofer (1979) exploraram quatro aspectos-chave da administração estratégica: o primeiro era o estabelecimento de objetivos; segundo: a tarefa de formulação de estratégia num modelo que cria uma estratégia baseada nos objetivos da organização; terceiro: a implementação de estratégia e, por último, o controle estratégico com o feedback de seu progresso.

É possível observar que, desde a abordagem dos planos estratégicos até abordagem da administração estratégica, a preocupação com a melhor forma de construir um processo que possa alinhar os objetivos das organizações e seus recursos de forma a garantir um espaço competitivo e, dessa forma, sobreviver às turbulências do ambiente de negócios, tem sido uma busca constante dos estudiosos e administradores de forma geral.

A inteligência deve ser um processo sistemático de coleta, tratamento, análise e disseminação da informação sobre atividades dos concorrentes, tecnologias e tendências gerais dos negócios, visando subsidiar a tomada de decisão e atingir as metas estratégicas da organização (COELHO, 1999).

A inteligência realmente se extingue quando não se esforça por encontrar fontes exteriores. Embora a ação de controle sobre as redes possa ser trabalhosa, cada uma delas é promessa de outras redes e, por meio de conexões sucessivas, a organização pode satisfazer as suas necessidades de informação e reduzir o grau de incerteza.

As incertezas são óbices no processo de tomada de decisões, pois se sabe que elas permeiam os ambientes das próprias organizações, mas estão mais relacionadas com o seu ambiente externo do que com o interno. Elas decorrem da incapacidade das organizações de saberem quais são as oportunidades e ameaças desse ambiente e como devem ser utilizadas ou evitadas.

Mais ainda, a integração da Gestão do Conhecimento em todas as estruturas empresariais está contribuindo para um maior reconhecimento do trabalho de inteligência. O conhecimento precisa, afinal, se gerado e analisado antes de poder ser comunicado e utilizado. Isto se aplica tanto aos dados gerados internamente quanto à inteligência obtida de fontes situadas fora do âmbito da organização, o que pode amenizar o isolamento que tantas vezes tolhe os tomadores de decisão (PRESCOTT; MILLER, 2002, P.13).

Todavia, o sucesso do trabalho de Inteligência costuma estar condicionado ao atendimento de alguns fatores críticos, tais como:

ƒ O apoio da direção;

ƒ A boa integração da atividade de inteligência ao sistema de administração estratégica;

ƒ A alocação de colaboradores com características adequadas ao trabalho de inteligência, bem como o seu treinamento especializado;

ƒ Uma estruturação “customizada” da atividade de inteligência na organização, de forma a atender as demandas segundo a “cultura da casa”; ƒ O controle rigoroso sobre as atividades de coleta de informações;

ƒ A criação e o gerenciamento de redes de colaboradores externos;

ƒ Uma interatividade digital eficaz para os integrantes do sistema de inteligência; e

ƒ Uma boa visibilidade interna, evitando que as pessoas vejam a unidade como uma “caixa-preta”, onde elas não sabem o que se faz ali dentro e se as suas atividades são realmente lícitas e éticas.

É importante ter em mente que a Inteligência Empresarial Estratégica (IE²) consiste em um método da Inteligência Competitiva que tem a sua aplicação natural no ambiente empresarial de mercado e no terceiro setor, caracterizado pela concentração de organizações não governamentais, embora também possa ser utilizada com sucesso, fazendo algumas adaptações, em instituições de governo, superpondo as metodologias clássicas de Inteligência (CARDOSO JÚNIOR, 2005).